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Doença de Scheuermann

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O que é a doença de Scheuermann?

A doença de Scheuermann, também conhecida como cifose de Scheuermann, cifose juvenil ou doença discogênica juvenil, é uma condição caracterizada por uma hipercifose que envolve a coluna torácica e/ou toracolombar. A coluna torácica é mais comumente envolvida, embora o envolvimento também possa incluir a região toracolombar.

É possível que a doença de Scheuermann não seja uma condição única, mas um conjunto de condições que compartilham manifestações semelhantes.

Quais são as causas da doença de Scheuermann?

A etiologia1 da doença permanece indeterminada. Um componente hereditário parece estar sempre presente e contribuir para o desenvolvimento dessa condição, embora o modo de transmissão ainda não esteja claro. Isso parece ser confirmado pela concordância da ocorrência da doença em gêmeos univitelinos. Outra teoria, cada vez mais afirmada, sugere mineralização e ossificação discordante da placa2 vertebral terminal durante o desenvolvimento, o que causa crescimento desproporcional das partes do corpo vertebral. Talvez a doença de Scheuermann refira-se à osteocondrose3 dos centros de ossificação secundária dos corpos vertebrais.

Qual é o substrato fisiológico4 da doença de Scheuermann?

A fisiopatologia5 ainda é desconhecida. Provavelmente, a herança genética comanda uma mineralização e ossificação discordante da placa2 terminal vertebral durante o crescimento, causando um crescimento desproporcional do corpo vertebral com os corpos vertebrais clássicos resultantes, o que leva à cifose.

Os achados mais comuns associados a essa doença incluem hipercifose da coluna torácica, conforme definido pelos critérios de diagnóstico6 comumente associados a placas7 terminais vertebrais irregulares e perda de altura do espaço entre os discos vertebrais observada em estudos de imagem sagital8.

Quais são as principais características clínicas da doença de Scheuermann?

O exame físico mostra curva cifótica rígida, acentuada, com flexão para frente, que não se resolve com uma extensão ou com o deitar-se em decúbito dorsal9. Outros achados associados ao exame físico ou radiográfico podem incluir hiperlordose cervical ou lombar. Embora os déficits neurológicos sejam incomuns, um exame neurológico completo deve ser concluído.

O movimento da coluna vertebral10 do paciente deve ser avaliado periodicamente em todos os planos: flexão/extensão, flexão direita/esquerda e rotação direita/esquerda. O grau de cifose também deve ser seguido ao longo do tempo para avaliar o grau de progressão. A dor nas costas11 e a restrição de movimentos devem ser outros guias que orientem o tratamento.

Leia mais sobre "Desvios da coluna", "Alterações posturais" e "Dores nas costas11".

Como o médico diagnostica a doença de Scheuermann?

O diagnóstico6 é feito em adolescentes entre 12 e 17 anos que apresentam dor na região cifótica afetada ou após os pais perceberem uma deformidade postural ou aparência "corcunda".

Uma radiografia lateral da coluna vertebral10 demonstra as alterações diagnósticas da doença de Scheuermann. Geralmente ela mostrará hipercifose maior que 40 graus, placas7 terminais vertebrais superiores e inferiores irregulares com perda de altura do espaço em disco e três ou mais vértebras consecutivas dispostas em cunha. Do ponto de vista histológico12, constata-se cartilagem13 anormal nas placas7 vertebrais terminais, mineralização irregular, ossificação endocondral14 alterada e diminuição do colágeno15.

Um diagnóstico6 diferencial deve ser feito com deformidade postural, hipercifose atribuível a outro estado conhecido da doença, cifose pós-cirúrgica, espondilite anquilosante e escoliose16.

Como o médico trata a doença de Scheuermann?

O tratamento da doença de Scheuermann é controverso. Alguns autores inclusive pensam que a doença é benigna e não necessita tratamento. Quando a cifose for inferior a 60 graus e assintomática pode ser feito um gerenciamento clínico, constituído de alongamento, modificação do estilo de vida, fisioterapia17 e anti-inflamatórios. A maioria dos pacientes se enquadra nessa categoria.

As cifoses entre 60 e 80 graus e pouco sintomáticas geralmente demandam o uso de uma órtese18 por 12 a 24 meses. Essa prática é mais efetiva em pacientes esqueleticamente ainda imaturos. Normalmente, ela não melhora a curvatura, mas impede que ela continue progredindo.

As cifoses inaceitáveis, maiores de 75 graus e com fusão de vértebras, dor e déficit neurológico, demandam cirurgia. Contudo, a cirurgia raramente é indicada na doença de Scheuermann. A descompressão19 do cordão medular é indicada para os raros pacientes que apresentam déficits neurológicos secundários a cistos epidurais20 ou aumento da angulação cifótica.

Como evolui a doença de Scheuermann?

A maioria dos pacientes é tratada com sucesso com medidas conservadoras. Os pacientes tratados clinicamente geralmente se saem bem, sem sequelas21 significativas a longo prazo. A dor na região afetada geralmente melhora após a maturidade esquelética. A maioria dos que passam pela cirurgia apresenta melhora sintomática22, bem como da deformidade da curvatura da coluna.

Quais são as complicações da doença de Scheuermann?

As complicações potenciais da doença de Scheuermann são deformidade cosmética progressiva, dor crônica nas costas11 e déficits neurológicos por compressão da medula espinhal23. As eventuais complicações das cirurgias podem ser pseudoartrose (mais comum) e dor persistente. 

Veja também sobre "Benefícios do alongamento", "Fisioterapia17", "Espondilite anquilosante" e "Prevenção das dores nas costas11 de mães que tiveram bebês24 recentemente".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites do NCBI - National Center for Biotechnology Informaton e da Revista Brasileira de Ortopedia.

