Gostou do artigo? Compartilhe!

Rinite vasomotora - O que é? Quais são os cuidados necessários?

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é rinite1 vasomotora?

O termo "rinite1" significa inflamação2 da mucosa3 nasal. "Vasomotora" significa uma alteração dos vasos sanguíneos4 (artérias5 e veias6) que estão presentes em abundância na mucosa3 dos cornetos nasais. A rinite1 vasomotora é também conhecida como rinite1 não-alérgica, porque embora tenha os mesmos sintomas7 da rinite1 alérgica, deve-se a causas diferentes.

Leia sobre "Rinite1", "Alergias", "Sinusite8 ou Rinossinusite", "Asma9" e "Alergia10 ocular".

Quais são as causas da rinite1 vasomotora?

Além de alergias e infecções11, vários outros fatores podem levar à dilatação dos vasos sanguíneos4, causando rinite1. Estes fatores podem ser psicológicos, hormonais, gravidez12, medicamentos, cigarro, dentre outros. No entanto, as causas da rinite1 vasomotora ainda não são bem conhecidas em sua totalidade.

Acredita-se que ela possa ocorrer por excesso de vasos sanguíneos4 no nariz13 ou por uma especial hipersensibilidade. A rinite1 vasomotora pode ser causada por exposição ao ar seco, alteração da pressão atmosférica e da temperatura, odores fortes, alimentos picantes, irritantes químicos, como ozônio, poluição, perfumes e sprays, lesões14 no nariz13, doenças como refluxo gastroesofágico15 e asma9, alcoolismo, efeitos colaterais16 de medicamentos e emoções fortes.

A rinite1 vasomotora acontece mais em mulheres que em homens, o que sugere que também haja uma influência hormonal.

Qual é o mecanismo fisiológico17 da rinite1 vasomotora?

Os vasos sanguíneos4 dos cornetos nasais sofrem dois fenômenos opostos chamados vasoconstrição18 e vasodilatação, que significam, respectivamente, diminuição e aumento do calibre dos vasos.

Em situações normais, os vasos encontram-se num estado intermediário entre as duas situações. Frente a estímulos diversos, como exercícios físicos, ingestão de drogas ou medicações, exposição ao frio, etc., há uma tendência ou à predominância da vasodilatação (que leva à obstrução nasal) ou à predominância da vasoconstrição18 (levando a uma respiração mais fácil).

Por exemplo, a prática de exercícios físicos leva a uma liberação de adrenalina19 na corrente sanguínea que atua como vasoconstritora, tornando a respiração mais eficaz. Quando estamos resfriados, a inflamação2 causada pela infecção20 viral leva à vasodilatação, causando obstrução nasal.

Saiba mais sobre "Atividade física", "Parar de fumar", "Alcoolismo" e "Teste de gravidez12".

Quais são as principais características da rinite1 vasomotora?

Os sintomas7 da rinite1 vasomotora são muito parecidos com os da rinite1 alérgica ou de uma infecção20 respiratória. Entretanto, as causas e o tratamento são bastante diferentes.

Os sintomas7 da rinite1 vasomotora podem estar presentes de maneira contínua, podendo intensificar-se quando há rápidas mudanças da temperatura ambiente. Os sintomas7 mais comuns são presença de secreção, irritação e congestão nasal, dor de cabeça21 frontal e espirros frequentes.

Nos estágios iniciais da rinite1 vasomotora, a obstrução nasal é leve e temporária, bastando a remoção da causa para que a respiração melhore. Entretanto, quando o estímulo causador persiste, os vasos perdem a capacidade de constrição22, como acontece nas varizes23. Assim, quando a pessoa se deita eles se enchem, causando obstrução. Nesses casos, pode ser necessário o tratamento cirúrgico (chamado turbinectomia) para alívio completo dos sintomas7.

Como o médico diagnostica a rinite1 vasomotora?

O diagnóstico24 da rinite1 vasomotora é feito através do exame físico completo da passagem nasal com rinoscopia (olhar dentro do nariz13 com um instrumento iluminado especial chamado rinoscópio), a qual apresentará inchaço25 da mucosa3 causada pela dilatação dos vasos sanguíneos4. Teste cutâneo26 de alergia10 e exame de sangue27 devem ser feitos para excluir a presença de reação alérgica28.

Como o médico trata a rinite1 vasomotora?

O tratamento para a rinite1 vasomotora consiste em providências para eliminação dos sintomas7 irritantes. São eles: sprays nasais de diversos tipos, escolhidos conforme a natureza da rinite1, anti-histamínicos orais, irrigação nasal, inalação de vapor ou óleo de eucalipto, atividade física, que ajuda no condicionamento respiratório geral.

Além disso, o uso de desumidificador de ar pode melhorar a qualidade do ar respirado e reduzir as possibilidades de rinite1 vasomotora. Mas vale tomar cuidado, pois a umidade relativa do ar ideal para a saúde29 fica em torno de 35-45%. A alta umidade causa surgimento de fungos/mofo, o que não é bom para a saúde29. Já o ar muito seco aumenta a sensação de congestão nasal, seca as membranas e causa irritação nasal. Isso significa que o uso tanto de umidificador de ar na rinite1, quanto o uso de desumidificador deve ser bem criterioso.

