AbcMed

Processo de cicatrização: fatores que facilitam ou que dificultam a cicatrização

Thursday, March 21, 2024
Avalie este artigo
Processo de cicatrização: fatores que facilitam ou que dificultam a cicatrização

O que é o processo de cicatrização?

Cicatrização é o processo de reparação de um tecido lesionado, criando um tecido novo. Este processo ocorre principalmente na pele e exige que o corpo ative e produza grande número de componentes moleculares, celulares e bioquímicos, que agirão para reparar os tecidos.

Essa recuperação muitas vezes não se realiza ad integrum (de modo integral) e deixa uma cicatriz no local reparado. Uma cicatriz é uma marca que é deixada (geralmente na pele) após uma ferida ou uma lesão ter cicatrizado.

Como se dá o processo de cicatrização?

O processo de cicatrização se dá em 4 fases sucessivas:

  1. Hemostasia
    Fase inicial do processo de reparo tecidual, dá origem a uma série de eventos que iniciam a cicatrização. Ocorre um período transitório de vasoconstrição no local lesionado, acompanhado da formação de um coágulo composto de fibrina, plaquetas e outras células sanguíneas, as quais atraem as demais células que darão início ao reparo.
  2. Inflamação
    Corresponde à limpeza natural do leito da ferida com a absorção do tecido desvitalizado e a remoção das bactérias pelas células brancas do sangue. Clinicamente, observa-se edema, vermelhidão e a presença de um exsudato.
  3. Proliferação
    Esta talvez seja uma das fases mais importantes do processo. É quando ocorre a epitelização (formação de novo epitélio), neoangiogênese (formação de novos vasos sanguíneos) e deposição de matriz do material a ser reposto. A formação de um novo epitélio, embora rudimentar, serve para barrar a entrada de microrganismos no ferimento. Um fato importante dessa fase da cicatrização é a formação, por volta do quarto dia, de um tecido de granulação, constituído por vasos capilares sanguíneos recém-formados, tecido conjuntivo propriamente dito e leucócitos, que preenchem o leito da ferida.
  4. Remodelação
    Fase final e mais longa, começa por volta do vigésimo dia e pode durar meses ou mesmo todo um ano. Aos poucos, a matriz antiga vai sendo desfeita e dando lugar à nova organização tecidual.

Esse processo termina com a formulação de uma cicatriz. Cicatriz é a marca deixada na pele depois que o tecido lesionado é regenerado. Quando acontece a ruptura da derme, o colágeno vai sendo remodelado de maneira que a lesão seja fechada até que haja a regeneração das células no local ferido.

As diversas formas de cicatrizes podem ser classificadas como:

  • Cicatriz normotrófica: quando depois de reparado o local da lesão fica igual ao estado anterior.
  • Cicatriz atrófica: quando ocorre perda do tecido ou sutura cutânea inadequada, ficando uma depressão na área da ferida.
  • Cicatriz hipertrófica: quando a organização do colágeno fica desarmoniosa com o tecido circunvizinho, com o novo tecido se elevando acima do nível da pele.
  • Queloides: quando ocorrem crescimentos anormais, porém benignos, de tecido cicatricial que ultrapassa os limites do ferimento.
  • Bridas cicatriciais: quando ocorrem faixas ou ligaduras de tecido conjuntivo que reúnem anormalmente dois órgãos. Podem ser localizadas nas articulações ou unirem outros órgãos corporais, limitando as funções deles.

Quais são os fatores que facilitam ou dificultam a cicatrização?

A cicatrização pode ser favorecida:

  • por uma boa nutrição, que compreenda a ingestão adequada de proteínas, vitaminas e sais minerais;
  • por uma hidratação correta;
  • pela prevenção e controle de infecções na ferida;
  • por descansar a área afetada;
  • por uma boa circulação sanguínea local, que ajuda a transportar os nutrientes necessários para a área afetada e a remover resíduos;
  • pelo tratamento adequado da causa subjacente;
  • por cuidados adequados de limpeza e proteção com a ferida;
  • por não escarificar o ferimento;
  • por aplicação de pomadas cicatrizantes;
  • etc.

