Gostou do artigo? Compartilhe!

Oximetria - o que é e como é feita?

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é oximetria?

A oximetria é o procedimento que mede a quantidade de oxigênio que está sendo transportado pelo sangue1 (saturação). Essa medida é feita por meio de um aparelho simples, denominado oxímetro. Embora o resultado fornecido nem sempre seja exatamente idêntico à leitura da saturação de oxigênio arterial (gasometria de sangue1 arterial), os dois estão bem correlacionados e a leitura por meio de oxímetros é bastante confiável.

A medida de oxigênio por meio de punção arterial é bem mais complexa e doída, dependendo de um profissional especializado para fazer a coleta de sangue1 e de um laboratório para analisá-la. Enquanto isso, a oximetria medida pelo oxímetro pode ser feita em hospital, ambulatório, consultório e, em alguns casos, no próprio domicílio pelo leigo devidamente instruído. E, além disso, é muito mais barata!

O transporte do oxigênio depende crucialmente da concentração e da qualidade da hemoglobina2 presente no sangue1, já que esse gás é aderido a ela. A sobrevivência3 das células4 depende da quantidade do oxigênio transportado, o qual pode ser medido pela gasometria arterial, que implica em obter uma amostra de sangue1 por meio de uma punção arterial, mas um meio muito mais simples e rápido de fazer essa medida é pelo oxímetro.

O que é saturação de oxigênio?

Chama-se saturação de oxigênio à percentagem de hemoglobina2 que tem oxigênio aderida a ela. Ou seja, saturação é a medida da proporção de hemoglobina2 que carreia oxigênio. O resultado da saturação de oxigênio é dado, pois, em porcentagem da hemoglobina2 disponível que transporta oxigênio.

Veja mais sobre "Oxímetros", "Saturação de oxigênio", "Oxigenoterapia" e "Ventilação5 mecânica".

Como é feita a oximetria?

A oximetria é feita através de um pequeno aparelho chamado oxímetro. Os oxímetros (há mais de um tipo de aparelho) são aparelhos de uso simples, destinados a realizar a oximetria do sangue1  por meio da transparência do fluxo sanguíneo, baseados na cor da hemoglobina2 captada em certas áreas do corpo. Em geral, são constituídos de uma fonte emissora de luz ultravioleta e de um receptor que capta a luz que resta depois de ter atravessado a estrutura corporal interposta entre eles. A luz infravermelha presente no sensor do oxímetro mede o nível de saturação de oxigênio no sangue1 e expressa seu valor em porcentagem, sem a necessidade de puncionar a pessoa com agulha.

Trata-se de um teste muito simples, não invasivo e indolor que, na sua forma mais simples, utiliza um dispositivo tipo clipe que é colocado numa parte mais transparente do corpo, geralmente a extremidade de um dos dedos das mãos6 ou o lóbulo da orelha7. Em geral é utilizado por profissionais da saúde8 como enfermeiros, pneumologistas e fisioterapeutas, mas professores de educação física e instrutores de atletas também podem usá-lo com frequência, pois a atividade física exagerada pode levar a má oxigenação e sobrecarregar o coração9 e o cérebro10 e, consequentemente, comprometer a saúde8, se a saturação de oxigênio se tornar insuficiente.

A oximetria de pulso foi desenvolvida em 1972, pelos bioengenheiros Takuo Aoyagi e Michio Kishi. Eles foram antecedidos por vários experimentos precedentes que abriram o caminho para os oxímetros atuais. Os oxímetros continuaram evoluindo desde então e continuam, ainda hoje, incorporando sempre novas tecnologias.

Por que realizar uma oximetria?

A oximetria é um modo de avaliar o quanto de oxigênio o coração9 está bombeando para o corpo. Pode ser usada pelos médicos para monitorar a oxigenação do indivíduo em qualquer condição que possa afetar os níveis de oxigênio no sangue1, incluindo doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma11, pneumonia12, câncer13 de pulmão14, anemia15, ataque cardíaco ou insuficiência cardíaca16 e defeitos cardíacos congênitos17.

Além disso, existem vários casos de uso comum diferentes para oximetria de pulso, incluindo avaliar o quão bem um novo medicamento pulmonar está funcionando; avaliar se uma pessoa precisa de ajuda para respirar; avaliar o quão útil está sendo um equipamento de ventilação5; monitorar os níveis de oxigênio durante ou após procedimentos cirúrgicos que requerem sedação18; determinar a eficácia da terapia de oxigênio suplementar; avaliar a capacidade de alguém tolerar o aumento da atividade física; e avaliar variações da oxigenação durante a apneia19 do sono.

