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Hérnia estrangulada

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O que é hérnia1 estrangulada?

Uma hérnia1 é um escapamento parcial ou total de um ou mais órgãos internos (geralmente alças intestinais) pressionados contra um orifício que tenha se aberto nos músculos2 em virtude de má formação ou enfraquecimento deles. Conforme o local em que a hérnia1 aparece, ela é dita hérnia1 inguinal, hérnia1 epigástrica, hérnia1 de hiato, hérnia1 incisional, hérnia1 diafragmática, hérnia1 cerebral ou hérnia de disco3.

Salvo as duas últimas, todas as demais se localizam no abdome4. Qualquer uma delas pode se tornar estrangulada, mas quando se fala de hérnia1 estrangulada geralmente está-se referindo a uma hérnia1 abdominal.

Hérnia1 estrangulada é uma condição em que o conteúdo do saco herniado (um órgão interno ou parte dele) fica preso e tem sua vascularização interrompida, configurando uma situação de emergência5 grave com necessidade de intervenção cirúrgica imediata.

Saiba mais sobre "Hérnia de disco3", "Hérnia de disco3 extrusa", "Hérnia1 diafragmática" e "Hérnias6 abdominais".

Quais são as causas da hérnia1 estrangulada?

As hérnias6 podem se tornar estranguladas em qualquer idade, inclusive em bebês7 recém-nascidos. Uma hérnia1 estrangulada começa como todas as outras hérnias6: o tecido8 muscular do abdome4 se torna fraco, o que facilita a passagem dos tecidos do intestino através do dele. O estrangulamento ocorre quando o conteúdo herniado (geralmente uma alça intestinal) fica preso e comprimido na abertura que permitiu o seu extravasamento. Como resultado, a alça intestinal estrangulada pode deixar de receber sangue9 e oxigênio. Essa parte do intestino se rompe dando origem a uma perfuração intestinal.

Toda hérnia1 deve ser vista como tendo o potencial de sofrer encarceramento. São fatores de risco das hérnias6 e, portanto, de encarceramento:

  • Aumento da pressão dentro do abdômen como, por exemplo, esforço para evacuar ou tosse crônica.
  • Ponto fraco pré-existente ou criado na parede abdominal10, como cirurgias abdominais ou cesarianas.
  • Atividade física extenuante.
  • Gravidez11.
  • Nos homens, um ponto fraco comum se localiza no ponto onde o cordão espermático12 entra no escroto13.
  • Nas mulheres, as hérnias6 costumam ocorrer no ponto onde o tecido conjuntivo14 do útero15 se liga ao tecido8 ao redor do osso púbico16.

Os homens têm oito vezes mais chances de desenvolver uma hérnia1 do que as mulheres. Pessoas que tiveram uma hérnia1 reparada no passado também podem ter maiores chances de ter uma nova hérnia1, na mesma área, mais tarde na vida.

Mecanismos de formação da hérnia1 estrangulada

O estrangulamento decorre do conteúdo herniado do intestino passar por uma abertura muscular restritiva que eventualmente reduz o retorno venoso17, o que leva ao aumento do edema18 tecidual e compromete ainda mais a circulação19, interrompendo também o suprimento arterial. Como consequência, o tecido8 aprisionado pode gangrenar e assim produzir uma peritonite20 grave, com sepse21 e morte.

Leia sobre "Peritonite20" e ""Septicemia22".

Quais são as principais características clínicas da hérnia1 estrangulada?

Um dos sinais23 principais da hérnia1 estrangulada, como de qualquer outra hérnia1, é uma protuberância facilmente visível. Além disso, a hérnia1 estrangulada apresenta sintomas24 dramáticos, como dor intensa que piora muito rapidamente, aumento da sensibilidade, endurecimento da bolsa herniária, febre25 alta, fadiga26 intensa, náusea27, vômito28, fezes ensanguentadas, ritmo cardíaco acelerado, eritema29 no local da hérnia1 e incapacidade de eliminar gases ou fezes.

