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Depressão em crianças

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O que é depressão em crianças?

Hoje em dia, a palavra depressão é usada indiscriminadamente para descrever inúmeros estados emocionais reativos: a separação ou morte de um ente querido, uma perda financeira, uma situação desafortunada, etc. No entanto, depressão é coisa mais séria: é uma doença que pode ocorrer mesmo quando “tudo está azul”.

A depressão infantil é diferente dos rebaixamentos emocionais que podem ocorrer ao longo do desenvolvimento da criança. Só porque uma criança está passageiramente triste, não significa sempre que ela tem doença depressiva. Só se deve falar em depressão se a tristeza se tornar persistente ou quando se desenvolve um comportamento perturbador que interfere com atividades sociais, interesses, desempenho escolar ou vida familiar.

Saiba mais sobre "Depressão maior ou transtorno depressivo reativo".

Quais são as causas da depressão em crianças?

Como em adultos, a depressão em crianças pode ser causada por múltiplos fatores relacionados à saúde1 física, eventos de vida, história familiar, ambiente, vulnerabilidade genética e distúrbios bioquímicos. Hoje tem-se a ideia de que as depressões se devem a alterações dos mediadores químicos dos impulsos nervosos entre os neurônios2.

As crianças com história familiar de depressão estão em maior risco de sofrerem depressão numa idade mais precoce que as outras. Crianças de famílias desestruturadas ou conflituosas, ou crianças e adolescentes que abusam de substâncias como álcool e drogas, também estão em maior risco para depressão.

Quais são as principais características clínicas da depressão em crianças?

A depressão é uma doença grave que interfere no dia a dia da pessoa e compromete a qualidade de vida. A depressão infantil é significativamente mais comum em meninos com menos de 10 anos; mas aos 16 anos, as meninas têm uma taxa de incidência3 maior que a dos meninos. Os transtornos bipolares são mais comuns em adolescentes do que em crianças mais jovens, mas são mais graves nelas do que em adolescentes e podem ser confundidos com transtorno de déficit de atenção com hiperatividade, transtorno obsessivo-compulsivo ou transtornos de conduta.

Leia mais sobre "Transtorno bipolar do humor", "Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade" e "Transtorno obsessivo compulsivo".

Os sintomas4 da depressão em crianças são menos típicos que nos adultos. Muitas vezes, a depressão não é diagnosticada e tratada porque seus sintomas4 são tomados também como mudanças normais que ocorrem durante o crescimento. Outras vezes, ela aparece como uma depressão "mascarada", em que o humor da criança é evidenciado apenas por um comportamento irritado ou por sintomas4 orgânicos variados.

Muitas crianças apresentam tristeza ou humor baixo semelhante aos adultos, mas outras apenas não se sentem bem. Muitas vezes elas aceitam a depressão como fato natural e apenas calam-se e se retraem. Mais tipicamente, os principais sintomas4 da depressão giram em torno de tristeza, um sentimento de desesperança e uma mudança de humor no sentido do rebaixamento.

Os principais sinais5 e sintomas4 da depressão em crianças incluem: irritabilidade ou raiva6, sentimentos persistentes de tristeza e desesperança, retraimento7 social e maior sensibilidade à rejeição, alterações no apetite para mais ou para menos, insônia ou sono excessivo, explosões vocais ou choro frequente, dificuldade de concentração, fadiga8 e baixa energia, queixas físicas que não respondem ao tratamento, diminuição da capacidade de interagir em casa ou na escola, sentimentos de inutilidade ou culpa, pensamento e concentração prejudicados, ideias de morte, etc.

Nem todas as crianças têm todos esses sintomas4 e a maioria delas exibe diferentes sintomas4 em diferentes momentos. Embora algumas crianças possam continuar funcionando quase que normalmente, a maioria delas sofre uma mudança notável nas atividades sociais, perda de interesse na escola e nítidas mudanças na aparência. As crianças maiores, acima de de 12 anos de idade, também podem começar a usar drogas ou álcool.

Embora seja relativamente raro em crianças com menos de 12 anos, elas podem tentar suicídio.

Veja também sobre "Suicídio".

Como o médico diagnostica a depressão em crianças?

Nos adultos, a depressão é bem mais fácil de ser diagnosticada que em crianças. No entanto, se houver sintomas4 que sugiram depressão, o pediatra poderá constatar se há ou não há razões físicas para estes sintomas4 e deve recomendar uma consulta com um profissional de saúde1 mental especializado em crianças.

Essa consulta deve incluir entrevistas com os pais ou cuidador da criança e testes psicológicos adicionais. As informações que venham de professores, amigos e colegas podem ser úteis e mostrar que esses sintomas4 são consistentes e marcados por uma mudança em relação ao comportamento anterior. Não existem testes específicos que possam mostrar claramente a depressão, mas ferramentas como questionários, combinadas a informações pessoais, podem ser muito úteis.

Como o médico trata a depressão em crianças?

Embora a depressão em crianças seja uma doença grave, ela é exitosamente tratável. As opções de tratamento para crianças com depressão são semelhantes às dos adultos, incluindo psicoterapia e medicação. O médico pode sugerir primeiro a psicoterapia e considerar o medicamento antidepressivo como uma opção adicional se não houver melhora significativa, mas quase sempre será necessário medicar.

A combinação de psicoterapia e medicação é a indicação mais eficaz no tratamento da depressão. O papel que a família e o ambiente da criança desempenham no processo de tratamento é diferente daquele que ela deve ter com os adultos, sendo essencial apoio, proximidade e carinho.

Como evolui em geral a depressão em crianças?

Como nos adultos, a depressão pode ocorrer novamente no futuro e pode preceder uma doença mental mais séria, mais tarde na vida. Por isso que o diagnóstico9, o tratamento e a monitoração próxima são cruciais.

Leia também sobre "Psicoterapias", "Depressão psicótica vs. depressão maior" e "Antidepressivos".

 

ABCMED, 2016. Depressão em crianças. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1283713/depressao+em+criancas.htm>. Acesso em: 10 dez. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Neurônios: Unidades celulares básicas do tecido nervoso. Cada neurônio é formado por corpo, axônio e dendritos. Sua função é receber, conduzir e transmitir impulsos no SISTEMA NERVOSO. Sinônimos: Células Nervosas
3 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
4 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
5 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
6 Raiva: 1. Doença infecciosa freqüentemente mortal, transmitida ao homem através da mordida de animais domésticos e selvagens infectados e que produz uma paralisia progressiva juntamente com um aumento de sensibilidade perante estímulos visuais ou sonoros mínimos. 2. Fúria, ódio.
7 Retraimento: 1. Ato ou efeito de retrair (-se); retração, contração, encolhimento. 2. Atitude reservada; reserva, timidez, acanhamento. 3. Estado ou condição de quem se encontra só; solidão, isolamento, retiro. 4. Lugar ermo ou solitário; retiro. 5. Retração. 6. Retirada.
8 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
9 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
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