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Angioedema crônico alérgico

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O que é angioedema1 crônico2 alérgico?

O angioedema1 crônico2 alérgico é uma condição médica caracterizada por episódios recorrentes de inchaço3 súbito e pronunciado, geralmente em áreas como rosto, lábios, língua4, garganta5, mãos6, pés ou genitais, desencadeados por uma causa alérgica específica.

No entanto, o angioedema1 crônico2 nem sempre é alérgico. Às vezes, pode estar relacionado a fatores genéticos, distúrbios autoimunes7 ou, em alguns casos, pode ser idiopático8, o que significa que não há uma causa clara identificada para ele.

Angioedema1 crônico2 alérgico e edema9 de Quincke são termos que muitas vezes são usados de forma intercambiável, mas eles se referem a condições ligeiramente diferentes. O angioedema1 crônico2 alérgico é uma forma específica de angioedema1 que ocorre de forma recorrente, está associado a reações alérgicas específicas e pode ter um componente genético mais proeminente do que outras formas.

Portanto, embora o edema9 de Quincke e o angioedema1 crônico2 alérgico possam ser considerados termos relacionados e muitas vezes se sobreponham em sua apresentação clínica, o angioedema1 crônico2 alérgico é uma forma específica de angioedema1 que está associada a reações alérgicas recorrentes. O edema9 de Quincke, por sua vez, pode ser desencadeado por medicação ou, em alguns casos, pode ser hereditário.

Quais são as causas do angioedema1 crônico2 alérgico?

O angioedema1 crônico2 alérgico pode ser desencadeado por uma reação alérgica10:

  1. a certos alimentos, como nozes, peixes, mariscos, leite, ovos, trigo, soja, etc.;
  2. a alguns medicamentos, entre os quais estão os antibióticos, aspirina, anti-inflamatórios não esteroidais e certos medicamentos para pressão arterial11;
  3. a picadas de insetos, como abelhas, vespas e formigas;
  4. e a alérgenos12 ambientais, como pólen, ácaros, pelos de animais e mofo, que podem desencadear uma resposta alérgica que causa angioedema1 em pessoas sensíveis.

Em alguns casos, a causa exata do angioedema1 crônico2 alérgico pode não ser identificada. Pessoas com histórico familiar de angioedema1 ou outras condições alérgicas têm maior probabilidade de desenvolver angioedema1 crônico2 alérgico.

Leia sobre "Alergias alimentares", "Alergia13 às proteínas14 do leite de vaca", "Alergia13 a camarão".

Qual é o substrato fisiopatológico do angioedema1 crônico2 alérgico?

O angioedema1 crônico2 alérgico é precipitado por uma reação alérgica10 mediada por imunoglobulina15 E (IgE). É desencadeado pela exposição a alérgenos12 específicos, que o sistema imunológico16 reconhece erroneamente como uma substância perigosa. Os anticorpos17 IgE ligam-se aos mastócitos18 e basófilos, que são tipos de células19 do sistema imunológico16 encontrados em tecidos como a pele20, as vias aéreas e o trato gastrointestinal e fazem a liberação de mediadores inflamatórios, causando a vasodilatação e aumento da permeabilidade21 vascular22, permitindo assim a passagem de fluidos e proteínas14 para os tecidos circundantes. Como resultado, há um inchaço3 (edema9) localizado.

Esse ciclo de reações alérgicas pode ocorrer repetidamente ao longo do tempo, resultando em episódios recorrentes de edema9.

Quais são as características clínicas do angioedema1 crônico2 alérgico?

O principal sintoma23 de angioedema1 crônico2 alérgico é um inchaço3 recorrente da pele20, repentino e pronunciado, que geralmente desaparece espontaneamente dentro de 24 a 48 horas. O inchaço3 ocorre de repente e pode se repetir ao longo do tempo, variando em gravidade.

Em certo número de casos, ele pode ser reconhecido como estando associado a uma resposta alérgica e pode ser acompanhado por coceira, sensação de queimação ou pressão ou dor na área afetada. O edema9 resultante pode ocorrer em qualquer parte do corpo, mas é mais comum em regiões de pele20 final, como face24, lábios, língua4, garganta5, mãos6, pés e genitais e, em alguns casos, nos tratos gastrointestinal e respiratório.

Em geral, a situação não é grave e o edema9 responde bem aos anti-histamínicos, mas dependendo da localização do edema9, os sintomas25 podem variar de leve a potencialmente fatais, especialmente se houver edema9 na região da garganta5. Essa eventualidade, contudo, é muito rara, mas pode levar a dificuldade respiratória e requerer atenção médica imediata.

