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Pneumonia por aspiração: conceito, causas, sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento e evolução

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O que é pneumonia1 por aspiração?

A pneumonia1 por aspiração é uma pneumonia1 que ocorre quando partículas ou líquidos provenientes da boca2 ou do estômago3 sofrem aspiração para as vias aéreas e não são eliminadas pelos mecanismos normais de defesa antes de chegarem aos pulmões4.

Quais são as causas da pneumonia1 por aspiração?

Pessoas que estejam debilitadas ou inconscientes, com reflexos de defesa fracos ou ausentes correm maior risco de contrair este tipo de pneumonia1, mas mesmo uma pessoa saudável que aspirar uma grande quantidade de substância pode apresentar esse tipo de pneumonia1. Isso acontece mais frequentemente em bebês5, idosos ou pessoas que estejam inconscientes durante o vômito6, em que o principal produto tóxico aspirado é o ácido do estômago3. Em bebês5, a pneumonia1 por aspiração geralmente se deve a engasgos e à tendência que têm de colocar pequenos objetos na boca2, que podem ser aspirados para os pulmões4. Em pessoas que tenham sofrido acidente vascular cerebral7, a pneumonia1 de aspiração pode ocorrer devido a uma possível dificuldade de deglutição8.

Qual é a fisiopatologia9 da pneumonia1 por aspiração?

Originariamente, a pneumonia1 por aspiração é química e só comporta germes secundariamente. Verifica-se quando o material aspirado é tóxico para os pulmões4 e o processo deve-se mais a uma inflamação10, que a uma infecção11. Quando o material aspirado é excessivamente ácido ou cáustico, como suco gástrico ou a água sanitária, por exemplo, eles ocasionam uma espécie de digestão12 do tecido13 pulmonar, agravando muito o quadro.

Quais são os principais sinais14 e sintomas15 da pneumonia1 por aspiração?

Os sintomas15 mais imediatos da pneumonia1 por aspiração é a súbita falta de ar e uma aceleração do ritmo cardíaco. Outros sintomas15 podem ser febre16 alta (acima de 38°C), expectoração17 com espuma cor-de-rosa, cianose18 (tonalidade azulada na pele19), em virtude da má oxigenação do sangue20, cansaço fácil. Nos bebês5 os sintomas15 da pneumonia1 por aspiração podem manifestar-se, principalmente, através de choro excessivo e diminuição do apetite. Nos idosos podem provocar confusão mental e diminuição da força muscular, raramente estando associados à febre16.

Como o médico diagnostica a pneumonia1 por aspiração?

O diagnóstico21 da pneumonia1 por aspiração pode ser feito apenas pela análise da sequência dos acontecimentos, mas uma radiografia do tórax22 e medições da concentração de oxigênio e gás carbônico no sangue20 podem contribuir para selar o diagnóstico21.

Como o médico trata a pneumonia1 por aspiração?

O tratamento da pneumonia1 por aspiração pode ser feito em casa ou no hospital, dependendo da sua gravidade. O tratamento consiste em aspirar-se o conteúdo aspirado da traqueia23 e administrar oxigênio, o que pode ser feito por meio de respiração artificial24, se for necessário. Além disso, alguns casos necessitam de fisioterapia25 respiratória para ajudar a retirar as secreções e melhorar a oxigenação do sangue20. Antibióticos podem ser administrados preventivamente, visando evitar uma infecção11, ou para combater uma infecção11 já existente.

Como evolui a pneumonia1 por aspiração?

De um modo geral, as pessoas que sofrem uma pneumonia1 por aspiração se recuperam rapidamente, mas algumas evoluem para uma síndrome26 de dificuldade respiratória grave ou desenvolvem uma infecção11 por bactérias, fatais em cerca de 30% a 50% das pessoas.

ABCMED, 2014. Pneumonia por aspiração: conceito, causas, sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento e evolução. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/578312/pneumonia-por-aspiracao-conceito-causas-sinais-e-sintomas-diagnostico-tratamento-e-evolucao.htm>. Acesso em: 19 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
2 Boca: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
3 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
4 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
5 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
6 Vômito: É a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Pode ser classificado como: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
7 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
8 Deglutição: Passagem dos alimentos desde a boca até o esôfago; ação ou efeito de deglutir; engolir. É um mecanismo em parte voluntário e em parte automático (reflexo) que envolve a musculatura faríngea e o esfíncter esofágico superior.
9 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
10 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
11 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
12 Digestão: Dá-se este nome a todo o conjunto de processos enzimáticos, motores e de transporte através dos quais os alimentos são degradados a compostos mais simples para permitir sua melhor absorção.
13 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
14 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
15 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
16 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
17 Expectoração: Ato ou efeito de expectorar. Em patologia, é a expulsão, por meio da tosse, de secreções provenientes da traqueia, brônquios e pulmões; escarro.
18 Cianose: Coloração azulada da pele e mucosas. Pode significar uma falta de oxigenação nos tecidos.
19 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
20 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
21 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
22 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
23 Traqueia: Conduto músculo-membranoso com cerca de 22 centímetros no homem e de 18 centímetros na mulher. Da traqueia distingue-se uma parte que faz continuação direta à laringe (porção cervical) e uma parte que está situada no tórax (porção torácica). Possui anéis cartilaginosos em número variável de 12 a 16, unidos entre si por tecido fibroso. Destina-se à passagem do ar. A traqueia é revestida com epitélio ciliar que auxilia a filtração do ar inalado.
24 Respiração artificial: Tipo de apoio à função respiratória que utiliza um instrumento eletromecânico (respirador artificial), capaz de insuflar de forma cíclica volumes pré-determinados de ar com alta concentração de oxigênio através dos brônquios.
25 Fisioterapia: Especialidade paramédica que emprega agentes físicos (água doce ou salgada, sol, calor, eletricidade, etc.), massagens e exercícios no tratamento de doenças.
26 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
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Comentários

27/10/2014 - Comentário feito por regis
Como otorrinolaringologista,gostaria de contrib...
Como otorrinolaringologista,gostaria de contribuir com alguns tópicos:
a pneumonia por aspiração pode ocorrer em pacientes disfágicos(tanto na disfagia orofaríngea quanto esofágica).Geralmente existe um comprometimento laríngeo,o que permite a penetração de secreções subglótica.O diagnóstico deve ser feito por um exame chamado videoendoscopia da deglutição ou videofluoroscopia.Na videoendoscopia da deglutição são testados alimentos em várias consistências.O que eu tenho visto e´que muitos pacientes utilizam SNE,prescrita pelo médico por tempo indeterminado.A SNE ou SNG,além de ser extremamente desconfprtavel .impede a elevação da laringe e consequentemente a perda da proteção das vias aéreas inferiores.´Caso exista a necessidade de manter alimentação por sonda ,por mais de 30 dias,indica-se gastrostomia .A reintrodução da alimentação por via oral deve ser feita,com supervisão de exame direto (videoendoscopia da deglutição ou videofluoroscopia).

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