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Gestação múltipla

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O que é gestação múltipla?

Fala-se em gestação múltipla quando a mulher engravida ao mesmo tempo de dois ou mais conceptos, embora a forma mais comum de nascimentos múltiplos seja a de gêmeos (dois bebês1). Há diferentes nomes para os nascimentos múltiplos, em função do número de nascimentos: gêmeos, trigêmeos, quadrigêmeos... Até o momento, o maior número de conceptos nascidos vivos e que sobreviveram é de oito.

Há dois tipos principais de nascimentos múltiplos: (1) os monozigóticos ou idênticos e (2) os dizigóticos ou fraternos. A frequência estatística de nascimentos múltiplos é de:

  • Gêmeos: 1:80
  • Trigêmeos: 1:6400
  • Quadrigêmeos e demais casos: 1:512000

Quais são causas da gestação múltipla?

Uma gestação múltipla ocorre se mais de um óvulo2 é liberado durante o ciclo menstrual e cada um deles é fertilizado por um espermatozoide3. Pode acontecer também que um único óvulo2 se divida, resultando em múltiplos embriões idênticos. Isso parece acontecer aleatoriamente, podendo ter uma leve influência da hereditariedade4.

O uso de drogas para aumentar a fertilidade e induzir a ovulação5 facilita que mais de um óvulo2 seja liberado dos ovários6. A fertilização7 in vitro pode levar a uma gravidez8 múltipla se mais de um embrião for transferido para o útero9. Mulheres com mais de 35 anos são mais propensas a liberar dois ou mais óvulos durante um único ciclo menstrual do que mulheres mais jovens e têm uma maior chance de terem uma gestação múltipla.

Saiba mais sobre "Gravidez8 gemelar" "Ciclo menstrual", "Fertilização7 in vitro" e "Teste de gravidez8".

Qual é o mecanismo fisiológico10 da gestação múltipla?

Os gêmeos monozigóticos ou idênticos ocorrem quando um só ovócito11 é fertilizado e o zigoto12 resultante se divide em mais de um embrião. Deste modo, os irmãos idênticos têm o mesmo material genético e são também fenotipicamente idênticos. As pequenas diferenças entre os dois gêmeos são devidas às influências ambientais sobre o desenvolvimento.

Os irmãos dizigóticos resultam da fertilização7 e implantação de mais de um ovócito11 e assim eles não são geneticamente idênticos, são apenas dois irmãos gestados e nascidos juntos.

Em alguns nascimentos múltiplos é possível que uma combinação dessas duas possibilidades aconteça. Por exemplo, num grupo de trigêmeos pode haver um bebê de um ovócito11 e outros dois gêmeos idênticos de um segundo ovócito11. Este caso, extremamente raro, é designado de polizigótico.

No início de uma gravidez8 múltipla, um exame de ultrassonografia13 é feito para descobrir se cada bebê tem seu próprio córion14 e saco amniótico. A esse respeito, existem três tipos de gêmeos:

  1. Dicoriônico-diamniótico: gêmeos que têm seus próprios córions e bolsas amnióticas.
  2. Monocoriônico-diamniótico: gêmeos que compartilham um córion14, mas têm sacos amnióticos separados.
  3. Monocoriônico-monoamniótico: gêmeos que compartilham um córion14 e um saco amniótico. 

Quais são as principais características da gestação múltipla?

Em média, as grávidas de múltiplos ganham cerca de 10 quilos a mais do que as grávidas de um único bebê. Algumas mães de múltiplos relatam um aumento na gravidade de enjoo pela manhã, outras não. Só porque uma mulher está grávida de múltiplos, isso não significa que ela vai experimentar uma dose dupla ou tripla de enjoo matinal.

Algumas gestantes de múltiplos relatam sentir o movimento fetal mais cedo do que o esperado. Embora a fadiga15 extrema também possa ser causada por estresse, trabalho e responsabilidades, ela costuma também ser relatada por mulheres que estão grávidas de múltiplos, o que pode estar associado ao fato de que o corpo da mãe tem de fornecer nutrientes para mais de um bebê.

Leia sobre "Ultrassonografia13 na gravidez8", "Hiperêmese gravídica", "Menstruação16" e "Ovulação5".

Quais os exames que confirmam uma gestação múltipla?

A ultrassonografia13 permite saber com certeza se a mulher está grávida de múltiplos e quantos são eles. Já no primeiro trimestre da gravidez8, os sons cardíacos fetais podem ser detectados por um Doppler e médicos experientes podem ser capazes de detectar batimentos cardíacos múltiplos. No entanto, isso pode ser impreciso porque um único batimento cardíaco pode ser detectado em várias áreas do abdômen da mãe.

As mulheres que estão grávidas de múltiplos fetos podem ter níveis aumentados de gonadotrofina coriônica humana17 (hCG), que é o hormônio18 produzido durante a gravidez8. No entanto, o aumento dos níveis de hCG pode ter outras causas e não indica automaticamente uma gravidez8 de múltiplos.

Um exame de alfa-fetoproteína (AFP) pode ser realizado durante o segundo trimestre da gestação e é usado para detectar certos defeitos congênitos19 e medir a quantidade de uma determinada proteína que é secretada pelo fígado20 fetal. Uma leitura de teste positiva ou alta pode indicar uma gravidez8 múltipla.

Em gestações normais, os médicos monitoram a distância entre o topo do osso púbico21 e o topo do útero9 para avaliar a idade gestacional. As mulheres com gestações múltiplas têm um aumento nessas medidas em relação à idade gestacional. Esta medida aumentada pode indicar uma gravidez8 múltipla, mas não é exclusiva dela.

