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Transplante de medula óssea: o que é? Quem deve fazer? Em que consiste? Quais são as possíveis complicações?

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O que é o transplante de medula óssea1?

O transplante de medula óssea1, chamado abreviadamente de “transplante de medula”, consiste na substituição de uma medula óssea1 doente por células2 normais de uma medula óssea1 saudável. O transplante é dito autogênico quando a medula3 provém do próprio paciente e alogênico se ela vem de outra pessoa. O transplante pode ainda partir de células2 precursoras de medula óssea1, chamadas células2 tronco, retiradas do sangue4 circulante de um doador ou do sangue do cordão umbilical5. É muito difícil achar um doador compatível, daí a importância da doação de medula3, para aumentar as possibilidades de encontrar-se um doador adequado. Pessoas de 18 a 55 anos que estejam em bom estado de saúde6 podem se cadastrar para doar. A doação, no entanto, só será realizada quando surgir um receptor compatível.

O que é a medula óssea1?

A medula óssea1, popularmente chamada de tutano, é o tecido7 gelatinoso que fica no interior dos ossos, na qual são produzidas as hemácias8 (glóbulos vermelhos), que transportam o oxigênio dos pulmões9 para todo o organismo, os leucócitos10 (glóbulos brancos), que fazem parte do nosso sistema de defesa e as plaquetas11, que integram o sistema de coagulação12 do sangue4. Muito diferente dela é a medula espinhal13, formada por tecido nervoso14 e localizada no espaço interior da coluna vertebral15.

Quem deve fazer um transplante de medula óssea1?

O transplante de medula óssea1 pode ser indicado para pessoas que sofram de doenças que afetam as células sanguíneas16, como leucemias, linfomas, anemias graves e hemoglobinopatias17, imunodeficiências congênitas18, mieloma19 múltiplo, mielofibrose20 e talassemia21, entre outras. A anemia22 aplástica, doença caracterizada pela falta de produção de células2 do sangue4, apesar de não ser uma doença maligna, também pode ser tributária de transplante. É necessário que haja total compatibilidade entre doador e receptor; do contrário, a medula3 será rejeitada. A análise de compatibilidade é realizada por meio de testes laboratoriais, a partir de amostras de sangue4 do doador e do receptor. As chances de um indivíduo encontrar um doador ideal entre irmãos são de 25%. Se não houver um doador compatível aparentado, a solução é fazer uma busca nos registros de doadores voluntários. 

Em que consiste o transplante de medula óssea1?

Antes do transplante o paciente deve receber altas doses de quimioterapia23 e, às vezes também de radioterapia24, com a finalidade de destruir as células2 imunes para que o paciente possa receber a nova medula óssea1. O doador deve ser exaustivamente examinado e submetido a exames complementares para certificar-se que esteja sadio. A doação se passa no centro cirúrgico de um hospital, sob anestesia25, tanto do doador como do receptor, e tem duração de aproximadamente duas horas. São realizadas múltiplas punções com agulhas, nos ossos posteriores da bacia do doador e a medula3 é aspirada, retirando-se um volume de até 15% da medula3 do doador. O receptor recebe a medula3 sadia por via venosa, como se fosse uma transfusão26 de sangue4. Todo o procedimento dura em média duas horas e após isto o doador estará apto a retomar a suas atividades. Se apenas forem transplantadas células2 do cordão umbilical27, o procedimento durará apenas cerca de 20 minutos. As novas células2 circulam e vão se alojar na medula óssea1, onde se desenvolvem. O receptor deve ser mantido no hospital, em regime de isolamento, até que essas novas células2 comecem a produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas11 em quantidade suficiente para manter as taxas dentro da normalidade, sem o que o paciente fica mais exposto a episódios infecciosos e hemorrágicos28. Mesmo depois disso, o receptor deve ser mantido internado por duas ou três semanas, em observação permanente, porque os episódios de febre29, entre outras intercorrências, são muito comuns. Depois da alta o receptor continua recebendo tratamento, em regime ambulatorial, devendo comparecer regularmente ao hospital, às vezes diariamente.

Quais são as complicações possíveis no transplante de medula óssea1?

Para o receptor, uma evolução favorável do transplante de medula3 depende de um diagnóstico30 precoce da doença, do seu estado geral, de boas condições nutricionais e clínicas, além de ter encontrado o doador ideal.

Os principais riscos do transplante de medula3 dizem respeito às infecções31 e aos efeitos secundários das drogas quimioterápicas utilizadas durante o tratamento. As novas células2 podem reconhecer alguns órgãos do indivíduo como estranhos. Esta complicação é relativamente comum e tem intensidade variável, mas pode ser controlada com medicação adequada. A rejeição é relativamente rara, mas pode acontecer e por isso é necessária uma seleção rigorosa do doador.

Para o doador os riscos são mínimos e dentro de poucas semanas sua medula3 estará inteiramente recuperada. Sintomas32 que podem ocorrer após a doação, como dor local, diminuição da força física (astenia33) e dor de cabeça34, em geral, são passageiros e facilmente controláveis com medicações.

