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Os perigos das enchentes para a saúde

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Os perigos das enchentes

Enchentes são desastres naturais que frequentemente comportam desastrosas consequências mecânicas, que constituem tragédias como mortes de pessoas e animais por afogamento, deslizamentos de terra, perdas de bens materiais, contaminação de água, alimentos e objetos, limitação ou impossibilidade de locomoção, etc. Mas além desses, as enchentes, enquanto estão acontecendo ou imediatamente após, trazem significativos riscos para a saúde1 individual.

As inundações estão associadas também a um aumento do risco de infecção2, no entanto, esse risco é baixo, a menos que haja um deslocamento populacional significativo e/ou as fontes de água sejam comprometidas.

O contato com a água de enchentes pode causar diversas doenças, transmitidas diretamente pela água ou por vetores que as enchentes favorecem. Assim, por exemplo, a água acumulada em superfícies côncavas e/ou lixo propiciam a proliferação de animais que transmitem doenças, como o Aedes aegypti, mosquito transmissor das arboviroses. Além disso, muitas vezes as enchentes contaminam as plantações de frutas e hortaliças que, indiretamente, podem afetar as pessoas.

Leia sobre "Afogamento", "Dengue3", "Raiva4" e "Leptospirose".

Quais são as doenças que podem ser transmitidas pelas águas das enchentes?

As enchentes trazem um aumento do risco de infecções5 por doenças transmitidas pela água, contraídas através do contato direto com águas poluídas, como infecções5 de feridas, dermatites, conjuntivites6 e infecções5 de ouvido, nariz7 e garganta8. No entanto, essas doenças não são propensas a epidemias. Outras doenças que podem ocorrer de maneira significativa, são:

  1. Hepatite9 A: é causada por um vírus10 que pode ser transmitido pela ingestão de água ou alimentos contaminados com esgoto/dejetos humanos, o que ocorre durante as enchentes.
  2. Tétano11: o contato com entulhos e/ou destroços durante os desastres como os provocados pelas enchentes podem provocar lesões12 na pele13 e, consequentemente, o adoecimento por tétano11 acidental.
  3. Leptospirose: a contaminação pela bactéria14 Leptospira se dá por exposição direta à urina15 de ratazanas, ratos e camundongos ou, de forma mais frequente, através do contato indireto com água contaminada pela bactéria14, através da pele13 lesionada, da pele13 íntegra imersa por longos períodos em água contaminada ou, ainda, através das mucosas16, como são os contatos com água ou lama de enchentes, de limpeza de córregos ou de bueiros e de locais com roedores.
  4. Acidentes com animais peçonhentos: a ocorrência das enchentes pode deslocar animais peçonhentos de seus habitats naturais, como cobras, aranhas e escorpiões, que podem invadir residências, aumentando o risco de acidentes.
  5. Acidentes com animais potencialmente transmissores de raiva4: com as enchentes, muitos animais, especialmente cães e gatos, podem ficar desalojados ou abandonados e isto pode facilitar a ocorrência de mordeduras.
  6. Doenças diarreicas: as enchentes localizadas podem expor potencialmente a população às doenças transmitidas pela ingestão de água contaminada, muitas delas diarreicas, as quais levam, facilmente, à desidratação17. Durante as enchentes, microrganismos presentes em esgotos podem se misturar à água e contaminar alimentos, utensílios e louças.
Saiba mais sobre "Tétano11", "Hepatites18", "Cuidados uteis em casos de diarreia19" e "Rotavírus".

Como evitar os perigos das enchentes para a saúde1?

A medida principal para evitar os perigos das enchentes para a saúde1 consiste em evitar o contato com a água de enchente, utilizando botas e luvas para pelo menos reduzir este contato, que pode ser danoso à saúde1.

Outras medidas são:

  • Beber sempre água potável. Ferver a água a ser consumida ou diluir duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% em um litro de água.
  • Ter muito cuidado com a água utilizada no preparo da alimentação dos lactentes20 e só utilizar água potável no preparo dos alimentos.
  • Não ingerir alimentos que tiveram contato com água da enchente.
  • Não utilizar os produtos de hortas ou outras plantações que sofreram inundação.
  • Desfazer-se de madeiras ou outros objetos porosos que tenham entrado em contato com a água da enchente.
  • Lavar e fazer desinfecção21 caseira todos os utensílios e superfícies que tenham tido contato com a água de enchente.
  • Não consumir água de poço que tenha sido inundado (a não ser para lavar calçadas e quintal) antes de tratá-la.
  • Desfazer-se dos alimentos (rações) dos animais domésticos que tenham tido contato com água de enchente.
Veja também sobre "Desidratação17", "Picada de cobra", "Picada de aranha" e "Picada de escorpião".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte dos sites da World Health Organization e da Prefeitura de São Paulo.

