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Transtorno dissociativo de identidade

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O que é transtorno dissociativo de identidade?

Há três tipos principais de distúrbios dissociativos: (1) transtorno dissociativo de identidade (da personalidade), (2) transtorno de despersonalização / desrealização e (3) amnésia1 dissociativa. No transtorno dissociativo de identidade (da personalidade), do qual se trata este artigo, anteriormente denominado transtorno de personalidade múltipla, duas ou mais identidades se alternam no controle da mesma pessoa. Além disso, a pessoa alega não conseguir se lembrar de eventos rotineiros, informações pessoais importantes e/ou eventos traumáticos ou estressantes.

O distúrbio dissociativo de identidade é uma forma grave de dissociação, um processo mental que produz uma falta de conexão nos pensamentos, memórias, sentimentos, ações ou senso de identidade de uma pessoa.

Leia sobre "Transtornos dissociativos", "Despersonalização", "A estrutura da personalidade segundo a Psicanálise" e "Testes de Personalidade".

Quais são as causas do transtorno dissociativo de identidade?

Os distúrbios dissociativos de identidade afetam cerca de 1% da população. Se trata de uma condição psicológica complexa que provavelmente é causada por muitos fatores, incluindo trauma grave durante a primeira infância. Também pode estar relacionado a acidentes, desastres naturais e guerras. Embora as causas do transtorno dissociativo de identidade ainda sejam vagas, as pesquisas indicam que é provável que seja uma resposta psicológica ao estresse interpessoal e ambiental, principalmente durante os primeiros anos da infância, quando pode interferir no desenvolvimento da personalidade. Cerca de 99% dos indivíduos com distúrbios dissociativos relatam histórias pessoais de distúrbios avassaladores e com risco de vida no desenvolvimento da infância (geralmente antes dos 6 anos).

A dissociação, no seu todo, também pode ocorrer quando houver negligência2 persistente ou abuso emocional, mesmo não tendo havido abuso físico ou sexual manifesto. Os resultados mostram que nas famílias em que os pais são assustadores e imprevisíveis, os filhos podem se tornar dissociativos.

Qual é o substrato psicológico do transtorno dissociativo de identidade?

O transtorno dissociativo de identidade é um dos grupos de condições chamadas desordens dissociativas. O aspecto dissociativo parece ser um mecanismo de defesa de uma situação ou experiência traumática ou dolorosa demais para que a pessoa possa assimilar de modo consciente. É uma maneira de uma pessoa romper a conexão com o mundo exterior e criar distância da consciência do que está ocorrendo. Pessoas com transtorno dissociativo de identidade desenvolvem uma ou mais personalidades alternativas que geralmente funcionam sem a consciência da personalidade usual da pessoa.

Elas sofrem perturbações ou quebras de memória, consciência, identidade e/ou percepção. Esses sintomas3 podem ser leves, mas também podem ser graves a ponto de interferir no funcionamento geral de uma pessoa, tanto na vida pessoal quanto no trabalho.

Quais são as principais características clínicas do transtorno dissociativo de identidade?

O transtorno dissociativo de identidade é uma ocorrência rara que pode acontecer em qualquer idade e que parece ser predominante nas mulheres em relação aos homens. Ele é caracterizado pela presença de duas ou mais identidades (personalidades diferentes e distintas), sem contato entre elas, as quais têm, alternativamente, poder sobre o comportamento da pessoa.

A personalidade usual é dita "central" e a(s) outra(s) é(são) chamada(s) de personalidades alternativas ou "alter". Quando uma personalidade “alter” assume o controle do comportamento, a pessoa pode sofrer amnésia1 quanto à personalidade “central” ou outra “alter”. Cada alter possui traços individuais distintos, uma história pessoal e uma maneira própria de pensar e se relacionar com o ambiente que o rodeio. Um "alter" pode ser de um gênero diferente, ter um nome diferente ou um conjunto distinto de maneiras e preferências. Um estresse, ou mesmo a lembrança de um trauma, podem desencadear uma troca de personalidade.