É frequente que os pacientes tenham um histórico de outras condições alérgicas, como rinite26 alérgica, asma27 ou urticária28.

Como o médico diagnostica o angioedema1 crônico2 alérgico?

Vários passos são necessários para se estabelecer com precisão um diagnóstico29 de angioedema1 crônico2 alérgico:

  1. entrevista clínica;
  2. exame físico;
  3. testes alérgicos cutâneos;
  4. testes alérgicos de sangue30 (por exemplo, teste de IgE específico), que ajudarão a identificar possíveis alérgenos12 que estejam desencadeando os episódios de angioedema1;
  5. e exclusão de outras causas médicas que possam causar inchaço3.

Uma vez que o diagnóstico29 de angioedema1 crônico2 alérgico tenha sido feito, o médico pode recomendar monitoramento regular para acompanhar a frequência e a gravidade dos episódios, ajustar o plano de tratamento conforme necessário e ajudar a gerenciar quaisquer complicações.

Como o médico trata o angioedema1 crônico2 alérgico?

O tratamento pode envolver uma combinação de medidas preventivas e medicamentos para controlar os sintomas25. Isso pode incluir identificar e evitar os alérgenos12 conhecidos e usar anti-histamínicos de segunda geração, como cetirizina, loratadina ou fexofenadina, que são a primeira linha de tratamento, para aliviar os sintomas25.

Em casos graves ou quando os anti-histamínicos não são suficientes, corticosteroides orais podem ser prescritos para reduzir a inflamação31. No entanto, o uso a longo prazo deve ser evitado devido aos efeitos colaterais32.

Outra opção nos casos graves é o uso de epinefrina (adrenalina33) para controlar o inchaço3 e prevenir complicações que ameaçam a vida. Especialmente quando há envolvimento das vias respiratórias, a epinefrina pode ser necessária para tratamento emergencial.

Identificar e evitar os fatores desencadeantes conhecidos (alimentos, medicamentos, picadas de insetos, etc.) é fundamental para prevenir novos episódios. Educar o paciente sobre a condição e fornecer um plano de ação para gerenciar crises de angioedema1 é crucial. Isso pode incluir o uso de auto-injetores de epinefrina para emergências.

Dependendo da gravidade dos sintomas25 e da presença de complicações, tratamentos de suporte adicionais podem ser necessários. Isso pode incluir terapia de fluidos intravenosos para manter a hidratação, oxigenoterapia para garantir uma boa oxigenação do sangue30 e, em casos extremos, suporte respiratório com intubação e ventilação34 mecânica.

Veja também sobre "Como acontece a anafilaxia35", "Edema9 de Quincke", "Dermatite36 atópica" e "Alergia13 respiratória". 

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da U.S. National Library of Medicine, do NHS – National Health Services e da Cleveland Clinic.

