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Amnésia dissociativa - quando transtornos psicológicos causam amnésia?

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O que é a amnésia1 dissociativa?

A amnésia1 é a falta de capacidade total ou parcial de lembrar-se de experiências. Se a amnésia1 for causada por transtornos psicológicos em vez de uma doença física, ela é dita amnésia1 dissociativa (anteriormente chamada de amnésia1 psicogênica2). Em casos graves a pessoa não consegue se lembrar de seu nome, família, amigos e histórico pessoal. Os períodos de duração da dissociação podem cobrir dias, meses, vários anos e mesmo ser definitiva.

A principal diferença entre as amnésias3 dissociativas e as de causas físicas é que, enquanto aquelas habitualmente são reversíveis, essas últimas em geral são progressivas, incluindo cada vez mais áreas novas.

Quais são as causas da amnésia1 dissociativa?

A amnésia1 dissociativa é provocada por um trauma psicológico de grande intensidade. Ela é mais frequente em mulheres que em homens, normalmente por terem passado ou testemunhado eventos muito traumáticos, como abusos, estupro, guerras, genocídio, acidentes, desastres naturais ou morte de um ente querido. Ela também pode surgir de preocupações com problemas financeiros graves ou um sério conflito interno, como, por exemplo, sentimento de culpa, dificuldades insolúveis ou crimes cometidos. Também parece haver um fator genético favorecedor da amnésia1 dissociativa, já que parentes próximos geralmente têm a tendência de desenvolver amnésia1.

Esse esquecimento pode ser limitado a certas áreas específicas (amnésias3 temáticas) ou pode incluir grande parte da história de vida e/ou identidade da pessoa (amnésias3 generalizadas). Em casos raros, chamados fuga dissociativa, a pessoa pode esquecer a maioria das suas informações pessoais (nome, histórico pessoal, amigos) e às vezes pode até viajar para um local diferente e adotar uma identidade completamente nova.

Leia sobre "Amnésias3", "Trauma psicológico", "Transtorno dissociativo de identidade" e "Amnésia1 global transitória".

Qual é o substrato fisiológico4 da amnésia1 dissociativa?

As lembranças perdidas são informações sobre eventos traumáticos ou estressantes e a amnésia1 funciona como um mecanismo de defesa psíquico. Algumas vezes, as pessoas recuperam as lembranças perdidas, depois de certo tempo; outras vezes, elas são perdidas para sempre. Contudo, as informações esquecidas continuam influenciando o comportamento das pessoas. Assim, por exemplo, mesmo que uma mulher se esqueça que tenha sofrido abuso sexual em um elevador, ainda assim ela evita elevadores e se recusa a entrar neles.

Quais são as principais características clínicas da amnésia1 dissociativa?

A pessoa tem falhas de memória, que podem durar de poucos minutos a décadas ou mesmo serem definitivas, o que ocorre mais raramente. A amnésia1 dissociativa é uma condição na qual uma pessoa não consegue se lembrar de informações importantes sobre sua vida. Na amnésia1 dissociativa, a pessoa tem uma perda de memória muito maior do que seria esperado no curso do esquecimento normal.

Nem sempre essa amnésia1 surge logo após um evento traumático ou estressante, e pode levar horas, dias ou mais tempo para aparecer. Logo após a perda de memória, algumas pessoas parecem confusas, outras se sentem bastante angustiadas e outras, ainda, se sentem estranhamente diferentes. A maioria das pessoas com amnésia1 dissociativa tem uma ou mais falhas de memória. As falhas duram de alguns minutos até algumas horas ou dias, mas também podem durar anos, décadas ou a vida inteira.

A maioria das pessoas não tem consciência ou tem apenas consciência parcial de que tem falhas em sua memória. Elas só percebem posteriormente, quando a lembrança reaparece ou quando são confrontadas com evidências de coisas que fizeram, mas das quais não se lembram. Algumas pessoas revivem eventos como se estivessem de fato acontecendo e desenvolvem Transtorno de Estresse Pós-Traumático posterior, especialmente quando tomam consciência dos eventos que desencadearam a amnésia1.

