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Nariz entupido - o que fazer?

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O que é nariz1 entupido?

O popular “nariz entupido”, cujo nome técnico é congestão nasal, é um sintoma2 muito comum de diversas afecções3 do sistema respiratório4 superior, embora existam também outras causas. Ele consiste em que a passagem normal de ar inspirado ou expirado fique total ou parcialmente obstruída, de forma temporária, e a pessoa tenha que respirar pela boca5. O nariz1 entupido não é uma doença, mas sim uma manifestação clínica de alguma doença subjacente, geralmente rinite6 e/ou sinusite7.

Quais são as causas mais comuns do entupimento do nariz1?

Quase sempre (mas não unicamente) o nariz1 entupido ocorre quando os tecidos e vasos sanguíneos8 nasais e adjacentes ficam inchados com excesso de líquido.

O nariz1 entupido pode ser causado por qualquer coisa que irrite ou inflame os tecidos nasais, como infecções9 e alergias. Entre as primeiras, são causas frequentes de congestão nasal os resfriados, gripes ou sinusites. Às vezes, o nariz1 entupido pode ser causado por uma rinite6 vasomotora devido a substâncias irritantes, como fumaça de cigarro ou de escapamentos de carros e odores muito fortes.

Mais raramente, a congestão nasal pode ser causada por desvio de septo ou por um tumor10 endonasal. Paradoxalmente, a obstrução nasal pode também ser causada pelo uso excessivo de spray nasal descongestionante, num efeito rebote. Certos tipos de alimentos apimentados ou medicamentos, como os usados para tratar a pressão alta, podem implicar em entupimento do nariz1. Outra razão que ocasionalmente pode obstruir a respiração é a presença de corpo estranho no nariz1.

Leia sobre "Resfriado", "Gripe11", "Rinite6", "Rinite6 vasomotora", "Alergia12 respiratória" e "Sinusite7".

Qual é o substrato fisiológico13 do nariz1 entupido?

Como o entupimento nasal frequentemente vem acompanhado de coriza14, muitas pessoas pensam que é o excesso de muco produzido na cavidade nasal15 que causa o entupimento do nariz1, mas isso não é verdadeiro. O muco atrapalha, tanto que quando se assoa o nariz1, há uma sensação de melhora temporária da congestão. Porém, a verdadeira causa do espaço diminuído na passagem da cavidade nasal15 é um edema16 (inchaço17) das mucosas18, causado por inflamação19 e ingurgitamento dos vasos sanguíneos8 dessa região.

O ato de respirar é, durante a maior parte do tempo, involuntário e inconsciente. Quando o nariz1 está entupido, a dificuldade de passar o ar pela cavidade nasal15 faz com que haja perda dessas duas características - involuntário e inconsciente -, o que deixa o paciente bastante incomodado.

Quais são as principais características clínicas do nariz1 entupido?

A constipação20 nasal na maioria dos casos não é um problema grave, mas costuma ser muito incômoda e pode ser grave para crianças cujo sono é perturbado pela congestão nasal ou para bebês21 que, como resultado, podem ter dificuldade em se alimentar. A coriza14 é comum, mas nem sempre está presente nos casos de congestão nasal.

Como tratar o nariz1 entupido?

Nem sempre é bastante tratar apenas os sintomas22, sendo importante reconhecer e eliminar a sua causa. Em geral é preciso também afastar o paciente de estímulos causadores (fumaça, poluição, poeira, etc.) para se conseguir desentupir o nariz1, o que, no entanto, nem sempre é possível.

Por outro lado, quando a congestão nasal está sendo provocada por uma virose respiratória, não há o que se fazer diretamente contra a infecção23.

Algumas medidas simples podem ser tomadas pelo próprio paciente:

  1. Usar um umidificador, que fornece uma maneira rápida e fácil de reduzir a dor sinusal e aliviar o nariz1 entupido
  2. Tomar um banho quente e prolongado. O vapor do banho ajuda a diluir o muco no nariz1 e reduzir a inflamação19
  3. Manter-se hidratado, porque os líquidos ajudam a diluir o muco nasal
  4. Usar um spray com solução salina (água salgada), que pode aumentar a umidade das narinas, ajudando a diluir o muco nas passagens nasais
  5. Drenar os seios nasais24, lavando as narinas
  6. Usar uma compressa quente sobre o nariz1 e a testa várias vezes por dia. O calor pode proporcionar conforto contra qualquer dor e ajudar a aliviar a inflamação19 nas narinas
  7. Usar um desses descongestionantes habitualmente vendidos, mas por período curto de tempo, evitando-se assim efeito rebote
  8. Tomar anti-histamínicos ou remédios para alergias

Como prevenir o nariz1 entupido?

