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Principais arboviroses presentes no Brasil

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O que são arboviroses?

“Arboviroses” é um termo genérico usado para descrever um grupo de doenças causadas por arbovírus. No Brasil, existem mais de 200 espécies de arbovírus, sendo que cerca de 36 delas são capazes de causar doenças em seres humanos.

São doenças com grande importância epidemiológica pelo elevado potencial de disseminação em áreas urbanas, sendo transmitidas através da picada de mosquitos infectados.

Quais são as causas das arboviroses?

As arboviroses são transmitidas às pessoas pela picada de artrópodes infectados (insetos e aracnídeos), como mosquitos, aranhas e carrapatos, por exemplo. As principais arboviroses existentes no Brasil, a Dengue1, a Zika, a Chikungunya e a Febre amarela2, são todas transmitidas por um mesmo vetor, a fêmea do mosquito Aedes aegypti.

Essas infecções3 geralmente são sazonais e ocorrem durante os meses de clima quente, quando mosquitos e carrapatos têm maior facilidade para se multiplicar. Algumas condições favorecem a propagação dos arbovírus:

  • elevadas temperaturas e índices de chuva;
  • alta infestação4 de vetores e hospedeiros primários;
  • presença de indivíduos suscetíveis;
  • e, eventualmente, novas linhagens do vírus5, podendo a doença se dispersar para áreas não endêmicas.
Leia sobre "Como combater a dengue1", "Febre6 Mayaro" e "Febre6 Chikungunya".

Quais são as características físicas e comportamentais do mosquito Aedes aegypti?

O mosquito Aedes aegypti é de menor tamanho que os mosquitos comuns. É de cor preta, com listras brancas no tronco, na cabeça7 e nas pernas. As asas são translúcidas e ele produz pouco ruído ao voar, sendo praticamente inaudível ao ser humano.

Para depositar seus ovos, a fêmea do mosquito procura recipientes contendo água limpa e parada, como garrafas, latas, calhas, pneus, pratos de plantas, caixas d’água mal fechadas e qualquer outro objeto que armazene água naquelas condições. Além desses recipientes, a fêmea do Aedes também pode botar ovos em plantas, como bromélias e bambus e, ainda, em buracos em árvores.

O Aedes aegypti é principalmente um mosquito urbano, mais comum em regiões com clima tropical e subtropical, embora já tenha sido encontrado também em áreas rurais.

O mosquito macho alimenta-se exclusivamente de frutas, mas a fêmea necessita de sangue8 para o amadurecimento dos seus ovos e prefere o sangue8 humano ao de qualquer outro animal vertebrado. Os ovos não são postos diretamente na água, e sim depositados nas paredes internas dos recipientes, milímetros acima da superfície da água. Quando chove, o nível da água sobe e entra em contato com os ovos que eclodem em pouco menos de 30 minutos.

Se forem postos por uma fêmea contaminada pelo vírus5 da dengue1, ao completarem seu ciclo evolutivo (de 7 a 9 dias), transmitirão a doença. Em média, cada mosquito vive em torno de 30 dias e durante sua vida a fêmea chega a colocar entre 150 e 200 ovos. Uma vez que tenha sido infectada, a fêmea transmitirá o vírus5 por toda a vida, havendo a possibilidade de que seus descendentes já nasçam portando o vírus5.

Ao picarem um ser humano, transmitem o vírus5 a ele. Sua saliva possui uma substância anestésica, que torna a picada quase indolor e imperceptível. Normalmente, atacam de manhãzinha ou ao entardecer.

As principais arboviroses presentes no Brasil

  • Dengue1: a dengue1 é uma doença febril aguda, da qual a maior parte dos pacientes se recupera após uma evolução clínica leve, embora haja casos de evolução grave. A principal forma de transmissão da dengue1 é por meio da picada do Aedes aegypti, mas há também registros de transmissão vertical, da gestante para o bebê e por transfusão9 sanguínea.
  • Zika: a Zika é uma doença detectada recentemente no Brasil (2014) e por isso não se sabe muito sobre a doença. Também é transmitida pelo Aedes aegypti, por transmissão vertical (gestante-bebê) e por transfusão9 sanguínea, e vem causando um grande impacto na saúde10 pública brasileira. Também é uma doença viral aguda que em geral tem evolução benigna e os sintomas11 normalmente desaparecem de forma espontânea depois de 3 a 7 dias.
  • Chikungunya: igualmente recente no Brasil, a Chikungunya apareceu por aqui em 2014. Trata-se de uma arbovirose produzida pelo vírus5 chikungunya, também transmitida por mosquitos do gênero Aedes. É uma doença febril, que pode ser aguda, subaguda12 ou crônica.
  • Febre amarela2: a Febre amarela2 ocorre por aqui desde o século XVII. Sua transmissão é mais frequente em áreas rurais ou florestais por meio da picada dos mosquitos Haemagogus e Sabethesp. Seu agente etiológico13 possui dois ciclos epidemiológicos de transmissão, um silvestre e outro urbano. Trata-se de doença grave, mas que pode ser evitada por meio da vacina14.
Veja sobre "Dengue1, Zika, Chikungunya e Mayaro - diferenciando os sintomas11".

