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Estresse pós-traumático: conceito, causas, sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento, prevenção e evolução

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O que é estresse pós-traumático?

O transtorno de estresse pós-traumático (ou stress pós-traumático) é uma condição de saúde1 mental que é desencadeada por um evento terrível de viver ou testemunhar. Muitas pessoas que passam por eventos traumáticos têm dificuldade de se readaptar e lidar com situações normais por algum tempo, mas com tempo e tratamento adequados costumam melhorar mais rapidamente.

Quais são as causas do estresse pós-traumático?

Não se sabe ao certo porque algumas pessoas sofrem de estresse pós-traumático em situações em que outras não apresentam o quadro. Provavelmente ele é causado ou facilitado se a pessoa tem herança para ansiedade e depressão, por aspectos de sua personalidade ou também por traumas sofridos na infância. Em geral, uma pessoa sofre estresse pós-traumático quando vivencia, vê ou fica sabendo sobre um evento envolvendo morte, ameaças, ferimentos graves ou violência sexual.

De um modo geral, o estresse pós-traumático ocorre se a pessoa experimentou trauma intenso ou de longa duração ou se tem uma atividade que faz prever esses eventos, tais como trabalhos militares e de socorro a vítimas. Os eventos que mais comumente levam ao estresse pós-traumático incluem: exposição ao combate, agressão sexual, ataque físico, ameaça com uma arma, desastres naturais, assalto, roubo, acidente de carro, acidente de avião, tortura, sequestro, diagnóstico2 médico de risco de vida, ataque terrorista, etc.

Quais são os principais sinais3 e sintomas4 do estresse pós-traumático?

Os sintomas4 do transtorno de estresse pós-traumático podem começar dentro de três meses de um evento traumático, mas, às vezes, não aparecem até anos após o evento. Estes sintomas4 podem ser agrupados em quatro tipos: memórias intrusivas, prevenção, mudanças negativas no pensamento e no humor e/ou mudanças nas reações emocionais.

Os sintomas4 de memórias intrusivas compreendem lembranças recorrentes e indesejadas do evento traumático, revivência do evento traumático, como se estivesse acontecendo novamente (flashbacks), sonhos perturbadores sobre o evento que causou o trauma e reações físicas significativas como, por exemplo, elevação da pressão arterial5 ou diarreia6.

Os sintomas4 de prevenção podem incluir a tentativa de não pensar ou não falar sobre o evento traumático e evitação dos lugares, atividades ou pessoas que lembrem o evento traumático.

Os sintomas4 de mudanças negativas no pensamento e no humor podem se manifestar por sentimentos negativos sobre si mesmo ou sobre outras pessoas, incapacidade de experimentar emoções positivas, sentir-se emocionalmente entorpecido, falta de interesse em atividades antes apreciadas, desesperança em relação ao futuro, não se lembrar de aspectos importantes do evento traumático e dificuldade em manter relações sociais estreitas.

As mudanças nas reações emocionais podem se dar por aumento da irritabilidade, explosões de raiva7 ou comportamento agressivo, atitude de estar sempre em guarda para o perigo, sentimentos de culpa ou vergonha, comportamento autodestrutivo, dificuldade de concentração, problemas para conciliar o sono e tornar-se facilmente assustado.

Esses sintomas4 podem variar em intensidade ao longo do tempo e muitas vezes podem ser revividos mediante algum estímulo que relembre o fato traumático.

Como o médico diagnostica o estresse pós-traumático?

O transtorno de estresse pós-traumático é diagnosticado com base nos sinais3 e sintomas4 e numa avaliação psicológica completa. Segundo o Manual Diagnóstico2 e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Psiquiátrica Americana, o diagnóstico2 exige a exposição a um evento que envolva ameaça de morte, violência ou ferimentos graves que a pessoa tenha experimentado ou presenciado ou se isso aconteceu a alguém muito próximo.

Como o médico trata o estresse pós-traumático?

O tratamento primário é a psicoterapia, mas muitas vezes inclui também medicamentos para a ansiedade e/ou depressão. Combinados, estes tratamentos podem ajudar a melhorar os sintomas4 e ensinar a pessoa a lidar com eles. Podem também evitar que a pessoa desenvolva outros problemas relacionados com sua experiência traumática, como depressão, ansiedade ou abuso de álcool ou drogas.

Como prevenir o estresse pós-traumático?

Obter ajuda e apoio oportunos podem impedir que as reações de estresse normais se agravem e se transformem em estresse pós-traumático ou evitam que a pessoa use métodos pouco saudáveis de enfrentamento.

Como evolui o estresse pós-traumático?

Após passar por um evento traumático, muitas pessoas têm sintomas4 de estresse pós-traumático. No entanto, a maioria das pessoas expostas a traumas não desenvolve esse transtorno, em longo prazo. Tudo dependerá da personalidade prévia do indivíduo.

ABCMED, 2015. Estresse pós-traumático: conceito, causas, sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento, prevenção e evolução. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/808094/estresse-pos-traumatico-conceito-causas-sinais-e-sintomas-diagnostico-tratamento-prevencao-e-evolucao.htm>. Acesso em: 24 set. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
3 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
4 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
5 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
6 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
7 Raiva: 1. Doença infecciosa freqüentemente mortal, transmitida ao homem através da mordida de animais domésticos e selvagens infectados e que produz uma paralisia progressiva juntamente com um aumento de sensibilidade perante estímulos visuais ou sonoros mínimos. 2. Fúria, ódio.
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