Gostou do artigo? Compartilhe!

Hiperesplenismo: o que você precisa saber sobre ele?

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é hiperesplenismo?

Entre as funções do baço1 está a de destruir as células sanguíneas2 deformadas ou envelhecidas. No hiperesplenismo, o baço1 está aumentado de tamanho e tem aumentada também sua capacidade de reter, armazenar e destruir células sanguíneas2, levando, por consequência, à redução no número delas (eritrócitos3, leucócitos4 e plaquetas5) na circulação6. Ele é, pois, neste caso, um baço1 demasiado ativo que “sequestra” e destrói as células7 em ritmo acelerado. Geralmente, a redução das plaquetas5 é mais acentuada do que das demais células7.

Quais são as causas do hiperesplenismo?

O exagero da função do baço1 de destruir células sanguíneas2 deve-se a um aumento de volume do órgão, que pode ocorrer em algumas condições mórbidas como cirroses, linfomas, malária, tuberculose8 e em diversas enfermidades inflamatórias e do tecido conectivo9. O baço1 é um órgão “esponjoso” e, devido a essa característica, o aumento de pressão da veia esplênica10 faz com que ele “inche”. Assim ocorre também com o aumento da resistência à passagem do sangue11 através do fígado12, aumentando a pressão dentro do sistema da veia porta13, a qual repercute no baço1. É por esta razão que doenças do fígado12 também podem levar a um crescimento do baço1.

Existe um hiperesplenismo primário, causado por um distúrbio dentro do próprio baço1, cuja causa é desconhecida (hiperesplenismo idiopático14).

Quais são os principais sinais15 e sintomas16 do hiperesplenismo?

Um dos sinais15 mais chamativos do hiperesplenismo é o crescimento do baço1. Em geral, esse aumento não causa muitos sintomas16 e nenhum deles revela a causa específica desse fato. Além disso, pode haver palidez, petéquias17, hematomas18, infecções19 e hemorragias20 como consequência da baixa das células sanguíneas2. Nos casos mais severos, ocorre aumento do volume abdominal ou dor em hipocôndrio21 esquerdo, acompanhada ou não de febre22. Juntamente com os sintomas16 próprios do hiperesplenismo têm-se também os sintomas16 da doença causal.

Como o médico diagnostica o hiperesplenismo?

O aumento de volume do baço1 normalmente pode ser diagnosticado através da palpação23 ou percussão24 do abdome25, ou através da ultrassonografia26. Além da esplenomegalia27, o médico constatará, no exame de sangue11, níveis baixos das células sanguíneas2. Outros testes como função hepática28, tomografia computadorizada29 e ressonância magnética30 podem ser usados para confirmar um aumento do baço1 ou as causas desse aumento. O aspirado de medula óssea31 pode ajudar a identificar muitas das causas de hiperesplenismo, tais como a leucemia32, o linfoma33 e as metástases34 de tumores.

Como o médico trata o hiperesplenismo?

Em geral, o hiperesplenismo é resultante de outras doenças, que devem ser tratadas em primeiro lugar. A remoção cirúrgica do baço1 nem sempre é necessária e nas raras oportunidades em que é feita causa uma suscetibilidade maior a infecções19 graves. No entanto, isso pode ser necessário em casos em que o baço1 destrói os eritrócitos3, leucócitos4 e plaquetas5 em grandes quantidades, gerando um quadro chamado pancitopenia35, a ponto de causar anemia36, infecções19 e hemorragias20 intensas ou quando ele torna-se tão volumoso que sangra ou comprime outros órgãos. Como uma alternativa à cirurgia, a radioterapia37 pode ser utilizada em alguns casos para reduzir o tamanho do baço1.

Como evolui o hiperesplenismo?

A evolução do hiperesplenismo depende do melhor ou pior prognóstico38 da sua causa. Para aqueles indivíduos que recebem tratamento para a doença subjacente o resultado do tratamento geralmente é favorável.

