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Resfriado comum ou nasofaringite - quais os sintomas? O que fazer?

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O que é a nasofaringe1?

A nasofaringe1 (parte nasal da faringe2) é uma extensão posterior da cavidade nasal3, acima do palato4 mole, composta por tecido linfoide5, que faz parte do sistema orgânico de defesa. É conectada à cavidade timpânica6 através da tuba auditiva7, que permite a passagem de ar entre as cavidades e, consequentemente, a manutenção do equilíbrio de pressão entre elas. A nasofaringe1 é revestida por um epitélio8 colunar, produtor de secreção e provido de cílios9 que são responsáveis pela remoção do muco.

O que é nasofaringite (resfriado comum)?

A nasofaringite é uma doença infecciosa viral ou (raramente) bacteriana contagiosa10, do sistema respiratório11 superior. É uma das doenças infecciosas mais comuns em humanos, sobretudo em crianças, adolescentes e adultos jovens. Normalmente, os vírus12 se hospedam nas mucosas13 da faringe2, sobretudo no outono ou inverno.

Quais são as causas da nasofaringite (resfriado comum)?

A nasofaringite é uma infecção14 causada por mais de 200 vírus12, entre eles os picornavírus, os rinovírus, os coronavírus e os vírus12 da influenza15. Esses vírus12 existem universalmente em todas as pessoas, mas a influência patogênica16 deles pode ser aumentada por quedas do sistema imunológico17 ou deficiências alimentares. Bem mais raramente, a infecção14 também pode ser causada por bactérias.

Fatores que favorecem a nasofaringite são:

  1. A frequência a infantários (creches, escolas, albergues, etc.), em que as crianças ficam mais expostas a grande concentração de vírus12 e bactérias, além de ainda não terem o sistema de defesa orgânica totalmente desenvolvido.
  2. A alergia18 respiratória, que leva à inflamação19 e favorece a colonização pelos vírus12 ou bactérias.
  3. O desmame precoce, já que quando as crianças deixam de mamar muito cedo, elas ficam com menos defesas orgânicas.
  4. O tabagismo, pois o fumo irrita a mucosa20 das vias aéreas e favorece as inflamações21 e infecções22.
Saiba mais sobre "Resfriado comum", "Vírus12", "Bactérias", "Alergia18 respiratória" e "A criança que vai para a creche".

Quais as principais características clínicas da nasofaringite (resfriado comum)?

A nasofaringite se inicia com febre23 moderada e sensação de nariz24 entupido. Os fluidos inicialmente são translúcidos e, com o passar do tempo, vão se tornando mais espessos, com o desenvolvimento da infecção14. Os principais sintomas25 da nasofaringite são dor de garganta26, coriza27, congestão nasal, espirros, olhos28 congestionados (avermelhados), tosse, vômitos29 e diarreias.

Leia também sobre "Febre23", "Dor de garganta26", "Espirro", "Tosse", "Vômitos29" e "Diarreia30".

Como o médico diagnostica a nasofaringite (resfriado comum)?

Não há exames específicos para diagnosticar a nasofaringite. O diagnóstico31 da condição é feito pelos sintomas25 da doença. Em virtude da grande frequência da enfermidade e da tipicidade de seus sintomas25, a nasofaringite costuma ser reconhecida como tal mesmo pelo leigo.

Como o médico trata a nasofaringite (resfriado comum)?

Não há medicamentos antivirais específicos para curar a infecção14; os medicamentos comumente utilizados tratam somente os sintomas25. Medidas como repouso, ingestão de líquidos, gargarejo com água morna e sal, medicamentos para a tosse, sprays para o nariz24 e a garganta26, são todas apenas sintomáticas. São ainda importantes: a higiene e a aspiração nasal, o uso de analgésicos32 ou antipiréticos33, a hidratação e, quando indicado, o uso de antibióticos. O uso de antibióticos só é feito se houver complicações, como, por exemplo, otite34, laringite35, sinusite36 e/ou bronquite.

Saiba mais sobre "Otites37", "Laringites", "Sinusite36" e "Bronquite".

Como evolui a nasofaringite (resfriado comum)?

Nas populações comuns, as nasofaringites são autorresolutivas, dentro de uma ou duas semanas. Entretanto, em populações em que elas não existam (como entre alguns indígenas, por exemplo), ela pode ter um efeito mortal devastador.

Como prevenir a nasofaringite (resfriado comum)?