Como o tecido8 ou órgão estrangulado pode liberar toxinas30 e infecções31 na corrente sanguínea, isso pode levar à sepse21 e mesmo à morte. Com o andamento da necrose32 tecidual, os achados de laboratório podem, em pouco tempo, incluir leucocitose33, diminuição dos sons intestinais, distensão abdominal e mostrar um paciente com um quadro de toxemia34, desidratação35 e febre25.

Como o médico diagnostica a hérnia1 estrangulada?

Quase sempre o exame físico é bastante para diagnosticar uma hérnia1. Se o diagnóstico36 não for ostensivamente aparente, o médico poderá solicitar um exame de imagem, como ultrassonografia37 abdominal, tomografia computadorizada38 ou ressonância magnética39. Se a hérnia1 estiver estrangulada, deverão ser levados em conta os sintomas24 acompanhantes.

Como o médico trata a hérnia1 estrangulada?

Uma hérnia1 estrangulada é sempre uma emergência5 cirúrgica. Toda pessoa que suspeite ter uma hérnia1 estrangulada deve procurar atendimento médico de emergência5 o mais rapidamente possível. A cirurgia consistirá na colocação de uma tela de propileno na parede fragilizada com o objetivo de reforçá-la.

Como evolui a hérnia1 estrangulada?

O estrangulamento da hérnia1 é um quadro muito grave e só pode ser resolvido com uma cirurgia em caráter de urgência40, devido ao sério risco de morte. O tecido8 aprisionado pode sofrer gangrena41 e vazar para o abdome4, provocando peritonite20. A mortalidade42 é alta e o tratamento deve ser iniciado o mais prontamente possível.

Como prevenir a hérnia1 estrangulada?

Não é possível prevenir o defeito congênito43 que torna possível uma hérnia1. No entanto, é possível evitar ou minimizar outras hérnias6 e, com isso, reduzir a possibilidade de estrangulamento, por exemplo, reduzindo a tensão nos músculos2 e tecidos abdominais, mantendo um peso corporal saudável, enfatizando o consumo de alimentos ricos em fibras e que facilitam as evacuações, evitando levantar objetos pesados e parando de fumar.

Quais são as complicações possíveis da hérnia1 estrangulada?

Uma hérnia1 estrangulada é sempre uma situação muito grave. Ela pode cortar o fluxo sanguíneo para parte do intestino, levando à morte do tecido8 afetado, requerendo uma cirurgia de urgência40. Se o estrangulamento não for prontamente reconhecido, o intestino gangrenoso pode ser rompido, o que leva à peritonite20, sepse21 e morte.

Veja também sobre "Perfuração intestinal", "Hérnia1 incisional" e "Quantas cesarianas uma mulher pode fazer com segurança".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic, do The British Hernia Centre e do National Health Services do Reino Unido (NHS).

