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Torcicolo

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O que é o torcicolo1?

O torcicolo1 (do latim: tortus = torcido + collum = pescoço2), também conhecido como loxia, é uma condição muscular distônica que geralmente afeta a musculatura do pescoço2, causando uma contração muscular dolorosa.

Quais são as causas do torcicolo1?

O torcicolo1 se manifesta por uma posição assimétrica anormal da cabeça3 ou do pescoço2 e pode ter grande variedade de causas. As patologias que incidam nas fontes de suprimentos de sangue4 e/ou de inervação do músculo esternocleidomastoideo5 (músculo do pescoço2) podem conduzir ao torcicolo1.

Uma infinidade de condições mórbidas pode levar ao torcicolo1: fibrose6 muscular, anormalidades congênitas7 da coluna vertebral8, lesão9 cerebral tóxica ou traumática, etc. Tumores da base do crânio10 podem comprimir o suprimento sanguíneo e/ou nervoso do pescoço2 e causar torcicolo1. Algumas infecções11 na faringe12 posterior ou do ouvido podem irritar os nervos que movimentam os músculos do pescoço13 e também podem causar torcicolo1.

O uso de certos medicamentos, como antipsicóticos, por exemplo, pode causar torcicolo1. Uma causa muito rara de torcicolo1 adquirido é a fibrodisplasia ossificans progressiva14, cuja marca registrada é a malformação15 dos grandes dedos.

Saiba mais sobre "Tumores cerebrais".

Qual é o mecanismo fisiológico16 do torcicolo1?

Na maioria das vezes a estrutura anatômica afetada no torcicolo1 é o músculo esternocleidomastoideo5. Existem dois músculos17 esternocleidomastoideos, um de cada lado do pescoço2 e quando ambos são contraídos, o pescoço2 é flexionado. Estes músculos17 se originam no esterno18 e nas clavículas e se inserem nos processos mastoides do osso temporal do lado correspondente. O principal fornecimento de sangue4 para eles vem da artéria19 occipital e a principal inervação vem do XI° par craniano, o chamado nervo acessório20.

Quais são as principais características clínicas do torcicolo1?

O torcicolo1 gera uma inclinação fixa ou dinâmica da cabeça3 e/ou do pescoço2. Dependendo das posições da cabeça3 e pescoço2, o torcicolo1 pode ser descrito como lateral, rotacional, anterior ou posterior e mais frequentemente pode-se observar uma combinação de todos estes movimentos.

O torcicolo1 pode ser um distúrbio em si mesmo ou pode ser um sintoma21 secundário a outras condições mórbidas. Outras queixas que acompanham a contratura muscular do torcicolo1 são dor no pescoço2, formação ocasional de uma massa muscular saliente e contratura da coluna cervical22.

Quais são os tipos de torcicolo1 existentes?

O torcicolo1 pode ser congênito23 ou adquirido.

  • O torcicolo1 muscular congênito23 pode ser devido a um traumatismo24 de nascimento ou má posição intrauterina do feto25. Outras alterações podem resultar de microtraumas repetitivos dentro do útero26 ou a uma mudança súbita na concentração de cálcio no corpo que provoca um período prolongado de contração muscular.
  • O torcicolo1 adquirido ("pescoço2 duro") pode resultar de doenças de vértebras cervicais27, adenite, tonsilite, reumatismo28, glândulas29 cervicais aumentadas, abscesso30 retrofaríngeo, tumores cerebelares, doença de Pott, etc. Em muitos casos de torcicolo1, nenhuma causa definida é encontrada. Às vezes, eles podem ser desencadeados por uma corrente de ar, resfriado ou posturas incomuns. Pode ser transitório (clônico) ou permanente (tônico) e normalmente os músculos17 trapézio31 e/ou esternocleidomastoideo5 estão envolvidos.
  • O torcicolo1 espasmódico, também chamado torcicolo1 intermitente32, distonia33 cervical ou distonia33 cervical idiopática34 consiste numa contração transitória e recorrente dos músculos do pescoço13 e, especialmente, do esternocleidomastoideo5.
Leia mais sobre "Reumatismo28", "Amigdalites", "Abcesso", "Resfriado comum" e "Mal de Pott".