Qual é o significado dos valores registrados pelo oxímetro?

Os valores expressos no oxímetro comportam uma variação em relação aos verdadeiros valores da saturação sanguínea de cerca de 2% para mais ou para menos. Então, supondo que a leitura seja de 82%, por exemplo, o verdadeiro nível de oxigênio pode estar entre 80 e 84%.

O resultado expresso dependerá também de condições do paciente. Vários fatores que podem afetar a precisão dos resultados: movimentação, temperatura, luminosidade do ambiente e até mesmo esmaltes nas unhas20. O nível mínimo para manter as células4 do corpo saudáveis é de 89%, mas o nível de 95% é o considerado normal ideal para a maioria das pessoas saudáveis.

Leia também sobre "Hipóxia21", "Insuficiência respiratória22" e "Hipercapnia23".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Johns Hopkins Medicine e do International Archives of Otorhinolaryngology.

ABCMED, 2020. Oximetria - o que é e como é feita?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/1384073/oximetria-o-que-e-e-como-e-feita.htm>. Acesso em: 21 jan. 2021.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
2 Hemoglobina: Proteína encarregada de transportar o oxigênio desde os pulmões até os tecidos do corpo. Encontra-se em altas concentrações nos glóbulos vermelhos.
3 Sobrevivência: 1. Ato ou efeito de sobreviver, de continuar a viver ou a existir. 2. Característica, condição ou virtude daquele ou daquilo que subsiste a um outro. Condição ou qualidade de quem ainda vive após a morte de outra pessoa. 3. Sequência ininterrupta de algo; o que subsiste de (alguma coisa remota no tempo); continuidade, persistência, duração.
4 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
5 Ventilação: 1. Ação ou efeito de ventilar, passagem contínua de ar fresco e renovado, num espaço ou recinto. 2. Agitação ou movimentação do ar, natural ou provocada para estabelecer sua circulação dentro de um ambiente. 3. Em fisiologia, é o movimento de ar nos pulmões. Perfusão Em medicina, é a introdução de substância líquida nos tecidos por meio de injeção em vasos sanguíneos.
6 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
7 Orelha: Sistema auditivo e de equilíbrio do corpo. Consiste em três partes
8 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
9 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
10 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
11 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
12 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
13 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
14 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
15 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
16 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
17 Congênitos: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
18 Sedação: 1. Ato ou efeito de sedar. 2. Aplicação de sedativo visando aliviar sensação física, por exemplo, de dor. 3. Diminuição de irritabilidade, de nervosismo, como efeito de sedativo. 4. Moderação de hiperatividade orgânica.
19 Apnéia: É uma parada respiratória provocada pelo colabamento total das paredes da faringe que ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo e roncando. No adulto, considera-se apnéia após 10 segundos de parada respiratória. Como a criança tem uma reserva menor, às vezes, depois de dois ou três segundos, o sangue já se empobrece de oxigênio.
20 Unhas: São anexos cutâneos formados por células corneificadas (queratina) que formam lâminas de consistência endurecida. Esta consistência dura, confere proteção à extremidade dos dedos das mãos e dos pés. As unhas têm também função estética. Apresentam crescimento contínuo e recebem estímulos hormonais e nutricionais diversos.
21 Hipóxia: Estado de baixo teor de oxigênio nos tecidos orgânicos que pode ocorrer por diversos fatores, tais como mudança repentina para um ambiente com ar rarefeito (locais de grande altitude) ou por uma alteração em qualquer mecanismo de transporte de oxigênio, desde as vias respiratórias superiores até os tecidos orgânicos.
22 Insuficiência respiratória: Condição clínica na qual o sistema respiratório não consegue manter os valores da pressão arterial de oxigênio (PaO2) e/ou da pressão arterial de gás carbônico (PaCO2) dentro dos limites da normalidade, para determinada demanda metabólica. Como a definição está relacionada à incapacidade do sistema respiratório em manter níveis adequados de oxigenação e gás carbônico, foram estabelecidos, para sua caracterização, pontos de corte na gasometria arterial: PaO2 50 mmHg.
23 Hipercapnia: É a presença de doses excessivas de dióxido de carbono no sangue.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Pneumologia?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.