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Vasa previa - conceito, causas, clínica, diagnóstico, tratamento e evolução

quinta-feira, 22 de julho de 2021
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Vasa previa - conceito, causas, clínica, diagnóstico, tratamento e evolução

O que é vasa previa?

Normalmente, os vasos sanguíneos que suprem o feto de oxigênio e nutrientes durante a gestação correm dentro do cordão umbilical, protegidos pela Geleia de Wharton, uma substância mucosa que envolve os vasos do cordão protegendo-os de quaisquer tipos de traumatismos. Vasa prévia é uma condição extremamente rara que pode ocorrer durante a gestação em que os vasos sanguíneos correm perto da abertura interna do colo do útero, desprotegidos pelas membranas próprias do cordão umbilical, ficando interpostos entre o orifício interno do colo e a apresentação fetal.

“Vasa previa” ou “vasa praevia” é uma expressão em latim que pode ser entendida como “vasos à frente” (do feto) ou prévios a ele.

Veja também sobre "Prolapso do cordão umbilical", "Placenta prévia" e "Descolamento prematuro de placenta".

Quais são as causas da vasa previa?

Na vasa previa os vasos sanguíneos que ligam a placenta ao feto correm desprotegidos sobre o orifício cervical interno e ficam, por isso, muito mais vulneráveis. Pensa-se que a condição surja de uma placenta localizada previamente ao feto no início da gestação (placenta prévia).

À medida que a gravidez progride, o tecido placentário que envolve os vasos do colo do útero se atrofia e a placenta cresce preferencialmente em direção à parte superior do útero. Isso deixa os vasos desprotegidos sobre o colo do útero e no segmento uterino inferior.

Qual é o substrato fisiopatológico da síndrome da vasa previa?

Os vasos sanguíneos de suprimento do feto, desprotegidos pelo cordão umbilical ou pela placenta, ficam muito vulneráveis e correm o risco de rompimento quando as membranas de suporte se rompem, e isso acontece em muitos casos, dando origem a um sangramento maciço da circulação fetoplacentária com exsanguinação fetal ocorrendo rapidamente, levando o feto rapidamente à morte.

Quais são as implicações clínicas da vasa previa?

Existem três tipos de vasa prévia.

No tipo (1) há uma inserção velamentosa, um tipo defeituoso de ligação do cordão umbilical à placenta, com vasos correndo sobre a extremidade interna do colo do útero.

No tipo (2), os vasos desprotegidos correm entre os lóbulos de uma placenta bilobada.

No tipo (3), uma parte da placenta que recobre o colo do útero sofre atrofia. Nesse tipo, há uma inserção normal do cordão da placenta e a placenta possui apenas um lóbulo. No entanto, os vasos em uma margem da placenta estão expostos.

Leia sobre "Líquido amniótico", "Sangramentos na segunda metade da gravidez" e "Sofrimento fetal ou hipóxia neonatal".

Como o médico diagnostica a vasa previa?

As primeiras suspeitas de vasa previa são feitas com base na apresentação e/ou nos resultados da ultrassonografia pré-natal de rotina. Antes do advento da ultrassonografia quase todos os diagnósticos eram feitos a partir de bebês que nasciam mortos. No entanto, após o início da prática de realização de ultrassonografia durante a gestação, muitos casos podem ser detectados durante a gravidez, antes que ocorra a ruptura catastrófica das membranas.

No que se refere a sintomas, a tríade clássica da vasa previa é:

  • Ruptura da membrana
  • Sangramento vaginal indolor
  • Bradicardia ou morte fetal

O diagnóstico mais definitivo é confirmado por ultrassonografia transvaginal. Os vasos fetais podem ser vistos passando diretamente perto do óstio cervical interno e o mapeamento deles pode ser feito por meio do Doppler colorido, usado como um adjuvante.

O exame de desnaturação alcalina também pode detectar a presença de hemoglobina fetal no sangue vaginal, pois a hemoglobina fetal é resistente à desnaturação na presença de NaOH (hidróxido de sódio) a 1%. A detecção de hemoglobina fetal no sangramento vaginal confere certeza diagnóstica.

A vasa previa deve ser distinguida do prolapso do cordão umbilical, porque nela os vasos sanguíneos fetais, sem a proteção da geleia de Wharton, podem ser vistos sobre a porção interior do colo do útero.

Como o médico trata a vasa previa?

As mulheres com vasa prévia devem ter um parto cesariano programado para antes da ruptura das membranas (bolsa d’água). Em virtude de que é difícil prever o momento da ruptura dessa membrana, o parto cesáreo deve ser programado para a 35ª ou 36ª semana de gestação, idade gestacional que oferece um equilíbrio razoável entre o risco de morte e o de prematuridade.

Alguns médicos recomendam que a gestante seja internada em hospital a partir da 32ª semana de gestação, para garantir à paciente uma maior proximidade da sala de cirurgia caso seja necessário um parto de emergência, se ocorrer sangramento, se a paciente entrar em trabalho de parto ou se as membranas se romperem.

Na etapa final da gravidez, deve-se fazer um monitoramento contínuo para detectar uma eventual compressão ou ameaça de ruptura dos vasos do cordão. O exame deve ser feito duas vezes por semana, começando na 28ª/30ª semana, ou a admissão à maternidade para monitoramento contínuo ou para exame a cada 6 a 8 horas a partir da 30ª semana.

Como há risco de parto prematuro, recomenda-se a administração de esteroides à mãe para promover uma mais rápida maturação pulmonar fetal.

Como evolui a vasa previa?

Cerca de 56% dos casos de vasa prévia que não são diagnosticados resultam em natimortos. No entanto, quando a condição é detectada durante a gravidez, as chances de sobrevivência do feto sobem para 97%.

Leia também sobre "Cuidados necessários com os prematuros", "Cuidados com o recém-nascido", "Anomalias do cordão umbilical" e "Coto umbilical do recém-nascido".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Febrasgo – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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