ABCMED, 2019. Hérnia estrangulada. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1346223/hernia+estrangulada.htm>. Acesso em: 15 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Hérnia: É uma massa circunscrita formada por um órgão (ou parte de um órgão) que sai por um orifício, natural ou acidental, da cavidade que o contém. Por extensão de sentido, excrescência, saliência.
2 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
3 Hérnia de disco:
4 Abdome: Região do corpo que se localiza entre o TÓRAX e a PELVE.
5 Emergência: 1. Ato ou efeito de emergir. 2. Situação grave, perigosa, momento crítico ou fortuito. 3. Setor de uma instituição hospitalar onde são atendidos pacientes que requerem tratamento imediato; pronto-socorro. 4. Eclosão. 5. Qualquer excrescência especializada ou parcial em um ramo ou outro órgão, formada por tecido epidérmico (ou da camada cortical) e um ou mais estratos de tecido subepidérmico, e que pode originar nectários, acúleos, etc. ou não se desenvolver em um órgão definido.
6 Hérnias: É uma massa circunscrita formada por um órgão (ou parte de um órgão) que sai por um orifício, natural ou acidental, da cavidade que o contém. Por extensão de sentido, excrescência, saliência.
7 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
8 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
9 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
10 Parede Abdominal: Margem externa do ABDOME que se estende da cavidade torácica osteocartilaginosa até a PELVE. Embora sua maior parte seja muscular, a parede abdominal consiste em pelo menos sete camadas Músculos Abdominais;
11 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
12 Cordão Espermático: Cada um dos pares de estruturas tubulares formado por DUCTOS DEFERENTES, ARTÉRIAS, VEIAS, VASOS LINFÁTICOS e nervos. Estende-se do anel inguinal profundo (através do CANAL INGUINAL) até os TESTÍCULOS (no ESCROTO).
13 Escroto:
14 Tecido conjuntivo: Tecido que sustenta e conecta outros tecidos. Consiste de CÉLULAS DO TECIDO CONJUNTIVO inseridas em uma grande quantidade de MATRIZ EXTRACELULAR.
15 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
16 Osso Púbico:
17 Retorno venoso: Quantidade de sangue que chega ao coração por minuto. Somos capazes de manter o débito cardíaco se, proporcionalmente, tivermos retorno venoso adequado. Ele só é possível devido à contração dos músculos esqueléticos que ajudam a comprimir as veias impulsionando o sangue e devido às válvulas existentes nas paredes das veias que impedem o refluxo do sangue. Outro mecanismo que favorece o retorno venoso é a respiração. Durante a inspiração, pela contração da musculatura inspiratória, faz-se um “vácuo” dentro da cavidade torácica, favorecendo o retorno venoso.
18 Edema: 1. Inchaço causado pelo excesso de fluidos no organismo. 2. Acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo, especialmente no tecido conjuntivo.
19 Circulação: 1. Ato ou efeito de circular. 2. Facilidade de se mover usando as vias de comunicação; giro, curso, trânsito. 3. Movimento do sangue, fluxo de sangue através dos vasos sanguíneos do corpo e do coração.
20 Peritonite: Inflamação do peritônio. Pode ser produzida pela entrada de bactérias através da perfuração de uma víscera (apendicite, colecistite), como complicação de uma cirurgia abdominal, por ferida penetrante no abdome ou, em algumas ocasiões, sem causa aparente. É uma doença grave que pode levar pacientes à morte.
21 Sepse: Infecção produzida por um germe capaz de provocar uma resposta inflamatória em todo o organismo. Os sintomas associados a sepse são febre, hipotermia, taquicardia, taquipnéia e elevação na contagem de glóbulos brancos. Pode levar à morte, se não tratada a tempo e corretamente.
22 Septicemia: Septicemia ou sepse é uma infecção generalizada grave que ocorre devido à presença de micro-organismos patogênicos e suas toxinas na corrente sanguínea. Geralmente ela ocorre a partir de outra infecção já existente.
23 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
24 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
25 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
26 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
27 Náusea: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc.
28 Vômito: É a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Pode ser classificado como: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
29 Eritema: Vermelhidão da pele, difusa ou salpicada, que desaparece à pressão.
30 Toxinas: Substâncias tóxicas, especialmente uma proteína, produzidas durante o metabolismo e o crescimento de certos microrganismos, animais e plantas, capazes de provocar a formação de anticorpos ou antitoxinas.
31 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
32 Necrose: Conjunto de processos irreversíveis através dos quais se produz a degeneração celular seguida de morte da célula.
33 Leucocitose: É o aumento no número de glóbulos brancos (leucócitos) no sangue, geralmente maior que 8.000 por mm³. Ocorre em diferentes patologias como em resposta a infecções ou processos inflamatórios. Entretanto, também pode ser o resultado de uma reação normal em certas condições como a gravidez, a menstruação e o exercício muscular.
34 Toxemia: Intoxicação resultante do acúmulo excessivo de toxinas endógenas ou exógenas no sangue, em virtude de insuficiência relativa ou absoluta dos órgãos excretores (rins, fígado, etc.).
35 Desidratação: Perda de líquidos do organismo pelo aumento importante da freqüência urinária, sudorese excessiva, diarréia ou vômito.
36 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
37 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
38 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
39 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
40 Urgência: 1. Necessidade que requer solução imediata; pressa. 2. Situação crítica ou muito grave que tem prioridade sobre outras; emergência.
41 Gangrena: Morte de um tecido do organismo. Na maioria dos casos é causada por ausência de fluxo sangüíneo ou infecção. Pode levar à amputação do local acometido.
42 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
43 Congênito: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
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