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Menopausa precoce e menopausa tardia

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O que é a menopausa1?

A menopausa1 é um estágio fisiológico2 normal na vida da mulher, representada tecnicamente pela última menstruação3 que, por sua vez, marca o encerramento dos ciclos menstruais e da ovulação4. No entanto, na maioria das vezes, essa cessação não acontece abruptamente. Ao contrário, o mais comum é que ao aproximar-se a menopausa1, os ciclos menstruais tornem-se progressivamente mais irregulares e escassos e o espaçamento entre eles vá ficando maior. Por isso, considera-se que uma mulher esteja efetivamente na plena menopausa1 depois que ela deixou de menstruar há mais de um ano.

A idade média da menopausa1 é de 51,2 anos, variando dos 40 aos 55 anos. Ela é dita precoce se ocorre abaixo dos 40 anos (5,5% das mulheres) e tardia quando só ocorre após os 55 anos (2% das mulheres).

Saiba mais sobre "Menstruação3", "Ciclo menstrual", "Climatério5 e menopausa1", "Motivos da menstruação3 atrasada".

Qual é o substrato fisiológico2 da menstruação3?

Ao nascer, a menina já traz em seus ovários6 a totalidade dos folículos que se transformarão em óvulos durante a sua vida e gastará todo esse “estoque” entre a primeira e a última menstruação3. A cada ovulação4 (liberação de óvulos pelo ovário7) o organismo se prepara para uma gravidez8 e, se ela não ocorre, sobrevém a menstruação3. Assim que cessa a ovulação4, sobrevém o fim das menstruações e a menopausa1. Dessa maneira, a menopausa1 fisiológica9 é um processo normal do envelhecimento e acontece quando os ovários6 cessam a produção de hormônios estrógenos.

As dietas que consistem principalmente de alimentos saudáveis, como peixes, legumes frescos, ervilhas e feijão, estão associadas a um início mais tardio da menopausa1, com um atraso de cerca de três anos em relação às dietas com muito macarrão e arroz branco (carboidratos).

O que é menopausa1 precoce?

Fala-se em menopausa1 precoce quando os ovários6 param de executar suas funções antes dos 40 anos. As razões disso muitas vezes permanecem desconhecidas, mas algumas mulheres afetadas por essa condição precisarão fazer terapia de reposição hormonal (TRH) com a orientação de um ginecologista ou de um endocrinologista10.

Uma menopausa1 precoce pode ocorrer em qualquer idade se, por qualquer motivo, for necessária a remoção cirúrgica de ambos os ovários6. Normalmente este tipo de menopausa1 acontece principalmente em mulheres com mãe ou irmãs que passaram pelo mesmo problema. Mas, também pode ser devida a outros fatores como fumo, ligação das trompas, retirada do útero11 e/ou dos ovários6 ou uso de tratamentos como radioterapia12 e quimioterapia13, por exemplo.

As menstruações tornam-se irregulares até desparecerem de todo, mais cedo que normalmente. Só se considera que a mulher está em menopausa1 precoce se há ausência de menstruação3 há pelo menos 12 meses seguidos. Geralmente a mulher experimenta ondas de calor repentinas e sem causa aparente, suores noturnos intensos que podem interromper o sono, cansaço frequente e alterações de humor, como irritabilidade, ansiedade ou tristeza, secura vaginal, queda de cabelos e diminuição do interesse sexual.

Leia sobre "Terapia de reposição hormonal", "Frigidez feminina" e "Queda da libido14".

O que é menopausa1 tardia?

Algumas mulheres continuam tendo ovulação4 e menstruação3 mesmo após os 55 anos de idade e continuam, portanto, em período fértil. Já se registrou mulheres que tiveram sua última menstruação3 aos 70 anos de idade!

A menopausa1 tardia está associada a um maior risco de câncer15 de mama16, dos ovários6 e do endométrio17. Porém, por outro lado, a idade mais avançada para a menopausa1 está associada à melhor saúde18 geral, vida mais longa e menos doenças cardiovasculares19.

Quem experimenta a menopausa1 tardia tem menor risco de doença cardíaca, derrame20 cerebral e osteoporose21, com um menor número de fraturas ósseas do que quem tem a menopausa1 precoce.

A menopausa1 tardia também está associada a uma longevidade maior. Uma pesquisa holandesa de 2005 constatou que a mortalidade22 foi reduzida em 2% a cada ano de aumento no início da menopausa1. A incidência23 da aterosclerose24 era 2% menor para quem teve menopausa1 tardia e o resultado final foi uma expectativa de vida25 aumentada.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia chegaram a conclusões semelhantes e concluíram que aquelas que começaram a menstruar mais cedo e entraram na menopausa1 mais tarde mostraram mais chances de viver até os 90 anos de idade, ou mais. Além disso, mostraram um melhor estado de saúde18 e tiveram menor probabilidade de ser fumantes ou apresentar histórico de diabetes26. Mulheres que tiveram uma menopausa1 tardia se desempenharam melhor em teste de memória para idosos.