ABCMED, 2019. Doença de Scheuermann. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1354488/doenca+de+scheuermann.htm>. Acesso em: 19 jun. 2021.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Etiologia: 1. Ramo do conhecimento cujo objeto é a pesquisa e a determinação das causas e origens de um determinado fenômeno. 2. Estudo das causas das doenças.
2 Placa: 1. Lesão achatada, semelhante à pápula, mas com diâmetro superior a um centímetro. 2. Folha de material resistente (metal, vidro, plástico etc.), mais ou menos espessa. 3. Objeto com formato de tabuleta, geralmente de bronze, mármore ou granito, com inscrição comemorativa ou indicativa. 4. Chapa que serve de suporte a um aparelho de iluminação que se fixa em uma superfície vertical ou sobre uma peça de mobiliário, etc. 5. Placa de metal que, colocada na dianteira e na traseira de um veículo automotor, registra o número de licenciamento do veículo. 6. Chapa que, emitida pela administração pública, representa sinal oficial de concessão de certas licenças e autorizações. 7. Lâmina metálica, polida, usualmente como forma em processos de gravura. 8. Área ou zona que difere do resto de uma superfície, ordinariamente pela cor. 9. Mancha mais ou menos espessa na pele, como resultado de doença, escoriação, etc. 10. Em anatomia geral, estrutura ou órgão chato e em forma de placa, como uma escama ou lamela. 11. Em informática, suporte plano, retangular, de fibra de vidro, em que se gravam chips e outros componentes eletrônicos do computador. 12. Em odontologia, camada aderente de bactérias que se forma nos dentes.
3 Osteocondrose: Distúrbio em um ou mais centros de ossificação de crianças, caracterizado por degeneração seguida por recalcificação.
4 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
5 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
6 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
7 Placas: 1. Lesões achatadas, semelhantes à pápula, mas com diâmetro superior a um centímetro. 2. Folha de material resistente (metal, vidro, plástico etc.), mais ou menos espessa. 3. Objeto com formato de tabuleta, geralmente de bronze, mármore ou granito, com inscrição comemorativa ou indicativa. 4. Chapa que serve de suporte a um aparelho de iluminação que se fixa em uma superfície vertical ou sobre uma peça de mobiliário, etc. 5. Placa de metal que, colocada na dianteira e na traseira de um veículo automotor, registra o número de licenciamento do veículo. 6. Chapa que, emitida pela administração pública, representa sinal oficial de concessão de certas licenças e autorizações. 7. Lâmina metálica, polida, usualmente como forma em processos de gravura. 8. Área ou zona que difere do resto de uma superfície, ordinariamente pela cor. 9. Mancha mais ou menos espessa na pele, como resultado de doença, escoriação, etc. 10. Em anatomia geral, estrutura ou órgão chato e em forma de placa, como uma escama ou lamela. 11. Em informática, suporte plano, retangular, de fibra de vidro, em que se gravam chips e outros componentes eletrônicos do computador. 12. Em odontologia, camada aderente de bactérias que se forma nos dentes.
8 Imagem sagital: Sagital é o plano anatômico que divide o corpo humano em duas metades, esquerda e direita. Ele também nos permite dizer se uma estrutura é lateral ou medial.
9 Decúbito dorsal: Também conhecido como posição SUPINA. A pessoa fica deitada de costas com a cabeça e os ombros ligeiramente elevados, com a barriga voltada para cima.
10 Coluna vertebral:
11 Costas:
12 Histológico: Relativo à histologia, ou seja, relativo à disciplina biomédica que estuda a estrutura microscópica, composição e função dos tecidos vivos.
13 Cartilagem: Tecido resistente e flexível, de cor branca ou cinzenta, formado de grandes células inclusas em substância que apresenta tendência à calcificação e à ossificação.
14 Endocondral: Situado, formado ou que ocorre dentro de uma cartilagem; intracartilaginoso.
15 Colágeno: Principal proteína fibrilar, de função estrutural, presente no tecido conjuntivo de animais.
16 Escoliose: Deformidade no alinhamento da coluna vertebral, que produz uma curvatura da mesma para um dos lados. Pode ser devido a distúrbios ósteo-articulares e a problemas posturais.
17 Fisioterapia: Especialidade paramédica que emprega agentes físicos (água doce ou salgada, sol, calor, eletricidade, etc.), massagens e exercícios no tratamento de doenças.
18 Órtese: Qualquer aparelho externo usado para imobilizar ou auxiliar os movimentos dos membros ou da coluna vertebral.
19 Descompressão: Ato ou efeito de descomprimir, de aliviar o que está sob efeito de pressão ou de compressão.
20 Cistos epidurais: Cistos epidurais são nódulos benignos que estão situados no espaço epidural do canal raquidiano, o qual se encontra entre a dura-máter e a vértebra.
21 Sequelas: 1. Na medicina, é a anomalia consequente a uma moléstia, da qual deriva direta ou indiretamente. 2. Ato ou efeito de seguir. 3. Grupo de pessoas que seguem o interesse de alguém; bando. 4. Efeito de uma causa; consequência, resultado. 5. Ato ou efeito de dar seguimento a algo que foi iniciado; sequência, continuação. 6. Sequência ou cadeia de fatos, coisas, objetos; série, sucessão. 7. Possibilidade de acompanhar a coisa onerada nas mãos de qualquer detentor e exercer sobre ela as prerrogativas de seu direito.
22 Sintomática: 1. Relativo a ou que constitui sintoma. 2. Que é efeito de alguma doença. 3. Por extensão de sentido, é o que indica um particular estado de coisas, de espírito; revelador, significativo.
23 Medula Espinhal:
24 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
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