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Hemorragia grave

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O que é hemorragia1 grave?

Embora não haja uma definição universalmente aceita do que seja uma hemorragia1 maciça (grave), pode-se usar o seguinte para identificar a condição:

(1) perda de sangue2 excedendo o volume de sangue2 circulante dentro de um período de 24 horas;

(2) perda sanguínea de 50% do volume de sangue2 circulante dentro de um período de 3 horas;

(3) perda superior a 150 ml/min;

(4) perda de sangue2 que necessite de transfusão3 de plasma4 e plaquetas5.

O sangramento grave é uma das principais causas de mortalidade6 em vítimas de trauma. Mais de 35% dos pacientes com sangramento grave morrem antes de chegar ao hospital.

Quais são as causas da hemorragia1 grave?

A maioria das hemorragias7 graves deve-se à laceração ou ruptura de vasos sanguíneos8 de médio ou grande calibre, com extravasamento de sangue2 para o interior do próprio organismo ou para fora dele, e possui diversas causas. Isso geralmente é consequência de acidentes, lesões9 industriais, acidentes domésticos, ferimentos por armas brancas ou armas de fogo e rompimento de aneurismas.

Saiba mais sobre "Hemorragias7" e "Aneurismas".

Qual é o mecanismo fisiológico10 da hemorragia1 grave?

A perda de sangue2 e, consequentemente, a diminuição do volume de sangue2, leva à queda da pressão arterial11. A diminuição do retorno venoso12 (quantidade de sangue2 que chega ao coração13) diminui o débito cardíaco14 (quantidade de sangue2 que o coração13 envia para a periferia). Isso faz abaixar a pressão arterial11 e os barorreceptores15, situados no seio carotídeo16 e no pescoço17, tentam retornar a pressão para os valores normais.

Aumenta também a frequência cardíaca (número de vezes que o coração13 bate por minuto) e a contratilidade (força com que o coração13 bate). Ocorre ainda uma vasoconstrição18 generalizada das artérias19 e veias20, mecanismo que também tenta aumentar a pressão. Só são poupados dessa vasoconstrição18 os órgãos vitais, como cérebro21, coração13 e rins22.

Mais tarde, após o início da hemorragia1, outras respostas também atuam, com a finalidade de aumentar a produção de aldosterona, que irá contribuir na tentativa de aumentar a pressão arterial11.

O óbito23 hemorrágico24 depende do volume de sangue2 perdido e da forma como a pessoa reage à perda. Sem oxigenação adequada no cérebro21, coração13 e rins22, ainda que por um período de tempo não muito longo, o indivíduo sofre choque25, falência múltipla de órgãos e morte.

Quais são as principais características clínicas da hemorragia1 grave?

A gravidade de uma hemorragia1 depende de qual região corporal ela afeta. Assim, o rompimento de uma artéria26 no interior o cérebro21 ou de uma úlcera gástrica27 é sempre uma ocorrência grave, mesmo que a artéria26 rompida seja de menor calibre.

Como o médico diagnostica a hemorragia1 grave?

Nas hemorragias7 externas, o sangue2 é diretamente visível. Nas hemorragias7 internas, o diagnóstico28 deve ser feito pelos sintomas29. Nas hemorragias7 externas pode observar-se o sangue2 jorrando muito rapidamente e em grande quantidade de um ferimento, roupa encharcada com sangue2 ou uma grande poça de sangue2 se espalhando no chão.

Leia sobre "Choque25 hemorrágico24" e "Úlcera péptica30".

Como tratar a hemorragia1 grave?

