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Vírus Epstein-Barr

Thursday, March 17, 2022
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Vírus Epstein-Barr

O que é o vírus Epstein-Barr?

O vírus Epstein-Barr, também conhecido como herpesvírus humano 4, é um membro da família do vírus do herpes. É um dos vírus mais comuns nos seres humanos, encontrado em todas as partes do mundo, e a maioria das pessoas é infectada por ele em algum momento de suas vidas. As pessoas infectadas com o vírus Epstein-Barr geralmente ganham imunidade adquirida, mas o vírus permanece latente no organismo e pode ser reativado em certas condições.

O vírus Epstein-Barr pode ser contraído através do contato com secreções corporais, especialmente da orofaringe, seja por contato direto, por transmissão sexual, em bebês alimentados com o leite de mães infectadas e, raramente, por transfusão de sangue.

O vírus pode permanecer na saliva por meses ou anos após o primeiro contato e mesmo pessoas que não ficaram doentes podem ser portadoras. Nas pessoas que adoecem, o tempo entre o primeiro contato com o vírus e o aparecimento de sintomas é de 1 a 2 meses.

Leia também sobre "Herpes simples", "Herpes zóster" e "Herpes genital".

Quais são as doenças que o vírus Epstein-Barr pode ocasionar?

Esse vírus na maioria dos casos não causa maiores problemas em pessoas com imunidade normal, mas pode estar relacionado a complicações graves e ao desenvolvimento de câncer no sangue em pessoas com imunidade muito baixa.

O vírus Epstein-Barr, membro da família Herpesviridae, infecta células epiteliais da orofaringe, nasofaringe, glândulas salivares e ainda linfócitos B. Ele se espalha mais comumente através de fluidos corporais, principalmente saliva e, por isso, a doença que ele causa, a mononucleose infecciosa (mono), é conhecida como “doença do beijo”. Algumas das demais doenças associadas a ele são, às vezes, chamadas de mono-like (semelhantes à mononucleose).

O vírus Epstein-Barr também está associado a determinadas formas de câncer, como o linfoma de Hodgkin, linfoma de Burkitt, carcinoma de nasofaringe e condições associadas com o vírus da imunodeficiência humana (HIV).

Depois do tabagismo, as infecções virais parecem constituir a mais importante causa prevenível de câncer em seres humanos. Entre 15% a 20% desses cânceres citados estão associados a infecções pelo vírus Epstein-Barr.

Há evidências de que a infecção por esse vírus também está associada a um maior risco de certas doenças autoimunes como, por exemplo, o lúpus eritematoso sistêmico e a esclerose múltipla. As crianças infectadas com o vírus não costumam apresentar sintomas ou eles são indistinguíveis de outras doenças da infância, apresentando infecções breves e amenas.

Artigo publicado em revista científica apresenta uma possível relação da Covid longa com o vírus Epstein-Barr. Os pesquisadores encontraram o vírus ativo em 10% de pacientes com Covid longa. A conclusão é de que o vírus Epstein-Barr pode ser reativado durante o processo inflamatório da Covid-19, tornando os sintomas da doença mais persistentes. Como a doença e seus efeitos são muito recentes, muitos estudos ainda estão em andamento para trazer respostas definitivas a essa relação.

Como detectar a presença do vírus Epstein-Barr no organismo?

Cerca de 90% da população mundial é infectada por esse vírus em algum momento da vida, a grande maioria de forma assintomática. O vírus se aloja primeiramente nas glândulas produtoras de saliva, passando depois para os linfócitos B e linfonodos da faringe, a partir de onde se espalha para todo o sistema linfoide (linfonodos, fígado, baço...) e também pode afetar as células no colo do útero da mulher. Na fase aguda da infecção, ou em sua reativação, o vírus também pode ser encontrado no sangue.

Muitas pessoas conseguem eliminar o vírus sem ter sintomas de doença, mas mesmo quem não apresenta sintomas pode transmitir o vírus durante fase de infecção ativa.

Logo após o primeiro contato, o sistema imune reage para combater o vírus. Essa resposta imune é a causa dos sintomas da infecção e é também o que torna possível o seu diagnóstico. Em indivíduos imunocomprometidos, a alta replicação do vírus Epstein-Barr é o principal fator predisponente para o desenvolvimento de uma ampla gama de transtornos linfoproliferativos de células B, como o linfoma de Burkitt, carcinoma nasofaríngeo, linfoma de Hodgkin e linfoma não-Hodgkin.

Os exames da Proteína C Reativa (PCR) são uma ferramenta útil para o diagnóstico precoce de infecção pelo vírus Epstein-Barr devido à sua alta sensibilidade e especificidade. A medição quantitativa do DNA do vírus Epstein-Barr diferencia os portadores saudáveis, com baixos níveis de carga viral, dos portadores com elevada taxa de replicação viral, responsável pelas doenças relacionadas a ele.

Podem também ser feitos testes sorológicos que identificam anticorpos específicos e que conseguem identificar pessoas com infecção recente, passada ou reativada. Esses testes detectam IgM (imunoglobulina M) e IgG (imunoglobulina G), anticorpos antivírus Epstein Barr. Testes moleculares identificam material genético do vírus, mais usados em casos específicos como suspeita de transmissão da gestante ao feto ou pessoas com imunidade muito baixa. Esses testes podem ser feitos no sangue ou na saliva.

Quais são os sintomas decorrentes da infecção pelo vírus Epstein-Barr?

Os sintomas da infecção pelo vírus Epstein-Barr podem incluir, entre outros:

  • fadiga;
  • febre;
  • garganta inflamada;
  • gânglios linfáticos inchados no pescoço;
  • baço aumentado;
  • fígado inchado;
  • irritação na pele.

Muitas pessoas são infectadas com o vírus na infância. As infecções pelo vírus Epstein-Barr em crianças geralmente não causam sintomas ou os sintomas não são distinguíveis de outras doenças leves e breves dessa fase da vida.

As pessoas que apresentam sintomas da infecção por esse vírus, geralmente adolescentes ou adultos, melhoram em duas a quatro semanas. No entanto, algumas pessoas podem se sentir cansadas por várias semanas ou até meses.

Em alguns casos, o vírus latente no corpo pode ser reativado, mas isso nem sempre causa sintomas. As pessoas com sistema imunológico enfraquecido são mais propensas a desenvolver sintomas se o vírus Epstein-Barr for reativado.

Veja mais sobre "Doenças transmitidas pelo beijo", "Antígenos e anticorpos" e "Lúpus eritematoso".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do CDC – Centers for Disease Control and Prevention e da Revista Médica de Minas Gerais.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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