Se o baço1 dilatado não for tratado prontamente, ele pode destruir componentes do sangue11, causando anemia36, leucopenia39 e trombocitopenia40 sérias.

Quando for feita a remoção do baço1, o indivíduo se torna mais vulnerável a infecções19 bacterianas graves e a ataques de malária.

Quais são as complicações possíveis do hiperesplenismo?

As complicações mais temidas do hiperesplenismo são as anemias graves, as infecções19 e as hemorragias20.

O baço1 aumentado de tamanho pode sofrer ruptura, produzir uma hemorragia41 incontrolável e levar à morte.

ABCMED, 2014. Hiperesplenismo: o que você precisa saber sobre ele?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/538119/hiperesplenismo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-ele.htm>. Acesso em: 23 out. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Baço:
2 Células Sanguíneas: Células encontradas no líquido corpóreo circulando por toda parte do SISTEMA CARDIOVASCULAR.
3 Eritrócitos: Células vermelhas do sangue. Os eritrócitos maduros são anucleados, têm forma de disco bicôncavo e contêm HEMOGLOBINA, cuja função é transportar OXIGÊNIO. Sinônimos: Corpúsculos Sanguíneos Vermelhos; Corpúsculos Vermelhos Sanguíneos; Corpúsculos Vermelhos do Sangue; Glóbulos Vermelhos; Hemácias
4 Leucócitos: Células sangüíneas brancas. Compreendem tanto os leucócitos granulócitos (BASÓFILOS, EOSINÓFILOS e NEUTRÓFILOS) como os não granulócitos (LINFÓCITOS e MONÓCITOS). Sinônimos: Células Brancas do Sangue; Corpúsculos Sanguíneos Brancos; Corpúsculos Brancos Sanguíneos; Corpúsculos Brancos do Sangue; Células Sanguíneas Brancas
5 Plaquetas: Elemento do sangue (não é uma célula porque não apresenta núcleo) produzido na medula óssea, cuja principal função é participar da coagulação do sangue através da formação de conglomerados que tamponam o escape do sangue por uma lesão em um vaso sangüíneo.
6 Circulação: 1. Ato ou efeito de circular. 2. Facilidade de se mover usando as vias de comunicação; giro, curso, trânsito. 3. Movimento do sangue, fluxo de sangue através dos vasos sanguíneos do corpo e do coração.
7 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
8 Tuberculose: Doença infecciosa crônica produzida pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis). Produz doença pulmonar, podendo disseminar-se para qualquer outro órgão. Os sintomas de tuberculose pulmonar consistem em febre, tosse, expectoração, hemoptise, acompanhada de perda de peso e queda do estado geral. Em países em desenvolvimento (como o Brasil) aconselha-se a vacinação com uma cepa atenuada desta bactéria (vacina BCG).
9 Tecido conectivo: Tecido que sustenta e conecta outros tecidos. Consiste de CÉLULAS DO TECIDO CONJUNTIVO inseridas em uma grande quantidade de MATRIZ EXTRACELULAR.
10 Veia Esplênica: Veia formada pela união (no nível do hilo do baço) de várias veias pequenas provenientes do estômago, pâncreas, baço e mesentério.
11 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
12 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
13 Veia porta: Veia curta e calibrosa formada pela união das veias mesentérica superior e esplênica.
14 Idiopático: 1. Relativo a idiopatia; que se forma ou se manifesta espontaneamente ou a partir de causas obscuras ou desconhecidas; não associado a outra doença. 2. Peculiar a um indivíduo.
15 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
16 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
17 Petéquias: Pequenas lesões da pele ou das mucosas, de cor vermelha ou azulada, características da púrpura. São lesões hemorrágicas, que não desaparecem à pressão, cujo tamanho não ultrapassa alguns milímetros.
18 Hematomas: Acúmulo de sangue em um órgão ou tecido após uma hemorragia.
19 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
20 Hemorragias: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
21 Hipocôndrio: Cada uma das duas partes laterais e superiores do abdome, separadas pelo epigástrio.
22 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
