Gostou do artigo? Compartilhe!

Ecocardiograma fetal

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é ecocardiograma1?

O ecocardiograma1 é um exame de ultrassonografia2 do coração3 que fornece imagens obtidas através dos diferentes graus de refração de ondas sonoras de alta frequência (acima de 20.000 ciclos por segundo), muito além, portanto, da capacidade humana de audição.

Um transdutor (a varinha do ecocardiograma1 que emite as ondas sonoras para o coração3) deslizado sobre o peito4 do paciente emite essas ondas, as direciona para estruturas do coração3 do paciente e capta o eco delas, transformando-o em imagens.

Assim, a ecocardiografia pode fornecer imagens estáticas e em movimento dos músculos5 e das valvas cardíacas e o mapeamento em cores do fluxo sanguíneo pela técnica Doppler, permitindo identificar a direção e velocidade do fluxo sanguíneo no interior das cavidades cardíacas.

Há várias modalidades de ecocardiograma1, mas as mais evoluídas, em associação com o Doppler, oferecem imagens coloridas em 3D, capazes de possibilitar a visualização de detalhes anatômicos e funcionais mínimos do coração3.

O exame também pode ser realizado no feto6 em gestação, permitindo um diagnóstico7 muito precoce de eventuais anomalias cardíacas e possibilitando intervenções ainda no interior do útero8.

Por tratar-se de um exame que não apresenta efeitos colaterais9, ser de custo relativamente baixo e de fácil operacionalidade e transporte, além de seu excelente alcance diagnóstico7, o ecocardiograma1 tem grande destaque na cardiologia moderna.

O que é ecocardiograma1 fetal?

O ecocardiograma1 fetal (também chamado de eco fetal) é um ultrassom realizado através da parede abdominal10 da grávida e dirigido ao coração3 do feto6 em gestação, para mostrar a estrutura daquele órgão e o quão bem ele está funcionando. O exame, não invasivo e indolor, é semelhante a uma ultrassonografia2 de rotina. É feito em uma sala escurecida, enquanto a grávida está deitada. Não há necessidade de nenhum preparo especial da mãe para fazer esse exame; o único cuidado que ela deve ter é não usar loções ou cremes na barriga no dia do procedimento.

O médico colocará sobre a barriga da grávida um gel que ajudará o transdutor a deslizar sobre o abdômen e as ondas sonoras a chegarem ao coração3 do bebê. O ecocardiograma1 fetal também pode ser feito no início da gravidez11 (12ª semana) por via vaginal. Um pequeno transdutor de ultrassom é inserido na vagina12, repousa na parte de trás daquele órgão e fotos do coração3 do bebê podem então ser tiradas.

O ecocardiograma1 fetal pode levar de 30 minutos a 2 horas, dependendo das imagens necessárias e porque uma certa posição do bebê pode dificultar a visão13 do coração3, de modo que pode ser necessário esperar por uma melhor posição. Às vezes, um outro ecocardiograma1 fetal precisará ser feito em outro dia.

Saiba mais sobre "Persistência do forame14 oval", "Cariótipo fetal" e "O que é morte súbita".

Por que fazer um ecocardiograma1 fetal?

O ecocardiograma1 permite avaliar a saúde15 do coração3 do bebê ainda no útero8 materno. Por meio de registros dos músculos5 e válvulas cardíacas, o exame mostra o tamanho e o desenvolvimento do coração3 do feto6. A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda a realização de rotina desse exame na fase pré-natal em todas as gravidezes, mas principalmente nas gestações de bebês16 que pertençam a algum grupo de risco17 para doenças cardíacas, porque os outros exames, como o ultrassom morfológico, por exemplo, não possibilitam o diagnóstico7 de cardiopatias congênitas18 desenvolvidas pelo bebê durante a gestação.

Além disso, os médicos podem solicitar um ecocardiograma1 fetal quando supõem qualquer problema importante nas paredes e válvulas do coração3 do bebê em desenvolvimento, bem como nos vasos sanguíneos19 que chegam e saem do coração3 e na força de bombeamento do órgão. Ele pode ser feito ainda por vários outros motivos, incluindo uma história familiar de certos problemas cardíacos; a gestante ter uma condição médica que possa afetar o coração3 do bebê; o bebê ter um distúrbio genético; uma anormalidade percebida numa ultrassonografia2 de rotina durante a gravidez11; ou por o coração3 do bebê não ter ser visto bem em um ultrassom obstétrico de rotina.

Algumas intervenções médicas (cirúrgicas e/ou medicamentosas) podem ser feitas sobre o coração3 do feto6 ainda no interior do útero8.