Como o médico diagnostica o torcicolo1?

Ao exame físico, o paciente mostrará uma rigidez muscular na região do pescoço2 que limita os movimentos musculares. Além disso, o paciente relatará os sintomas35 típicos da condição. Uma radiografia ou uma tomografia computadorizada36 da região do pescoço2 pode ajudar a confirmar ou excluir alguma patologia37 subjacente.

Como o médico trata o torcicolo1?

O tratamento principal do torcicolo1 consiste em providências para relaxar a musculatura do pescoço2 por meio de aplicação de calor, massagens, medicamentos, fisioterapia38 e, eventualmente, cirurgia, nos casos mais graves e complexos.

Como evolui o torcicolo1?

Na maioria das vezes o torcicolo1 desaparece espontaneamente, mas alguns podem ser muito recorrentes ou mesmo permanentes, gerando dor crônica, imobilidade ou deformidades.

Como prevenir o torcicolo1?

Não há como prevenir os torcicolos, mas o tratamento adequado pode evitar suas complicações.

Quais são as complicações possíveis do torcicolo1?

As complicações mais comuns são a inchação dos músculos17 por tensão constante e sintomas35 por compressão nervosa.

Veja também sobre "Braquialgia39", "Lombalgia40", "Espondilose cervical", "Dor crônica" e "Benefícios do alongamento".

 

