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Dermografismo - marcas vermelhas salientes, parece que escreveram na minha pele

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O que é dermografismo?

O termo dermografismo, ou dermatografismo (urticária1 física), significa literalmente escrever na pele2. Uma firme pressão sobre a pele2 produz uma linha vermelha inicial, seguida de um alargamento do eritema3 e formação de uma pápula4 linear. Esses eventos são chamados coletivamente de resposta tripla de Lewis. Uma resposta exagerada a esta tendência é vista em cerca de 2-5% da população e é referida como dermografismo sintomático5. Em uma minoria de pessoas, é acompanhada de coceira.

Quais são as causas do dermografismo?

O dermografismo sintomático5 geralmente é idiopático6, embora possa ter uma base imunológica em alguns pacientes. Há relatos de transferência passiva da resposta dermográfica com soro7 contendo imunoglobulina8 E e M (IgE e IgM), mas nenhum alérgeno9 específico foi identificado.

O dermografismo sintomático5 pode ser desencadeado por drogas, picada de inseto, infecção10 por Helicobacter pylori ou uma infestação11 (por exemplo, sarna12 ou infestação11 por verme chamado Fasciola hepática13). Fatores psicológicos e uma história de eventos estressantes da vida têm sido implicados como fatores desencadeantes em 30% dos pacientes.

Saiba mais sobre "Urticária1", "Coceira", "Picada de pernilongo", "Sarna12" e "Alergias".

Qual é o mecanismo fisiopatológico do dermografismo?

O mecanismo fisiopatológico exato do dermografismo permanece incerto. O trauma pode liberar um antígeno14 que interage com as imunoglobulinas15 que liberam mediadores inflamatórios nos tecidos, particularmente a histamina16. Esse processo faz com que pequenos vasos sanguíneos17 se dilatem e vazem, permitindo que o fluido se acumule na pele2 (inchaço18). Vários outros mediadores podem também estar envolvidos.

Quais são as principais características clínicas do dermografismo?

A maioria das pessoas com dermografismo é saudável. O dermografismo simples é a variante mais comum e os pacientes com essa forma são assintomáticos. No entanto, outras formas estão associadas ao prurido19 e isso pode ser significativamente incômodo. O sinal20 geralmente se desenvolve dentro de 5 a 10 minutos depois de se atacar a pele2 e persiste por 15 a 30 minutos. Se ocorrer a extensão profunda do inchaço18 podem se desenvolver pápulas21 gigantes.

Formas intermediárias e tardias de dermografismo desenvolvem-se mais lentamente e podem durar várias horas ou dias. Uma associação com doença da tireoide22 tem sido descrita em alguns pacientes, mas permanece controversa. Aproximadamente 75% dos pacientes com síndrome23 hipereosinofílica apresentam dermografismo. O dermografismo sintomático5 pode ser uma característica da dermatomiosite.

Em pacientes com dermografismo sintomático5, a erupção24 cutânea25 está associada à coceira, que é mais intensa à noite. Os sintomas26 podem ser agravados pelo calor (por exemplo, em um banho quente), por pressão (por exemplo, por arranhões, por fricção com a roupa ou por fricção com toalhas), exercício físico, estresse e emoção.

A coceira e a palpação27 podem afetar todas as superfícies corporais, mas o couro cabeludo e a genitália28 estão menos envolvidos. No entanto, dispareunia (dor sentida na relação sexual) e vulvodinia (dor na vagina29) foram relatadas em pacientes com dermografismo sintomático5. Formas mais raras de dermografismo incluem:

  1. Dermografismo vermelho: pequenas pápulas21 puntiformes que são mais proeminentes no tronco do que nos membros.
  2. Dermografismo folicular: pápulas21 transitórias, discretas, foliculares e urticariformes.
  3. Dermografismo colinérgico30: grande linha eritematosa31 cravejada com urticárias puntiformes. Em casos graves, podem ser observadas púrpuras32.
  4. Dermografismo tardio: pápula4 profunda, sensível e ardente que surge aproximadamente de 3 a 8 horas após a resposta dermográfica imediata e persiste por até 48 horas.
  5. Dermografismo precipitado a frio (raro).
  6. Dermografismo induzido por exercícios físicos.
  7. Dermografismo familiar, provavelmente herdado como um traço autossômico33 dominante.
Leia sobre "Dermatomiosite", "Estresse", "Edema34 ou inchaço18" e "Dispareunia".

Como o médico diagnostica o dermografismo?

O diagnóstico35 do dermografismo é feito pela observação da resposta clínica após o uso de pressão moderada ou arranhão da pele2. Os resultados dos testes hematológicos e bioquímicos dão resultados normais. Em alguns pacientes, observa-se um aumento nos níveis de histamina16 no sangue36 após o coçar experimental.

