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A microtia e suas características

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O que é microtia?

A microtia é uma condição congênita1 (malformação2) em que a orelha3 não se desenvolve completamente durante o primeiro trimestre da gestação, resultando em um pavilhão auricular pequeno ou inexistente. Isso resulta em uma orelha3 deformada, que pode variar em gravidade, desde uma pequena abertura até sua completa ausência. Em cerca de 90% dos casos, apenas um lado é afetado (microtia unilateral), mas, em alguns casos, a microtia pode ocorrer em ambos os lados (microtia bilateral).

Não só o tamanho, mas também o formato da orelha3 acometida apresenta alterações. Da mesma forma, o canal auditivo externo pode ser estreitado ou mesmo inexistente. Dependendo do grau da anomalia, a audição pode ou não ser afetada.

Quais são as causas da microtia?

A causa exata da microtia não é compreendida, mas acredita-se que fatores genéticos e ambientais possam desempenhar um papel. A condição pode ocorrer isoladamente ou estar associada a outras anomalias congênitas4. A especulação sobre algumas possíveis causas e fatores de risco associados à microtia envolvem uma predisposição genética, com algumas mutações em genes específicos, já que algumas formas de microtia podem ocorrer em famílias. A exposição a certos fatores ambientais durante a gravidez5, como certas drogas ou substâncias químicas, radiações e outros fatores, pode aumentar o risco de microtia.

Algumas pesquisas sugerem que desequilíbrios hormonais durante a gravidez5 também podem desempenhar um papel no desenvolvimento da microtia, embora essa relação não seja compreendida. Pode ser que anormalidades no suprimento sanguíneo para a região auricular possam contribuir para a microtia em alguns casos, assim como deficiências nutricionais durante a gravidez5 e fatores étnicos, já que alguns estudos sugerem que a microtia pode ocorrer com maior frequência em algumas populações específicas.

Em muitos casos, a microtia ocorre de forma isolada, sem qualquer causa identificável.

Quais são as características clínicas da microtia?

Além da questão estética, a funcionalidade da orelha3 e a audição também podem ficar comprometidas. A característica principal da microtia é o subdesenvolvimento ou a ausência da orelha externa6. Em casos leves, pode haver um pequeno resíduo de tecido7 auricular, enquanto em casos mais graves a orelha3 pode estar quase completamente ausente.

Quando a microtia é bilateral, pode haver assimetria significativa entre as orelhas8 afetadas de cada lado. A forma e o tamanho da orelha3 afetada podem variar amplamente; em geral, a orelha3 tem uma forma diferente da normal, e o tamanho é menor do que o esperado.

Além dessas alterações, a microtia pode estar associada a anormalidades no ouvido médio9 e interno, gerando perda da funcionalidade do aparelho auditivo. Algumas pessoas com microtia, além dos prejuízos da audição aérea, também podem ter perda de audição condutiva. O canal auditivo pode estar ausente ou subdesenvolvido, o que pode afetar a condução do som até o ouvido interno10.

Além das implicações físicas, a microtia pode ter um impacto emocional e psíquico na pessoa, especialmente se houver desfiguração facial associada. Isso pode levar a desafios emocionais, problemas de autoestima e desajustes sociais.

Veja sobre "Surdez congênita1", "Deficiência auditiva", "Surdez neurossensorial" e "Surdez em idosos e o risco de demência11".

Como o médico diagnostica a microtia?

Ao examinar fisicamente o pavilhão auricular no recém-nascido, logo após o nascimento, uma primeira aproximação do diagnóstico12 da microtia é autoevidente. Um aprofundamento desse exame deve procurar por outras alterações anatômicas e funcionais associadas.

Para isso podem ser necessários exames de imagens, como ultrassonografia13 ou ressonância magnética14, para avaliar as estruturas internas do ouvido e verificar se há outras anomalias, como malformações15. Como a microtia pode estar associada a problemas de audição, é comum realizar uma avaliação audiológica para determinar se há perda auditiva e em que grau.

