Gostou do artigo? Compartilhe!

Os diversos tipos de tremores

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que são tremores?

Tremores são movimentos musculares involuntários, rítmicos e persistentes, que envolvem abalos oscilatórios de uma ou mais partes do corpo. É o mais comum de todos os movimentos involuntários e pode afetar as mãos1, braços, cabeça2, face3, cordas vocais4, tronco e pernas, mas a maioria dos tremores ocorre nas mãos1.

Quais são os diversos tipos de tremores?

Os tremores podem ser normais ou patológicos, causados por alguma doença ou medicamento.

Quanto à causa, os diversos tipos podem ser descritos como:

  • Tremor fisiológico5: tremores normais que todo mundo tem em determinado grau e em determinadas circunstâncias
  • Tremor essencial: um tremor que comumente aparece sem que tenha sua causa reconhecida
  • Tremor cerebelar: causado por lesões6 na parte do cérebro7 chamada cerebelo8
  • Tremor secundário: causado por alguma doença ou medicamento

Quanto às condições em que ocorre, o tremor pode ser:

  • Tremor de repouso: que ocorre, principalmente, em repouso
  • Tremor de ação: que ocorre quando uma parte do corpo é movida voluntariamente
  • Tremor intencional: acionado por movimento em direção a um alvo determinado como, por exemplo, pegar um copo
  • Tremor cinético: que aparece ao final de um movimento em direção a um alvo
  • Tremor postural: que é acionado ao manter um membro esticado em uma certa posição

Além disso, os temores podem ser categorizados como:

  • Lento ou rápido
  • Curto ou largo
  • Intermitente9 ou constante
  • De início repentino ou gradual
Leia sobre "Tremor essencial", "Delirium tremens10" e "Doença ou Mal de Parkinson".

Qual é a causa dos diversos tipos de tremores?

As causas comuns, não patológicas e transitórias incluem frio, medo, susto, calafrio11 e falta de sono. Os tremores também podem ser associados a distúrbios nas partes do cérebro7 que controlam os músculos12 em áreas específicas do corpo, tais como as mãos1, por exemplo. Os tremores podem ser causados por hipertireoidismo13, esclerose múltipla14, acidente vascular cerebral15, traumatismo16 craniano, doença renal17 crônica e doenças neurodegenerativas, como a doença de Parkinson18, por exemplo.

Outras causas incluem o uso de drogas (anfetaminas, cafeína, corticosteroides, antidepressivos...), abuso de álcool, síndrome19 de abstinência, envenenamento por mercúrio, fenilcetonúria20, problemas da tireoide21 e insuficiência hepática22.

O tremor, quando acompanhado de palpitações23, sudorese24 e ansiedade, pode ser também uma indicação de hipoglicemia25 ou falta de vitaminas.

Qual é o substrato fisiológico5 dos diversos tipos de tremores?

Os tremores ocorrem sempre que os músculos12 sofrem contrações e relaxamentos rápidos e repetitivos.

Quais são as características clínicas dos diversos tipos de tremores?

Habitualmente, os sinais26 e sintomas27 dos tremores começam gradualmente, com mais destaque em um dos lados do corpo, afetando uma ou ambas as mãos1 e, depois, o movimento "sim-sim" ou "não-não" da cabeça2. Pioram com o movimento e são agravados por estresse emocional, fadiga28, cafeína ou temperaturas extremas.

Como o médico diagnostica os diversos tipos de tremores?

O médico primeiramente levantará o histórico médico do paciente e as características dos sintomas27 e, em seguida, fará um exame físico. Assim, ficará sabendo se o tremor começou gradual ou repentinamente, quais partes do corpo foram afetadas, o que o provoca e o que faz com que se alivie ou piore. O que o médico descobre durante a consulta e o exame físico frequentemente sugere uma causa e os exames que devem ser feitos.