A pessoa afetada deve evitar:

  1. Ficar em locais com aquecimento ou ar-condicionado, pois eles ressecam muito o ar e as mucosas18, causando irritação das mesmas
  2. Não é indicado usar Vick Vaporub ou qualquer outra solução que contenha odores fortes, eles podem ser irritantes para as vias respiratórias, principalmente de crianças pequenas
  3. Evitar banhos de piscina durante as crises, pois o cloro pode irritar a mucosa25 nasal e reforçar os sintomas22
  4. À noite, manter a cabeça26 um pouco mais alta que habitualmente, facilitando a respiração
Veja também sobre "Coriza14", "Asma27", "Alergia12 ocular", "Pólipos28 nasais" e "Diferença entre polipose nasal e pólipos28 nasais".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic, do Johns Hopkins Medicine e da American Academy of Allergy Asthma & Immunology.

ABCMED, 2019. Nariz entupido - o que fazer?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1354113/nariz+entupido+o+que+fazer.htm>. Acesso em: 1 out. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Nariz: Estrutura especializada que funciona como um órgão do sentido do olfato e que também pertence ao sistema respiratório; o termo inclui tanto o nariz externo como a cavidade nasal.
2 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
3 Afecções: Quaisquer alterações patológicas do corpo. Em psicologia, estado de morbidez, de anormalidade psíquica.
4 Sistema Respiratório: Órgãos e estruturas tubulares e cavernosas, por meio das quais a ventilação pulmonar e as trocas gasosas entre o ar externo e o sangue são realizadas.
5 Boca: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
6 Rinite: Inflamação da mucosa nasal, produzida por uma infecção viral ou reação alérgica. Manifesta-se por secreção aquosa e obstrução das fossas nasais.
7 Sinusite: Infecção aguda ou crônica dos seios paranasais. Podem complicar o curso normal de um resfriado comum, acompanhando-se de febre e dor retro-ocular.
8 Vasos Sanguíneos: Qualquer vaso tubular que transporta o sangue (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias).
9 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
10 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
11 Gripe: Doença viral adquirida através do contágio interpessoal que se caracteriza por faringite, febre, dores musculares generalizadas, náuseas, etc. Sua duração é de aproximadamente cinco a sete dias e tem uma maior incidência nos meses frios. Em geral desaparece naturalmente sem tratamento, apenas com medidas de controle geral (repouso relativo, ingestão de líquidos, etc.). Os antibióticos não funcionam na gripe e não devem ser utilizados de rotina.
12 Alergia: Reação inflamatória anormal, perante substâncias (alérgenos) que habitualmente não deveriam produzi-la. Entre estas substâncias encontram-se poeiras ambientais, medicamentos, alimentos etc.
13 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
14 Coriza: Inflamação da mucosa das fossas nasais; rinite, defluxo.
15 Cavidade Nasal: Porção proximal da passagem respiratória em cada lado do septo nasal, revestida por uma mucosa ciliada extendendo-se das narinas até a faringe.
16 Edema: 1. Inchaço causado pelo excesso de fluidos no organismo. 2. Acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo, especialmente no tecido conjuntivo.
17 Inchaço: Inchação, edema.
18 Mucosas: Tipo de membranas, umidificadas por secreções glandulares, que recobrem cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
19 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
20 Constipação: Retardo ou dificuldade nas defecações, suficiente para causar desconforto significativo para a pessoa. Pode significar que as fezes são duras, difíceis de serem expelidas ou infreqüentes (evacuações inferiores a três vezes por semana), ou ainda a sensação de esvaziamento retal incompleto, após as defecações.
21 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
22 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
23 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
24 Seios Nasais: Extensões preenchidas de ar localizadas na parte respiratória da cavidade nasal dentro dos ossos frontal, etmóide, esfenóide e maxila. Variam em tamanho e forma entre indivíduos diferentes, e são revestidas por uma membrana mucosa ciliada da cavidade nasal.
25 Mucosa: Tipo de membrana, umidificada por secreções glandulares, que recobre cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
26 Cabeça:
27 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
28 Pólipos: 1. Em patologia, é o crescimento de tecido pediculado que se desenvolve em uma membrana mucosa (por exemplo, no nariz, bexiga, reto, etc.) em resultado da hipertrofia desta membrana ou como um tumor verdadeiro. 2. Em celenterologia, forma individual, séssil, típica dos cnidários, que se caracteriza pelo corpo formado por um tubo ou cilindro, cuja extremidade oral, dotada de boca e tentáculos, é dirigida para cima, e a extremidade oposta, ou aboral, é fixa.
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