A nasofaringite pode ser prevenida por meio da vacina38 contra a gripe39, que deve ser tomada anualmente. Por outro lado, na medida do possível, a pessoa sadia deve evitar ter contato com pessoas doentes, sobretudo em ambientes fechados. O ar muito seco e quente favorece as nasofaringites e, por isso, deve-se umidificar os ambientes.

Quais são as complicações possíveis da nasofaringite (resfriado comum)?

Em geral, as nasofaringites não apresentam complicações, mas se elas existirem, as mais comuns são as coinfecções oportunistas e as superinfecções40, tais como bronquite aguda41, bronquiolite, difteria42 ou crupe, pneumonia43, sinusite36, otite média44 ou faringite45 estreptocócica. Pessoas com doenças pulmonares crônicas, como asma46 e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), são especialmente vulneráveis à nasofaringite.

Leia também sobre "Gripe39", "Bronquiolite", "Difteria42", "Pneumonia43", "Asma46" e "Doença pulmonar obstrutiva crônica".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte dos sites da http://www.otorrinousp.org.br/, da Fundação Otorrinolaringologia, do Brazilian Journal of Otorhinolaryngology e do do International Archives of Otorhinolaryngology.

ABCMED, 2016. Resfriado comum ou nasofaringite - quais os sintomas? O que fazer?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1276943/resfriado-comum-ou-nasofaringite-quais-os-sintomas-o-que-fazer.htm>. Acesso em: 21 out. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Nasofaringe: Nasofaringe ou cavum é a parte superior da faringe, localizada logo atrás do nariz e acima do palato mole. Nesta área, drenam as trompas de Eustáquio, comunicação entre o ouvido médio e a faringe, com a função de ventilar adequadamente as orelhas.
2 Faringe: Canal músculo-membranoso comum aos sistemas digestivo e respiratório. Comunica-se com a boca e com as fossas nasais. É dividida em três partes: faringe superior (nasofaringe ou rinofaringe), faringe bucal (orofaringe) e faringe inferior (hipofaringe, laringofaringe ou faringe esofagiana), sendo um órgão indispensável para a circulação do ar e dos alimentos.
3 Cavidade Nasal: Porção proximal da passagem respiratória em cada lado do septo nasal, revestida por uma mucosa ciliada extendendo-se das narinas até a faringe.
4 Palato: Estrutura que forma o teto da boca. Consiste em palato duro anterior (PALATO DURO) e de palato mole posterior (PALATO MOLE).
5 Tecido Linfóide: Tecidos especializados, componentes do sistema linfático. São locais definidos (no corpo), onde vários LINFÓCITOS podem se formar, maturar e se multiplicar, ligados por uma rede de VASOS LINFÁTICOS.
6 Cavidade Timpânica: Espaço e estruturas internas à MEMBRANA TIMPÂNICA e externas à orelha interna (LABIRINTO). Entre os componentes principais estão os OSSÍCULOS DA AUDIÇÃO e a TUBA AUDITIVA, que conecta a cavidade da orelha média (cavidade timpânica) à parte superior da garganta.
7 Tuba Auditiva: Passagem estreita que liga a parte superior da garganta à CAVIDADE TIMPÂNICA. Sinônimos: Trompa de Eustáquio; Tuba Auditória; Tuba Faringotimpânica
8 Epitélio: Epitélio ou tecido epitelial é um tecido constituído por células justapostas, ou seja, intimamente unidas entre si. Sua principal função é revestir a superfície externa do corpo, os órgãos e as cavidades corporais internas. Os epitélios são eficientes barreiras contra a entrada de agentes invasores e a perda de líquidos corporais. Eles têm também funções secretoras, sensoriais e de absorção. O tecido epitelial é um dos quatro tipos de tecidos básicos do nosso organismo, juntamente com os tecidos conjuntivo, muscular e nervoso.
9 Cílios: Populações de processos móveis e delgados que são encontrados revestindo a superfície dos ciliados (CILIÓFOROS) ou a superfície livre das células e que constroem o EPITÉLIO ciliado. Cada cílio nasce de um grânulo básico na camada superficial do CITOPLASMA. O movimento dos cílios propele os ciliados através do líquido no qual vivem. O movimento dos cílios em um epitélio ciliado serve para propelir uma camada superficial de muco ou fluido.
10 Contagiosa: 1. Que é transmitida por contato ou contágio. 2. Que constitui veículo para o contágio. 3. Que se transmite pela intensidade, pela influência, etc.; contagiante.
11 Sistema Respiratório: Órgãos e estruturas tubulares e cavernosas, por meio das quais a ventilação pulmonar e as trocas gasosas entre o ar externo e o sangue são realizadas.
12 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
13 Mucosas: Tipo de membranas, umidificadas por secreções glandulares, que recobrem cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
14 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
