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Refluxo gastroesofágico em bebês prematuros

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O que é refluxo gastroesofágico1 em bebês2 prematuros?

O refluxo gastroesofágico1 é o retorno do conteúdo gástrico3 do estômago4 para o esôfago5. Ocorre frequentemente em recém-nascidos e é especialmente comum nos bebês2 nascidos prematuramente. O refluxo gastroesofágico1 é considerado patológico quando causa sintomatologia significativa ou complicações, sendo designado então como Doença do Refluxo Gastroesofágico1.

Saiba mais sobre "Prematuridade", "Refluxo gastroesofágico1" e "Doença do refluxo gastroesofágico1".

Quais são as causas do refluxo gastroesofágico1 em bebês2 prematuros?

O refluxo gastroesofágico1 é extremamente comum em lactentes6 saudáveis nos quais os fluidos gástricos refluem para o esôfago5 30 ou mais vezes ao dia. Parece que o refluxo gastroesofágico1 é mais comum em prematuros saudáveis em comparação com bebês2 nascidos a termo. Isso acontece porque o esfíncter7 que separa o estômago4 do esôfago5 é mais imaturo.

A patogênese8 do refluxo gastroesofágico1 em prematuros parece ser multifatorial, mas em parte é devido a fatores anatômicos e fisiológicos imaturos ou comprometidos, que normalmente deveriam limitar o refluxo. O mecanismo mais importante do refluxo gastroesofágico1 em bebês2 prematuros (semelhante a crianças mais velhas e adultos) é o relaxamento transitório do esfíncter esofágico inferior9, composto de músculo liso10 intrínseco do esôfago5 e músculo esquelético11 do diafragma12 crural.

Quais são as principais características clínicas do refluxo gastroesofágico1 em bebês2 prematuros?

Muitos bebês2 prematuros sofrem de refluxo gastroesofágico1 que causa problemas ao longo de todo o primeiro ano de vida e, às vezes, além. O refluxo infantil grave pode causar uma série de problemas, especialmente em bebês2 que nasceram prematuros e que tenham outros problemas de saúde13 ligados à prematuridade.

Os sintomas14 do refluxo gastroesofágico1 em bebês2 incluem:

(1) irritabilidade, especialmente após uma mamada;

(2) intolerância alimentar;

(3) baixo ganho de peso, porque podem recusar a amamentação15 ou mamar apenas pequenas quantidades se estiverem com dor;

(4) o refluxo gastroesofágico1 em prematuros pode piorar uma doença pulmonar crônica já existente ou pode causar problemas pulmonares crônicos, porque alguns alimentos regurgitados podem ser aspirados para os pulmões16;

(5) em alguns bebês2, o refluxo grave pode causar apneia17 ou bradicardia18.

Leia sobre "Amamentação15", "Parto prematuro", "Pneumonia19 por aspiração" e "Bradicardia18".

Como o médico diagnostica o refluxo gastroesofágico1 em bebês2 prematuros?

Na maioria das vezes, o refluxo gastroesofágico1 em bebês2 é diagnosticado pela observação dos sintomas14 por parte dos pais e enfermeiros. Testes mais extensivos geralmente não são necessários.

Como o médico trata o refluxo gastroesofágico1 em bebês2 prematuros?

Em bebês2 que não apresentam outros sintomas14 além da regurgitação20, nenhuma intervenção além da orientação é normalmente necessária, porque a condição se normaliza por si mesma, com o crescimento do bebê. Embora existam várias opções de tratamentos diferentes do refluxo gastroesofágico1 em bebês2, nenhuma é perfeita ou funcionará igualmente para todos.

Muitos bebês2 prematuros (mas não todos) superarão o refluxo no momento em que deixarem a UTI neonatal. À medida que os bebês2 crescem, seus estômagos tornam-se capazes de reter mais alimentos e o organismo é capaz de digerir alimentos de maneira rápida e eficiente. Além disso, o esfíncter7 que separa o estômago4 do esôfago5 sofre um progressivo amadurecimento.

Embora possa ser difícil para as famílias "esperar para ver", essa é frequentemente a melhor ação. Algumas medidas comportamentais podem aliviar o refluxo gastroesofágico1, como manter o bebê na posição vertical após ser alimentado e colocar os bebês2 deitados do lado esquerdo.

Alimentos que tornem o leite mais espesso podem ajudar o leite a permanecer no estômago4 mas, embora eles possam reduzir o vômito21, não reduzem o refluxo. Os medicamentos em geral usados para tratar o refluxo não funcionam e têm efeitos colaterais22 prejudiciais.

Como prevenir o refluxo gastroesofágico1 em bebês2 prematuros?

Se não for possível prevenir integralmente o refluxo gastroesofágico1 em bebês2, algumas providências, como citado anteriormente, podem diminuir sua frequência ou minorar suas consequências: manter o bebê em posição vertical durante algum tempo depois das mamadas e, ao colocar o bebê para dormir, colocá-lo sobre o lado esquerdo e acomodá-lo de modo que os ombros fiquem mais altos que as nádegas23. Essas são medidas semelhantes àquelas usadas no tratamento do refluxo.

Quais são as complicações possíveis do refluxo gastroesofágico1 em bebês2 prematuros?