Veja também sobre "Quinze sintomas27 de câncer15 que muitas mulheres ignoram", "Vulvovaginite28" e "Perda involuntária29 de urina30 em mulheres".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic e da U.S. National Library of Medicine.

ABCMED, 2020. Menopausa precoce e menopausa tardia. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-mulher/1360903/menopausa+precoce+e+menopausa+tardia.htm>. Acesso em: 1 dez. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Menopausa: Estado fisiológico caracterizado pela interrupção dos ciclos menstruais normais, acompanhada de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos.
2 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
3 Menstruação: Sangramento cíclico através da vagina, que é produzido após um ciclo ovulatório normal e que corresponde à perda da camada mais superficial do endométrio uterino.
4 Ovulação: Ovocitação, oocitação ou ovulação nos seres humanos, bem como na maioria dos mamíferos, é o processo que libera o ovócito II em metáfase II do ovário. (Em outras espécies em vez desta célula é liberado o óvulo.) Nos dias anteriores à ovocitação, o folículo secundário cresce rapidamente, sob a influência do FSH e do LH. Ao mesmo tempo que há o desenvolvimento final do folículo, há um aumento abrupto de LH, fazendo com que o ovócito I no seu interior complete a meiose I, e o folículo passe ao estágio de pré-ovocitação. A meiose II também é iniciada, mas é interrompida em metáfase II aproximadamente 3 horas antes da ovocitação, caracterizando a formação do ovócito II. A elevada concentração de LH provoca a digestão das fibras colágenas em torno do folículo, e os níveis mais altos de prostaglandinas causam contrações na parede ovariana, que provocam a extrusão do ovócito II.
5 Climatério: Conjunto de mudanças adaptativas que são produzidas na mulher como conseqüência do declínio da função ovariana na menopausa. Consiste em aumento de peso, “calores” freqüentes, alterações da distribuição dos pêlos corporais, dispareunia.
6 Ovários: São órgãos pares com aproximadamente 3cm de comprimento, 2cm de largura e 1,5cm de espessura cada um. Eles estão presos ao útero e à cavidade pelvina por meio de ligamentos. Na puberdade, os ovários começam a secretar os hormônios sexuais, estrógeno e progesterona. As células dos folículos maduros secretam estrógeno, enquanto o corpo lúteo produz grandes quantidades de progesterona e pouco estrógeno.
7 Ovário: Órgão reprodutor (GÔNADAS) feminino. Nos vertebrados, o ovário contém duas partes funcionais Sinônimos: Ovários
8 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
9 Fisiológica: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
10 Endocrinologista: Médico que trata pessoas que apresentam problemas nas glândulas endócrinas.
11 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
12 Radioterapia: Método que utiliza diversos tipos de radiação ionizante para tratamento de doenças oncológicas.
13 Quimioterapia: Método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
14 Libido: Desejo. Procura instintiva do prazer sexual.
15 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
16 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
17 Endométrio: Membrana mucosa que reveste a cavidade uterina (responsável hormonalmente) durante o CICLO MENSTRUAL e GRAVIDEZ. O endométrio sofre transformações cíclicas que caracterizam a MENSTRUAÇÃO. Após FERTILIZAÇÃO bem sucedida, serve para sustentar o desenvolvimento do embrião.
18 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
19 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
20 Derrame: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
21 Osteoporose: Doença óssea caracterizada pela diminuição da formação de matriz óssea que predispõe a pessoa a sofrer fraturas com traumatismos mínimos ou mesmo na ausência deles. É influenciada por hormônios, sendo comum nas mulheres pós-menopausa. A terapia de reposição hormonal, que administra estrógenos a mulheres que não mais o produzem, tem como um dos seus objetivos minimizar esta doença.
22 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
23 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
24 Aterosclerose: Tipo de arteriosclerose caracterizado pela formação de placas de ateroma sobre a parede das artérias.
25 Expectativa de vida: A expectativa de vida ao nascer é o número de anos que se calcula que um recém-nascido pode viver caso as taxas de mortalidade registradas da população residente, no ano de seu nascimento, permaneçam as mesmas ao longo de sua vida.
26 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
27 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
28 Vulvovaginite: Inflamações na região da vulva e da vagina.
29 Involuntária: 1.    Que se realiza sem intervenção da vontade ou que foge ao controle desta, automática, inconsciente, espontânea. 2.    Que se encontra em uma dada situação sem o desejar, forçada, obrigada.
30 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
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