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Síndrome do ombro do nadador

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O que é a síndrome1 do ombro do nadador?

O ombro é uma articulação2 esferoide que se encaixa num recipiente adequado, com uma borda de cartilagem3 que circunda o soquete para torná-lo mais profundo e mais estável. Cercando a articulação2 há uma cápsula articular4, constituída por um material fibroso, com partes mais grossas formando ligamentos5. Um certo número de músculos6 e tendões7 se dispõem ao redor dessa articulação2.

Os músculos6 que mais afetam a estabilidade da articulação2 são chamados de manguito rotador8. O “manguito” é composto por quatro músculos6 que trabalham juntos para ajudar a manter o ombro centrado na cavidade e que ajudam a fazer os movimentos próprios a essa articulação2. O “ombro do nadador” é um termo geral usado para descrever uma lesão9 no ombro por excesso de uso, ocorrendo principalmente (mas não só) em nadadores. Ele é uma irritação crônica dos tecidos moles do ombro, como tendões7, músculos6 e ligamentos5.

Saiba mais sobre "Dor articular", "Ombro congelado10 ou Capsulite adesiva11" e "Dores no ombro".

Quais são as causas da síndrome1 do ombro do nadador?

As causas específicas serão uma em cada caso, mas geralmente estão relacionadas a um desequilíbrio muscular da articulação2. Na natação, os músculos6 rotadores internos são usados na fase de tração do nado livre, enquanto os rotadores externos são usados na fase de recuperação. O problema pode estar em qualquer um dos grupos, embora mais comumente esteja nos rotadores externos, mais fracos. Algumas condições que podem causar impacto e dor no ombro são:

  1. Rotação insuficiente do corpo no nado crawl e mais ainda no nado costas12.
  2. Músculos peitorais13 superdesenvolvidos e músculos6 romboides subdesenvolvidos, levando a uma instabilidade do ombro.
  3. Músculos6 fracos do manguito rotador8.
  4. Adução excessiva na fase de “puxada”.
  5. Músculos6 rotadores internos e adutores não suficientemente fortes.
  6. Excesso de treinamento com pouco tempo de recuperação.
  7. Mau posicionamento do braço oposto ao lado de respiração.

Qual é o mecanismo fisiológico14 da síndrome1 do ombro do nadador?

O manguito rotador8, formado pelos músculos6 supra-espinhal, infra-espinhal, redondo menor e subescapular, tem como uma das suas funções principais a estabilização do ombro e o auxílio na dinâmica escapulo-umeral. A ativação do manguito rotador8 é essencial em movimentos amplos como elevação do braço acima da altura da cabeça15, comum na natação e em esportes que envolvem arremessos ou saques, como tênis, lançamento de peso ou de dardos, etc.

Quando estes movimentos são realizados de forma repetitiva, causando fadiga16 muscular, ou com técnica inadequada, podem ocasionar lesões17 como tendinites, bursite18, subluxação anterior da cabeça15 do úmero19 e lesão9 da borda glenoidal. Entretanto, a lesão9 mais comum em trabalhadores ou atletas que utilizam muito o movimento de flexão ou abdução de ombro juntamente com rotação medial é a síndrome1 do choque20 do manguito rotador8. Por ser um movimento frequente na natação, a síndrome1 também é conhecida como “ombro do nadador”, porque acomete cerca de 50% dos nadadores profissionais. Estes casos envolvem dor e hipersensibilidade da região do ombro, que pioram com a rotação do mesmo.

Leia sobre "Bursite18", "Tendinite21" e "Subluxação do ombro".

Quais são as principais características clínicas da síndrome1 do ombro do nadador?

Os sintomas22 do “ombro do nadador” irão variar de acordo com a causa. No entanto, existem algumas tendências gerais. No nadador, a dor normalmente é pior no nado de costas12, e menos intensa durante o nado peito23. A dor pode ocorrer em qualquer fase do estilo livre e, dependendo de quando ocorrer, o diagnóstico24 será diferente: se a dor piorar durante a fase de recuperação, deve-se pensar no envolvimento do manguito rotador8; se a dor piorar durante a puxada inicial, o tendão25 do bíceps pode estar mais envolvido.

Dormir no lado envolvido agrava a dor. Quando o problema é bastante avançado, o nadador também sentirá dor no ombro mesmo quando não estiver nadando e o ombro ficará progressivamente mais sensível ao toque.

Como o médico diagnostica a síndrome1 do ombro do nadador?

A síndrome1 do ombro do nadador nem sempre é um diagnóstico24 exato. Para obter um diagnóstico24 preciso sobre quais músculos6 e tendões7 estão envolvidos, o paciente deve procurar ajuda profissional de um especialista em medicina esportiva. O examinador deve obter uma história detalhada e deve entender a mecânica da natação ou de outros exercícios, se for o caso. O exame inclui pelo menos uma avaliação de todos os movimentos do ombro, com e sem resistência. Radiografias geralmente não são necessárias.

Como o médico trata a síndrome1 do ombro do nadador?

