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Aborto séptico: conceito, causas, características clínicas, diagnóstico, tratamento e prevenção

terça-feira, 7 de janeiro de 2020
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Aborto séptico: conceito, causas, características clínicas, diagnóstico, tratamento e prevenção

O que é aborto séptico?

O aborto é um procedimento que dá fim a uma gravidez. Existem vários tipos de abortos: (1) aborto espontâneo, completo ou incompleto, que ocorre sem ser provocado; (2) aborto cirúrgico, quando, por alguma razão, o médico precisa remover o feto e a placenta do útero da mulher; (3) aborto médico, em que o médico usa medicamentos com a finalidade de promover o abortamento e (4) aborto induzido pela própria mãe, com medicamentos legais ou ilegais e outros métodos não regulamentados e, em geral, perigosos.

Os abortos que ocorrem em ambientes médicos geralmente são feitos com técnicas corretas e cuidados assépticos adequados e são bem menos sujeitos a complicações. No entanto, os que ocorrem fora de ambientes médicos adequados (abortos espontâneos e induzidos pela gestante, dentre outros) são mais susceptíveis a complicações, sobretudo infecções. É a esses que se chama abortos sépticos.

Quais são as causas do aborto séptico?

Dois fatores principais podem contribuir para o aparecimento de infecção (sepse) nos abortos. São eles: (1) um aborto incompleto, em que pedaços de tecido da gravidez permanecem no corpo da mulher e (2) infecção bacteriana do útero.

Esses fatores tendem a ocorrer sobretudo durante os abortos espontâneos ou auto-induzidos. Em condições médicas ideais, o aborto séptico é raro, inclusive porque geralmente é ministrado um antibiótico preventivo. O risco de aborto séptico aumenta quando algum dispositivo é inserido no corpo da mulher e pode carrear bactérias para dentro dele. Quanto mais tempo o dispositivo estiver inserido no corpo, maior será o risco de infecção.

Além disso, certas condições crônicas existentes antes do aborto podem torná-lo mais susceptível às infecções como, por exemplo, o diabetes mellitus ou um sistema imunológico enfraquecido.

Saiba mais sobre "Aborto", "Septicemia" e "Doença inflamatória pélvica".

Qual é o substrato fisiológico do aborto séptico?

O aborto séptico parte de um aborto espontâneo ou induzido que é complicado por uma infecção pélvica. Pode provir de produtos retidos da concepção ou do uso de instrumentos não estéreis. Pode levar à peritonite, depois bacteremia, sepse e morte. A infecção geralmente é polimicrobiana, envolvendo a Escherichia coli, Streptococcus, anaeróbios e patógenos sexualmente transmissíveis. Deles, o Clostridium perfringens está associado a uma maior causa de morte.

O tétano também é uma causa importante de morte (Clostridium tetani), especialmente nos países menos desenvolvidos. O aborto séptico é uma grande causa de mortalidade materna em todo o mundo. A OMS estima que 68.000 mulheres, 40% delas entre 15 e 24 anos, morrem anualmente devido a abortos inseguros, sendo o aborto séptico a principal causa de morte.

Quais são as principais características clínicas do aborto séptico?

Os seguintes sintomas sugerem uma infecção grave, quando ocorrem em seguida a um aborto:

  1. Temperatura corporal muito alta
  2. Sangramento vaginal intenso
  3. Dor pélvica forte
  4. Braços e pernas frios e pálidos
  5. Sentimentos de inquietação ou fadiga
  6. Calafrios
  7. Dificuldade ou incapacidade de urinar
  8. Ritmo cardíaco acelerado
  9. Respiração rápida
  10. Dor abdominal ou pélvica
  11. Náuseas e vômitos
  12. Corrimento vaginal
  13. História de gravidez recente ou aborto induzido ou espontâneo conhecido

Como o médico diagnostica o aborto séptico?

Um médico pode confirmar um diagnóstico de aborto séptico por meio da história clínica da paciente, de seus sintomas e de testes de laboratório, como exames de sangue que podem revelar sinais da infecção e identificar as bactérias presentes na corrente sanguínea. Amostras de urina, líquido cefalorraquidiano e muco pulmonar também podem ser cultivadas e testadas quanto a bactérias. As tomografias computadorizadas podem mostrar matéria residual da gravidez, obstruções, perfurações ou corpos estranhos. Um eletrocardiograma pode descobrir ritmos cardíacos anormais.

O diagnóstico de aborto séptico deve ser clinicamente cogitado em qualquer mulher com temperatura superior a 38°C que tenha realizado um aborto nas últimas 24-48 horas. Essa possibilidade aumenta muito se a mulher apresentar também dor abdominal e sangramento vaginal. Nas infecções mais graves, a paciente pode estar hipotensa ou em choque.

Leia sobre "Sangramento vaginal", "Sangramentos durante a primeira metade da gravidez" e "Menstruação durante a gravidez".

Como o médico trata o aborto séptico?

Se a mulher tiver sintomas de aborto séptico, deve ser internada em um hospital porque provavelmente precisará receber remédios por via endovenosa. O tratamento do aborto séptico visa, entre outras coisas, evitar que se instale o choque séptico, uma complicação grave. Antibióticos de amplo espectro serão dados inicialmente, mas o tratamento pode ser refinado posteriormente e se tornar mais específico, quando as bactérias infectantes forem identificadas.

Além disso, na medida das necessidades, o tratamento pode incluir ventilação mecânica, fluidos intravenosos, oxigênio e monitoramento hemodinâmico. Nos casos em que um aborto séptico leve a um choque séptico, pode ser necessária uma histerectomia total (remoção do útero, do colo do útero, das trompas de Falópio e dos dois ovários) para remover a fonte de infecção.

Como evolui em geral o aborto séptico?

O aborto séptico tem uma alta taxa de mortalidade, principalmente se evolui para choque séptico. As circunstâncias que podem afetar o sucesso do tratamento incluem a idade da paciente, sua saúde geral e o grau alcançado de falência de órgãos no início do tratamento.

Como prevenir o aborto séptico?

A mulher pode reduzir o risco de uma infecção ou da progressão dela depois de um aborto tomando algumas precauções: consultar o médico sobre um aborto eletivo, nunca tentar um aborto auto-induzido, cientificar-se de estar informada dos sintomas de infecção bacteriana após qualquer tipo de aborto e tratar a infecção o mais rápido possível.

Quais são as complicações possíveis do aborto séptico?

A complicação mais temível do aborto séptico é o choque séptico, que pode ser fatal se não for tratado imediatamente. As complicações típicas do choque séptico incluem parada respiratória, insuficiência cardíaca, insuficiência hepática, falência renal e gangrena (morte dos tecidos do corpo devido à perda de sangue).

Outras complicações agudas do aborto séptico são observadas em estágios avançados do processo da doença e incluem a síndrome do desconforto respiratório, insuficiência renal, formação de abscesso, tromboflebite séptica na veia pélvica, embolia séptica e coagulopatia intravascular disseminada.

A morte também pode ocorrer. As complicações crônicas incluem infertilidade, dor pélvica crônica e gravidez ectópica.

Veja também sobre "Choque séptico", "Falência múltipla de órgãos" e "Hipotensão arterial".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Cochrane Library, da The Global Library of Women’s Medicine e da US National Library of Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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