A forma generalizada, bastante rara, é mais comum entre veteranos de guerra que viveram situações traumáticas, mulheres que foram violentadas sexualmente e pessoas que passaram por grandes estresses ou conflitos extremos. Em casos raros, a pessoa pode sofrer fugas dissociativas, saindo de casa e viajando por algum tempo e durante esse tempo, não se lembra de sua vida pregressa, incluindo a própria identidade.

Veja sobre "Agressão sexual", "Abuso sexual de crianças" e "Estupro".

Como o médico diagnostica a amnésia1 dissociativa?

Fundamentalmente, o diagnóstico5 da amnésia1 dissociativa é feito com base nos sintomas6 e nos relatos dos pacientes e/ou seus familiares. Embora não haja exames laboratoriais para diagnosticar distúrbios dissociativos, o médico pode solicitar exames complementares para descartar outras causas possíveis que não as psicológicas. Esses exames incluem ressonância magnética7tomografia computadorizada8eletroencefalograma9ultrassonografia10 e exames de sangue11 ou de urina12. Depois que esses exames são realizados e apresentam resultados normais, o médico faz o diagnóstico5 do transtorno por exclusão e com base nos sintomas6 relatados. Um exame psicológico também deve ser realizado. O psicólogo pode usar testes especializados ou uma entrevista padrão para esclarecer o problema.

Um dado importante para a diferenciação entre a amnésia1 dissociativa e a orgânica é que, enquanto na amnésia1 orgânica, devido a uma causa física, a pessoa também tem dificuldades ou impossibilidade de gravar novas lembranças, isso não acontece com as pessoas afetadas pela amnésia1 dissociativa.

Como o médico trata a amnésia1 dissociativa?

O tratamento usa técnicas de recuperação de memória (como a hipnose e entrevistas após a administração intravenosa de um sedativo ou barbitúrico) para preencher as falhas. A psicoterapia é essencial para ajudar a pessoa a enfrentar as experiências que causaram o transtorno. Assim que a amnésia1 for solucionada, a psicoterapia deve ser continuada para consolidar seus resultados.

Como evolui a amnésia1 dissociativa?

Pessoas com amnésia1 dissociativa respondem bem ao tratamento, no entanto, o progresso e o sucesso dependem de muitas coisas, incluindo a situação da vida da pessoa e se ela tem apoio de familiares e amigos.

Para a maioria das pessoas com amnésia1 dissociativa, a memória finalmente retorna, às vezes devagar e às vezes repentinamente, o que torna a visão13 geral muito boa. Em alguns casos, no entanto, a pessoa nunca é capaz de recuperar completamente as memórias perdidas.

Veja também: "O que é psicoterapia", "Hipnose" e "Saiba mais sobre as psicoterapias".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Cleveland Clinic e da Mayo Clinic.

ABCMED, 2019. Amnésia dissociativa - quando transtornos psicológicos causam amnésia?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1354928/amnesia-dissociativa-quando-transtornos-psicologicos-causam-amnesia.htm>. Acesso em: 27 set. 2021.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Amnésia: Perda parcial ou total da memória.
2 Psicogênica: 1. Relativo à psicogenia ou psicogênese, ou seja, relativo à origem e desenvolvimento do psiquismo. 2. Relativo a ou próprio de fenômenos somáticos com origem psíquica.
3 Amnésias: Perda parcial ou total da memória.
4 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
5 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
6 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
7 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
8 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
9 Eletroencefalograma: Registro da atividade elétrica cerebral mediante a utilização de eletrodos cutâneos que recebem e amplificam os potenciais gerados em cada região encefálica.
10 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
11 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
12 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
13 Visão: 1. Ato ou efeito de ver. 2. Percepção do mundo exterior pelos órgãos da vista; sentido da vista. 3. Algo visto, percebido. 4. Imagem ou representação que aparece aos olhos ou ao espírito, causada por delírio, ilusão, sonho; fantasma, visagem. 5. No sentido figurado, concepção ou representação, em espírito, de situações, questões etc.; interpretação, ponto de vista. 6. Percepção de fatos futuros ou distantes, como profecia ou advertência divina.
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