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Depressão endógena

sexta-feira, 16 de setembro de 2022
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Depressão endógena

Atualmente é muito comum o paciente ir ao médico de qualquer especialidade e sair de lá com um diagnóstico de depressão e com a recomendação de tomar um antidepressivo. Na prática, o termo depressão tornou-se um grande guarda-chuva que abriga desde os quadros depressivos mais graves até os sintomas vagos e inespecíficos de todo mal-estar e os dissabores com acontecimentos negativos da vida cotidiana.

E a depressão diagnosticada pelos clínicos quase nunca é qualificada, embora haja inúmeros tipos de depressão, cada uma delas com suas características próprias e demandando diferentes tratamentos. A maioria delas são reações a eventos desafortunados, sejam acontecimentos pontuais e passageiros ou insatisfações permanentes com a vida (depressões reativas). Muitas vezes são maneiras de medicalização indevida de problemas sociais, transformando em diagnósticos clínicos as brigas entre marido e mulher, as perdas econômicas, as demissões do emprego, a separação dos namorados e coisas afins.

Muitas vezes, tudo isso resulta de uma confusão da mera tristeza com a depressão. Para as formas reativas, os antidepressivos não têm mais que um efeito placebo. Melhores efeitos teriam os psicoestimulantes, mas eles também não são a maneira correta de se tratar esses casos.

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O que é a depressão endógena?

A expressão máxima da depressão doença é a antigamente chamada depressão endógena, quase sempre ligada à antiga Psicose Maníaco-Depressiva, que corresponde hoje à Depressão Maior do Transtorno Bipolar do Humor. Ela é uma depressão “que vem de dentro” e é devida a fatores biológicos, e por isso pode ocorrer mesmo quando tudo à volta parece ser um “céu de brigadeiro”.

Toda forma de depressão tem algumas manifestações em comum:

  • tristeza;
  • desânimo;
  • apatia;
  • pessimismo;
  • dificuldades de concentração;
  • irritabilidade;
  • perda de interesse nas atividades diárias;
  • sentimentos de desvalorização de si mesmo ou de culpa;
  • dificuldade de usufruir dos prazeres da vida;
  • perda de interesses;
  • lentidão psicomotora;
  • dores pelo corpo;
  • alterações do sono e/ou do apetite;
  • ganho ou perda de peso;
  • e ideação suicida.

Mas, em cada forma de depressão, cada uma dessas manifestações pode ter maior ou menor prevalência e formas específicas podem surgir. Juntamente aos sintomas, algumas outras características clínicas ajudam a definir o tipo de depressão. Assim, em relação à depressão endógena, temos:

  1. Não necessita de uma situação externa desencadeadora; ela se dá a partir de fatores internos. Tudo pode estar correndo muito bem e inclusive ser um momento de júbilo ou sucesso, mas a pessoa se deprime assim mesmo.
  2. Os sintomas têm grande intensidade. É comum que as pessoas não consigam sair da cama e os sentimentos negativos, não tratados a tempo, podem chegar a constituir verdadeiros delírios de ruína. Tendo como pano de fundo as manifestações gerais das depressões, destacam-se entre os sintomas um intenso sentimento de culpa; uma tristeza expressa nas feições faciais, nos gestos e nas posturas; grande isolamento social; choro excessivo; pensamentos suicidas; repetição incessante de pensamentos negativos; e risco real de suicídio.
  3. Os sintomas são muito corporificados e não se passam apenas no espaço mental. Enquanto nas depressões reativas é possível “deixar provisoriamente os sintomas de lado” para desfrutar um momento de júbilo (ir a uma festa, comemorar um aniversário, fazer uma viagem, etc.), nas depressões endógenas a mesma coisa não acontece.
  4. Comumente, as depressões endógenas são periódicas, sucedidas por outras crises depressivas da mesma natureza ou por fases de exaltação do humor. O intervalo entre esses episódios pode durar anos (às vezes dez ou mais) ou, mais raramente, podem ser únicos ou perdurar por toda a vida.
  5. Os casos excepcionalmente graves incluem delírios depressivos de culpa, ruína e niilismo, que compreendem a negação da existência de órgãos ou partes do corpo e as alucinações congruentes com o humor depressivo.
  6. Há uma grande tendência de ocorrência familiar (hereditária).

Quais são as causas da depressão endógena?

Como ocorre na maioria dos transtornos mentais, não se sabe exatamente o que causa a depressão endógena. As causas parecem ser multifatoriais: genéticas, biológicas, psicológicas e ambientais, todas elas presentes em todos os casos, em maior ou menor grau.

Todos os tipos de depressão têm um forte componente genético; mas isso é especialmente verdade no caso das depressões endógenas. Substâncias produzidas no cérebro, conhecidas como neurotransmissores, exercem uma enorme influência na maneira como nos sentimos. Em uma depressão endógena, os níveis de algumas delas estão muito alterados. Entre os neurotransmissores, os mais relacionados ao início da depressão são os níveis baixos de serotonina e de dopamina.

Alguns níveis baixos de certas substâncias corporais, como testosterona ou vitamina D, também podem estar por trás de alguns tipos de depressão endógena.

Do ponto de vista psicológico, uma das principais causas de qualquer transtorno de humor é a maneira como a pessoa pensa. As crenças de que as coisas nunca vão melhorar, ou ruminar constantemente os próprios problemas, pode eventualmente levar esse distúrbio psicológico a perdurar ao longo do tempo. Outras características, como pessimismo ou mesmo introversão, podem contribuir para o aparecimento de uma depressão endógena.

Finalmente, um estilo de vida sedentário, má alimentação, falta de sono, estresse no trabalho ou falta de apoio social adequado tornam mais provável o desenvolvimento de uma depressão endógena. Esses fatores sozinhos não são suficientes para causar um distúrbio mental, mas podem aumentar as chances de uma pessoa sofrer com um deles.

Como o médico trata a depressão endógena?

O tratamento da depressão endógena deve ser sempre conduzido por um psiquiatra. Ele compreende fundamentalmente o uso de medicações antidepressivas e deve ser complementado com psicoterapia, mudanças de hábitos pessoais e adoção de uma dieta sadia.

Os surtos depressivos tenderiam a durar espontaneamente de seis a nove meses, sem tratamento, mas podem ser abortados muito mais rapidamente pelas medicações, as quais, no entanto, devem ser mantidas por aquela duração, para evitar o risco de reincidência.

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Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic e da Cleveland Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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