Em suma, no que concerne ao feto6, as principais indicações são:

Da parte da mãe, as indicações principais são:

  • gestações em mulheres muito novas (adolescentes) ou após os 35 anos;
  • se a mãe teve algum aborto anterior;
  • se sofre com cardiopatia congênita22;
  • se tem diabetes mellitus23;
  • se apresenta infecções24 virais;
  • se apresenta colagenoses;
  • ou se faz uso de alguns tipos de drogas lícitas ou ilícitas25.

Do lado familiar, o ecocardiograma1 fetal deve ser indicado se:

  • houver histórico de cardiopatias congênitas18;
  • ou histórico de síndromes hereditárias que possam afetar o coração3.

Quando fazer o ecocardiograma1 fetal?

O ecocardiograma1 fetal pode ser confiavelmente feito a partir de 17-18 semanas de gestação. No entanto, tecnologias mais recentes, incluindo transdutores endovaginais, podem ser usadas com segurança para obter imagens do coração3 a partir de 12 semanas de gestação.

Se o exame é feito de rotina, costuma ser recomendado entre a 18ª e a 28ª semanas de gestação. Quanto mais avançada a gravidez11, mais possível será visualizar as eventuais alterações estruturais ou funcionais do coração3 do feto6.

Quando a gravidez11 é considerada de alto risco, o obstetra pode indicar o teste a partir das 14 semanas, ou mesmo antes, e repeti-lo outras vezes. Se o exame for feito antes de 18 semanas, a paciente provavelmente será solicitada a retornar mais tarde para que novo exame possa obter imagens mais definitivas que confirmem ou não as descobertas iniciais.

O ecocardiograma1 fetal permite o planejamento das ações da equipe médica durante a gestação e no pós-parto imediato, além do preparo emocional da família para receber o recém-nascido. Esse planejamento é fundamental, pois as cardiopatias congênitas18 afetam 1 em cada 100 bebês16 e 90% deles não apresentam fatores de risco conhecidos.

Quais são as complicações possíveis com o ecocardiograma1 fetal?

O ecocardiograma1 fetal é um exame seguro, tanto para o bebê em gestação quanto para a mãe, e não é sujeito a complicações.

Leia também "Pré-natal", "Sexo do bebê", "Gestação semana a semana" e "Malformações21 fetais".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site da Mayo Clinic - USA.

ABCMED, 2022. Ecocardiograma fetal. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/1418440/ecocardiograma+fetal.htm>. Acesso em: 26 jun. 2022.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Ecocardiograma: Método diagnóstico não invasivo que permite visualizar a morfologia e o funcionamento cardíaco, através da emissão e captação de ultra-sons.
2 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
3 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
4 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
5 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
6 Feto: Filhote por nascer de um mamífero vivíparo no período pós-embrionário, depois que as principais estruturas foram delineadas. Em humanos, do filhote por nascer vai do final da oitava semana após a CONCEPÇÃO até o NASCIMENTO, diferente do EMBRIÃO DE MAMÍFERO prematuro.
7 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
8 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
9 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
10 Parede Abdominal: Margem externa do ABDOME que se estende da cavidade torácica osteocartilaginosa até a PELVE. Embora sua maior parte seja muscular, a parede abdominal consiste em pelo menos sete camadas Músculos Abdominais;
11 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
12 Vagina: Canal genital, na mulher, que se estende do ÚTERO à VULVA. (Tradução livre do original
13 Visão: 1. Ato ou efeito de ver. 2. Percepção do mundo exterior pelos órgãos da vista; sentido da vista. 3. Algo visto, percebido. 4. Imagem ou representação que aparece aos olhos ou ao espírito, causada por delírio, ilusão, sonho; fantasma, visagem. 5. No sentido figurado, concepção ou representação, em espírito, de situações, questões etc.; interpretação, ponto de vista. 6. Percepção de fatos futuros ou distantes, como profecia ou advertência divina.
14 Forame: Mesmo que forâmen. Abertura, buraco, furo, cova. Na anatomia geral, é um orifício, abertura ou perfuração através de um osso ou estrutura membranosa.
15 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
16 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
17 Grupo de risco: Em medicina, um grupo de risco corresponde a uma população sujeita a determinados fatores ou características, que a tornam mais susceptível a ter ou adquirir determinada doença.
18 Congênitas: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
19 Vasos Sanguíneos: Qualquer vaso tubular que transporta o sangue (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias).
20 Arritmias: Arritmia cardíaca é o nome dado a diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos.
21 Malformações: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
22 Congênita: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
23 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
24 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
25 Ilícitas: 1. Condenadas pela lei e/ou pela moral; proibidas, ilegais. 2. Qualidade das que não são legais ou moralmente aceitáveis; ilicitude.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Cardiologia Pediátrica?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.