Como o médico diagnostica as arboviroses?

O diagnóstico15 implica em definir se trata-se de uma arbovirose e de qual delas. O diagnóstico15 inicial provisório é feito clinicamente pelo especialista em doenças infecciosas (infectologista), por meio dos sinais16 e sintomas11 e do exame físico, sendo complementado por exames genéticos, capazes de identificar parcelas de material genético do arbovírus específico no sangue8. Devem ser levados em conta locais e datas de possíveis viagens que o paciente tenha feito, atividades que exerce e histórico epidemiológico do local onde ocorreu a infecção17.

Como o médico trata as arboviroses?

Não há tratamentos específicos contra os vírus5 das arboviroses. Por isso, as medicações indicadas pelo médico apenas visam aliviar os sintomas11. Felizmente, o tempo de permanência do vírus5 no organismo do paciente é relativamente curto.

Os pacientes que estejam com suspeita de terem Dengue1, Zika vírus5 ou Febre6 Chikungunya devem evitar os medicamentos que tenham efeitos anticoagulantes18 como, por exemplo, o ácido acetilsalicílico (aspirina, AAS), que podem causar sangramentos. Pelo mesmo motivo, também devem ser evitados os anti-inflamatórios não hormonais (diclofenaco, ibuprofeno e piroxicam). Os antibióticos não têm nenhuma efetividade contra as doenças virais.

Como prevenir as arboviroses?

A melhor forma de prevenção de arboviroses é evitar o contato com o mosquito transmissor. Há duas formas mais eficazes de fazer isso: impedir sua picada e impedir sua reprodução19.

Com vistas à primeira forma, a pessoa pode:

  • dormir sob mosquiteiros;
  • aplicar repelentes de insetos;
  • reduzir o tempo ao ar livre, principalmente no início da noite;
  • usar calças compridas e camisas de manga comprida;
  • e, quando possível, evitar áreas conhecidas como de altas populações de artrópodes.

Quanto à segunda forma de evitar arboviroses, devem ser adotadas medidas de controle de vetores, como:

  • drenagem20 de pântanos;
  • remoção de outras poças de água estagnada;
  • aplicação de inseticidas e larvicidas.

A febre amarela2 conta com vacina14 específica para sua prevenção.

Saiba mais sobre "Segurança da vacina14 contra a febre amarela2", "Animais que mais matam no mundo" e "Tratamento da dengue1".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site da Encyclopedia Britannica.

ABCMED, 2022. Principais arboviroses presentes no Brasil. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1416195/principais-arboviroses-presentes-no-brasil.htm>. Acesso em: 2 dez. 2022.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Dengue: Infecção viral aguda transmitida para o ser humano através da picada do mosquito Aedes aegypti, freqüente em regiões de clima quente. Caracteriza-se por apresentar febre, cefaléia, dores musculares e articulares e uma erupção cutânea característica. Existe uma variedade de dengue que é potencialmente fatal, chamada dengue hemorrágica.
2 Febre Amarela: Doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela, que ocorre na América do Sul e na África. Os sintomas são: febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina). A única forma de prevenção é a vacinação contra a doença.
3 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
4 Infestação: Infecção produzida por parasitas. Exemplos de infestações são sarna (escabiose), pediculose (piolhos), infecção por parasitas intestinais, etc.
5 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
6 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
7 Cabeça:
8 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
9 Transfusão: Introdução na corrente sangüínea de sangue ou algum de seus componentes. Podem ser transfundidos separadamente glóbulos vermelhos, plaquetas, plasma, fatores de coagulação, etc.
10 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
11 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
12 Subaguda: Levemente aguda ou que apresenta sintomas pouco intensos, mas que só se atenuam muito lentamente (diz-se de afecção ou doença).
13 Etiológico: Relativo à etiologia; que investiga a causa e origem de algo.
14 Vacina: Tratamento à base de bactérias, vírus vivos atenuados ou seus produtos celulares, que têm o objetivo de produzir uma imunização ativa no organismo para uma determinada infecção.
15 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
16 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
17 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
18 Anticoagulantes: Substâncias ou medicamentos que evitam a coagulação, especialmente do sangue.
19 Reprodução: 1. Função pela qual se perpetua a espécie dos seres vivos. 2. Ato ou efeito de reproduzir (-se). 3. Imitação de quadro, fotografia, gravura, etc.
20 Drenagem: Saída ou retirada de material líquido (sangue, pus, soro), de forma espontânea ou através de um tubo colocado no interior da cavidade afetada (dreno).
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