Se a pessoa apresenta outros sintomas27 neurológicos que sugerem uma doença cerebral e se o tremor começou abruptamente ou progrediu rapidamente, uma ressonância magnética29 ou tomografia computadorizada30 devem ser realizadas. Para pessoas com tremores posturais, o teste também pode incluir exames de sangue31 como medição de glicose32 e testes para avaliar o bom funcionamento da tireoide21, glândulas33 paratireoides, fígado34 e rins35. A eletromiografia36 raramente é realizada, mas pode ser necessária quando se suspeita que a causa seja um dano ao nervo.

Como o médico trata os diversos tipos de tremores?

A causa específica deve ser tratada, quando possível. Para o tremor moderado, não é preciso nenhum tratamento. Se os tremores ficarem incômodos, algumas medidas simples, adotadas pelo próprio paciente, podem ajudar: segurar bem os objetos e mantê-los próximos ao corpo, evitar posições desconfortáveis, evitar outras circunstâncias que desencadeiem o tremor e usar aparelhos de auxílio, conforme instruídos por um terapeuta ocupacional37. Para facilitar certas ações, sempre que possível a pessoa deve preferir por usar fechos de velcro, puxadores de zíper, canudos, calçadeiras, entre outros objetos que simplificam ações comuns.

O tremor pode afetar de modo significativo a qualidade de vida em idosos e por isso eles devem procurar aconselhamento médico. Assim, os médicos poderão recomendar estratégias ou possíveis medicamentos para reduzir o tremor.

Veja também sobre "Acidente vascular cerebral15", "Hipertireoidismo13", "Crise tireotóxica ou tempestade tireoidiana" e "Discinesia tardia38".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic e da Cleveland Clinic.

