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Lordose

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O que é lordose1?

A espinha (coluna vertebral2) tem curvaturas naturais que são muito suaves e ajudam a coluna em sua função adequada, trabalhando como amortecedores de choque3 para distribuir o estresse mecânico durante o movimento. A lordose1 (do grego λορδός (lordós) = curvado para a frente) é uma condição onde há uma curvatura interna aumentada da espinha. Um certo grau de lordose1 é normal, mas quando muito acentuado é chamado de hiperlordose.

Diferentemente de outras curvaturas da coluna, a lordose1 é uma curvatura para dentro, ou seja, sua face4 côncava fica voltada para fora. As curvaturas cifóticas são projetadas para fora e as escolióticas se referem a curvaturas laterais da espinha.

Saiba mais sobre "Instabilidade da coluna vertebral2", "Cifose e escoliose5", "Artrose6 da coluna vertebral2" e "Desvios da coluna".

Qual é a causa da lordose1?

Certos processos de enfermidades podem afetar de modo negativo a integridade estrutural da coluna, contribuindo para a lordose1. Algumas causas comuns incluem acondroplasia (transtorno de crescimento ósseo), discite (inflamação7 dos discos intervertebrais), cifose, obesidade8, osteoporose9 e espondilolistese (uma vértebra que escorrega para frente em relação a uma vértebra adjacente, geralmente na coluna lombar). As razões mais comuns para que isso aconteça são sequelas10 de traumas ou acidentes, envelhecimento natural da coluna, complicações pós-cirúrgicas, estenose11 do canal lombar, espondilólise (fratura12 de uma vértebra), espondilolistese ou processos degenerativos13.

Qual é o substrato fisiológico14 da lordose1?

As curvaturas naturais da coluna são formadas devido à forma das vértebras individuais que a compõem. Se estas curvaturas espinhais aumentam em algum ponto, então ela coloca muita pressão ou tensão sobre as outras regiões da coluna vertebral2, resultando em dor.

A partir do momento em que a pessoa assume a postura em pé, inicia-se ou acentua-se também a formação das curvaturas da sua coluna. Ao olhar uma pessoa de lado, notam-se três ondulações que são consideradas normais, localizadas nas regiões do pescoço15 (lordose1 cervical), na lombar (lordose1 lombar) e na região torácica (cifose torácica). Graças a esse desenho anatômico fica garantido o equilíbrio da pessoa, além de permitir movimentos como caminhar e mexer os braços.

Quais são as características clínicas da lordose1?

A condição é relativamente comum. Por ano, são mais de 150 mil casos diagnosticados no Brasil. A lordose1 pode ser encontrada em todas as faixas etárias e afeta principalmente a coluna lombar, mas também ocorre no pescoço15 (lordose1 cervical). Quando na coluna lombar, o paciente pode parecer excessivamente curvado nas costas16, com a região das nádegas17 mais proeminente, com uma postura em geral exagerada. A lordose1 lombar pode ser dolorida e algumas vezes afeta o movimento.

Como o médico diagnostica a lordose1?

O diagnóstico18 deve começar por um exame físico, que pode incluir uma manipulação, para determinar anormalidades na coluna pelo toque e o alcance do movimento, mas em geral requer também exames laboratoriais ou de imagem. A assimetria corporal lateral também deve ser observada. Uma avaliação neurológica poderá mostrar dor, dormência19, parestesia20, alterações na função motora, espasmo21 muscular, fraqueza e alterações nos intestinos22 e/ou na bexiga23. O diagnóstico18 deve ser complementado por uma radiografia da coluna em que o paciente fica em pé para expor toda a extensão da coluna para realizar um exame posterior/anterior e lateral. Uma ressonância magnética24 pode ser solicitada se houver suspeita de outros comprometimentos da medula espinhal25.

Como o médico trata a lordose1?

Nem toda lordose1 necessita de tratamento médico. Porém, quando a curvatura enrijece a coluna, uma avaliação médica se faz necessária. Os tratamentos podem ajudar, mas essa doença não tem uma cura radical. Pode durar anos ou mesmo a vida inteira. Os tratamentos conservadores, não cirúrgicos, incluem medicamentos analgésicos26, anti-inflamatórios e fisioterapia27 para permitir que o paciente desenvolva maior força, flexibilidade e aumente o alcance dos movimentos. O médico pode indicar um programa de exercícios personalizado para ser realizado em casa e coletes para controlar a evolução da curva em adolescentes. Pode recomendar também redução do peso corporal quando for o caso. A cirurgia pode ser indicada se a curvatura for grave e houver envolvimento neurológico, ou se o tratamento conservador não proporcionar alívio.

Como evolui a lordose1 tratada?

O médico ou o fisiatra poderão sugerir alternativas seguras. A fisioterapia27 deve ser incorporada no plano de tratamento. O terapeuta pode fornecer ao paciente um programa personalizado de exercícios para fazer em casa. Se o paciente realizar uma cirurgia de coluna, serão fornecidas instruções e prescrição dos medicamentos necessários antes dele sair do hospital. O cuidado com o paciente deve continuar durante as visitas de acompanhamento com o cirurgião.

Leia sobre "Má postura e suas consequências", "Doença de Scheuermann", "Espondilite anquilosante", "Lombalgia28 ou dor nas costas16".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic, da Cleveland Clinic e da American Academy of Orthopaedic Surgeons.

