AbcMed

Como é o carcinoma hepatocelular?

Wednesday, January 22, 2020
Avalie este artigo
Como é o carcinoma hepatocelular?

O que é carcinoma hepatocelular?

O carcinoma hepatocelular, embora raro, é o tipo mais comum de câncer primário do fígado. É um tumor de células hepáticas, diferente dos cânceres "secundários" do fígado, que se espalharam para o fígado a partir de outros órgãos e cujas células têm estrutura assemelhada às células do órgão de origem.

Quais são as causas do carcinoma hepatocelular?

As razões exatas pelas quais o carcinoma hepatocelular se desenvolve não são totalmente compreendidas. Sabe-se, contudo, de alguns fatores que podem aumentar o risco de contrair esse tipo de câncer. Normalmente, vários fatores ocorrem antes que o distúrbio se desenvolva. A maioria das pessoas com carcinoma hepatocelular tem uma doença hepática subjacente, como infecção pelo vírus da hepatite B ou hepatite C, ou cirrose, que é uma cicatriz no fígado que pode ocorrer como resultado de doenças hepáticas crônicas.

O carcinoma hepatocelular também é mais comum em pessoas que consomem bebidas alcoólicas em grandes quantidades e que acumulam gordura no fígado (esteatose), juntamente com inflamação e danos às células hepáticas. Também o tabagismo, a obesidade e o diabetes são fatores de risco potencial moderado.

Alimentos contaminados com aflatoxina (um tipo de toxina produzida por fungos e que pode contaminar certos produtos agrícolas) também aumentam o risco do hepatocarcinoma, mesmo nas pessoas sem um distúrbio hepático subjacente, assim como as doenças que implicam em armazenamento de ferro no fígado (hemocromatose, ferritina alta, etc.)

Existem também vários distúrbios metabólicos e genéticos que podem aumentar o risco de desenvolver esse tipo de câncer, como doença de Wilson, hemocromatose, hepatite autoimune, deficiência de antitripsina e colangite biliar.

Leia sobre "Câncer de fígado", "Hepatites", "Hepatite B", "Hepatite C", "Cirrose" e "Esteatose hepática".

Quais são as principais características clínicas do carcinoma hepatocelular?

A maioria das pessoas não apresenta sintomas ou sinais visíveis associados ao carcinoma hepatocelular. Geralmente essas pessoas têm sintomas relacionados à doença subjacente (cirrose hepática, hepatite, etc.), os quais podem se tornar difíceis de controlar.

Devido à doença hepática subjacente, o fígado pode ficar descompensado. Os sintomas dessa descompensação podem incluir ascite (acúmulo de líquidos no abdômen), esplenomegalia (baço anormalmente aumentado), hipertensão porta (alta pressão na veia principal que acessa o fígado), icterícia (amarelamento da pele, olhos e mucosas devido ao acúmulo de bile no corpo) e encefalopatia hepática, uma condição na qual as toxinas que normalmente são descartadas pelo fígado não são adequadamente eliminadas e, em vez disso, circulam pela corrente sanguínea, afetando o cérebro. A encefalopatia hepática é um espectro de doença que tanto pode causar sintomas muito sutis como complicações graves e com risco de vida.

Algumas pessoas podem desenvolver dor leve ou moderada na parte superior do abdome e podem sentir plenitude alimentar apesar de comer menos alimentos do que o habitual. Outras pessoas podem sentir fadiga, perda de peso ou ter uma massa que pode ser palpável no abdome superior. Menos comumente, febre ou diarreia podem estar presentes.

Alguns sintomas mais podem ocorrer se o câncer se espalhar para outras áreas (metástases), dependendo dos órgãos atingidos. Por exemplo, pode ocorrer dor óssea se o câncer se espalhar para os ossos ou dispneia (dificuldade de respirar) se o câncer se espalhar para os pulmões.

Como o médico diagnostica o carcinoma hepatocelular?

Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores as chances de êxito. Mas, como o início da doença geralmente não causa sintomas, é difícil obter um diagnóstico precoce. Por isso, pessoas com alto risco de desenvolver carcinoma hepatocelular devem manter uma vigilância através de um exame de ultrassonografia a cada seis meses.

Os testes e procedimentos usados para diagnosticar carcinoma hepatocelular incluem:

  1. Exames de sangue para avaliar as funções hepáticas e quantificar os marcadores de câncer hepático.
  2. Testes de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética, para tentar confirmar o diagnóstico do tumor.
  3. Em alguns casos, biópsia hepática, consistente em remover uma amostra de tecido hepático obtida por punção feita com uma agulha introduzida através da pele até o fígado, para testes laboratoriais.

Porém, existe o risco de falsos negativos. Por isso uma vigilância cuidadosa deve ser continuada, mesmo que a biópsia seja negativa. Também existe o risco de propagação do tumor durante uma biópsia, pois as células cancerígenas podem se espalhar ao longo do caminho que a agulha da biópsia percorre. Devido a esses riscos, a biópsia hepática não é realizada rotineiramente.

O médico também pode fazer uma biópsia fazendo um pequeno corte na barriga do paciente e colocando uma agulha no fígado para retirar uma amostra de tecido.

Como o médico trata o carcinoma hepatocelular?

O tratamento depende do tamanho e da localização do carcinoma, de quão bem o fígado está funcionando e da idade e saúde geral do paciente.

Em estágios iniciais da doença e com função hepática normal, o tratamento do carcinoma hepatocelular pode ser feito por cirurgia que remova o tumor canceroso e, por segurança, uma margem de tecido saudável ao redor. A cirurgia para remover todo o fígado e substituí-lo pelo fígado de um doador (transplante de fígado) pode ser uma opção em pessoas saudáveis quanto ao resto, cujo câncer de fígado não se espalhou além deste órgão.

Outro procedimento terapêutico, que pode ser recomendado para pessoas que não podem ser submetidas à cirurgia, consiste na embolização ou ablação para matar as células cancerígenas no fígado usando calor ou frio. Essa ablação pode ser feita também por radiofrequência, uso de álcool ou micro-ondas.

Podem, ainda, ser empregadas quimioterapia e/ou radiação, para atingir diretamente as células cancerígenas, usando um cateter que passa pelos vasos sanguíneos e entra no fígado, por meio do qual os médicos podem administrar medicamentos quimioterápicos ou pequenas esferas de vidro contendo radiação.

Pode também ser usada terapia de radiação usando energia de raios-X ou prótons, se a cirurgia não puder ser feita. Pode-se contar, ainda, com uma terapia medicamentosa direcionada às fraquezas específicas das células cancerígenas e com a imunoterapia.

Como as pessoas com hepatocarcinoma geralmente têm uma doença hepática subjacente, essa condição também precisa ser monitorada e tratada.

Como evolui em geral o carcinoma hepatocelular?

Se o carcinoma hepatocelular for diagnosticado precocemente, pode haver tratamentos curativos. No entanto, na maioria dos casos o carcinoma hepatocelular não causa sintomas, principalmente no início, e quando detectado um tratamento curativo já é impossível.

Quais são as complicações possíveis do carcinoma hepatocelular?

Uma complicação importante é a ruptura do tumor, levando à hemorragia intraperitoneal (sangramento no interior do peritônio). O peritônio é a membrana que reveste o abdômen e cobre os órgãos abdominais.

Veja também sobre sobre "Hepatectomia", "Hepatomegalia" e "Transplante hepático".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic e da NORD – National Organization of Rare Diseases.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários
Como é o carcinoma hepatocelular? | AbcMed