As consequências dos refluxos gastroesofágicos em bebês2 prematuros incluem vômitos24 frequentes, pneumonia19 por aspiração, irritabilidade, déficit de crescimento, exacerbação de sintomas14 respiratórios e doença pulmonar crônica.

Veja também sobre "Esofagite25", "Cólicas26 do Recém-nascido", "Morte súbita do lactente27" e "O banho do bebê".

 

ABCMED, 2018. Refluxo gastroesofágico em bebês prematuros. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/1323753/refluxo-gastroesofagico-em-bebes-prematuros.htm>. Acesso em: 16 nov. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Refluxo gastroesofágico: Presença de conteúdo ácido proveniente do estômago na luz esofágica. Como o dito órgão não está adaptado fisiologicamente para suportar a acidez do suco gástrico, pode ser produzida inflamação de sua mucosa (esofagite).
2 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
3 Conteúdo Gástrico: Conteúdo compreendido em todo ou qualquer segmento do TRATO GASTROINTESTINAL
4 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
5 Esôfago: Segmento muscular membranoso (entre a FARINGE e o ESTÔMAGO), no TRATO GASTRINTESTINAL SUPERIOR.
6 Lactentes: Que ou aqueles que mamam, bebês. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
7 Esfíncter: Estrutura muscular que contorna um orifício ou canal natural, permitindo sua abertura ou fechamento, podendo ser constituído de fibras musculares lisas e/ou estriadas.
8 Patogênese: Modo de origem ou de evolução de qualquer processo mórbido; nosogenia, patogênese, patogenesia.
9 Esfíncter Esofágico Inferior: Barreira fisiológica ou funcional contra o REFLUXO GASTROESOFÁGICO, na junção esofagogástrica. Os músculos esfincterianos permanecem tonicamente contraídos durante o repouso e formam a zona de alta pressão, que separa os lumens do ESÔFAGO e do ESTÔMAGO.
10 Músculo Liso: Um dos músculos dos órgãos internos, vasos sanguíneos, folículos pilosos etc.; os elementos contráteis são alongados, em geral células fusiformes com núcleos de localização central e comprimento de 20 a 200 mü-m, ou ainda maior no útero grávido; embora faltem as estrias traversas, ocorrem miofibrilas espessas e delgadas; encontram-se fibras musculares lisas juntamente com camadas ou feixes de fibras reticulares e, freqüentemente, também são abundantes os ninhos de fibras elásticas. (Stedman, 25ª ed)
11 Músculo Esquelético: Subtipo de músculo estriado fixado por TENDÕES ao ESQUELETO. Os músculos esqueléticos são inervados e seu movimento pode ser conscientemente controlado. Também são chamados de músculos voluntários.
12 Diafragma: 1. Na anatomia geral, é um feixe muscular e tendinoso que separa a cavidade torácica da cavidade abdominal. 2. Qualquer membrana ou placa que divide duas cavidades ou duas partes da mesma cavidade. 3. Em engenharia mecânica, em um veículo automotor, é uma membrana da bomba injetora de combustível. 4. Na física, é qualquer anteparo com um orifício ou fenda, ajustável ou não, que regule o fluxo de uma substância ou de um feixe de radiação. 5. Em ginecologia, é um método contraceptivo formado por uma membrana de material elástico que envolve um anel flexível, usado no fundo da vagina de modo a obstruir o colo do útero. 6. Em um sistema óptico, é uma abertura que controla a seção reta de um feixe luminoso que passa através desta, com a finalidade de regular a intensidade luminosa, reduzir a aberração ou aumentar a profundidade focal.
13 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
14 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
15 Amamentação: Ato da nutriz dar o peito e o lactente mamá-lo diretamente. É um fenômeno psico-sócio-cultural. Dar de mamar a; criar ao peito; aleitar; lactar... A amamentação é uma forma de aleitamento, mas há outras formas.
16 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
17 Apnéia: É uma parada respiratória provocada pelo colabamento total das paredes da faringe que ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo e roncando. No adulto, considera-se apnéia após 10 segundos de parada respiratória. Como a criança tem uma reserva menor, às vezes, depois de dois ou três segundos, o sangue já se empobrece de oxigênio.
18 Bradicardia: Diminuição da freqüência cardíaca a menos de 60 batimentos por minuto. Pode estar associada a distúrbios da condução cardíaca, ao efeito de alguns medicamentos ou a causas fisiológicas (bradicardia do desportista).
19 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
20 Regurgitação: Presença de conteúdo gástrico na cavidade oral, na ausência do reflexo de vômito. É muito freqüente em lactentes.
21 Vômito: É a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Pode ser classificado como: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
22 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
23 Nádegas:
24 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
25 Esofagite: Inflamação da mucosa esofágica. Pode ser produzida pelo refluxo do conteúdo ácido estomacal (esofagite de refluxo), por ingestão acidental ou intencional de uma substância tóxica (esofagite cáustica), etc.
26 Cólicas: Dor aguda, produzida pela dilatação ou contração de uma víscera oca (intestino, vesícula biliar, ureter, etc.). Pode ser de início súbito, com exacerbações e períodos de melhora parcial ou total, nos quais o paciente pode estar sentindo-se bem ou apresentar dor leve.
27 Lactente: Que ou aquele que mama, bebê. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
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