A cirurgia só é indicada em casos graves, em que haja bloqueio nasal por um septo desviado, hipertrofia30 dos cornetos ou pólipos31 nasais, casos em que o tratamento conservador pode não apresentar resultados.

Como evolui a rinite1 vasomotora?

A rinite1 vasomotora não tem uma cura definitiva, no entanto, um controle adequado pode permitir uma remissão dos sintomas7, com uma melhor qualidade de vida.

Veja também sobre "Desvio de septo nasal32", "Pólipos31 nasais", "Ácaros", "Fungos" e "Nasofibroscopia".

 

ABCMED, 2018. Rinite vasomotora - O que é? Quais são os cuidados necessários?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1323658/rinite-vasomotora-o-que-e-quais-sao-os-cuidados-necessarios.htm>. Acesso em: 16 nov. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Rinite: Inflamação da mucosa nasal, produzida por uma infecção viral ou reação alérgica. Manifesta-se por secreção aquosa e obstrução das fossas nasais.
2 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
3 Mucosa: Tipo de membrana, umidificada por secreções glandulares, que recobre cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
4 Vasos Sanguíneos: Qualquer vaso tubular que transporta o sangue (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias).
5 Artérias: Os vasos que transportam sangue para fora do coração.
6 Veias: Vasos sangüíneos que levam o sangue ao coração.
7 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
8 Sinusite: Infecção aguda ou crônica dos seios paranasais. Podem complicar o curso normal de um resfriado comum, acompanhando-se de febre e dor retro-ocular.
9 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
10 Alergia: Reação inflamatória anormal, perante substâncias (alérgenos) que habitualmente não deveriam produzi-la. Entre estas substâncias encontram-se poeiras ambientais, medicamentos, alimentos etc.
11 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
12 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
13 Nariz: Estrutura especializada que funciona como um órgão do sentido do olfato e que também pertence ao sistema respiratório; o termo inclui tanto o nariz externo como a cavidade nasal.
14 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
15 Refluxo gastroesofágico: Presença de conteúdo ácido proveniente do estômago na luz esofágica. Como o dito órgão não está adaptado fisiologicamente para suportar a acidez do suco gástrico, pode ser produzida inflamação de sua mucosa (esofagite).
16 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
17 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
18 Vasoconstrição: Diminuição do diâmetro dos vasos sanguíneos.
19 Adrenalina: 1. Hormônio secretado pela medula das glândulas suprarrenais. Atua no mecanismo da elevação da pressão sanguínea, é importante na produção de respostas fisiológicas rápidas do organismo aos estímulos externos. Usualmente utilizado como estimulante cardíaco, como vasoconstritor nas hemorragias da pele, para prolongar os efeitos de anestésicos locais e como relaxante muscular na asma brônquica. 2. No sentido informal significa disposição física, emocional e mental na realização de tarefas, projetos, etc. Energia, força, vigor.
20 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
21 Cabeça:
22 Constrição: 1. Ação ou efeito de constringir, mesmo que constrangimento (ato ou efeito de reduzir). 2. Pressão circular que faz diminuir o diâmetro de um objeto; estreitamento. 3. Em medicina, é o estreitamento patológico de qualquer canal ou esfíncter; estenose.
23 Varizes: Dilatação anormal de uma veia. Podem ser dolorosas ou causar problemas estéticos quando são superficiais como nas pernas. Podem também ser sede de trombose, devido à estase sangüínea.
24 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
25 Inchaço: Inchação, edema.
26 Cutâneo: Que diz respeito à pele, à cútis.
27 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
28 Reação alérgica: Sensibilidade a uma substância específica, chamada de alérgeno, com a qual se entra em contato por meio da pele, pulmões, deglutição ou injeções.
29 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
30 Hipertrofia: 1. Desenvolvimento ou crescimento excessivo de um órgão ou de parte dele devido a um aumento do tamanho de suas células constituintes. 2. Desenvolvimento ou crescimento excessivo, em tamanho ou em complexidade (de alguma coisa). 3. Em medicina, é aumento do tamanho (mas não da quantidade) de células que compõem um tecido. Pode ser acompanhada pelo aumento do tamanho do órgão do qual faz parte.
31 Pólipos: 1. Em patologia, é o crescimento de tecido pediculado que se desenvolve em uma membrana mucosa (por exemplo, no nariz, bexiga, reto, etc.) em resultado da hipertrofia desta membrana ou como um tumor verdadeiro. 2. Em celenterologia, forma individual, séssil, típica dos cnidários, que se caracteriza pelo corpo formado por um tubo ou cilindro, cuja extremidade oral, dotada de boca e tentáculos, é dirigida para cima, e a extremidade oposta, ou aboral, é fixa.
32 Septo Nasal: A divisão que separa as duas cavidades nasais no plano medial, composta de cartilagens, membranas e partes ósseas.

Artigos selecionados

Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Otorrinolaringologia?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.