ABCMED, 2020. Os diversos tipos de tremores. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1368643/os-diversos-tipos-de-tremores.htm>. Acesso em: 17 out. 2021.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
2 Cabeça:
3 Face: Parte anterior da cabeça que inclui a pele, os músculos e as estruturas da fronte, olhos, nariz, boca, bochechas e mandíbula.
4 Cordas Vocais: Pregas da membrana mucosa localizadas ao longo de cada parede da laringe extendendo-se desde o ângulo entre as lâminas da cartilagem tireóide até o processo vocal cartilagem aritenóide.
5 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
6 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
7 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
8 Cerebelo: Parte do encéfalo que fica atrás do TRONCO ENCEFÁLICO, na base posterior do crânio (FOSSA CRANIANA POSTERIOR). Também conhecido como “encéfalo pequeno“, com convoluções semelhantes àquelas do CÓRTEX CEREBRAL, substância branca interna e núcleos cerebelares profundos. Sua função é coordenar movimentos voluntários, manter o equilíbrio e aprender habilidades motoras.
9 Intermitente: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
10 Delirium tremens: Variedade de delírio associado ao consumo ou abstinência de álcool.
11 Calafrio: 1. Conjunto de pequenas contrações da pele e dos músculos cutâneos ao longo do corpo, muitas vezes com tremores fortes e palidez, que acompanham uma sensação de frio provocada por baixa temperatura, má condição orgânica ou ainda por medo, horror, nojo, etc. 2. Sensação de frio e tremores fortes, às vezes com bater de dentes, que precedem ou acompanham acessos de febre.
12 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
13 Hipertireoidismo: Doença caracterizada por um aumento anormal da atividade dos hormônios tireoidianos. Pode ser produzido pela administração externa de hormônios tireoidianos (hipertireoidismo iatrogênico) ou pelo aumento de uma produção destes nas glândulas tireóideas. Seus sintomas, entre outros, são taquicardia, tremores finos, perda de peso, hiperatividade, exoftalmia.
14 Esclerose múltipla: Doença degenerativa que afeta o sistema nervoso, produzida pela alteração na camada de mielina. Caracteriza-se por alterações sensitivas e de motilidade que evoluem através do tempo produzindo dano neurológico progressivo.
15 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
16 Traumatismo: Lesão produzida pela ação de um agente vulnerante físico, químico ou biológico e etc. sobre uma ou várias partes do organismo.
17 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
18 Doença de Parkinson: Doença degenerativa que afeta uma região específica do cérebro (gânglios da base), e caracteriza-se por tremores em repouso, rigidez ao realizar movimentos, falta de expressão facial e, em casos avançados, demência. Os sintomas podem ser aliviados por medicamentos adequados, mas ainda não se conhece, até o momento, uma cura definitiva.
19 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
20 Fenilcetonúria: A Fenilcetonúria é uma doença genética caracterizada pelo defeito ou ausência da enzima fenilalanina hidroxilase (PAH). Esta proteína catalisa o processo de conversão da fenilalanina em tirosina. A tirosina está envolvida na síntese da melanina. Esta doença pode ser detectada logo após o nascimento através de triagem neonatal (conhecida como Teste do Pezinho). Nesta doença, alguns alimentos podem intoxicar o cérebro e causar um quadro de retardo mental irreversível. As crianças que nascem com ela têm um problema digestivo no fígado. Há um odor corporal forte e vômitos após as refeições. Seu tratamento consiste em retirar a fenilalanina da alimentação por toda a vida.
21 Tireoide: Glândula endócrina altamente vascularizada, constituída por dois lobos (um em cada lado da TRAQUÉIA) unidos por um feixe de tecido delgado. Secreta os HORMÔNIOS TIREOIDIANOS (produzidos pelas células foliculares) e CALCITONINA (produzida pelas células para-foliculares), que regulam o metabolismo e o nível de CÁLCIO no sangue, respectivamente.
22 Insuficiência hepática: Deterioração grave da função hepática. Pode ser decorrente de hepatite viral, cirrose e hepatopatia alcoólica (lesão hepática devido ao consumo de álcool) ou medicamentosa (causada por medicamentos como, por exemplo, o acetaminofeno). Para que uma insuficiência hepática ocorra, deve haver uma lesão de grande porção do fígado.
23 Palpitações: Designa a sensação de consciência do batimento do coração, que habitualmente não se sente. As palpitações são detectadas usualmente após um exercício violento, em situações de tensão ou depois de um grande susto, quando o coração bate com mais força e/ou mais rapidez que o normal.
24 Sudorese: Suor excessivo
25 Hipoglicemia: Condição que ocorre quando há uma queda excessiva nos níveis de glicose, freqüentemente abaixo de 70 mg/dL, com aparecimento rápido de sintomas. Os sinais de hipoglicemia são: fome, fadiga, tremores, tontura, taquicardia, sudorese, palidez, pele fria e úmida, visão turva e confusão mental. Se não for tratada, pode levar ao coma. É tratada com o consumo de alimentos ricos em carboidratos como pastilhas ou sucos com glicose. Pode também ser tratada com uma injeção de glucagon caso a pessoa esteja inconsciente ou incapaz de engolir. Também chamada de reação à insulina.
26 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
27 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
28 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
29 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
30 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
31 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
32 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
33 Glândulas: Grupo de células que secreta substâncias. As glândulas endócrinas secretam hormônios e as glândulas exócrinas secretam saliva, enzimas e água.
34 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
35 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
36 Eletromiografia: Técnica voltada para o estudo da função muscular através da pesquisa do sinal elétrico que o músculo emana, abrangendo a detecção, a análise e seu uso.
37 Terapeuta ocupacional: É o profissional que trabalha com a Terapia Ocupacional. A terapia ocupacional trabalha com a reabilitação das pessoas para as atividades que elas deixaram de fazer devido a algum problema físico (derrame, amputação, tetraplegia), psiquiátrico (esquizofrenia, depressão), mental (Síndrome de Down, autismo), geriátrico (Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson) ou social (ex-presidiários, moradores de rua), objetivando melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Além disso, ela faz a organização e as adaptações do domicílio para facilitar o trânsito dessa pessoa e as medidas preventivas para impedir o aparecimento de deformidades nos braços fazendo exercícios e confeccionando órteses (aparelhos confeccionados sob medida para posicionar partes do corpo).
38 Discinesia tardia: Síndrome potencialmente irreversível, caracterizada por movimentos repetitivos, involuntários e não intencionais dos músculos da língua, boca, face, pescoço e (mais raramente) das extremidades. Ela se caracteriza por movimentos discinéticos involuntários e irreversíveis e pode se desenvolver com o uso de medicamentos tais como antipsicóticos e neurolépticos.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Neurologia?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.