Um diagnóstico24 adequado, identificando os músculos6 e tendões7 envolvidos e o estágio do problema é essencial para um tratamento mais apropriado. O plano de tratamento deve incluir:

  1. Reduzir a inflamação26 e aplicar gelo no ombro por 20 minutos após o treinamento.
  2. Usar anti-inflamatórios apenas nos primeiros dias, já que o uso crônico27 de anti-inflamatórios pode afetar o estômago28, os rins29 e o fígado30.
  3. Dependendo da gravidade, pode ser necessário repouso total.
  4. Cuidados passivos por um profissional podem incluir ultrassom terapêutico, corrente interferencial, massagem de atrito cruzado aos tendões7, trabalho do ponto gatilho, relaxamento pós-isométrico dos músculos6 envolvidos, ajustes do ombro e/ou pescoço31.
  5. Exercícios de reabilitação para fortalecer os músculos6 fracos (geralmente os rotadores externos dos ombros).
Veja também sobre "Fisioterapia32", "Reeducação postural global ou RPG" e "Método de Busquet".

 

ABCMED, 2019. Síndrome do ombro do nadador. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1334608/sindrome-do-ombro-do-nadador.htm>. Acesso em: 27 mai. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
2 Articulação: 1. Ponto de contato, de junção de duas partes do corpo ou de dois ou mais ossos. 2. Ponto de conexão entre dois órgãos ou segmentos de um mesmo órgão ou estrutura, que geralmente dá flexibilidade e facilita a separação das partes. 3. Ato ou efeito de articular-se. 4. Conjunto dos movimentos dos órgãos fonadores (articuladores) para a produção dos sons da linguagem.
3 Cartilagem: Tecido resistente e flexível, de cor branca ou cinzenta, formado de grandes células inclusas em substância que apresenta tendência à calcificação e à ossificação.
4 Cápsula articular: É uma membrana conjuntiva que envolve as articulações sinoviais, sendo constituída por duas camadas, uma externa ou fibrosa e outra interna ou sinovial.
5 Ligamentos: 1. Ato ou efeito de ligar(-se). Tudo o que serve para ligar ou unir. 2. Junção ou relação entre coisas ou pessoas; ligação, conexão, união, vínculo. 3. Na anatomia geral, é um feixe fibroso que liga entre si os ossos articulados ou mantém os órgãos nas respectivas posições. É uma expansão fibrosa ou aponeurótica de aparência ligamentosa. Ou também uma prega de peritônio que serve de apoio a qualquer das vísceras abdominais. 4. Vestígio de artéria fetal ou outra estrutura que perdeu sua luz original.
6 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
7 Tendões: Tecidos fibrosos pelos quais um músculo se prende a um osso.
8 Manguito rotador: O manguito rotador ou coifa dos rotadores é um grupo de músculos e seus tendões que age para estabilizar o ombro. É formado por quatro músculos: o supraespinal, infraespinal, redondo menor e subescapular. Estes músculos desempenham um papel fundamental nos movimentos do ombro e da cintura escapular.
9 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
10 Ombro congelado: Condição que resulta em dor e progressiva rigidez articular do ombro, com perda da mobilidade em todas as direções. O diabetes é um fator de risco aumentado para o desenvolvimento desta condição.
11 Capsulite adesiva: Condição que resulta em dor e progressiva rigidez articular do ombro, com perda da mobilidade em todas as direções. O diabetes é um fator de risco aumentado para o desenvolvimento desta condição.
12 Costas:
13 Músculos Peitorais: Músculos peitorais (maior e menor), localizados à frente da AXILA, que elevam a parte superior e anterior do peito.
14 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
15 Cabeça:
16 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
17 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
18 Bursite: Doença ortopédica caracterizada pela inflamação da bursa, uma bolsa cheia de líquido, existente no interior das articulações, cuja finalidade é amortecer o atrito entre ossos, tendões e músculos. A bursite pode acontecer em qualquer articulação (joelhos, cotovelos, quadris, etc.), mas é mais comum no ombro.
19 Úmero:
20 Choque: 1. Estado de insuficiência circulatória a nível celular, produzido por hemorragias graves, sepse, reações alérgicas graves, etc. Pode ocasionar lesão celular irreversível se a hipóxia persistir por tempo suficiente. 2. Encontro violento, com impacto ou abalo brusco, entre dois corpos. Colisão ou concussão. 3. Perturbação brusca no equilíbrio mental ou emocional. Abalo psíquico devido a uma causa externa.
21 Tendinite: Inflamação de um tendão. Produz-se em geral como conseqüência de um traumatismo. Existem doenças imunológicas capazes de produzir tendinite entre outras alterações.
22 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
23 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
24 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
25 Tendão: Tecido fibroso pelo qual um músculo se prende a um osso.
26 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
27 Crônico: Descreve algo que existe por longo período de tempo. O oposto de agudo.
28 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
29 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
30 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
31 Pescoço:
32 Fisioterapia: Especialidade paramédica que emprega agentes físicos (água doce ou salgada, sol, calor, eletricidade, etc.), massagens e exercícios no tratamento de doenças.
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