A primeira providência em casos de hemorragia1 grave é tentar estancar o sangramento. Isso muitas vezes é feito por pessoas leigas antes da chegada da assistência especializada. Se o sangramento de alguém não for controlado rapidamente, a pessoa poderá perder muito sangue2, deixar de responder ou desenvolver um choque hipovolêmico31. Portanto, os primeiros socorros são muito importantes:

  1. Remova qualquer roupa ou detritos na ferida que esteja sangrando. Não remova objetos grandes ou profundamente incorporados, porque isso pode aumentar o sangramento. Não sondar a ferida ou tentar limpá-la. O primeiro trabalho deve ser o de parar o sangramento. Use luvas de proteção descartáveis, se disponíveis.
  2. Coloque um curativo estéril ou pano limpo sobre a ferida. Pressione a bandagem firmemente com a palma da mão32 para controlar o sangramento. Aplique pressão constante até que o sangramento pare. Não coloque pressão direta sobre ferimentos nos olhos33 ou objetos embutidos.
  3. Prenda a bandagem com fita adesiva ou continue a manter a pressão com as mãos34. Se possível, levante um membro ferido acima do nível do coração13.
  4. Ajude a pessoa ferida a deitar-se. Se possível, coloque a pessoa em um tapete ou cobertor para evitar a perda de calor do corpo para o chão desnudo. Procure acalmar a pessoa ferida.
  5. Não remova a gaze ou bandagem se ela estiver suja ou embebida de sangue2. Nesse caso, adicione outra atadura por cima e continue pressionando firmemente a área.
  6. Um torniquete pode ser eficaz no controle de sangramento com risco de morte. Um torniquete, no entanto, só pode ser usado nos braços ou nas pernas. Não se esqueça de dizer à equipe de emergência35, quando ela chegar, por quanto tempo o torniquete está aplicado.
  7. Imobilize o máximo possível a parte do corpo lesada. Procure assistência especializada o mais rápido possível.

Na fase de assistência médica, o volume sanguíneo deve ser rapidamente reposto através de transfusões de sangue2. Ao mesmo tempo devem ser feitas tentativas de interromper a perda sanguínea, incluindo cirurgias visando a hemostasia36. O sucesso do tratamento das hemorragias7 muito volumosas depende da rapidez com que sejam estancadas. Mesmo assim, frequentemente elas são letais.

Saiba mais sobre "Choque hipovolêmico31", "Transfusão3 de sangue2", "Doação de sangue2" e "Hemostasia36".

Como evolui a hemorragia1 grave?

Se o sangramento não for rapidamente contido, o paciente pode entrar em choque25 por causa da perda de sangue2 e assim levar à morte.

Quais são as complicações possíveis da hemorragia1 grave?

Com todas as feridas abertas, existe o risco de infecção37. Por isso, lave as mãos34 e use luvas para ajudar a evitar qualquer infecção37.

Veja também sobre "Hemorragia1 pós-parto", "Hemorragia digestiva alta38" e "Sequestro esplênico39".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte dos sites da Cleveland Clinic e da Mayo Clinic.

