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Bronquiolite obliterante

Friday, June 3, 2022
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Bronquiolite obliterante

O que é bronquiolite?

A bronquiolite é uma inflamação ou infecção nos bronquíolos, que são cada uma das pequenas ramificações terminais dos brônquios. Cada pulmão tem cerca de 30.000 dessas estruturas tubulares de cerca de 1 mm de diâmetro, as quais constituem as menores vias aéreas encontradas nos pulmões. A partir deles surgem outras ramificações, os ductos alveolares, os quais terminam nos alvéolos pulmonares, onde se processam as trocas de oxigênio pelo gás carbônico (trocas gasosas).

O que é bronquiolite obliterante?

A bronquiolite obliterante, também conhecida como bronquiolite constritiva, é uma doença pulmonar rara, em que as células do pulmão não conseguem se recuperar após uma inflamação ou infecção e promovem uma fibrose, a qual ocasiona uma estenose do lúmen e oclusões dos bronquíolos. Geralmente esse distúrbio leva a um declínio progressivo e irreversível da função pulmonar, como mostrado pela espirometria e outros exames que indicam obstrução ao fluxo aéreo.

Quais são as causas da bronquiolite obliterante?

As causas mais comuns da bronquiolite obliterante são:

  • infecções (principalmente vírus ou Mycoplasma);
  • inalação de fumaça nociva;
  • transplante de pulmão;
  • doença do enxerto versus hospedeiro (situação em que as células imunológicas do órgão transplantado atacam as células sadias do receptor);
  • artrite reumatoide;
  • doença inflamatória intestinal;
  • efeito colateral de medicamentos.

Em geral, a infecção é causada pelo vírus sincicial respiratório, que ataca principalmente crianças.

Leia sobre "Falta de ar", "Oxigenoterapia", "Ventilação mecânica" e "Sofrimento fetal ou hipóxia neonatal".

Qual é o substrato fisiopatológico da bronquiolite obliterante?

A bronquiolite constritiva ocorre quando há obstrução parcial ou total dos lúmens dos bronquíolos devido à inflamação crônica, cicatrização fibrótica da submucosa ou hipertrofia do músculo liso. Parece que a bronquiolite obliterante se deve a uma proliferação excessiva do tecido de granulação em resposta à lesão do epitélio bronquiolar.

Embora não esteja claro por que certos pacientes respondem à lesão dessa maneira, isso pode estar relacionado à magnitude do estímulo provocativo, bem como a anormalidades na resposta do hospedeiro. Normalmente ocorre uma fibrose peribronquiolar concêntrica e estreitamento luminal dos bronquíolos.

Quais são as características clínicas da bronquiolite obliterante?

A bronquiolite obliterante afeta principalmente crianças, mas pode acometer também outras faixas etárias. Na maior parte das vezes, os sintomas iniciais são semelhantes a diversos outros problemas pulmonares.

Os sintomas mais chamativos são:

  • dispneia progressivamente mais grave;
  • tosse seca (não produtiva);
  • obstrução do fluxo aéreo.

Outros sinais e sintomas são:

  • chiado no peito ao respirar;
  • períodos de febre menor de 38º C;
  • cansaço;
  • dificuldade para se alimentar, no caso dos lactentes.

Como o médico diagnostica a bronquiolite obliterante?

As radiografias do tórax podem ser normais no início da doença ou mostrar sinais de hiperinsuflação generalizada ou segmentar. A tomografia computadorizada e a cintilografia pulmonar podem sugerir o diagnóstico e ajudar a diferenciar a bronquiolite obliterante de outras doenças pulmonares mais comuns. No entanto, só a biópsia pulmonar pode selar em definitivo o diagnóstico de bronquiolite.

A radiografia de pulmão, embora esteja normal na maioria dos casos, pode mostrar alguma desigualdade lobular. A obtenção de imagens inspiratórias e expiratórias é essencial para se estabelecer o diagnóstico. Num estudo da função pulmonar, a magnitude do aprisionamento aéreo (resíduo de ar pulmonar após expiração forçada) denota a gravidade da obstrução do fluxo aéreo.

Os principais diagnósticos diferenciais devem ser feitos com a asma, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e a pneumonite de hipersensibilidade.

Como o médico trata a bronquiolite obliterante?

O mais importante é investigar e tratar a condição responsável pela bronquiolite. O tratamento sintomático é baseado em anti-inflamatórios e broncodilatadores e em terapias imunomoduladoras. Os tratamentos administrados visam melhorar a capacidade respiratória do paciente (quase sempre uma criança) e diminuir as chances de surgimento de novas cicatrizes. As lesões já estabelecidas são irreversíveis.

Em alguns casos pode ser recomendada a oxigenoterapia e a fisioterapia respiratória. Se os pacientes apresentarem infecções no curso da doença, o médico pode recomendar o uso de antibióticos.

Como evolui a bronquiolite obliterante?

A maneira como evolui a bronquiolite obliterante depende da patologia subjacente. Alguns pacientes obtêm uma melhora completa; no entanto, aqueles com doença constritiva costumam ter um curso progressivo. A função pulmonar se deteriora com o tempo e, em casos muito graves, os pacientes podem precisar de oxigênio suplementar ou ventilação mecânica.

Casos ainda piores podem exigir um transplante de pulmão. Paradoxalmente, o próprio transplante pode ocasionar bronquiolite. O tratamento da síndrome da bronquiolite obliterante após transplante pulmonar requer o aumento da imunossupressão, uma vez que se acredita que ela própria seja uma forma de rejeição crônica.

Quais são as complicações possíveis com a bronquiolite obliterante?

Pacientes com bronquiolite obliterante têm um risco maior que o normal de desenvolver infecções pulmonares e essas infecções são mais propensas a se tornarem graves, resultando em sintomas respiratórios substancialmente piores do que nas pessoas que não têm essa condição.

Veja mais sobre "Cianose", "Insuficiência respiratória", "Doença pulmonar obstrutiva crônica" e "Asfixia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site do NIH – National Institutes of Health.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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