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Bronquiolite em bebês e crianças pequenas: causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, prevenção, evolução

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O que é bronquiolite em bebês1 e crianças pequenas?

A bronquiolite em bebês1 (zero a um ano) e crianças pequenas é a inflamação2 dos bronquíolos3 desses infantes. Ela é mais frequente durante o inverno e princípio da primavera. Os bronquíolos3 são pequeninas ramificações dos brônquios4, através das quais o ar chega aos alvéolos pulmonares5, local onde se dão as trocas gasosas da respiração.

A bronquiolite é uma das infecções6 respiratórias mais frequentes nos primeiros dois anos de vida, sendo que 80% dois casos ocorrem no primeiro ano de vida, tendo um pico entre os dois e seis meses de idade.

Quais são as causas da bronquiolite em bebês1 e crianças pequenas?

A bronquiolite é causada pela infecção7 por várias classes de vírus8 e é agravada pelo inchaço9 das vias respiratórias e pelo acúmulo de muco que dificulta a passagem do ar, causando sintomas10 respiratórios. Nos bebês1 e crianças pequenas, ainda imaturas, os bronquíolos3 são mais vulneráveis porque eles são ainda muito pequenos e isso facilita a obstrução e impede a passagem do ar.

O vírus8 sincicial respiratório é o agente causador mais comum, mas ela também pode ser causada pelo adenovírus, influenza11, parainfluenza, rinovírus e enterovírus12. Quando o agente causal é o adenovírus, a doença pode evoluir para um tipo de bronquiolite conhecida como bronquiolite obliterante.

Quais são os principais sinais13 e sintomas10 da bronquiolite em bebês1 e crianças pequenas?

Os principais sinais13 e sintomas10 da bronquiolite são: nariz14 escorrendo, tosse e febre15. Após dois ou três dias aparece dificuldade respiratória, chiado no peito16 e piora da tosse. Em geral os bebês1 ficam mais irritadiços e inapetentes. Clinicamente costuma haver uma piora entre o terceiro e o quinto dias de sintomas10, com resolução gradual dos sintomas10 em sete a dez dias. Sendo que a tosse pode persistir por várias semanas.

A maioria dos casos de bronquiolite é benigna e autolimitada, mas uma parte das crianças pode evoluir com piora.

Alguns dos vírus8 que causam bronquiolite podem causar também otites17 e/ou laringites e até pneumonia18, com os correspondentes sintomas10. Os bebês1 prematuros, os que nasceram com problemas cardíacos ou pulmonares e os com deficiências no sistema imunológico19 são mais vulneráveis à bronquiolite e podem desenvolver uma insuficiência respiratória20 séria que necessita, inclusive, de cuidados hospitalares.

Como o médico diagnostica a bronquiolite em bebês1 e crianças pequenas?

O diagnóstico21 geralmente é feito pela observação dos sinais13 e sintomas10 (diagnóstico21 clínico) e mediante exame dos pulmões22 (ausculta23 pulmonar).

Como o médico trata a bronquiolite em bebês1 e crianças pequenas?

O tratamento da bronquiolite em bebês1 e crianças pequenas geralmente é feito com broncodilatadores24, em aerossol ou não, corticoides e, por vezes, com suprimento extra de oxigênio, se o bebê ou a criança estiverem internados. Uma fisioterapia25 respiratória pode ajudar na liberação do muco e na desobstrução das vias respiratórias.

Outro ponto importante do tratamento é a hidratação do bebê ou da criança pequena.

Quais são os cuidados que se deve ter com bebês1 com bronquiolite?

  • Mantenha o bebê ou a criança longe da fumaça dos cigarros, do cheiro de tinta fresca ou de madeira queimada.
  • Dê bastante líquido ao bebê ou à criança. Se o bebê ainda mamar no peito16, alimente-o com frequência.
  • Faça o bebê ou a criança repousar bastante. Procure elevar um pouco a cabeceira do berço. Isso favorece o não entupimento do nariz14.
  • As vaporizações, mesmo com água pura ou com soro26 fisiológico27, de preferência, podem aliviar os sintomas10 pois ajudam a fluidificar o muco.
  • Se o nariz14 do bebê ou da criança estiver muito congestionado, desobstrua-o com gotas de soro26 fisiológico27.
  • Evite o contato do bebê ou da criança com os animais domésticos que soltem pelos ou com outros tipos de substâncias em suspensão no ar, principalmente se a criança for alérgica.

Como evolui a bronquiolite em bebês1 e em crianças pequenas?