23 Palpação: Ato ou efeito de palpar. Toque, sensação ou percepção pelo tato. Em medicina, é o exame feito com os dedos ou com a mão inteira para explorar clinicamente os órgãos e determinar certas características, como temperatura, resistência, tamanho etc.
24 Percussão: 1. Choque produzido pelo encontro de dois corpos; golpe, pancada. 2. Choque que produz o cão da arma quando o gatilho é acionado. 3. Em medicina, no exame físico, consiste em provocar certos sons em uma área do corpo por meio de pequenos golpes com instrumento próprio ou com os dedos. A sua finalidade é a de reconhecer o estado de partes subjacentes à área examinada. 4. Na música, é a arte ou técnica de bater em ou fazer vibrar instrumentos musicais que produzem sons quando percutidos.
25 Abdome: Região do corpo que se localiza entre o TÓRAX e a PELVE.
26 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
27 Esplenomegalia: Aumento tamanho do baço acima dos limites normais
28 Hepática: Relativa a ou que forma, constitui ou faz parte do fígado.
29 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
30 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
31 Medula Óssea: Tecido mole que preenche as cavidades dos ossos. A medula óssea apresenta-se de dois tipos, amarela e vermelha. A medula amarela é encontrada em cavidades grandes de ossos grandes e consiste em sua grande maioria de células adiposas e umas poucas células sangüíneas primitivas. A medula vermelha é um tecido hematopoiético e é o sítio de produção de eritrócitos e leucócitos granulares. A medula óssea é constituída de um rede, em forma de treliça, de tecido conjuntivo, contendo fibras ramificadas e preenchida por células medulares.
32 Leucemia: Doença maligna caracterizada pela proliferação anormal de elementos celulares que originam os glóbulos brancos (leucócitos). Como resultado, produz-se a substituição do tecido normal por células cancerosas, com conseqüente diminuição da capacidade imunológica, anemia, distúrbios da função plaquetária, etc.
33 Linfoma: Doença maligna que se caracteriza pela proliferação descontrolada de linfócitos ou seus precursores. A pessoa com linfoma pode apresentar um aumento de tamanho dos gânglios linfáticos, do baço, do fígado e desenvolver febre, perda de peso e debilidade geral.
34 Metástases: Formação de tecido tumoral, localizada em um lugar distante do sítio de origem. Por exemplo, pode se formar uma metástase no cérebro originário de um câncer no pulmão. Sua gravidade depende da localização e da resposta ao tratamento instaurado.
35 Pancitopenia: É a diminuição global de elementos celulares do sangue (glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas).
36 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
37 Radioterapia: Método que utiliza diversos tipos de radiação ionizante para tratamento de doenças oncológicas.
38 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença. Em medicina, predição do curso ou do resultado provável de uma doença; prognose. 2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto. 3. Relativo a prognose. 4. Que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo. 5. Que pode indicar acontecimentos futuros (diz-se de sinal, sintoma, indício, etc.). 6. No uso pejorativo, pernóstico, doutoral, professoral; prognóstico.
39 Leucopenia: Redução no número de leucócitos no sangue. Os leucócitos são responsáveis pelas defesas do organismo, são os glóbulos brancos. Quando a quantidade de leucócitos no sangue é inferior a 6000 leucócitos por milímetro cúbico, diz-se que o indivíduo apresenta leucopenia.
40 Trombocitopenia: É a redução do número de plaquetas no sangue. Contrário de trombocitose. Quando a quantidade de plaquetas no sangue é inferior a 150.000/mm³, diz-se que o indivíduo apresenta trombocitopenia (ou plaquetopenia). As pessoas com trombocitopenia apresentam tendência de sofrer hemorragias.
41 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Hematologia E Hemoterapia?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.