ABCMED, 2014. Transplante de medula óssea: o que é? Quem deve fazer? Em que consiste? Quais são as possíveis complicações?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/527009/transplante-de-medula-ossea-o-que-e-quem-deve-fazer-em-que-consiste-quais-sao-as-possiveis-complicacoes.htm>. Acesso em: 20 out. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Medula Óssea: Tecido mole que preenche as cavidades dos ossos. A medula óssea apresenta-se de dois tipos, amarela e vermelha. A medula amarela é encontrada em cavidades grandes de ossos grandes e consiste em sua grande maioria de células adiposas e umas poucas células sangüíneas primitivas. A medula vermelha é um tecido hematopoiético e é o sítio de produção de eritrócitos e leucócitos granulares. A medula óssea é constituída de um rede, em forma de treliça, de tecido conjuntivo, contendo fibras ramificadas e preenchida por células medulares.
2 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
3 Medula: Tecido mole que preenche as cavidades dos ossos. A medula óssea apresenta-se de dois tipos, amarela e vermelha. A medula amarela é encontrada em cavidades grandes de ossos grandes e consiste em sua grande maioria de células adiposas e umas poucas células sangüíneas primitivas. A medula vermelha é um tecido hematopoiético e é o sítio de produção de eritrócitos e leucócitos granulares. A medula óssea é constituída de um rede, em forma de treliça, de tecido conjuntivo, contendo fibras ramificadas e preenchida por células medulares.
4 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
5 Sangue do Cordão Umbilical: Sangue do feto. A troca de nutrientes e de resíduos entre o sangue fetal e o materno ocorre através da PLACENTA. O sangue do cordão é o sangue contido nos vasos umbilicais (CORDÃO UMBILICAL) no momento do parto.
6 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
7 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
8 Hemácias: Também chamadas de glóbulos vermelhos, eritrócitos ou células vermelhas. São produzidas no interior dos ossos a partir de células da medula óssea vermelha e estão presentes no sangue em número de cerca de 4,5 a 6,5 milhões por milímetro cúbico, em condições normais.
9 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
10 Leucócitos: Células sangüíneas brancas. Compreendem tanto os leucócitos granulócitos (BASÓFILOS, EOSINÓFILOS e NEUTRÓFILOS) como os não granulócitos (LINFÓCITOS e MONÓCITOS). Sinônimos: Células Brancas do Sangue; Corpúsculos Sanguíneos Brancos; Corpúsculos Brancos Sanguíneos; Corpúsculos Brancos do Sangue; Células Sanguíneas Brancas
11 Plaquetas: Elemento do sangue (não é uma célula porque não apresenta núcleo) produzido na medula óssea, cuja principal função é participar da coagulação do sangue através da formação de conglomerados que tamponam o escape do sangue por uma lesão em um vaso sangüíneo.
12 Coagulação: Ato ou efeito de coagular(-se), passando do estado líquido ao sólido.
13 Medula Espinhal:
14 Tecido Nervoso:
15 Coluna vertebral:
16 Células Sanguíneas: Células encontradas no líquido corpóreo circulando por toda parte do SISTEMA CARDIOVASCULAR.
17 Hemoglobinopatias: Doenças genéticas que resultam de uma alteração na estrutura das cadeias de globinas em uma molécula de hemoglobina. As hemoglobinopatias mais comuns são as doenças falciformes e a talassemia.
18 Congênitas: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
19 Mieloma: Variedade de câncer que afeta os linfócitos tipo B, encarregados de produzir imunoglobulinas. Caracteriza-se pelo surgimento de dores ósseas, freqüentemente a nível vertebral, anemia, insuficiência renal e um estado de imunodeficiência crônica.
20 Mielofibrose: Doença rara que predomina em idosos com mais de 65 anos caracterizada por fibrose da medula óssea, hematopoiese extramedular e esplenomegalia. Trata-se de um distúrbio clonal de uma célula progenitora hematopoiética multipotente.
21 Talassemia: Anemia mediterrânea ou talassemia. Tipo de anemia hereditária, de transmissão recessiva, causada pela redução ou ausência da síntese da cadeia de hemoglobina, uma proteína situada no interior do glóbulos vermelhos e que tem a função de transportar o oxigênio. É classificada dentro das hemoglobinopatias. Afeta principalmente populações da Itália e da Grécia (e seus descendentes), banhadas pelo Mar Mediterrâneo.
22 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
23 Quimioterapia: Método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
24 Radioterapia: Método que utiliza diversos tipos de radiação ionizante para tratamento de doenças oncológicas.
25 Anestesia: Diminuição parcial ou total da sensibilidade dolorosa. Pode ser induzida por diferentes medicamentos ou ser parte de uma doença neurológica.
26 Transfusão: Introdução na corrente sangüínea de sangue ou algum de seus componentes. Podem ser transfundidos separadamente glóbulos vermelhos, plaquetas, plasma, fatores de coagulação, etc.
27 Cordão Umbilical: Estrutura flexível semelhante a corda, que conecta um FETO em desenvolvimento à PLACENTA, em mamíferos. O cordão contém vasos sanguíneos que transportam oxigênio e nutrientes da mãe ao feto e resíduos para longe do feto.
28 Hemorrágicos: Relativo à hemorragia, ou seja, ao escoamento de sangue para fora dos vasos sanguíneos.
29 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
30 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
31 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
32 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
33 Astenia: Sensação de fraqueza, sem perda real da capacidade muscular.
34 Cabeça:
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