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A estrutura da personalidade segundo a Psicanálise

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Sobre alguns termos psicanalíticos

O pensamento psicanalítico dominou a psicologia do século XX e cunhou alguns conceitos cuja extensão ultrapassou o uso terapêutico e impregnou o pensamento erudito em várias áreas da cultura. Alguns deles chegaram mesmo a ganhar um uso popular. Freud elaborou uma teoria da estrutura e do desenvolvimento da personalidade, a qual consagrou determinados termos, hoje em dia muito conhecidos, mas nem sempre bem compreendidos.

A estrutura da personalidade segundo a Psicanálise

A personalidade é concebida como estruturada em instâncias consciente, pré-consciente e inconsciente. O consciente consiste em tudo aquilo de que nos damos conta, como as sensações, percepções, memórias, sentimentos e fantasias. Esse é o aspecto do nosso processamento mental de que podemos pensar e falar de maneira racional.

O pré-consciente inclui todas as coisas que embora não nos sejam presentes no momento podem facilmente voltar à consciência por um ato de vontade.

O inconsciente é onde mantemos nossos sentimentos, pensamentos, impulsos e lembranças das quais não nos damos conta, embora produzam efeitos. Além disso, o inconsciente contém também os elementos que foram reprimidos por serem inconvenientes ao consciente. O inconsciente pode influenciar o comportamento e a experiência das pessoas, mesmo que ela não se dê conta dessas influências subjacentes. A maioria dos conteúdos inconscientes permanecem lá por serem inaceitáveis ou desagradáveis para a pessoa e funcionam segundo o princípio do prazer.

Freud fez uma metáfora dessa teoria, comparando-a a um iceberg, no qual a maior parte, invisível, fica submersa (inconsciente). Conforme oscila, parte do iceberg está hora submersa hora imersa e se torna momentaneamente visível (pré-consciente). A ponta do iceberg fica permanentemente acima da água e é, por isso, permanentemente visível (consciente).

Há um segundo modo de conceber a estrutura da personalidade, uma espécie de “anatomia” da personalidade. Freud concebeu-a como dividida em três instâncias: o id, o ego e o superego.

O id está presente desde o nascimento: é o componente inato dos indivíduos. Ele é completamente inconsciente e inclui desejos, vontades e pulsões primitivas, formado principalmente pelos instintos e desejos orgânicos de prazer. O id é a fonte de toda a energia psíquica, por isso, é o principal componente da personalidade. É dirigido pelo princípio do prazer, que se esforça para alcançar a satisfação imediata de todos os desejos e necessidades. As outras partes que compõem a personalidade humana, o ego e o superego, se desenvolvem a partir do id.

O ego ou "eu" é o componente da personalidade que está encarregado da interação do ser humano com a sua realidade, de adaptar os desejos e as necessidades a essa realidade. O ego se desenvolve a partir do id e contrapõe a ele o “princípio da realidade”, assegurando que os impulsos do id possam ser expressos de maneira aceitável ou então reprimidos para o inconsciente. O ego funciona, pois, se esforçando para satisfazer os desejos do id de maneira realista e socialmente aceitável. Embora seja um componente adquirido, o ego começa a se desenvolver já nos primeiros anos de vida do indivíduo.

O superego é o aspecto da personalidade que contém todos os nossos padrões e ideais morais internalizados, que adquirimos dos pais e da sociedade. Como estrutura adquirida, o superego se desenvolve a partir do ego. É uma espécie de “censor” da personalidade e dá o senso do bem e do mal, fornecendo diretrizes para fazer julgamentos. O superego atua num sentido distinto e por vezes contrário ao id. Ele segue o “princípio do dever” e faz o julgamento das intenções do sujeito sempre agindo de acordo com heranças culturais relacionadas a valores e regras de conduta. O superego é, então, componente moral e social da personalidade.

Numa outra analogia, Freud comparou o id e o ego com o cavalo e o cavaleiro. O primeiro (o id) é quem tem a força para realizar os deslocamentos, mas é o segundo (o ego) quem dá a direção. Assim, o id fornece a impulsividade para os comportamentos, mas é o ego quem decide a forma como eles serão executados.

A relação dessas duas estruturas, uma com a outra se dá da seguinte maneira: o id é totalmente inconsciente; o ego é totalmente consciente e o superego é parcialmente consciente e parcialmente inconsciente.

Leia também: "O que é psicoterapia", "Saiba mais sobre as psicoterapias", "Psiquiatra, psicólogo ou psicanalista" e "Complexo de Édipo".

 

ABCMED, 2018. A estrutura da personalidade segundo a Psicanálise. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1320478/a-estrutura-da-personalidade-segundo-a-psicanalise.htm>. Acesso em: 24 mar. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.
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