Quais são as complicações possíveis da gestação múltipla?

O risco de complicações é maior na gestação de múltiplos que na gestação de um único feto22. A complicação mais comum da gravidez8 múltipla é o nascimento prematuro: mais da metade de todos os gêmeos nascem prematuros. Uma gestação comum de um único bebê dura de 37 a 40 semanas. As gestações múltiplas geralmente duram menos que isso.

Bebês1 nascidos antes de 37 semanas de gestação podem ter um risco aumentado de problemas de saúde23 de curto e longo prazos, incluindo problemas respiratórios e alimentares. Outros problemas, como dificuldades de aprendizagem e comportamentais dos múltiplos, podem aparecer mais tarde na infância ou mesmo na idade adulta.

Bebês1 que nascem antes de 32 semanas de gravidez8 podem morrer ou ter sérios problemas de saúde23, mesmo com os melhores cuidados. Múltiplos prematuros também têm um risco maior do que bebês1 prematuros com a mesma idade gestacional para complicações sérias que podem levar à paralisia24 cerebral.

Veja também sobre "Paralisia24 cerebral", "Prematuridade" e "Baixo peso ao nascer".

 

ABCMED, 2019. Gestação múltipla. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/gravidez/1340648/gestacao+multipla.htm>. Acesso em: 16 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
2 Óvulo: Célula germinativa feminina (haplóide e madura) expelida pelo OVÁRIO durante a OVULAÇÃO.
3 Espermatozóide: Célula reprodutiva masculina.
4 Hereditariedade: Conjunto de eventos biológicos responsáveis pela transmissão de uma herança a seus descendentes através de seus genes. Existem dois tipos de hereditariedade: especifica e individual. A hereditariedade especifica é responsavel pela transmissão de agentes genéticos que determinam a herança de características comuns a uma determinada espécie. A hereditariedade individual designa o conjunto de agentes genéticos que atuam sobre os traços e características próprios do indivíduo que o tornam um ser diferente de todos os outros.
5 Ovulação: Ovocitação, oocitação ou ovulação nos seres humanos, bem como na maioria dos mamíferos, é o processo que libera o ovócito II em metáfase II do ovário. (Em outras espécies em vez desta célula é liberado o óvulo.) Nos dias anteriores à ovocitação, o folículo secundário cresce rapidamente, sob a influência do FSH e do LH. Ao mesmo tempo que há o desenvolvimento final do folículo, há um aumento abrupto de LH, fazendo com que o ovócito I no seu interior complete a meiose I, e o folículo passe ao estágio de pré-ovocitação. A meiose II também é iniciada, mas é interrompida em metáfase II aproximadamente 3 horas antes da ovocitação, caracterizando a formação do ovócito II. A elevada concentração de LH provoca a digestão das fibras colágenas em torno do folículo, e os níveis mais altos de prostaglandinas causam contrações na parede ovariana, que provocam a extrusão do ovócito II.
6 Ovários: São órgãos pares com aproximadamente 3cm de comprimento, 2cm de largura e 1,5cm de espessura cada um. Eles estão presos ao útero e à cavidade pelvina por meio de ligamentos. Na puberdade, os ovários começam a secretar os hormônios sexuais, estrógeno e progesterona. As células dos folículos maduros secretam estrógeno, enquanto o corpo lúteo produz grandes quantidades de progesterona e pouco estrógeno.
7 Fertilização: Contato entre espermatozóide e ovo, determinando sua união.
8 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
9 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
10 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
11 Ovócito: Ovócito ou oócito, é cada uma das células que, por meio de divisões meióticas, dão origem ao óvulo.
12 Zigoto: ÓVULO fecundado, resultante da fusão entre um gameta feminino e um masculino.
13 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
14 Córion: Membrana extra-embrionária mais externa que envolve o embrião em desenvolvimento. Nos RÉPTEIS e AVES, está aderida à casca e permite as trocas gasosas entre o ovo e seu ambiente. Nos MAMÍFEROS o córion evolui para a contribuição fetal da PLACENTA. Membrana Corioalantóide;
15 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
16 Menstruação: Sangramento cíclico através da vagina, que é produzido após um ciclo ovulatório normal e que corresponde à perda da camada mais superficial do endométrio uterino.
17 Gonadotrofina coriônica humana: Gonadotrofina coriônica humana ou HCG é uma glicoproteína hormonal produzida pelas células trofoblásticas sinciciais nos líquidos maternos. No início da gravidez as concentrações de HCG no soro e na urina da mulher aumentam rapidamente, sendo um bom marcador para testes de gravidez. Sete a dez dias após a concepção, a concentração de HCG alcança 25 mUI/mL e aumenta ao pico de 37.000-50.000 mUI/mL entre oito e onze semanas. É o único hormônio exclusivo da gravidez, fazendo com que o teste de gravidez pela análise de HCG tenha acerto de quase 100%. É o único exame que comprova exatamente a gravidez.
18 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
19 Defeitos congênitos: Problemas ou condições que estão presentes ao nascimento.
20 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
21 Osso Púbico:
22 Feto: Filhote por nascer de um mamífero vivíparo no período pós-embrionário, depois que as principais estruturas foram delineadas. Em humanos, do filhote por nascer vai do final da oitava semana após a CONCEPÇÃO até o NASCIMENTO, diferente do EMBRIÃO DE MAMÍFERO prematuro.
23 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
24 Paralisia: Perda total da força muscular que produz incapacidade para realizar movimentos nos setores afetados. Pode ser produzida por doença neurológica, muscular, tóxica, metabólica ou ser uma combinação das mesmas.
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