ABCMED, 2018. Hemorragia grave. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1324873/hemorragia+grave.htm>. Acesso em: 6 jun. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
2 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
3 Transfusão: Introdução na corrente sangüínea de sangue ou algum de seus componentes. Podem ser transfundidos separadamente glóbulos vermelhos, plaquetas, plasma, fatores de coagulação, etc.
4 Plasma: Parte que resta do SANGUE, depois que as CÉLULAS SANGÜÍNEAS são removidas por CENTRIFUGAÇÃO (sem COAGULAÇÃO SANGÜÍNEA prévia).
5 Plaquetas: Elemento do sangue (não é uma célula porque não apresenta núcleo) produzido na medula óssea, cuja principal função é participar da coagulação do sangue através da formação de conglomerados que tamponam o escape do sangue por uma lesão em um vaso sangüíneo.
6 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
7 Hemorragias: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
8 Vasos Sanguíneos: Qualquer vaso tubular que transporta o sangue (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias).
9 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
10 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
11 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
12 Retorno venoso: Quantidade de sangue que chega ao coração por minuto. Somos capazes de manter o débito cardíaco se, proporcionalmente, tivermos retorno venoso adequado. Ele só é possível devido à contração dos músculos esqueléticos que ajudam a comprimir as veias impulsionando o sangue e devido às válvulas existentes nas paredes das veias que impedem o refluxo do sangue. Outro mecanismo que favorece o retorno venoso é a respiração. Durante a inspiração, pela contração da musculatura inspiratória, faz-se um “vácuo” dentro da cavidade torácica, favorecendo o retorno venoso.
13 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
14 Débito cardíaco: Quantidade de sangue bombeada pelo coração para a aorta a cada minuto.
15 Barorreceptores: São mecanorreceptores relacionados à regulação da pressão arterial momento a momento. Eles estão localizados principalmente no seio carotídeo e no arco da aorta, detectando variações bruscas da pressão arterial e transmitindo esta informação ao sistema nervoso central. Isso gera respostas do sistema nervoso autônomo, modulando o funcionamento da circulação sanguínea no organismo.
16 Seio carotídeo: Porção dilatada da artéria carótida primitiva no nível da ramificação em artérias carótidas interna e externa. Esta região contém barorreceptores, que quendo estimulados, causam diminuição dos batimentos cardíacos, vasodilatação e diminuição da pressão sangüínea. Pressorreceptores;
17 Pescoço:
18 Vasoconstrição: Diminuição do diâmetro dos vasos sanguíneos.
19 Artérias: Os vasos que transportam sangue para fora do coração.
20 Veias: Vasos sangüíneos que levam o sangue ao coração.
21 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
22 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
23 Óbito: Morte de pessoa; passamento, falecimento.
24 Hemorrágico: Relativo à hemorragia, ou seja, ao escoamento de sangue para fora dos vasos sanguíneos.
25 Choque: 1. Estado de insuficiência circulatória a nível celular, produzido por hemorragias graves, sepse, reações alérgicas graves, etc. Pode ocasionar lesão celular irreversível se a hipóxia persistir por tempo suficiente. 2. Encontro violento, com impacto ou abalo brusco, entre dois corpos. Colisão ou concussão. 3. Perturbação brusca no equilíbrio mental ou emocional. Abalo psíquico devido a uma causa externa.
26 Artéria: Vaso sangüíneo de grande calibre que leva sangue oxigenado do coração a todas as partes do corpo.
27 Úlcera gástrica: Lesão na mucosa do estômago. Pode ser provocada por excesso de ácido clorídrico produzido pelo próprio estômago ou por medicamentos como antiinflamatórios ou aspirina. É uma doença infecciosa, causada pela bactéria Helicobacter pylori em quase 100 % dos casos.
28 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
29 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
30 Úlcera péptica: Lesão na mucosa do esôfago, estômago ou duodeno. Também chamada de úlcera gástrica ou duodenal. Pode ser provocada por excesso de ácido clorídrico produzido pelo próprio estômago ou por medicamentos como antiinflamatórios ou aspirina. É uma doença infecciosa, causada pela bactéria Helicobacter pylori em quase 100% dos casos. Os principais sintomas são: dor, má digestão, enjôo, queimação (azia), sensação de estômago vazio.
31 Choque hipovolêmico: Choque é um distúrbio caracterizado pelo insuficiente suprimento de sangue para os tecidos e células do corpo. O choque hipovolêmico tem como causa principal a perda de sangue, plasma ou líquidos extracelulares. É o tipo mais comum de choque e deve-se a uma redução absoluta e geralmente súbita do volume sanguíneo circulante em relação à capacidade do sistema vascular.
32 Mão: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
33 Olhos:
34 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
35 Emergência: 1. Ato ou efeito de emergir. 2. Situação grave, perigosa, momento crítico ou fortuito. 3. Setor de uma instituição hospitalar onde são atendidos pacientes que requerem tratamento imediato; pronto-socorro. 4. Eclosão. 5. Qualquer excrescência especializada ou parcial em um ramo ou outro órgão, formada por tecido epidérmico (ou da camada cortical) e um ou mais estratos de tecido subepidérmico, e que pode originar nectários, acúleos, etc. ou não se desenvolver em um órgão definido.
36 Hemostasia: Ação ou efeito de estancar uma hemorragia; mesmo que hemóstase.
37 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
38 Hemorragia digestiva alta: É um termo que se refere a qualquer sangramento proveniente do gastrointestinal superior. O limite anatômico para o sangramento gastrointestinal superior é o ligamento de Treitz, que liga a quarta porção do duodeno ao diafragma, perto da flexura esplênica do cólon.
39 Esplênico: Relativo ao baço.
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