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Diarreia crônica

terça-feira, 20 de setembro de 2022
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Diarreia crônica

O que é a diarreia crônica?

Diarreia é um termo comum usado para descrever eliminação de fezes amolecidas ou aquosas que ocorrem três ou mais vezes ao dia. A diarreia crônica é a diarreia que dura mais de quatro semanas ou vem e vai regularmente por um longo período.

Enquanto que a diarreia aguda não é grave e geralmente se resolve em poucos dias, a diarreia crônica pode levar a problemas graves se não for devidamente tratada. Também sua causa subjacente pode ser uma doença grave e potencialmente fatal, razão pela qual precisa ser adequadamente esclarecida.

Leia sobre "Diarreia aguda", "Desidratação", "Soro caseiro" e "Distúrbios hidroeletrolíticos".

Quais são as causas da diarreia crônica?

As diarreias crônicas se devem quase sempre a uma enfermidade subjacente:

  • Doenças inflamatórias intestinais, como doença de Crohn ou colite ulcerativa.
  • Síndrome do intestino irritável.
  • Infecções intestinais por vírus, fungos, bactérias ou parasitas.
  • Isquemia intestinal, que pode levar à formação de ulcerações no intestino.
  • Diarreia iatrogênica, que ocorre devido aos efeitos colaterais de medicamentos.
  • Intolerâncias alimentares (lactose, frutose, glúten, etc.).
  • Doenças do pâncreas, como pancreatite, por exemplo.
  • Câncer do intestino.

Qual é o substrato fisiopatológico da diarreia crônica?

A função fisiológica dos intestinos é absorver substâncias benéficas e excluir os patógenos e toxinas deletérias. Isto requer uma mucosa intestinal bastante seletiva que não seja apenas uma barreira mecânica, mas que também possa permitir a absorção seletiva de alguns solutos. Se esta barreira altera sua seletividade, instala-se um mecanismo patogênico que pode resultar na diarreia crônica.

Em pacientes com diarreia aquosa, estes solutos não são suficientemente absorvidos ou são secretados no lúmen do intestino, ou então ambas as coisas ao mesmo tempo. A quantidade de líquido nas fezes é determinada pelos solutos presentes nelas. A capacidade que têm os intestinos de desidratar as fezes e dar-lhes consistência normal também depende da barreira da mucosa em evitar a retrodifusão dos eletrólitos anteriormente absorvidos.

Quais são as características clínicas da diarreia crônica?

Os sintomas principais da diarreia crônica são a eliminação de fezes amolecidas ou aquosas que persiste por quatro semanas ou mais. Estas evacuações podem ou não serem acompanhadas de uma urgência de evacuar. Outros sintomas são dores e inchaços abdominais e náuseas.

Como o médico diagnostica a diarreia crônica?

A diarreia em si é autoevidente. Mais complicado é determinar a sua causa e, para isso, o médico pedirá exames de fezes, sangue e urina. Outras alternativas consistem em pedir exame de raios-X, colonoscopia ou sigmoidoscopia. Mesmo assim não se terá uma garantia absoluta de descobrir a causa da diarreia.

Veja também sobre "Exame parasitológico de fezes", "Amebíase" e "Ascaridíase".

Como o médico trata a diarreia crônica?

O tratamento da diarreia crônica deve se dar em três vertentes:

  1. a primeira é corrigir os efeitos da diarreia e fazê-la cessar;
  2. a segunda é tratar a causa ou causas subjacentes, o que varia grandemente;
  3. e a terceira a ser levada em conta é o estado nutricional do paciente, porque grande parte das diarreias crônicas causam mal absorção intestinal o que, a longo prazo, leva a deficiências nutricionais.

Quando as tentativas diagnósticas não resultarem em descobrir uma causa específica, uma terapia não específica deve ser implementada. Isso inclui nutrição enteral ou parenteral se o estado nutricional estiver comprometido e hidratação oral se a diarreia produziu depleção de volume. Nesses casos, o paciente deve consumir grandes quantidades de líquido e observar sua urina. A cor normal da urina (amarelo claro) ou a concentração dela, tornando-a mais escura, pode funcionar como uma primeira indicação de que há ou não líquido suficiente no corpo.

Se o paciente estiver desidratado deve receber uma reposição de líquidos contendo açúcar, sais minerais e proteínas para substituir os líquidos perdidos e manter o fluido corporal em um nível adequado.

Podem ser usadas também medicações opiáceas antidiarreicas, como a clonidina e agentes de ligação aos ácidos biliares. A clonidina tanto tem efeitos sobre a motilidade como sobre a absorção intestinal, o que facilita seu efeito antidiarreico.

Quanto à alimentação, o paciente deve adotar um regime que favoreça a suspensão da diarreia e reponha eventuais déficits nutricionais que ela tenha produzido. Deve escolher:

  • sopas ou purês feitos com vegetais cozidos que não estimulem o intestino, como abóbora, cenoura, batata-inglesa ou batata-doce;
  • frutas, cozidas de preferência, como, por exemplo, maçãs, pêssegos ou peras;
  • aveia;
  • arroz cozido;
  • carnes brancas (frango ou peixe) cozidas ou grelhadas.

O paciente deve também beber cerca de 2 litros de água por dia, incluindo soluções eletrolíticas.

Como evolui a diarreia crônica?

Evidentemente, a evolução da diarreia crônica depende da sua causa. Assim que a causa seja tratada ou curada (se possível), espera-se que a diarreia cesse. Quadros com longa duração, contudo, resultam num estado de debilitação orgânica e má nutrição, com perda de peso, porque mesmo as reposições bem orientadas não substituem adequadamente as regulações orgânicas naturais.

Felizmente, esse estado é reversível e corrigível dentro de algum tempo.

Quais são as complicações possíveis da diarreia crônica?

As complicações mais comuns da diarreia crônica são a desidratação e a desnutrição, as quais são de fácil correção, mas podem levar a consequências graves se não forem tratadas oportuna e corretamente.

Saiba mais sobre "Cuidados úteis em casos de diarreia", "Seis doenças típicas do verão", "Cólera" e "Colite pseudomembranosa"

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Ministério da Saúde – Brasil e da SBP - Sociedade Brasileira de Pediatria.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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