As pessoas com esse transtorno, muitas vezes, relatam sintomas3 semelhantes a outros transtornos mentais ou doenças físicas e frequentemente sofrem de dores de cabeça4 ou outros desconfortos e dores.

Muitas pessoas com transtorno dissociativo de identidade são deprimidas e ansiosas e são propensas a provocarem ferimentos em si mesmas. Abuso de substâncias, episódios de automutilação e comportamento suicida são comuns, assim como disfunção sexual. Assim como muitas pessoas com um histórico de abuso, elas podem sair ou permanecer em situações perigosas e são vulneráveis a novos traumas.

Como o médico diagnostica o transtorno dissociativo de identidade?

O diagnóstico5 de transtorno dissociativo de identidade é feito com base no histórico e sintomas3 da pessoa:

  1. A pessoa tem duas ou mais identidades e uma maneira de agir de acordo com a maneira de cada uma.
  2. A pessoa tem lacunas na memória em relação a eventos diários, dados pessoais importantes e eventos traumáticos.
  3. Esquecimento de informações importantes que normalmente não seriam esquecidas.
  4. A pessoa se sente muito angustiada por causa de seus sintomas3 ou os sintomas3 fazem com que ela não consiga funcionar em situações sociais ou no trabalho.

O médico deve realizar uma entrevista psiquiátrica completa e usar questionários especiais, desenvolvidos para ajudar a identificar o transtorno dissociativo de identidade e descartar outros transtornos de saúde6 mental. Um exame físico pode ser necessário para determinar se a pessoa tem uma doença física que poderia explicar alguns sintomas3.

Embora nenhum teste laboratorial possa diagnosticar desordens dissociativas clinicamente, vários testes diagnósticos, como exames de sangue7 ou de imagens podem ser usados para descartar doenças físicas. Se nenhuma doença física for encontrada, a pessoa poderá ser encaminhada a um profissional de saúde6 mental especialmente treinado para tratar doenças mentais.

Como o médico trata o transtorno dissociativo de identidade?

O tratamento fundamental é a psicoterapia. A psicoterapia é, muitas vezes, longa e árdua. O objetivo do tratamento é integrar as diferentes identidades em uma única. No entanto, a integração nem sempre é possível e, então, o objetivo é obter uma interação harmoniosa entre elas, permitindo um funcionamento mais normal. A terapia com medicamentos pode aliviar alguns sintomas3 específicos coexistentes, como ansiedade ou depressão, mas não tem efeito sobre o transtorno em si.

Como evolui o transtorno dissociativo de identidade?

Alguns sintomas3 podem desaparecer espontaneamente, mas o transtorno dissociativo de identidade não se resolve por si. A recuperação da pessoa depende dos sintomas3 e das características manifestadas e da qualidade e duração do tratamento recebido. Por exemplo, pessoas com outros transtornos de saúde6 mental graves, que não realizam bem suas funções cotidianas ou que permanecem profundamente ligadas a seus agressores, não se recuperam tão bem. Elas podem precisar de tratamentos mais longos e esses tratamentos têm menos sucesso.

Veja sobre "Transtorno de conduta", "Transtorno bipolar do humor", "Personalidade borderline" e "Transtornos afetivos".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Cleveland Clinic e do MSD Manual.

ABCMED, 2019. Transtorno dissociativo de identidade. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1353243/transtorno-dissociativo-de-identidade.htm>. Acesso em: 5 dez. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Amnésia: Perda parcial ou total da memória.
2 Negligência: Falta de cuidado; incúria. Falta de apuro, de atenção; desleixo, desmazelo. Falta de interesse, de motivação; indiferença, preguiça. Inobservância e descuido na execução de ato.
3 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
4 Cabeça:
5 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
6 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
7 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
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