ABCMED, 2019. Os perigos das enchentes para a saúde. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1343828/os-perigos-das-enchentes-para-a-saude.htm>. Acesso em: 16 out. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
3 Dengue: Infecção viral aguda transmitida para o ser humano através da picada do mosquito Aedes aegypti, freqüente em regiões de clima quente. Caracteriza-se por apresentar febre, cefaléia, dores musculares e articulares e uma erupção cutânea característica. Existe uma variedade de dengue que é potencialmente fatal, chamada dengue hemorrágica.
4 Raiva: 1. Doença infecciosa freqüentemente mortal, transmitida ao homem através da mordida de animais domésticos e selvagens infectados e que produz uma paralisia progressiva juntamente com um aumento de sensibilidade perante estímulos visuais ou sonoros mínimos. 2. Fúria, ódio.
5 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
6 Conjuntivites: Inflamações da conjuntiva ocular. Podem ser produzidas por alergias, infecções virais, bacterianas, etc. Produzem vermelhidão ocular, aumento da secreção e ardor.
7 Nariz: Estrutura especializada que funciona como um órgão do sentido do olfato e que também pertence ao sistema respiratório; o termo inclui tanto o nariz externo como a cavidade nasal.
8 Garganta: Tubo fibromuscular em forma de funil, que leva os alimentos ao ESÔFAGO e o ar à LARINGE e PULMÕES. Situa-se posteriormente à CAVIDADE NASAL, à CAVIDADE ORAL e à LARINGE, extendendo-se da BASE DO CRÂNIO à borda inferior da CARTILAGEM CRICÓIDE (anteriormente) e à borda inferior da vértebra C6 (posteriormente). É dividida em NASOFARINGE, OROFARINGE e HIPOFARINGE (laringofaringe).
9 Hepatite: Inflamação do fígado, caracterizada por coloração amarela da pele e mucosas (icterícia), dor na região superior direita do abdome, cansaço generalizado, aumento do tamanho do fígado, etc. Pode ser produzida por múltiplas causas como infecções virais, toxicidade por drogas, doenças imunológicas, etc.
10 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
11 Tétano: Toxinfecção produzida por uma bactéria chamada Clostridium tetani. Esta, ao infectar uma ferida cutânea, produz uma toxina (tetanospasmina) altamente nociva para o sistema nervoso que produz espasmos e paralisia dos nervos afetados. Pode ser fatal. Existe vacina contra o tétano (antitetânica) que deve ser tomada sempre que acontecer um traumatismo em que se suspeita da contaminação por esta bactéria. Se a contaminação for confirmada, ou se a pessoa nunca recebeu uma dose da vacina anteriormente, pode ser necessário administrar anticorpos exógenos (de soro de cavalo) contra esta toxina.
12 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
13 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
14 Bactéria: Organismo unicelular, capaz de auto-reproduzir-se. Existem diferentes tipos de bactérias, classificadas segundo suas características de crescimento (aeróbicas ou anaeróbicas, etc.), sua capacidade de absorver corantes especiais (Gram positivas, Gram negativas), segundo sua forma (bacilos, cocos, espiroquetas, etc.). Algumas produzem infecções no ser humano, que podem ser bastante graves.
15 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
16 Mucosas: Tipo de membranas, umidificadas por secreções glandulares, que recobrem cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
17 Desidratação: Perda de líquidos do organismo pelo aumento importante da freqüência urinária, sudorese excessiva, diarréia ou vômito.
18 Hepatites: Inflamação do fígado, caracterizada por coloração amarela da pele e mucosas (icterícia), dor na região superior direita do abdome, cansaço generalizado, aumento do tamanho do fígado, etc. Pode ser produzida por múltiplas causas como infecções virais, toxicidade por drogas, doenças imunológicas, etc.
19 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
20 Lactentes: Que ou aqueles que mamam, bebês. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
21 Desinfecção: Eliminação de microorganismos de uma superfície contaminada. Em geral utilizam-se diferentes compostos químicos (álcool, clorexidina), ou lavagem com escovas especiais.
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