ABCMED, 2017. Torcicolo. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/ortopedia-e-saude/1285653/torcicolo.htm>. Acesso em: 6 dez. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Torcicolo: Distúrbio freqüente produzido por uma luxação nas vértebras da coluna cervical, ou a espasmos dos músculos do pescoço que produzem rigidez e rotação lateral do mesmo.
2 Pescoço:
3 Cabeça:
4 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
5 Esternocleidomastoideo: Músculo da face lateral do pescoço, situado na região anterolateral. É o principal flexor do pescoço e inervado pelo nervo espinal. Este músculo permite a rotação da cabeça para o lado contrário, a inclinação lateral e uma leve extensão da cabeça.
6 Fibrose: 1. Aumento das fibras de um tecido. 2. Formação ou desenvolvimento de tecido conjuntivo em determinado órgão ou tecido como parte de um processo de cicatrização ou de degenerescência fibroide.
7 Congênitas: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
8 Coluna vertebral:
9 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
10 Base do Crânio: Região inferior do crânio consistindo de uma superfície interna (cerebral) e uma superfície externa (basal).
11 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
12 Faringe: Canal músculo-membranoso comum aos sistemas digestivo e respiratório. Comunica-se com a boca e com as fossas nasais. É dividida em três partes: faringe superior (nasofaringe ou rinofaringe), faringe bucal (orofaringe) e faringe inferior (hipofaringe, laringofaringe ou faringe esofagiana), sendo um órgão indispensável para a circulação do ar e dos alimentos.
13 Músculos do Pescoço: Os músculos do pescoço consistem do platisma, esplênio da cabeça, esternocleidomastóideo, longo do pescoço (longo cervical), escaleno anterior, médio e posterior, digástrico, estilo-hióideo, milo-hióideo, gênio-hióideo, esterno-hióideo, omo-hióideo, esternotireóideo e tireo-hióideo.
14 Fibrodisplasia ossificans progressiva: Doença genética rara que causa a formação de ossos no interior dos músculos, tendões, ligamentos e outros tecidos conectivos; restringindo progressivamente os movimentos. Na fibrodisplasia ossificans progressiva (FOP), o corpo não somente produz muitos ossos, mas todo um esqueleto “extra“ é formado, envolvendo o corpo.
15 Malformação: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
16 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
17 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
18 Esterno: Osso longo e achatado, situado na parte vertebral do tórax dos vertebrados (com exceção dos peixes), e que no homem se articula com as primeiras sete costelas e com a clavícula. Ele é composto de três partes: corpo, manúbrio e apêndice xifoide. Nos artrópodes, é uma placa quitinosa ventral do tórax.
19 Artéria: Vaso sangüíneo de grande calibre que leva sangue oxigenado do coração a todas as partes do corpo.
20 Nervo Acessório: XI nervo craniano. O nervo acessório se origina de neurônios da medula oblonga e medula espinhal cervical. Apresenta uma raiz craniana, a qual une-se ao nervo vago (X craniano) e envia fibras motoras para os músculos da laringe, e uma raiz espinhal, que envia fibras motoras para os músculos trapézio e esternocleidomastóide. Dano à este nervo produz perda de força nos movimentos de rotação da cabeça e elevação do ombro. Sinônimos: XI Nervo Craniano; XI Par Craniano; Nervo Craniano XI; Décimo Primeiro Nervo Craniano; Nervo Acessório Espinal; Nervo Acessório Espinhal
21 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
22 Coluna cervical: A coluna cervical localiza-se no pescoço entre a parte inferior do crânio e a superior do tronco no nível dos ombros. Ela é composta por sete vértebras cervicais unidas por ligamentos, músculos e por elementos que preenchem o espaço entre elas, os discos intervertebrais. No interior da coluna cervical está o canal vertebral por onde passa a medula espinhal, que comanda todos os nossos movimentos e sensações. Nesta região, a medula emite oito raízes nervosas que se ramificam para a cabeça, pescoço, membros superiores, ombros e parte anterossuperior do tórax.
23 Congênito: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
24 Traumatismo: Lesão produzida pela ação de um agente vulnerante físico, químico ou biológico e etc. sobre uma ou várias partes do organismo.
25 Feto: Filhote por nascer de um mamífero vivíparo no período pós-embrionário, depois que as principais estruturas foram delineadas. Em humanos, do filhote por nascer vai do final da oitava semana após a CONCEPÇÃO até o NASCIMENTO, diferente do EMBRIÃO DE MAMÍFERO prematuro.
26 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
27 Vértebras Cervicais:
28 Reumatismo: Termo que é utilizado em geral para se referir ao conjunto de doenças inflamatórias e degenerativas que afetam as articulações e estruturas vizinhas.
29 Glândulas: Grupo de células que secreta substâncias. As glândulas endócrinas secretam hormônios e as glândulas exócrinas secretam saliva, enzimas e água.
30 Abscesso: Acumulação de pus em uma cavidade formada acidentalmente nos tecidos orgânicos, ou mesmo em órgão cavitário, em consequência de inflamação seguida de infecção.
31 Trapézio: Osso do carpo, adjacente ao TRAPÉZIO.
32 Intermitente: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
33 Distonia: Contração muscular involuntária causando distúrbios funcionais, dolorosos e estéticos.
34 Idiopática: 1. Relativo a idiopatia; que se forma ou se manifesta espontaneamente ou a partir de causas obscuras ou desconhecidas; não associado a outra doença. 2. Peculiar a um indivíduo.
35 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
36 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
37 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
38 Fisioterapia: Especialidade paramédica que emprega agentes físicos (água doce ou salgada, sol, calor, eletricidade, etc.), massagens e exercícios no tratamento de doenças.
39 Braquialgia: Nevralgia dos nervos do braço. Nevralgias são sintomas dolorosos associados a lesões de nervos periféricos.
40 Lombalgia: Dor produzida na região posterior inferior do tórax. As pessoas com lombalgia podem apresentar contraturas musculares, distensões dos ligamentos da coluna, hérnias de disco, etc. É um distúrbio benigno que pode desaparecer com uso de antiinflamatórios e repouso.
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