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Isolamento social

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O que é isolamento social?

O isolamento social é um comportamento no qual existe, voluntariamente ou não, uma completa ou quase completa falta de interação entre o indivíduo e a sociedade. O fenômeno pode ser observado em pessoas de todos os grupamentos humanos e em todas as faixas etárias.

É perfeitamente normal que em algum momento da vida a pessoa sinta necessidade de estar sozinha e procure se afastar momentaneamente dos que a rodeiam. No entanto, quando esse isolamento social é demorado ou indefinido e a pessoa deixa de manter qualquer tipo de contato com outras pessoas, a situação deve ser vista como um problema. Além disso, as duas situações diferem em que, naquela primeira o indivíduo continua virtualmente carregado com todos os laços interpessoais antes existentes, enquanto na outra o indivíduo se esvazia deles e se sente indiferente aos demais.

O isolamento social é um fenômeno muito amplo e não tem sempre as mesmas características em todas as pessoas. Cada caso tem natureza diferente de outros. Há isolamentos que, além de voluntários, são até enaltecidos, realizados por motivos ideológicos ou religiosos, bem como há casos de isolamento involuntários que fazem o indivíduo sofrer, e casos de doenças mentais em que o indivíduo é indiferente ao isolamento.

Quais são as causas do isolamento social?

As causas específicas do isolamento social são tão diversificadas que quase existe uma para cada situação particular. Fatores como doenças físicas ou mentais, eremitismo (maneira de viver de um eremita: indivíduo que evita a convivência social e vive sozinho, no deserto ou no ermo), ideologias sociais e religiosas podem influenciar o surgimento do isolamento social.

Ele pode também ser uma consequência de acontecimentos traumáticos, como o indivíduo ter sido vítima de bullying ou padecer de alguma condição médica, como a depressão ou, então, ter sofrido uma superproteção extrema que o impediu de se relacionar de forma normal com outras pessoas.

Do ponto de vista da patologia1, as causas mais comuns para o isolamento social involuntário e sofrido são o Transtorno de Ansiedade Social e o Estresse Pós-traumático. Na esquizofrenia2 ou no autismo, o isolamento não é sentido como sofrimento pelo indivíduo. A vida de freiras e monges isolados em claustros ou monastérios é uma forma de isolamento social voluntário, em alguns casos intensificados pela proibição de falar.

Saiba mais sobre "Transtorno Ansioso Social", "Autismo", "Esquizofrenia2" e "Estresse Pós-Traumático".

Quais são as principais características clínicas do isolamento social?

Em algumas situações, a pessoa afetada sofre com o isolamento social, que ocorre sem e mesmo contra a sua vontade; em outras, o isolamento parece ser voluntário, não ocasionar sofrimento e mesmo ser exaltado. No caso de quadros mentais, como esquizofrenia2 e autismo, o indivíduo parece indiferente ao isolamento.

De qualquer forma, o isolamento social parece uma situação contrária à natureza da psique humana, já que um dos princípios que normalmente a regem é que o ser humano é essencialmente um ser de interações sociais.

As pessoas que vivem em regime de isolamento social normalmente têm problemas de aprendizagem, atenção e de tomada de decisões; elas podem também parecer um pouco lerdas e lentas, uma vez que o cérebro3 não recebe os estímulos adequados e não trabalha na sua melhor forma.

Como tratar o isolamento social?

Em primeiro lugar, é preciso saber se a pessoa sofre com a situação e deseja sair dela. Sem a vontade e empenho da pessoa, nada pode ser feito. O tratamento consiste em encorajar aos poucos pequenos contatos sociais, acompanhados de alguma atividade que seja agradável para o indivíduo. Por exemplo, se ele gosta de cachorros, e tem um, pode levá-lo para passear em um parque ou entrar para um clube de cachorros. Desta forma, vai começar a interagir com outros donos de cães. Algo no mesmo sentido pode ser feito com qualquer outra atividade lúdica ou profissional.

Como evolui o isolamento social?

Principalmente nos casos da patologia1 mental, o isolamento social pode levar à morte por desnutrição4 ou doenças, pois o indivíduo não consegue se alimentar, nem cuidar de sua higiene pessoal, nem sair para comprar comida ou exercer um emprego.

Leia sobre "Depressão", "Ansiedade", "Estresse" e "Insônia".

 

ABCMED, 2017. Isolamento social. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1307388/isolamento+social.htm>. Acesso em: 12 dez. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
2 Esquizofrenia: Doença mental do grupo das Psicoses, caracterizada por alterações emocionais, de conduta e intelectuais, caracterizadas por uma relação pobre com o meio social, desorganização do pensamento, alucinações auditivas, etc.
3 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
4 Desnutrição: Estado carencial produzido por ingestão insuficiente de calorias, proteínas ou ambos. Manifesta-se por distúrbios do desenvolvimento (na infância), atrofia de tecidos músculo-esqueléticos e caquexia.
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