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Hepatectomia - como é o procedimento e o pós-operatório

Wednesday, November 7, 2018
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Hepatectomia - como é o procedimento e o pós-operatório

O que é hepatectomia?

Hepatectomia (do grego: hepar = fígado + ektomē = remoção) é a remoção cirúrgica de parte ou de todo o fígado. Em um transplante de fígado, tanto a remoção do fígado do doador, como a remoção do fígado do receptor são hepatectomias. Se apenas um lóbulo do fígado é removido, pode ser chamada de lobectomia hepática. E, se apenas um segmento é removido, pode ser chamada de segmentectomia.

Por que fazer uma hepatectomia?

A maioria das hepatectomias é realizada para o tratamento de neoplasias hepáticas, tanto benignas quanto malignas. Neoplasias benignas incluem adenoma hepatocelular, hemangioma hepático e hiperplasia nodular focal.

As neoplasias malignas mais comuns do fígado são metástases; as que surgem do câncer colorretal estão entre as mais comuns e mais suscetíveis à ressecção cirúrgica. O tumor maligno primário mais comum do fígado é o carcinoma hepatocelular, que afeta as células do fígado chamadas hepatócitos.

A hepatectomia também pode ser o procedimento de escolha para tratar cálculos biliares intra-hepáticos ou cistos parasitários do fígado. Hepatectomias parciais também são realizadas para remover uma porção de fígado de um doador vivo para transplante.

Saiba mais sobre "Transplante de fígado", "Hemangioma", "Câncer de fígado" e "Cálculos biliares".

Em que consiste a hepatectomia?

A extensão de uma hepatectomia depende do tamanho, número e localização do câncer e do quanto a função hepática ainda está ou não normal. O cirurgião pode remover uma parte do fígado que contém o tumor, um lobo inteiro ou uma porção ainda maior do fígado. Em uma hepatectomia parcial, o cirurgião deve deixar uma margem de tecido hepático saudável para manter as funções do fígado. Em qualquer caso, a hepatectomia é sempre considerada uma cirurgia de grande porte.

Nos casos de transplante de fígado, o cirurgião realizará uma hepatectomia total, o que significa que todo o fígado do paciente é removido e substituído por um fígado saudável de um doador. Um transplante de fígado é uma opção somente se o câncer não se espalhar para fora do fígado e somente se for encontrado um fígado de doador compatível com o paciente.

O procedimento cirúrgico é bastante demorado, exigindo de três a quatro horas de intervenção. O paciente anestesiado é posicionado com a face voltada para cima e ambos os braços são afastados do corpo. Para remover uma parte do fígado, o cirurgião entra no abdome do paciente através de uma incisão feita na parede abdominal e libera a parte afetada do fígado dos tecidos de conexão. A artéria do fígado e o ducto hepático são desconectados do órgão. A parte doente do fígado é seccionada e uma ferramenta de cauterização é usada para fazer parar o sangramento à medida que o cirurgião avança.

Para remover as partes do fígado (uma cirurgia demorada), uma almofada de aquecimento deve ser colocada envolvendo os braços e pernas do paciente para reduzir as perdas de temperatura corporal. O abdômen do paciente é aberto por uma incisão na parte superior e outra incisão na linha média até o processo xifoide (cartilagem localizada no meio da parte inferior da caixa torácica). Os passos principais de uma hepatectomia parcial então prosseguem. A primeira tarefa do cirurgião é liberar o fígado cortando as fibras longas que o envolvem. Uma vez que o cirurgião liberou o fígado, a remoção dos segmentos pode começar.

Riscos da hepatectomia

Há sempre riscos em qualquer cirurgia, mas uma hepatectomia que remove 25 a 60% do fígado acarreta risco maior que a média. Os riscos potenciais são dor, sangramento, infecção e/ou lesões em outras áreas do abdome, bem como a morte. Outros riscos incluem febre pós-operatória, pneumonia e infecção do trato urinário.

Pacientes submetidos a qualquer tipo de cirurgia abdominal também correm o risco de formar coágulos sanguíneos nas pernas. Esses coágulos sanguíneos podem se soltar e se mover através do coração para os pulmões, causando embolia pulmonar, uma condição geralmente grave, podendo causar a morte. Existem dispositivos especiais usados para manter o sangue fluindo através das pernas durante a cirurgia para tentar evitar a formação de coágulos.

A remoção de uma parte do fígado pode causar um mal funcionamento do órgão por um curto período de tempo. A parte restante do fígado começará a crescer novamente dentro de algumas semanas e o quadro vai se estabilizando. No entanto, um paciente pode desenvolver insuficiência hepática. Pacientes com hepatite crônica e cirrose apresentam alto risco quando se realiza uma hepatectomia.

Leia sobre "Provas de função hepática", "Insuficiência hepática", "Cirrose hepática" e "Hepatites".

E após a hepatectomia?

Após uma hepatectomia, a quantidade de tempo necessária para a recuperação varia de paciente para paciente, mas o processo de cura leva tempo. O médico deverá discutir com o paciente o manejo da dor. Os pacientes muitas vezes sentem-se desconfortáveis nos primeiros dias após a cirurgia, necessitam de medicamentos para aliviar a dor, o cansaço e a fraqueza durante um tempo. Além disso, podem ter diarreia e sensação de plenitude gástrica. A equipe de saúde deve monitorar de perto o paciente quanto a sangramento, infecção, insuficiência hepática ou outros problemas que requerem atenção médica imediata.

Após uma hepatectomia total, seguida de um transplante de fígado, o paciente receptor permanece no hospital por algumas semanas. Durante esse tempo, a equipe de saúde monitora constantemente o quanto ele está aceitando o fígado doado. O paciente recebe medicamentos prescritos para evitar que o corpo rejeite o transplante, o que pode causar inchaço no rosto, pressão alta ou aumento de pelos no corpo.

O sangramento é a complicação mais temida e pode ser motivo para uma reoperação urgente. A criação de uma fístula biliar também é uma possível complicação, embora mais passível de tratamento não cirúrgico. Complicações pulmonares, como atelectasias e derrame pleural, são comuns e perigosas em pacientes com doença pulmonar subjacente.

A infecção é relativamente rara. A insuficiência hepática representa um risco significativo para pacientes com doença hepática subjacente. Este é um impedimento importante na ressecção cirúrgica do carcinoma hepatocelular em pacientes com cirrose. A taxa de mortalidade é de 2,5% e a taxa de complicações no pós-operatório é de 19,6%.

Veja também sobre "Esteatose hepática", "Hepatomegalia", "Doação de órgãos" e "Vivendo sem alguns órgãos".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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