Os espécimes de biópsia37, raramente realizados para fins exclusivamente diagnósticos, mostram edema34 dérmico com algumas células38 mononucleares perivasculares. O dermografismo deve ser distinguido de outros tipos de urticária1, como urticária1 aguda, urticária1 colinérgica39, urticária1 crônica, urticária1 síndrome23 de contato, urticária1 de pressão e urticária1 solar.

Como o médico trata o dermografismo?

O dermografismo pode ser muito incômodo, mas não é uma ameaça à vida. Pacientes com dermografismo simples são assintomáticos e não necessitam de terapia. Pacientes com dermografismo sintomático5 devem ser tratados até que o problema seja adequadamente controlado ou resolvido.

Os anti-histamínicos H1 são os medicamentos de escolha, mas doses mais altas do que o padrão são necessárias para obter o controle dos sintomas26. O tratamento regular pode ter que ser continuado por vários meses. Um anticorpo40 contra imunoglobulina8 E (IgE) tem sido utilizado com sucesso. A fototerapia com luz ultravioleta UVA e UVB tem sido usada como tratamento para o dermografismo sintomático5.

Como evolui o dermografismo?

A história natural do dermografismo sintomático5 é imprevisível. Pode durar meses ou anos, ou estar presente de forma intermitente41. Em muitos pacientes, a condição melhora gradualmente e desaparece após vários anos. Das urticárias crônicas, o dermografismo sintomático5 parece ter o melhor prognóstico42 em termos de depuração após 5 anos (36%) e 10 anos (51%).

Como prevenir o dermografismo?

Deve-se evitar a precipitação de estímulos físicos sobre a pele2 e conseguir a redução do estresse e da ansiedade, que são fatores importantes na produção dos sintomas26. Além disso, o coçar por causa da pele2 seca pode ser reduzido através de bons cuidados com a pele2 e o uso de emolientes.

Veja também sobre "Testes alérgicos" e "Atividade física".

 