ABCMED, 2020. Lordose. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/ortopedia-e-saude/1376238/lordose.htm>. Acesso em: 25 nov. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Lordose: 1. Convexidade anterior, normal, da coluna vertebral na região lombar. 2. Na ortopedia, é uma acentuação excessiva de tal convexidade.
2 Coluna vertebral:
3 Choque: 1. Estado de insuficiência circulatória a nível celular, produzido por hemorragias graves, sepse, reações alérgicas graves, etc. Pode ocasionar lesão celular irreversível se a hipóxia persistir por tempo suficiente. 2. Encontro violento, com impacto ou abalo brusco, entre dois corpos. Colisão ou concussão. 3. Perturbação brusca no equilíbrio mental ou emocional. Abalo psíquico devido a uma causa externa.
4 Face: Parte anterior da cabeça que inclui a pele, os músculos e as estruturas da fronte, olhos, nariz, boca, bochechas e mandíbula.
5 Escoliose: Deformidade no alinhamento da coluna vertebral, que produz uma curvatura da mesma para um dos lados. Pode ser devido a distúrbios ósteo-articulares e a problemas posturais.
6 Artrose: Também chamada de osteoartrose ou processo degenerativo articular, resulta de um processo anormal entre a destruição cartilaginosa e a reparação da mesma. Entende-se por cartilagem articular, um tipo especial de tecido que reveste a extremidade de dois ossos justapostos que possuem algum grau de movimentação entre eles, sua função básica é a de diminuir o atrito entre duas superfícies ósseas quando estas executam qualquer tipo de movimento, funcionando como mecanismo de absorção de choque. O estado de hidratação da cartilagem e a integridade da mesma, é fator preponderante para o não desenvolvimento da artrose.
7 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
8 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
9 Osteoporose: Doença óssea caracterizada pela diminuição da formação de matriz óssea que predispõe a pessoa a sofrer fraturas com traumatismos mínimos ou mesmo na ausência deles. É influenciada por hormônios, sendo comum nas mulheres pós-menopausa. A terapia de reposição hormonal, que administra estrógenos a mulheres que não mais o produzem, tem como um dos seus objetivos minimizar esta doença.
10 Sequelas: 1. Na medicina, é a anomalia consequente a uma moléstia, da qual deriva direta ou indiretamente. 2. Ato ou efeito de seguir. 3. Grupo de pessoas que seguem o interesse de alguém; bando. 4. Efeito de uma causa; consequência, resultado. 5. Ato ou efeito de dar seguimento a algo que foi iniciado; sequência, continuação. 6. Sequência ou cadeia de fatos, coisas, objetos; série, sucessão. 7. Possibilidade de acompanhar a coisa onerada nas mãos de qualquer detentor e exercer sobre ela as prerrogativas de seu direito.
11 Estenose: Estreitamento patológico de um conduto, canal ou orifício.
12 Fratura: Solução de continuidade de um osso. Em geral é produzida por um traumatismo, mesmo que possa ser produzida na ausência do mesmo (fratura patológica). Produz como sintomas dor, mobilidade anormal e ruídos (crepitação) na região afetada.
13 Degenerativos: Relativos a ou que provocam degeneração.
14 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
15 Pescoço:
16 Costas:
17 Nádegas:
18 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
19 Dormência: 1. Estado ou característica de quem ou do que dorme. 2. No sentido figurado, inércia com relação a se fazer alguma coisa, a se tomar uma atitude, etc., resultando numa abulia ou falta de ação; entorpecimento, estagnação, marasmo. 3. Situação de total repouso; quietação. 4. No sentido figurado, insensibilidade espiritual de um ser diante do mundo. Sensação desagradável caracterizada por perda da sensibilidade e sensação de formigamento, e que geralmente ocorre nas extremidades dos membros. 5. Em biologia, é um período longo de inatividade, com metabolismo reduzido ou suspenso, geralmente associado a condições ambientais desfavoráveis; estivação.
20 Parestesia: Sensação cutânea subjetiva (ex.: frio, calor, formigamento, pressão, etc.) vivenciada espontaneamente na ausência de estimulação.
21 Espasmo: 1. Contração involuntária, não ritmada, de um ou vários músculos, podendo ocorrer isolada ou continuamente, sendo dolorosa ou não. 2. Qualquer contração muscular anormal. 3. Sentido figurado: arrebatamento, exaltação, espanto.
22 Intestinos: Seção do canal alimentar que vai do ESTÔMAGO até o CANAL ANAL. Inclui o INTESTINO GROSSO e o INTESTINO DELGADO.
23 Bexiga: Órgão cavitário, situado na cavidade pélvica, no qual é armazenada a urina, que é produzida pelos rins. É uma víscera oca caracterizada por sua distensibilidade. Tem a forma de pêra quando está vazia e a forma de bola quando está cheia.
24 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
25 Medula Espinhal:
26 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
27 Fisioterapia: Especialidade paramédica que emprega agentes físicos (água doce ou salgada, sol, calor, eletricidade, etc.), massagens e exercícios no tratamento de doenças.
28 Lombalgia: Dor produzida na região posterior inferior do tórax. As pessoas com lombalgia podem apresentar contraturas musculares, distensões dos ligamentos da coluna, hérnias de disco, etc. É um distúrbio benigno que pode desaparecer com uso de antiinflamatórios e repouso.
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