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Fraturas da coluna: diagnóstico, tratamento e evolução clínica

Friday, November 7, 2025
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Fraturas da coluna: diagnóstico, tratamento e evolução clínica

O que são fraturas da coluna?

As fraturas da coluna vertebral são lesões que acometem as vértebras cervicais, torácicas, lombares ou sacrais, podendo comprometer a estabilidade, a mobilidade e a função neurológica do paciente. São rupturas ou fissuras nos ossos da coluna, que incluem corpos vertebrais, processos espinhosos, lâminas e pedículos.

Dependendo da intensidade e direção da força envolvida, as fraturas podem ser simples, com mínimo deslocamento, ou complexas, com lesão da medula espinhal ou raízes nervosas.

Essas lesões são classificadas conforme a localização, o tipo (compressão, explosão, flexão-distração, entre outros) e o grau de estabilidade. Consideram-se estáveis as fraturas sem risco de deslocamento adicional e instáveis aquelas com potencial de agravamento ou dano neurológico. A gravidade depende do grau de comprometimento ósseo, do alinhamento vertebral e da presença de lesões associadas.

Quais são as causas das fraturas da coluna?

As fraturas da coluna podem resultar de traumas ou de condições patológicas que enfraquecem as vértebras.

  • Traumas de alta energia, como acidentes de trânsito, quedas de altura, lesões esportivas e acidentes de trabalho, são causas frequentes em adultos jovens, gerando forças de flexão, compressão ou rotação que superam a resistência óssea.
  • Traumas de baixa energia, comuns em idosos ou pacientes com osteoporose, ocorrem após quedas leves ou movimentos bruscos, quando a diminuição da densidade mineral óssea facilita a fratura.
  • Doenças patológicas, como tumores, infecções e distúrbios metabólicos, também podem fragilizar as vértebras e predispor a fraturas espontâneas ou com traumas mínimos.
  • Outros fatores, como uso prolongado de corticosteroides, doenças endócrinas ou anomalias congênitas, podem contribuir para a perda da resistência óssea e favorecer a ocorrência de fraturas.
Leia sobre "Lesões da medula espinhal", "Transecção da medula espinhal", "Paraplegia" e "Tetraplegia".

Qual é o substrato fisiopatológico das fraturas da coluna?

O substrato fisiopatológico baseia-se na interação entre a força aplicada e a capacidade de resistência óssea. A coluna é composta por ossos, discos, ligamentos e estruturas neurológicas que distribuem as cargas mecânicas. Quando a força excede a tolerância dessas estruturas, ocorre a ruptura.

Nas fraturas por compressão, comuns em pacientes com osteoporose, o corpo vertebral colapsa sob forças axiais, levando à perda de altura e deformidade. Nas fraturas por explosão, observadas em traumas de alta energia, há fragmentação vertebral com risco de invasão do canal medular. As lesões por flexão ou rotação rompem ligamentos posteriores, comprometendo a estabilidade.

O dano neurológico resulta de compressão direta por fragmentos ósseos, hematomas ou edema, podendo ser primário (ocorre no momento do trauma) ou secundário, quando há isquemia, inflamação ou compressão progressiva da medula espinhal.

Quais são as características clínicas das fraturas da coluna?

As manifestações clínicas variam conforme o nível e a gravidade da fratura. A dor intensa localizada é o sintoma mais comum e geralmente é agravada por movimento ou palpação. Pode haver deformidade visível, como cifose ou escoliose, em fraturas torácicas e lombares.

O comprometimento neurológico manifesta-se por formigamento, fraqueza muscular, paralisia parcial ou completa, perda de sensibilidade e alteração de reflexos. Fraturas cervicais altas podem causar dificuldade respiratória, enquanto as fraturas com lesão medular podem levar à incontinência urinária ou fecal.

Nas fraturas por osteoporose, a dor costuma ser crônica, progressiva e agravada por esforço físico ou permanência prolongada em pé.

Saiba mais sobre "Instabilidade da coluna vertebral", "Artrose da coluna vertebral", "Desvios da coluna" e "Alterações posturais".

Como o médico diagnostica as fraturas da coluna?

O diagnóstico combina história clínica, exame físico e exames de imagem. A anamnese deve esclarecer o mecanismo do trauma, a presença de dor, sintomas neurológicos e fatores predisponentes, como osteoporose, neoplasias ou infecções.

No exame físico, avaliam-se deformidades, pontos dolorosos à palpação e função neurológica.

A radiografia simples é geralmente o primeiro exame solicitado, permitindo identificar fraturas, desalinhamentos ou colapsos vertebrais. A tomografia computadorizada fornece detalhamento anatômico dos fragmentos e do grau de instabilidade. A ressonância magnética é indicada quando há suspeita de lesão medular ou comprometimento ligamentar, e a cintilografia óssea ou o PET-CT podem auxiliar na avaliação de fraturas patológicas ou múltiplas.

Como o médico trata as fraturas da coluna?

O tratamento é definido conforme a estabilidade da fratura, o segmento acometido e o estado neurológico do paciente. Fraturas estáveis e sem déficit neurológico costumam ser tratadas conservadoramente, com imobilização por coletes ou órteses por 6 a 12 semanas, uso de analgésicos e anti-inflamatórios e início de fisioterapia gradual após consolidação inicial.

As fraturas instáveis ou com lesão neurológica requerem intervenção cirúrgica. Os procedimentos mais utilizados incluem vertebroplastia (injeção de cimento ósseo para estabilizar e aliviar a dor), cifoplastia (reposição parcial da altura vertebral), fusão espinhal com parafusos e hastes e descompressão medular nos casos de compressão neurológica significativa.

Em situações de paralisia progressiva ou compressão aguda da medula, a cirurgia de emergência é indicada. Além do manejo da fratura, é fundamental o tratamento da causa de base, como osteoporose, neoplasias ou infecções, para evitar recorrência.

Como evoluem as fraturas da coluna?

A evolução depende da gravidade da lesão, da conduta adotada e das condições clínicas do paciente. Fraturas compressivas estáveis, especialmente em osteoporóticos, consolidam geralmente entre 6 e 12 semanas, embora a dor residual possa persistir.

Nas fraturas instáveis ou com lesão medular, o prognóstico é mais reservado, principalmente quando há dano neurológico irreversível. A reabilitação precoce é essencial para otimizar a recuperação funcional e prevenir complicações secundárias.

A recuperação neurológica depende da extensão da lesão e do tempo até a descompressão cirúrgica. A maioria dos pacientes retorna às atividades habituais em alguns meses, embora alguns mantenham limitações permanentes.

Quais são as complicações possíveis com as fraturas da coluna?

As principais complicações incluem:

  • Déficits neurológicos permanentes, como paralisia ou perda sensorial
  • Dor crônica por consolidação inadequada
  • Deformidades estruturais (cifose pós-traumática)
  • Infecções pós-operatórias ou em fraturas expostas
  • Complicações tromboembólicas (como trombose venosa profunda e embolia pulmonar)
  • Fraturas recorrentes em pacientes com osteoporose não tratada

Em pacientes imobilizados por longos períodos, também pode ocorrer pneumonia por hipoventilação e perda de massa muscular.

Veja também sobre "Lombalgia ou dor nas costas", "Dor no pescoço", "Torcicolo" e "Dor na coluna".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Hospital Albert Einstein e do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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