De outro lado, a cicatrização pode ser negativamente afetada:

  • por fatores como infecções por bactérias ou outros agentes;
  • por diabetes, que pode afetar a circulação sanguínea e a capacidade do corpo de combater infecções;
  • por má nutrição, com uma dieta pobre em nutrientes essenciais;
  • por alguns medicamentos, como corticoides e imunossupressores;
  • por fumo, que diminui a circulação sanguínea e afeta a formação de novos vasos sanguíneos;
  • por obesidade;
  • por irradiação e idade avançada, que causam uma lentidão no processo cicatricial;
  • por estresse e tensão prolongados;
  • e por constantes reaberturas ou irritações das feridas.
Leia sobre "Macronutrientes" e "Micronutrientes".

Como tratar as cicatrizes?

Por mais que sejam esperadas, algumas cicatrizes incomodam muito e causam um grande transtorno psicológico em virtude de sua aparência estética. A cicatriz é uma marca permanente e definitiva e uma das principais preocupações que gera é com o seu aspecto final, após uma cirurgia, por exemplo, sobretudo quando ela incide sobre uma área muito exposta. Mesmo conhecendo bem o tipo de pele do paciente e seus antecedentes cirúrgicos, não há como ter certeza sobre o desenvolvimento de uma cicatriz patológica ou inestética.

Embora nenhuma cicatriz possa ser removida completamente, é possível melhorar seu aspecto, deixando-a menos evidente. Para tentar minimizar esse problema existem alguns tratamentos com dermocosméticos, uso de laser e até a cirurgia. O objetivo desses tratamentos é de melhorar o aspecto estético da cicatriz, diminuindo seu tamanho, sua textura e deixando-a com uma coloração mais próxima possível do tom da pele.

A revisão cirúrgica com técnicas avançadas de fechamento da ferida é o melhor tratamento que pode ser aplicado a uma cicatriz incômoda. Chamada de ressecção de cicatrizes, ela pode proporcionar um resultado estético mais agradável ou melhorar o posicionamento de uma cicatriz que tenha ficado em alguma parte mais aparente do corpo. A cirurgia de ressecção de cicatrizes pode ser feita com anestesia geral ou local, na dependência da extensão da cicatriz e das preferências do paciente. Essa ressecção é feita por meio de incisões em toda a extensão da cicatriz, após o que o cirurgião retira toda a cicatriz. Realizam-se pontos internos absorvíveis e a parte externa pode ser fechada com pontos que ficam completamente escondidos dentro da incisão. Pode-se optar por fechar a incisão também com o uso de uma fita biológica com cola, que sela a incisão completamente. A duração do procedimento varia entre 30 e 60 minutos, dependendo da cicatriz a ser remodelada.

Para as pessoas que não possam ou não queiram passar por uma cirurgia, há outros recursos dermatológicos que procuram tornar as cicatrizes menos aparentes:

  • o microagulhamento, que estimula a produção de colágeno, é um ótimo tratamento;
  • a luz pulsada ajuda a melhorar a aparência de cicatrizes escuras ou avermelhadas e melhora a consistência de algumas marcas endurecidas;
  • o peeling químico ajuda na melhora do aspecto da pele;
  • o preenchimento dérmico com o ácido hialurônico pode eliminar espaços que ficam retraídos;
  • e a toxina botulínica (botox), além das suas várias outras funções, melhora as cicatrizes por ajudar no relaxamento da área aplicada.
Veja também sobre "Pele com manchas: pode ser melasma", "Protetor solar ou filtro solar" e "Peeling de fenol".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da SBDRJ - Sociedade Brasileira de Dermatologia - Rio de Janeiro e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários
Processo de cicatrização: fatores que facilitam ou que dificultam a cicatrização | AbcMed