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Zika vírus: o novo vírus que chegou ao Brasil

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O que é zika vírus1?

O zika vírus1 foi primeiramente identificado em um macaco, em Uganda. Até 1947 ele era desconhecido e não havia casos relatados de infecção2 nos seres humanos. A primeira descrição dele em humanos ocorreu em 1954, na Nigéria. No Brasil, ele entrou em 2014, provavelmente trazido por turistas que vieram acompanhar a Copa do Mundo de Futebol. O zika vírus1 é responsável pela chamada febre3 zika, típica do verão de países de clima tropical.

Quais são as causas da febre3 ocasionada pelo zika vírus1?

No Brasil, o vírus1 encontrou no mosquito Aedes aegypti um transmissor adequado, o mesmo que transmite a dengue4, a febre amarela5 e a febre3 chikungunya. O zika vírus1 é transmitido por mosquitos da família Aedes (dos quais o Aedes aegypti é o que existe mais abundantemente no Brasil) e pode causar doença em seres humanos e macacos. O Aedes albopictus, outra espécie existente no Brasil, é também um provável vetor da febre3 zika. O Aedes aegypti infecta-se com o zika vírus1 toda vez que ele pica uma pessoa ou um macaco previamente infectado e passa assim a ser um potencial transmissor da doença.

Quais são os sintomas6 ocasionados pelo zika vírus1?

A febre3 zika, como a dengue4, é típica do verão e tende a desaparecer ou diminuir muito nos meses frios. Os sintomas6 ocasionados pelo Zika vírus1 são semelhantes aos da dengue4, embora menos graves: febre3, dor de cabeça7, dores musculares e articulares, diarreia8 e enjoos. Pode ainda haver coceira e erupção9 cutânea10, conjuntivite11 e fotofobia12. Geralmente o paciente leva de três a doze dias depois da picada do mosquito infectado para começar a apresentar manifestações clínicas, mas nem todas as pessoas picadas irão desenvolver sintomas6 da febre3 zika. Menos comumente podem ocorrer dor abdominal, prisão de ventre, aftas, tontura13 ou perda do apetite. A febre3 zika é uma infecção2 benigna, que costuma durar de dois a sete dias e não provoca complicações hemorrágicas14 como a dengue4.

Como o médico diagnostica a febre3 causada pelo zika vírus1?

O diagnóstico15 da febre3 ocasionada pelo zika vírus1 deve ser suspeitado pelos sintomas6, mas só pode ser confirmado por testes laboratoriais. Um diagnóstico15 diferencial clínico entre a febre3 ocasionada pelo zika vírus1 e a febre3 Chikungunya é muito difícil, porque os sintomas6 são praticamente os mesmos. Para tal, são necessários exames laboratoriais. Como a febre3 zika é de curta duração, o diagnóstico15 laboratorial só sai quando a doença já se desvaneceu e acaba servindo muito mais para controle epidemiológico do que para auxílio no tratamento.

Como o médico trata a febre3 ocasionada pelo zika vírus1?

Não há medicações para combater o vírus1, nem vacina16 contra a febre3 zika, mas a doença é autolimitada e se cura espontaneamente em poucos dias. O tratamento visa apenas aliviar sintomas6 e oferecer suporte aos pacientes e consta de repouso, hidratação, administração de analgésicos17, anti-inflamatórios e antitérmicos18, desde que não contenham ácido acetilsalicílico, em virtude da possibilidade da doença ser confundida com a dengue4. A febre3 zika não é contagiosa19, não sendo necessário impedir que o paciente tenha contato com outras pessoas.

Como prevenir a febre3 ocasionada pelo zika vírus1?

A melhor maneira de prevenir-se contra este vírus1 é combater os focos do mosquito Aedes aegypti, principalmente eliminando ou protegendo os recipientes de água limpa parada.

Quais são as complicações possíveis da febre3 ocasionada pelo zika vírus1?

A febre3 produzida pelo zika vírus1 não costuma provocar as complicações hemorrágicas14 comuns da dengue4.

 

ABCMED, 2015. Zika vírus: o novo vírus que chegou ao Brasil. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/758062/zika-virus-o-novo-virus-que-chegou-ao-brasil.htm>. Acesso em: 18 fev. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
2 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
3 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
4 Dengue: Infecção viral aguda transmitida para o ser humano através da picada do mosquito Aedes aegypti, freqüente em regiões de clima quente. Caracteriza-se por apresentar febre, cefaléia, dores musculares e articulares e uma erupção cutânea característica. Existe uma variedade de dengue que é potencialmente fatal, chamada dengue hemorrágica.
5 Febre Amarela: Doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela, que ocorre na América do Sul e na África. Os sintomas são: febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina). A única forma de prevenção é a vacinação contra a doença.
6 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
7 Cabeça:
8 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
9 Erupção: 1. Ato, processo ou efeito de irromper. 2. Aumento rápido do brilho de uma estrela ou de pequena região da atmosfera solar. 3. Aparecimento de lesões de natureza inflamatória ou infecciosa, geralmente múltiplas, na pele e mucosas, provocadas por vírus, bactérias, intoxicações, etc. 4. Emissão de materiais magmáticos por um vulcão (lava, cinzas etc.).
10 Cutânea: Que diz respeito à pele, à cútis.
11 Conjuntivite: Inflamação da conjuntiva ocular. Pode ser produzida por alergias, infecções virais, bacterianas, etc. Produz vermelhidão ocular, aumento da secreção e ardor.
12 Fotofobia: Dor ocular ou cefaléia produzida perante estímulos visuais. É um sintoma freqüente na meningite, hemorragia subaracnóidea, enxaqueca, etc.
13 Tontura: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
14 Hemorrágicas: Relativo à hemorragia, ou seja, ao escoamento de sangue para fora dos vasos sanguíneos.
15 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
16 Vacina: Tratamento à base de bactérias, vírus vivos atenuados ou seus produtos celulares, que têm o objetivo de produzir uma imunização ativa no organismo para uma determinada infecção.
17 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
18 Antitérmicos: Medicamentos que combatem a febre. Também pode ser chamado de febrífugo, antifebril e antipirético.
19 Contagiosa: 1. Que é transmitida por contato ou contágio. 2. Que constitui veículo para o contágio. 3. Que se transmite pela intensidade, pela influência, etc.; contagiante.
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