ABCMED, 2024. Angioedema crônico alérgico. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1469872/angioedema-cronico-alergico.htm>. Acesso em: 20 jun. 2024.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Angioedema: Caracteriza-se por áreas circunscritas de edema indolor e não-pruriginoso decorrente de aumento da permeabilidade vascular. Os locais mais acometidos são a cabeça e o pescoço, incluindo os lábios, assoalho da boca, língua e laringe, mas o edema pode acometer qualquer parte do corpo. Nos casos mais avançados, o angioedema pode causar obstrução das vias aéreas. A complicação mais grave é o inchaço na garganta (edema de glote).
2 Crônico: Descreve algo que existe por longo período de tempo. O oposto de agudo.
3 Inchaço: Inchação, edema.
4 Língua:
5 Garganta: Tubo fibromuscular em forma de funil, que leva os alimentos ao ESÔFAGO e o ar à LARINGE e PULMÕES. Situa-se posteriormente à CAVIDADE NASAL, à CAVIDADE ORAL e à LARINGE, extendendo-se da BASE DO CRÂNIO à borda inferior da CARTILAGEM CRICÓIDE (anteriormente) e à borda inferior da vértebra C6 (posteriormente). É dividida em NASOFARINGE, OROFARINGE e HIPOFARINGE (laringofaringe).
6 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
7 Autoimunes: 1. Relativo à autoimunidade (estado patológico de um organismo atingido por suas próprias defesas imunitárias). 2. Produzido por autoimunidade. 3. Autoalergia.
8 Idiopático: 1. Relativo a idiopatia; que se forma ou se manifesta espontaneamente ou a partir de causas obscuras ou desconhecidas; não associado a outra doença. 2. Peculiar a um indivíduo.
9 Edema: 1. Inchaço causado pelo excesso de fluidos no organismo. 2. Acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo, especialmente no tecido conjuntivo.
10 Reação alérgica: Sensibilidade a uma substância específica, chamada de alérgeno, com a qual se entra em contato por meio da pele, pulmões, deglutição ou injeções.
11 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
12 Alérgenos: Substância capaz de provocar reação alérgica em certos indivíduos.
13 Alergia: Reação inflamatória anormal, perante substâncias (alérgenos) que habitualmente não deveriam produzi-la. Entre estas substâncias encontram-se poeiras ambientais, medicamentos, alimentos etc.
14 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
15 Imunoglobulina: Proteína do soro sanguíneo, sintetizada pelos plasmócitos provenientes dos linfócitos B como reação à entrada de uma substância estranha (antígeno) no organismo; anticorpo.
16 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
17 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
18 Mastócitos: Células granulares que são encontradas em quase todos os tecidos, muito abundantes na pele e no trato gastrointestinal. Como os BASÓFILOS, os mastócitos contêm grandes quantidades de HISTAMINA e HEPARINA. Ao contrário dos basófilos, os mastócitos permanecem normalmente nos tecidos e não circulam no sangue. Os mastócitos, provenientes das células-tronco da medula óssea, são regulados pelo FATOR DE CÉLULA-TRONCO.
19 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
20 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
21 Permeabilidade: Qualidade dos corpos que deixam passar através de seus poros outros corpos (fluidos, líquidos, gases, etc.).
22 Vascular: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
23 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
24 Face: Parte anterior da cabeça que inclui a pele, os músculos e as estruturas da fronte, olhos, nariz, boca, bochechas e mandíbula.
25 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
26 Rinite: Inflamação da mucosa nasal, produzida por uma infecção viral ou reação alérgica. Manifesta-se por secreção aquosa e obstrução das fossas nasais.
27 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
28 Urticária: Reação alérgica manifestada na pele como elevações pruriginosas, acompanhadas de vermelhidão da mesma. Pode afetar uma parte ou a totalidade da pele. Em geral é autolimitada e cede em pouco tempo, podendo apresentar períodos de melhora e piora ao longo de vários dias.
29 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
30 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
31 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
32 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
33 Adrenalina: 1. Hormônio secretado pela medula das glândulas suprarrenais. Atua no mecanismo da elevação da pressão sanguínea, é importante na produção de respostas fisiológicas rápidas do organismo aos estímulos externos. Usualmente utilizado como estimulante cardíaco, como vasoconstritor nas hemorragias da pele, para prolongar os efeitos de anestésicos locais e como relaxante muscular na asma brônquica. 2. No sentido informal significa disposição física, emocional e mental na realização de tarefas, projetos, etc. Energia, força, vigor.
34 Ventilação: 1. Ação ou efeito de ventilar, passagem contínua de ar fresco e renovado, num espaço ou recinto. 2. Agitação ou movimentação do ar, natural ou provocada para estabelecer sua circulação dentro de um ambiente. 3. Em fisiologia, é o movimento de ar nos pulmões. Perfusão Em medicina, é a introdução de substância líquida nos tecidos por meio de injeção em vasos sanguíneos.
35 Anafilaxia: É um tipo de reação alérgica sistêmica aguda. Esta reação ocorre quando a pessoa foi sensibilizada (ou seja, quando o sistema imune foi condicionado a reconhecer uma substância como uma ameaça ao organismo). Na segunda exposição ou nas exposições subseqüentes, ocorre uma reação alérgica. Essa reação é repentina, grave e abrange o corpo todo. O sistema imune libera anticorpos. Os tecidos liberam histamina e outras substâncias. Esse mecanismo causa contrações musculares, constrição das vias respiratórias, dificuldade respiratória, dor abdominal, cãimbras, vômitos e diarréia. A histamina leva à dilatação dos vasos sangüíneos (que abaixa a pressão sangüínea) e o vazamento de líquidos da corrente sangüínea para os tecidos (que reduzem o volume de sangue) o que provoca o choque. Ocorrem com freqüência a urticária e o angioedema - este angioedema pode resultar na obstrução das vias respiratórias. Uma anafilaxia prolongada pode causar arritmia cardíaca.
36 Dermatite: Inflamação das camadas superficiais da pele, que pode apresentar-se de formas variadas (dermatite seborreica, dermatite de contato...) e é produzida pela agressão direta de microorganismos, substância tóxica ou por uma resposta imunológica inadequada (alergias, doenças auto-imunes).
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