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Gastrite atrófica autoimune

quinta-feira, 5 de novembro de 2020
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Gastrite atrófica autoimune

O que é gastrite atrófica autoimune?

A gastrite atrófica autoimune é uma rara afecção hereditária, autossômica dominante, em que ocorre um adelgaçamento (diminuição da espessura) da parede gástrica, especialmente da mucosa, que cursa com redução da secreção ácida e da produção do fator intrínseco (uma glicoproteína produzida pelas células parietais do estômago, necessária para a absorção de Vitamina B12).

Quais são as causas da gastrite atrófica autoimune?

A gastrite atrófica autoimune ocorre quando anticorpos do próprio indivíduo atacam as células parietais do revestimento do estômago, provocando a diminuição ou extinção das enzimas gástricas.

Leia sobre "O que sente uma pessoa com gastrite", "Gastrite enantematosa" e "Doenças autoimunes".

Qual é o substrato fisiológico da gastrite atrófica autoimune?

A gastrite atrófica autoimune geralmente está associada à produção de autoanticorpos direcionados contra antígenos das células gástricas parietais e do fator gástrico intrínseco, refletindo sua origem autoimune. Há evidências de que o Helicobacter pylori possa servir como desencadeador da gastrite crônica autoimune, no entanto, pacientes com gastrite crônica atrófica são menos propensos a serem infectados por ele, provavelmente devido ao epitélio intestinal metaplásico se tornar inadequado para sua colonização e também porque a hipocloridria associada incentiva o crescimento excessivo no estômago de outras espécies bacterianas.

Quais são as características clínicas da gastrite atrófica autoimune?

A gastrite atrófica autoimune é pouco frequente, mas merece atenção especial pelas complicações que podem vir dela. Os pacientes com gastrite atrófica autoimune podem ser assintomáticos, mas a maioria apresenta dispepsia com sofrimento pós-prandial e podem apresentar indigestão, refluxo ácido, dor em abdome superior, gases frequentes, saciedade precoce ou falta de apetite e perda de peso. Náuseas e vômitos podem às vezes também serem um sinal de gastrite atrófica.

Se a gastrite levar à formação de úlceras gástricas hemorrágicas, pode haver eliminação de sangue digerido nas fezes ou nos vômitos. A gastrite atrófica autoimune causa hipocloridria e diminuição da produção de fator intrínseco, má absorção de vitamina B12 e, com frequência, anemia perniciosa ou sintomas neurológicos. Também estarão presentes os sintomas devidos à deficiência de vitamina B12: diarreias e disfunções gastrointestinais, falta de apetite, tonturas, dores localizadas, complicações na visão, incontinência, problemas no coração, entre outros.

Alguns pacientes com gastrite atrófica autoimune também desenvolvem tireoidite de Hashimoto e 50% têm anticorpos contra a tireoide. Por outro lado, anticorpos contra a célula parietal gástrica são encontrados em 30% dos pacientes com tireoidite.

Como o médico diagnostica a gastrite atrófica autoimune?

O diagnóstico da gastrite atrófica autoimune é feito por biópsia endoscópica. Deve ser feita uma vigilância endoscópica periódica de caráter preventivo para o rastreamento do câncer em vista do maior risco de câncer gástrico nesses pacientes. Um exame de sangue pode detectar anticorpos contra as células parietais, mas raramente ele é solicitado de rotina. Os valores apresentados pelo exame de sangue mostram uma contagem baixa de glóbulos vermelhos e um volume corpuscular médio geralmente aumentado.

Outro teste diagnóstico é a cromoscopia com vermelho congo. O teste consiste em banhar a mucosa gástrica com esse líquido: se a mucosa for secretora de ácido ficará enegrecida, enquanto se for não-secretora permanecerá avermelhada. Os níveis de vitamina B12 devem ser medidos, com vistas ao diagnóstico.

Como o médico trata a gastrite atrófica autoimune?

A gastrite atrófica autoimune não tem cura, mas vários medicamentos estão disponíveis para aliviar os sintomas. Como a gastrite atrófica acabará por levar a uma deficiência de vitamina B12, os pacientes necessitam de injeções de reposição. O tratamento é eminentemente de suporte, com reposição de vitamina B12 e seguimento periódico desses doentes para rastrear uma possível neoplasia gástrica.

Os medicamentos utilizados para melhora sintomática podem atuar melhorando também o esvaziamento gástrico ou reduzindo a secreção de ácido. Os que melhoram o esvaziamento gástrico são os chamados pró-cinéticos, os quais também auxiliam na digestão. Em geral, não há necessidade de outro tratamento além da reposição parenteral de vitamina B12.

Veja também sobre "Úlceras gástricas", "Hemorragia digestiva alta", "Melena e Hematêmese" e "Cuidados necessários ao tomar anti-inflamatórios não esteroides".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do National Institutes of Health, do Genetic and Rare Diseases Information Center e do Science Direct.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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