Em alguns casos, o médico pode encaminhar os pais para aconselhamento genético para entender melhor as possíveis causas subjacentes da microtia e avaliar o risco de recorrência16 em futuras gestações.

Como o médico trata a microtia?

Há dois tipos distintos de tratamento para a microtia. Um deles, de natureza estética, se refere à reconstrução do pavilhão auricular. O outro é referente ao eventual comprometimento da audição. No primeiro caso, o tratamento para microtia pode envolver cirurgias reconstrutivas para melhorar a aparência da orelha3 e, em alguns casos, restaurar a audição. No segundo caso, o uso de aparelhos auditivos ou de implantes cocleares pode ser indicado.

Cada caso é único e o plano de tratamento dependerá da gravidade da condição e das necessidades específicas de cada paciente. Em algumas situações, as intervenções cirúrgicas podem ser realizadas em várias etapas ao longo do tempo para alcançar os melhores resultados estéticos e funcionais possíveis. Em outras, nas quais a audição é afetada, sessões de fonoaudiologia podem ser benéficas para desenvolver habilidades auditivas e linguísticas.

Um suporte psicológico pode ser importante, especialmente para lidar com questões emocionais relacionadas à aparência física.

Leia também sobre "Otosclerose17 ou otospongiose" e "Perfuração do tímpano18".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Cleveland Clinic e da Stanford Medicine.

ABCMED, 2024. A microtia e suas características. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1467722/a-microtia-e-suas-caracteristicas.htm>. Acesso em: 16 abr. 2024.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Congênita: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
2 Malformação: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
3 Orelha: Sistema auditivo e de equilíbrio do corpo. Consiste em três partes
4 Congênitas: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
5 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
6 Orelha Externa: Parte externa do sistema auditivo do corpo. Inclui o PAVILHÃO AURICULAR (semelhante a uma concha), que coleta o som, MEATO ACÚSTICO EXTERNO, MEMBRANA TIMPÂNICA, e as CARTILAGENS DA ORELHA EXTERNA.
7 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
8 Orelhas: Sistema auditivo e de equilíbrio do corpo. Consiste em três partes
9 Ouvido médio: Atualmente denominado orelha média, é constituído pela membrana timpânica, cavidade timpânica, células mastoides, antro mastoide e tuba auditiva. Separa-se da orelha externa através da membrana timpânica e se comunica com a orelha interna através das janelas oval e redonda.
10 Ouvido interno: Atualmente denominado orelha interna está localizado na porção petrosa do osso temporal, recebe terminações nervosas do nervo coclear e vestibular, sendo parte essencial dos órgãos da audição e equilíbrio. É constituído de três estruturas: labirinto membranoso (endolinfático), labirinto ósseo (perilinfático) e cápsula ótica.
11 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
12 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
13 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
14 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
15 Malformações: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
16 Recorrência: 1. Retorno, repetição. 2. Em medicina, é o reaparecimento dos sintomas característicos de uma doença, após a sua completa remissão. 3. Em informática, é a repetição continuada da mesma operação ou grupo de operações. 4. Em psicologia, é a volta à memória.
17 Otosclerose: Crescimento ósseo anormal no ouvido médio que causa perda auditiva. É um distúrbio hereditário que envolve o crescimento de um osso esponjoso no ouvido médio. Este crescimento impede a vibração do estribo em reposta às ondas sonoras, causando perda auditiva progressiva do tipo condutiva. É a causa mais freqüente de perda auditiva do ouvido médio em adultos jovens, é mais freqüente em mulheres entre 15 e 30 anos.
18 Tímpano: Espaço e estruturas internas à MEMBRANA TIMPÂNICA e externas à orelha interna (LABIRINTO). Entre os componentes principais estão os OSSÍCULOS DA AUDIÇÃO e a TUBA AUDITIVA, que conecta a cavidade da orelha média (cavidade timpânica) à parte superior da garganta.
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