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Distúrbios do sono em idosos

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O que são distúrbios do sono em idosos?

Nesse artigo focalizaremos principalmente as alterações da quantidade e continuidade de sono em função da idade. Os demais problemas do sono que podem afetar os idosos são aqueles que os acompanham desde mais cedo e são tratados em textos específicos (insônia, apneia1 do sono, pernas inquietas, desordens do ritmo circadiano2, desordens do sono REM).

Saiba mais sobre "Insônia", "Apneia1 do sono", "Síndrome3 das pernas inquietas" e "Ciclos do sono".

Há um pensamento muito comum de que conforme a idade aumenta, a necessidade de sono diminui. Pesquisas mostram que, em geral, os recém-nascidos precisam de 19-20 horas diárias de sono; aos 10 anos, 10 horas; os adolescentes, 8 horas; o adulto saudável precisa dormir 7,5 horas e idosos a partir de 60 anos, 6 horas.

Assim, os idosos dormem um sono mais curto, geralmente perturbado por fatores relacionados com a idade. À medida que envelhece, a pessoa vai perdendo a capacidade de manter um sono regular e tem um sono mais interrompido por despertares noturnos. Mas, ao contrário, o sono do idoso também pode tornar-se excessivo, inclusive durante o dia, devido a algum problema que precisa ser investigado:

  1. No idoso, é comum a deficiência de nutrientes importantes, levando, por exemplo, a problemas como a anemia4, causando cansaço e sonolência.
  2. A depressão é muito comum no idoso, levando, às vezes, a um sono excessivo.
  3. Uso de medicamentos que causam sonolência como efeito colateral5.
  4. Sono em excesso pode ser um indício da perda de capacidade mental e sintoma6 de condições neurológicas sérias, tais como demências, enfermidade de Alzheimer7, doença de Parkinson8, etc.
Leia sobre "Anemias", "Mal de Parkinson", "Mal de Alzheimer7" e "Depressão".

Como o envelhecimento afeta o sono em idosos?

O envelhecimento ocasiona modificações significativas no tecido9 e na fisiologia10 cerebrais, assim como no padrão emocional e social das pessoas. Isso tem repercussões sobre a arquitetura do sono. Também mudanças físicas e emocionais influenciam o dormir. Geralmente, o sono do idoso é interrompido por sintomas11 de doenças ou pela vontade frequente de urinar, etc.

O idoso muitas vezes tem que enfrentar certo grau de solidão, com repercussões sobre o sono: vive a proximidade da morte, boa parte dos seus amigos e familiares já morreram, sua vida social muitas vezes está limitada por sequelas12 ou incapacidades, tem de sentir sozinho dores e mal-estar, tem de submeter-se à ditadura dos remédios e das restrições alimentares, etc. Frequentemente experimenta depressões.

Além disso, com o envelhecimento começam a aparecer doenças que levam a distúrbios do sono e o dormir frequentemente é interrompido por dores, dificuldades respiratórias, etc.

Qual é o mecanismo fisiológico13 dos distúrbios do sono em idosos?

Em geral, após os 60 anos, o sono se torna mais superficial, a pessoa demora mais a adormecer, ocorrem mais interrupções durante a noite e o período de sono fica mais curto.

Supõe-se que essas coisas aconteçam porque a produção de melatonina (hormônio14 responsável pela regularização do sono) vai diminuindo com o envelhecimento. Uma pessoa de 60 anos possui a metade da melatonina de um indivíduo aos 20. Aos 70 anos, os níveis de melatonina podem chegar a serem nulos.

Contudo, há autores que consideram um equívoco que o sono precise diminuir com a idade. Alegam que algumas pesquisas demonstram que nossas necessidades de sono permanecem constantes durante toda a vida adulta.

Algumas medidas que podem melhorar o sono dos idosos

  1. Limitar a ingestão de líquidos antes de dormir pode diminuir a frequência do urinar noturno.
  2. Evitar o uso de substâncias excitantes, como cafeína e álcool, por exemplo.
  3. Fazer a última refeição três a quatro horas antes de dormir, para que a digestão15 se processe antes do sono.
  4. Não fazer exercícios físicos exaustivos ou executar tarefas "pesadas" antes de dormir.
  5. Tomar um banho morno antes de deitar, para relaxar.
  6. Evitar o uso de equipamentos eletrônicos na cama (televisão, celulares, etc).
  7. Deixar o quarto de dormir o mais confortável possível (temperatura cômoda, ausência de barulho e de luz, etc.). Usar travesseiro e colchão adequados e confortáveis.
  8. Expor-se ao sol com frequência para ajudar a regular o ciclo dia-noite.
  9. Estabelecer um horário fixo para dormir todas as noites e para acordar, mesmo aos finais de semana. Isso ajuda a regular o relógio biológico e fará você dormir e acordar com mais facilidade.
  10. Procure evitar dormir por muito tempo após o almoço. Tire um cochilo de no máximo meia hora para não atrapalhar o sono noturno.
Veja também sobre "Envelhecimento saudável", "Melatonina", "Exercite seu cérebro16", "Hipersonia" e "Distúrbios do sono".

 

ABCMED, 2018. Distúrbios do sono em idosos. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-do-idoso/1323393/disturbios+do+sono+em+idosos.htm>. Acesso em: 12 dez. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Apnéia: É uma parada respiratória provocada pelo colabamento total das paredes da faringe que ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo e roncando. No adulto, considera-se apnéia após 10 segundos de parada respiratória. Como a criança tem uma reserva menor, às vezes, depois de dois ou três segundos, o sangue já se empobrece de oxigênio.
2 Ritmo circadiano: Também conhecido como ciclo circadiano, o ritmo circadiano representa o período de um dia (24 horas) no qual se completam as atividades do ciclo biológico dos seres vivos. Uma das funções deste sistema é o ajuste do relógio biológico, controlando o sono e o apetite. Através de um marca-passo interno que se encontra no cérebro, o ritmo circadiano regula tanto os ritmos materiais quanto os psicológicos, o que pode influenciar em atividade como: digestão em vigília, renovação de células e controle de temperatura corporal.
3 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
4 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
5 Efeito colateral: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
6 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
7 Alzheimer: Doença degenerativa crônica que produz uma deterioração insidiosa e progressiva das funções intelectuais superiores. É uma das causas mais freqüentes de demência. Geralmente começa a partir dos 50 anos de idade e tem incidência similar entre homens e mulheres.
8 Doença de Parkinson: Doença degenerativa que afeta uma região específica do cérebro (gânglios da base), e caracteriza-se por tremores em repouso, rigidez ao realizar movimentos, falta de expressão facial e, em casos avançados, demência. Os sintomas podem ser aliviados por medicamentos adequados, mas ainda não se conhece, até o momento, uma cura definitiva.
9 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
10 Fisiologia: Estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
11 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
12 Sequelas: 1. Na medicina, é a anomalia consequente a uma moléstia, da qual deriva direta ou indiretamente. 2. Ato ou efeito de seguir. 3. Grupo de pessoas que seguem o interesse de alguém; bando. 4. Efeito de uma causa; consequência, resultado. 5. Ato ou efeito de dar seguimento a algo que foi iniciado; sequência, continuação. 6. Sequência ou cadeia de fatos, coisas, objetos; série, sucessão. 7. Possibilidade de acompanhar a coisa onerada nas mãos de qualquer detentor e exercer sobre ela as prerrogativas de seu direito.
13 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
14 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
15 Digestão: Dá-se este nome a todo o conjunto de processos enzimáticos, motores e de transporte através dos quais os alimentos são degradados a compostos mais simples para permitir sua melhor absorção.
16 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
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