Uma parte significativa dos bebês1 que sofre de bronquiolite (cerca de 50 %) posteriormente desenvolve asma28 na infância ou outros problemas respiratórios quando adultos, contudo essa relação ainda não foi completamente estabelecida.

Como evitar a bronquiolite em bebês1 e crianças pequenas?

É muito difícil evitar a bronquiolite porque o vírus8 circula livremente em ambientes em que o bebê é forçado a estar (berçários, consultórios e dentro de casa). Algumas medidas, no entanto, podem contribuir para evitar a infecção7:

  • Lavar as mãos29 antes de pegar o bebê e pedir às visitas que façam o mesmo.
  • Não compartilhe copos ou talheres com o bebê ou a criança.
  • Evite que o bebê ou a criança leve à boca30 objetos que possam estar contaminados.
  • Vacine anualmente o bebê ou a criança contra a gripe31, já a partir dos seis meses de idade.
  • No caso de bebês1 ou crianças mais vulneráveis à doença, o pediatra pode receitar medicamentos feitos com anticorpos32 sintetizados em laboratório.
  • Para evitar que a criança doente contamine outras, mantenha-a em casa até que a tosse cesse por completo.
ABCMED, 2013. Bronquiolite em bebês e crianças pequenas: causas, sintomas, diagnóstico, tratamento, prevenção, evolução. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/373765/bronquiolite-em-bebes-e-criancas-pequenas-causas-sintomas-diagnostico-tratamento-prevencao-evolucao.htm>. Acesso em: 25 ago. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
2 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
3 Bronquíolos: A maior passagem que leva ar aos pulmões originando-se na bifurcação terminal da traquéia.
4 Brônquios: A maior passagem que leva ar aos pulmões originando-se na bifurcação terminal da traquéia. Sinônimos: Bronquíolos
5 Alvéolos Pulmonares: Pequenas bolsas poliédricas localizadas ao longo das paredes dos sacos alveolares, ductos alveolares e bronquíolos terminais. A troca gasosa entre o ar alveolar e o sangue capilar pulmonar ocorre através das suas paredes. DF
6 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
7 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
8 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
9 Inchaço: Inchação, edema.
10 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
11 Influenza: Doença infecciosa, aguda, de origem viral que acomete o trato respiratório, ocorrendo em epidemias ou pandemias e frequentemente se complicando pela associação com outras infecções bacterianas.
12 Enterovírus: Grupo de picornavírus, geralmente presentes no intestino, que podem causar doenças respiratórias ou do tecido nervoso como, por exemplo, no homem, a poliomielite e, nos animais, a febre aftosa.
13 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
14 Nariz: Estrutura especializada que funciona como um órgão do sentido do olfato e que também pertence ao sistema respiratório; o termo inclui tanto o nariz externo como a cavidade nasal.
15 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
16 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
17 Otites: Toda infecção do ouvido é chamada de otite.
18 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
19 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
20 Insuficiência respiratória: Condição clínica na qual o sistema respiratório não consegue manter os valores da pressão arterial de oxigênio (PaO2) e/ou da pressão arterial de gás carbônico (PaCO2) dentro dos limites da normalidade, para determinada demanda metabólica. Como a definição está relacionada à incapacidade do sistema respiratório em manter níveis adequados de oxigenação e gás carbônico, foram estabelecidos, para sua caracterização, pontos de corte na gasometria arterial: PaO2 50 mmHg.
21 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
22 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
23 Ausculta: Ato de escutar os ruídos internos do organismo, para controlar o funcionamento de um órgão ou perceber uma anomalia; auscultação.
24 Broncodilatadores: São substâncias farmacologicamente ativas que promovem a dilatação dos brônquios.
25 Fisioterapia: Especialidade paramédica que emprega agentes físicos (água doce ou salgada, sol, calor, eletricidade, etc.), massagens e exercícios no tratamento de doenças.
26 Soro: Chama-se assim qualquer líquido de características cristalinas e incolor.
27 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
28 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
29 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
30 Boca: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
31 Gripe: Doença viral adquirida através do contágio interpessoal que se caracteriza por faringite, febre, dores musculares generalizadas, náuseas, etc. Sua duração é de aproximadamente cinco a sete dias e tem uma maior incidência nos meses frios. Em geral desaparece naturalmente sem tratamento, apenas com medidas de controle geral (repouso relativo, ingestão de líquidos, etc.). Os antibióticos não funcionam na gripe e não devem ser utilizados de rotina.
32 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
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