15 Influenza: Doença infecciosa, aguda, de origem viral que acomete o trato respiratório, ocorrendo em epidemias ou pandemias e frequentemente se complicando pela associação com outras infecções bacterianas.
16 Patogênica: 1. Relativo a patogenia, patogênese ou patogenesia. 2. Que provoca ou pode provocar, direta ou indiretamente, uma doença.
17 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
18 Alergia: Reação inflamatória anormal, perante substâncias (alérgenos) que habitualmente não deveriam produzi-la. Entre estas substâncias encontram-se poeiras ambientais, medicamentos, alimentos etc.
19 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
20 Mucosa: Tipo de membrana, umidificada por secreções glandulares, que recobre cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
21 Inflamações: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc. Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
22 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
23 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
24 Nariz: Estrutura especializada que funciona como um órgão do sentido do olfato e que também pertence ao sistema respiratório; o termo inclui tanto o nariz externo como a cavidade nasal.
25 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
26 Garganta: Tubo fibromuscular em forma de funil, que leva os alimentos ao ESÔFAGO e o ar à LARINGE e PULMÕES. Situa-se posteriormente à CAVIDADE NASAL, à CAVIDADE ORAL e à LARINGE, extendendo-se da BASE DO CRÂNIO à borda inferior da CARTILAGEM CRICÓIDE (anteriormente) e à borda inferior da vértebra C6 (posteriormente). É dividida em NASOFARINGE, OROFARINGE e HIPOFARINGE (laringofaringe).
27 Coriza: Inflamação da mucosa das fossas nasais; rinite, defluxo.
28 Olhos:
29 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
30 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
31 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
32 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
33 Antipiréticos: Medicamentos que reduzem a febre, diminuindo a temperatura corporal que está acima do normal. Entretanto, eles não vão afetar a temperatura normal do corpo se uma pessoa que não tiver febre o ingerir. Os antipiréticos fazem com que o hipotálamo “ignore“ um aumento de temperatura induzido por interleucina. O corpo então irá trabalhar para baixar a temperatura e o resultado é a redução da febre.
34 Otite: Toda infecção do ouvido é chamada de otite.
35 Laringite: Inflamação da mucosa que recobre a laringe. É muito freqüente durante os meses frios, e é produzida por uma infecção viral. Apresenta-se com dor, alterações da fonação (disfonia), tosse e febre.
36 Sinusite: Infecção aguda ou crônica dos seios paranasais. Podem complicar o curso normal de um resfriado comum, acompanhando-se de febre e dor retro-ocular.
37 Otites: Toda infecção do ouvido é chamada de otite.
38 Vacina: Tratamento à base de bactérias, vírus vivos atenuados ou seus produtos celulares, que têm o objetivo de produzir uma imunização ativa no organismo para uma determinada infecção.
39 Gripe: Doença viral adquirida através do contágio interpessoal que se caracteriza por faringite, febre, dores musculares generalizadas, náuseas, etc. Sua duração é de aproximadamente cinco a sete dias e tem uma maior incidência nos meses frios. Em geral desaparece naturalmente sem tratamento, apenas com medidas de controle geral (repouso relativo, ingestão de líquidos, etc.). Os antibióticos não funcionam na gripe e não devem ser utilizados de rotina.
40 Superinfecções: Geralmente ocorrem quando os antibióticos alteram o equilíbrio do organismo, permitindo o crescimento de agentes oportunistas, como os enterococos. As superinfecções podem ser muito difícil de tratar, porque é necessário optar por antibióticos eficazes contra todos os agentes que podem causá-las.
41 Bronquite aguda: Inflamação dos brônquios produzida em geral por diferentes vírus respiratórios, que se manifesta por febre, tosse e expectoração de muco à tosse.
42 Difteria: Doença infecto-contagiosa que afeta as vias respiratórias superiores, caracterizada pela produção de uma falsa membrana na garganta como resultado da ação de uma toxina bacteriana. Este microorganismo é denominado Corinebacterium difteriae, e é capaz de produzir doença neurológica e cardíaca também.Atualmente, está disponível uma vacina eficiente (a tríplice ou DPT) para esta doença, que tem tornado-se rara.
43 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
44 Otite média: Infecção na orelha média.
45 Faringite: Inflamação da mucosa faríngea em geral de causa bacteriana ou viral. Caracteriza-se por dor, dificuldade para engolir e vermelhidão da mucosa, acompanhada de exsudatos ou não.
46 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
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