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Asplenia - O que é importante saber sobre ela?

terça-feira, 7 de junho de 2022
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Asplenia - O que é importante saber sobre ela?

O que é asplenia?

A asplenia (do latim: a = prefixo de negação + splein= baço + ia = sufixo português indicando condição) é a ausência anatômica do baço e/ou de suas funções. Um funcionamento menor do baço é chamado hipoesplenia. Há uma distinção entre asplenia anatômica, que se deve à remoção cirúrgica do baço, e asplenia funcional, que se deve à ausência de função do baço em virtude de doença que leve à atrofia esplênica, enfarte, congestão ou doença infiltrativa.

O que é o baço?

O baço, apesar de pequeno, é o maior órgão do sistema linfático humano. Está localizado na parte superior esquerda da região abdominal, logo atrás do estômago e debaixo do diafragma. Tem forma oval e pesa cerca de 150 gramas, medindo cerca de 10 a 15 centímetros e sendo semelhante a um punho cerrado. Está dividido em duas partes principais, a polpa vermelha e a polpa branca, que possuem funções diferentes e que são formadas de tecido esponjoso.

Suas principais funções são:

  1. produção de glóbulos vermelhos, quando existe algum problema com a medula óssea dos ossos longos;
  2. produção de linfócitos;
  3. remoção de glóbulos vermelhos lesionados e "velhos", retirando-os para que outros mais novos possam substituí-los;
  4. remoção de vírus e bactérias antes que provoquem alguma doença;
  5. e armazenamento de sangue, colocando-o de volta no corpo sempre que aconteça uma queda do volume sanguíneo, como em uma hemorragia, por exemplo.

A polpa vermelha é responsável pelo armazenamento do sangue e os glóbulos vermelhos, enquanto a polpa branca é responsável pelas funções ligadas ao sistema imune, como a produção dos linfócitos.

Embora o baço seja um órgão muito importante para o organismo, a pessoa consegue viver sem ele. Em algumas eventualidades, como quando é atingido por câncer ou quando sofre uma rutura grave (em casos de traumas abdominais violentos, por exemplo), ele pode ser removido por meio de uma cirurgia, já que outros órgãos do corpo irão se adaptar para produzir as mesmas funções.

Leia sobre "Hiperesplenismo", "Esplenomegalia ou aumento do baço" e "Sequestro esplênico".

Quais são as causas da asplenia?

A asplenia pode ser congênita ou adquirida. A asplenia congênita é rara e herdada em um padrão predominantemente autossômico dominante. A causa mais comum de asplenia é secundária a um trauma, infarto ou cirurgia de retirada do órgão.

A asplenia congênita pode ser acompanhada por defeitos anatômicos de lateralidade que afetam a posição das vísceras torácicas e/ou abdominais. A mais comum dessas síndromes é a síndrome de Ivemark, na qual os órgãos do lado direito são duplicados e os órgãos que normalmente estariam presentes no lado esquerdo estão ausentes.

Qual é o substrato fisiopatológico da asplenia?

A fisiopatologia da asplenia é muito variável dependendo da etiologia e das comorbidades existentes. Nos distúrbios hematológicos, pode dar-se pelo sequestro de glóbulos vermelhos (hemácias) e aprisionamento deles. Esse aprisionamento leva a um aumento esplênico e, posteriormente, à atrofia, o que é observado principalmente na anemia falciforme.

Em malignidades hematológicas, a asplenia pode resultar da infiltração direta das células malignas no parênquima do baço.

Muitos distúrbios gastrointestinais podem levar a uma asplenia funcional. O consumo de álcool, por exemplo, causa um efeito tóxico direto no tecido esplênico. Em outros distúrbios como a doença celíaca, a asplenia é causada pela perda excessiva de linfócitos através da mucosa entérica inflamada.

Quais são as características clínicas da asplenia?

Normalmente, o baço está envolvido na produção de anticorpos humorais, na maturação de linfócitos B, na remoção de partículas não desejadas, como bactérias, por exemplo, e atua como um reservatório para as células do sangue, especialmente leucócitos e plaquetas. Logo, o mal funcionamento do órgão gera problemas imunológicos e no fluxo sanguíneo, deixando o organismo vulnerável a diversos tipos de infecções e levando à má alimentação das células.

Independentemente da etiologia, a consequência mais importante da asplenia é o aumento da suscetibilidade às infecções. Os bebês, ainda sem um sistema imune inteiramente formado, correm o risco de infecções avassaladoras. Frequentemente, a asplenia é notada pela primeira vez devido a uma sepse em uma criança ou em um recém-nascido.

Embora possa ocorrer isoladamente, também surge associada à síndrome de Ivemark, na qual os órgãos do lado direito são duplicados e os órgãos que normalmente deveriam estar presentes no lado esquerdo estão ausentes, o que inclui pulmões trilobados bilaterais, estômago localizado à direita, fígado central e má rotação intestinal.

Como o médico diagnostica a asplenia?

O diagnóstico de asplenia ou disfunção esplênica baseia-se fundamentalmente na visualização dos corpos de Howell Jolly, que são pequenos restos nucleares presentes nos eritrócitos, que normalmente seriam removidos pelo baço, mas que permanecem em razão da ausência ou deficiência do órgão.

Além disso, baseia-se também no diagnóstico de imagens e na avaliação da função de filtração esplênica por meio de métodos radioisotópicos. Num esfregaço de sangue periférico, a asplenia mostrará também a existência de hemácias de formas e tamanhos diferentes numa mesma amostra (anisopoiquilocitose).

Um paciente asplênico febril deve ter hemoculturas e uroculturas colhidas o mais brevemente possível, para escolha do antibiótico correto.

Veja também sobre "Hemoglobinopatias", "Hemorragia grave" e "É possível viver sem alguns órgãos?"

Como o médico trata as consequências da asplenia?

Como foi dito, os pacientes com asplenia apresentam um risco significativamente aumentado de infecção bacteriana grave, especialmente por microrganismos encapsulados. Para evitar essa morbidade, todos os pacientes com asplenia devem ser aconselhados a receber vacinas contra essas bactérias. Quando a esplenectomia (asplenia) é programada, a vacinação é recomendada pelo menos duas semanas antes da cirurgia.

A vacinação profilática ajuda, porém não elimina, o risco de infecção fulminante. O uso de antibiótico profilático também é recomendado para indivíduos asplênicos. Esses pacientes devem ser orientados no sentido de que qualquer episódio febril maior de 38°C deve ser considerado uma emergência que requer atenção médica imediata.

Qualquer terapia odontológica, sobretudo a extração dentária, deve ser precedida de antibióticos de largo espectro, como a amoxicilina, se o paciente não estiver tomando antibióticos profiláticos. Os doentes devem ser informados sobre os riscos da aquisição de agentes patógenos em viagens, incluindo o de infecção por malária, e sobre mordidas de animais, que podem ser mortais a não ser que sejam prontamente tratadas.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic e da Cleveland Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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