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Osteopetrose

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
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Osteopetrose

O que é osteopetrose? 

A osteopetrose (literalmente "osso de pedra"), também conhecida como doença dos ossos de mármore ou doença de Albert Schönberg, é uma desordem hereditária extremamente rara (1/20.000 bebês e 1/200.000 adultos) na qual ocorre um endurecimento anormal dos ossos e um crescimento deles de maneira deformada. 

Nos seres humanos, há (1) uma forma infantil da doença, chamada de osteopetrose maligna e outra (2) uma forma adulta, chamada de osteopetrose benigna. Essas variantes, identificadas com base na idade e nas características clínicas, são responsáveis pela maioria dos casos, mas outras formas raras de osteopetrose foram também descritas (por exemplo, letais, transitórias, pós-infecciosas, adquiridas, devidas à acidose tubular renal e calcificação cerebral, etc.). A forma benigna foi descrita pela primeira vez pelo radiologista alemão Albert Schönberg, no ano de 1904. 

Quais são as causas da osteopetrose? 

A osteopetrose é causada por defeitos em um ou mais genes responsáveis pela formação e desenvolvimento de osteoclastos, que são as células que removem o tecido ósseo antigo e o substituem por um novo e saudável. Com isso, o corpo não recicla as células ósseas velhas. Esses genes anormais são hereditariamente passados do pai ou da mãe para o filho. 

Qual é o substrato fisiológico da osteopetrose? 

A remodelação óssea é um processo contínuo no qual o tecido ósseo maduro é removido e um novo tecido é formado. Esses processos controlam o formato e a substituição de ossos após danos como fraturas, mas também controlam micro lesões ósseas, que ocorrem durante atividades normais.

A quantidade de massa óssea presente no esqueleto num determinado momento é o resultado da formação e da reabsorção ósseas. No processo fisiológico normal, a formação e reabsorção ósseas estão intimamente relacionadas em tempo, grau e espaço e são influenciadas por fatores hormonais, locais, comportamentais e ambientais, além de por forças mecânicas, elétricas, químicas e magnéticas. Os osteoblastos são células precursoras que sintetizam a matriz óssea e os osteoclastos são as células que reabsorvem as células ósseas antigas.

Calcula-se que os adultos remodelem de 10 a 30% da sua massa óssea a cada ano. Esta "manutenção preventiva" faz com que o esqueleto tenha uma idade média em torno de oito anos. 

Saiba mais sobre "Fraturas ósseas".

Quais são as principais características clínicas da osteopetrose? 

O defeito na renovação óssea resulta em fragilidade dos ossos, ao mesmo tempo que os torna mais densos. A modelagem e remodelagem ósseas são prejudicadas e os ossos têm sua espessura aumentada e sua forma alterada. O tecido ósseo mais volumoso expulsa a medula óssea (local de formação das células do sangue), podendo causar insuficiência hematopoiética (formação do sangue). A osteopetrose pode ser leve ou grave e pode, até mesmo, representar risco à vida. 

Na forma infantil ocorrem sintomas associados à deformidade óssea, como:

  1. Entupimento nasal devido à malformação do mastoide e seios paranasais.
  2. Neuropatias relacionadas ao aprisionamento de nervos devido à falha do alargamento dos respectivos forames.
  3. Surdez, proptose (protrusão do globo ocular) e hidrocefalia.
  4. Demora da dentição.
  5. Osteomielite da mandíbula, devido a um suprimento sanguíneo anormal.
  6. Ossos frágeis que podem fraturar facilmente.
  7. O tecido ósseo mais volumoso tende a substituir a medula óssea, o que pode causar anemia, contusões, sangramentos (devido à trombocitopenia) e infecções frequentes.
  8. Produção de sangue extra-medular, com hepatoesplenomegalia (crescimento do fígado e do baço) resultante, hiperesplenismo e hemólise (destruição do sangue).
  9. Apneia do sono e cegueira devido à degeneração da retina

Em adultos, aproximadamente metade dos pacientes é assintomática. Outros pacientes podem ter dores nos ossos, neuropatias, síndrome do túnel do carpo e osteoartrite. Os ossos frágeis podem fraturar facilmente. Aproximadamente 40% dos pacientes apresentam fraturas recorrentes e 10% deles pode ter osteomielite da mandíbula. Outras manifestações podem incluir deficiência visual e retardo psicomotor. A função da medula óssea não está comprometida. 

Leia sobre "Degeneração macular" e "Trombocitopenia", "Osteomielite", "Anemias", "Hepatomegalia" e "Esplenomegalia".

Como o médico diagnostica a osteopetrose? 

O médico costuma fazer o diagnóstico tomando por base os sintomas relatados e radiografias que mostram ossos muito densos ou malformados. 

No adulto, o diagnóstico quase sempre é feito incidentalmente, porque as anormalidades radiológicas começam a aparecer apenas se a osteopetrose começa na infância. O diagnóstico costuma ser baseado no histórico familiar ou ainda se ocorre uma osteomielite ou fraturas incomuns. 

Quando a pessoa não tem sintomas, a osteopetrose às vezes é detectada somente por acaso, depois de um médico notar ossos muito densos em radiografias tiradas por motivos não relacionados ao mal. 

O diagnóstico diferencial inclui condições como osteosclerose difusa, envenenamento químico (fluoreto, chumbo, berílio, etc.), doenças malignas (leucemia, doenças mieloproliferativas), anemia falciforme e metástases osteoblásticas. Ainda cabe também diferenciar a condição do hipoparatireoidismo ou pseudo-hipoparatireoidismo e da toxicidade pelo chumbo. 

Como o médico trata a osteopetrose? 

Não existe cura para a osteopetrose. Os tratamentos existentes são paliativos ou sintomáticos. Os corticosteroides ajudam a regular o surgimento e a destruição de células ósseas. O transplante de medula óssea parece ter curado alguns bebês com doença de início precoce. No entanto, não se conhece o prognóstico a longo prazo depois do transplante

As fraturas, a anemia, as hemorragias, as infecções, as compressões nervosas e a compressão do crânio devem receber tratamentos específicos, às vezes requerendo cirurgia. Também pode ser necessário tratamento ortodôntico para corrigir dentes distorcidos. Cirurgia plástica pode ser realizada para corrigir deformações corporais graves, sobretudo da face e da mandíbula. 

Os pacientes devem ser aconselhados quanto a modificações adequadas no estilo de vida para evitar fraturas e receber aconselhamento genético para permitir o planejamento familiar apropriado. 

Como evolui em geral a osteopetrose? 

A osteopetrose de início precoce, que não é tratada, resulta em insuficiência da medula óssea e normalmente causa morte durante a primeira infância, devido à anemia grave, sangramentos ou infecções. Pacientes com essa condição desde cedo têm retardo de crescimento e aumento da morbidade geral. No entanto, esse prognóstico pode mudar acentuadamente após o transplante de medula óssea.

A osteopetrose de início tardio é, com frequência, muito leve e apresenta boas taxas de sobrevida a longo prazo. 

Veja também sobre "Transplante de medula óssea" e "Corticoides".

 

Referências:

 

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic (https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/) e da NORD  - National Organization for Rare Disease (https://rarediseases.org/rare-diseases/)

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic e da NORD - National Organization for Rare Disorders.

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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