ABCMED, 2019. Dermografismo - marcas vermelhas salientes, parece que escreveram na minha pele. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/pele-saudavel/1332888/dermografismo-marcas-vermelhas-salientes-parece-que-escreveram-na-minha-pele.htm>. Acesso em: 17 nov. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Urticária: Reação alérgica manifestada na pele como elevações pruriginosas, acompanhadas de vermelhidão da mesma. Pode afetar uma parte ou a totalidade da pele. Em geral é autolimitada e cede em pouco tempo, podendo apresentar períodos de melhora e piora ao longo de vários dias.
2 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
3 Eritema: Vermelhidão da pele, difusa ou salpicada, que desaparece à pressão.
4 Pápula: Lesão firme e elevada, com bordas nítidas e diâmetro que varia de 1 a 5 milímetros (até 1 centímetro, segundo alguns autores).
5 Sintomático: 1. Relativo a ou que constitui sintoma. 2. Que é efeito de alguma doença. 3. Por extensão de sentido, é o que indica um particular estado de coisas, de espírito; revelador, significativo.
6 Idiopático: 1. Relativo a idiopatia; que se forma ou se manifesta espontaneamente ou a partir de causas obscuras ou desconhecidas; não associado a outra doença. 2. Peculiar a um indivíduo.
7 Soro: Chama-se assim qualquer líquido de características cristalinas e incolor.
8 Imunoglobulina: Proteína do soro sanguíneo, sintetizada pelos plasmócitos provenientes dos linfócitos B como reação à entrada de uma substância estranha (antígeno) no organismo; anticorpo.
9 Alérgeno: Substância capaz de provocar reação alérgica em certos indivíduos.
10 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
11 Infestação: Infecção produzida por parasitas. Exemplos de infestações são sarna (escabiose), pediculose (piolhos), infecção por parasitas intestinais, etc.
12 Sarna: Doença produzida por um parasita chamado Sarcoptes scabiei. Infesta a superfície da pele produzindo coceira e vesículas branco peroladas juntamente com lesões por coçadura. Localiza-se mais freqüentemente nas pregas interdigitais, inguinais e submamárias. É contagiosa, passando de pessoa para pessoa por contato íntimo, e por isto muito freqüente em aglomerações humanas (asilos, creches, abrigos). Nestes casos toda a população deve ser tratada ao mesmo tempo.
13 Hepática: Relativa a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
14 Antígeno: 1. Partícula ou molécula capaz de deflagrar a produção de anticorpo específico. 2. Substância que, introduzida no organismo, provoca a formação de anticorpo.
15 Imunoglobulinas: Proteína do soro sanguíneo, sintetizada pelos plasmócitos provenientes dos linfócitos B como reação à entrada de uma substância estranha (antígeno) no organismo; anticorpo.
16 Histamina: Em fisiologia, é uma amina formada a partir do aminoácido histidina e liberada pelas células do sistema imunológico durante reações alérgicas, causando dilatação e maior permeabilidade de pequenos vasos sanguíneos. Ela é a substância responsável pelos sintomas de edema e irritação presentes em alergias.
17 Vasos Sanguíneos: Qualquer vaso tubular que transporta o sangue (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias).
18 Inchaço: Inchação, edema.
19 Prurido: 1.    Na dermatologia, o prurido significa uma sensação incômoda na pele ou nas mucosas que leva a coçar, devido à liberação pelo organismo de substâncias químicas, como a histamina, que irritam algum nervo periférico. 2.    Comichão, coceira. 3.    No sentido figurado, prurido é um estado de hesitação ou dor na consciência; escrúpulo, preocupação, pudor. Também pode significar um forte desejo, impaciência, inquietação.
20 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
21 Pápulas: Lesões firmes e elevadas, com bordas nítidas e diâmetro que varia de 1 a 5 milímetros (até 1 centímetro, segundo alguns autores).
22 Tireoide: Glândula endócrina altamente vascularizada, constituída por dois lobos (um em cada lado da TRAQUÉIA) unidos por um feixe de tecido delgado. Secreta os HORMÔNIOS TIREOIDIANOS (produzidos pelas células foliculares) e CALCITONINA (produzida pelas células para-foliculares), que regulam o metabolismo e o nível de CÁLCIO no sangue, respectivamente.
23 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
24 Erupção: 1. Ato, processo ou efeito de irromper. 2. Aumento rápido do brilho de uma estrela ou de pequena região da atmosfera solar. 3. Aparecimento de lesões de natureza inflamatória ou infecciosa, geralmente múltiplas, na pele e mucosas, provocadas por vírus, bactérias, intoxicações, etc. 4. Emissão de materiais magmáticos por um vulcão (lava, cinzas etc.).
25 Cutânea: Que diz respeito à pele, à cútis.
26 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
27 Palpação: Ato ou efeito de palpar. Toque, sensação ou percepção pelo tato. Em medicina, é o exame feito com os dedos ou com a mão inteira para explorar clinicamente os órgãos e determinar certas características, como temperatura, resistência, tamanho etc.
28 Genitália: Órgãos externos e internos relacionados com a reprodução. Sinônimos: Órgãos Sexuais Acessórios; Órgãos Genitais; Órgãos Acessórios Sexuais
29 Vagina: Canal genital, na mulher, que se estende do ÚTERO à VULVA. (Tradução livre do original
30 Colinérgico: 1. Relativo a ou semelhante à acetilcolina, especialmente quanto à ação fisiológica. 2. Diz-se das sinapses ou das fibras nervosas que liberam ou são ativadas pela acetilcolina.
31 Eritematosa: Relativo a ou próprio de eritema. Que apresenta eritema. Eritema é uma vermelhidão da pele, devido à vasodilatação dos capilares cutâneos.
32 Púrpuras: Lesões hemorrágicas de cor vinhosa, que não desaparecem à pressão, com diâmetro superior a um centímetro.
33 Autossômico: 1. Referente a autossomo, ou seja, ao cromossomo que não participa da determinação do sexo; eucromossomo. 2. Cujo gene está localizado em um dos autossomos (diz-se da herança de características). As doenças gênicas podem ser classificadas segundo o seu padrão de herança genética em: autossômica dominante (só basta um alelo afetado para que se manifeste a afecção), autossômica recessiva (são necessários dois alelos com mutação para que se manifeste a afecção), ligada ao cromossomo sexual X e as de herança mitocondrial (necessariamente herdadas da mãe).
34 Edema: 1. Inchaço causado pelo excesso de fluidos no organismo. 2. Acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo, especialmente no tecido conjuntivo.
35 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
36 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
37 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
38 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
39 Colinérgica: 1. Relativo a ou semelhante à acetilcolina, especialmente quanto à ação fisiológica. 2. Diz-se das sinapses ou das fibras nervosas que liberam ou são ativadas pela acetilcolina.
40 Anticorpo: Proteína circulante liberada pelos linfócitos em reação à presença no organismo de uma substância estranha (antígeno).
41 Intermitente: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
42 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença. Em medicina, predição do curso ou do resultado provável de uma doença; prognose. 2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto. 3. Relativo a prognose. 4. Que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo. 5. Que pode indicar acontecimentos futuros (diz-se de sinal, sintoma, indício, etc.). 6. No uso pejorativo, pernóstico, doutoral, professoral; prognóstico.
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