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Personalidade borderline - como ela pode ser reconhecida?

Monday, March 13, 2017
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Personalidade borderline - como ela pode ser reconhecida?

O que é o transtorno de personalidade borderline?

Em inglês, border significa borda, fronteira; line quer dizer linha. Chama-se de Transtorno de Personalidade Borderline (Transtorno de personalidade limítrofe, Transtorno de personalidade emocionalmente instável ou Transtorno de intensidade emocional) a uma condição mental grave e complexa na fronteira da neurose e da psicose, cujos sintomas se manifestam com plena intensidade na adolescência ou início da vida adulta, com instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem, dos afetos e de impulsividade acentuada.

O termo foi usado pela primeira vez em 1884 e originalmente designava um grupo de pacientes que vivia no limite da sanidade mental. Um diagnóstico autônomo e positivo da doença se tornou mais preciso na década de 1980.

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Quais são as causas do transtorno de personalidade borderline?

Os fatores envolvidos no transtorno de personalidade borderline são vários e abrangem desde a predisposição genética até experiências emocionais precoces e fatores ambientais, com destaque para as situações traumáticas, abusos e negligência.

O transtorno de personalidade borderline é cinco vezes mais frequente em parentes de primeiro grau de pessoas com o transtorno do que na população em geral. Ele também incide mais em família com pai ou mãe usuário de drogas ou com transtorno de personalidade antissocial e transtorno depressivo ou bipolar.

Cerca de 80% dos pacientes com transtorno de personalidade borderline são originários de casamentos conflituosos dos pais e passaram por negligências e abusos físicos e sexuais dentro da família. Porém, há pacientes com familiares absolutamente normais.

Leia sobre "Dependência às drogas", "Transtorno de esquiva", "Depressão" e "Agressão sexual".

Quais são as principais características clínicas do transtorno de personalidade borderline?

As pessoas com transtorno de personalidade borderline sofrem de grande instabilidade emocional, desregulação afetiva excessiva, sentimentos intensos e polarizados do tipo “tudo ótimo e tudo péssimo” ou “eu te adoro e eu te odeio”, angústia de abandono e percepção de invasão do self, entre outros, que podem gerar comportamentos impulsivos perigosos.

São comuns atos autolesivos, tentativas de suicídio e sentimentos profundos de vazio e tédio. Pessoas com transtorno de personalidade borderline apresentam alterações súbitas e expressivas do humor e suas relações interpessoais são intensas e instáveis sendo muito difícil o convívio próximo a elas.

Elas temem o abandono e com frequência vivenciam sentimentos crônicos de vazio e reação pungente ao estresse. Protagonizam ameaças ou tentativas de suicídio e automutilação. O modus operandis desses pacientes traz um grande sofrimento interno e também para os que convivem com ele. Uma só palavra mal colocada, uma situação inesperada sem relevância ou uma leve frustração pode levar o borderline a um acesso de raiva e ódio que duram em média poucas horas.

Como o médico diagnostica o transtorno de personalidade borderline?

Não há nenhum teste laboratorial que confirme o diagnóstico de transtorno de personalidade borderline, que é exclusivamente clínico. Segundo a quinta versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais (DSM-V), americano, para que se diagnostique alguém como tendo um transtorno de personalidade borderline devem ser constatados:

  1. Esforços desesperados para evitar abandono real ou imaginário.
  2. Padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos.
  3. Instabilidade acentuada e persistente da autoimagem ou da percepção de si mesmo.
  4. Impulsividade descontrolada (gastos, sexo, abuso de substância, direção irresponsável, compulsão alimentar).
  5. Recorrência de ameaças suicidas ou automutilantes.
  6. Instabilidade afetiva.
  7. Sentimentos crônicos de vazio.
  8. Raiva intensa e inapropriada.
  9. Ideação paranoide transitória associada a estresse ou sintomas dissociativos intensos.

Como o médico trata o transtorno de personalidade borderline?

O tratamento a longo prazo do transtorno de personalidade borderline é a psicoterapia. O objetivo é ir além dos sintomas, buscando o desenvolvimento duradouro das capacidades psíquicas do paciente. Nenhuma medicação até hoje mostrou-se promissora para tratar essa condição. No entanto, medicamentos sintomáticos podem ser usados, com eficácia variada: antidepressivos para a depressão, estabilizadores do humor para problemas interpessoais e de raiva, ansiolíticos para controle da ansiedade, antipsicóticos para a impulsividade.

O terapeuta deve ser mais ativo, mais próximo e mais participante que o comum. O borderline pode oscilar o humor e romper com as relações que poderiam dar certo, inclusive a psicoterapia. Os atendimentos demandam muita energia do especialista e ele tem que estar à disposição 24 horas por dia. Normalmente, o transtorno de personalidade borderline demora a ser diagnosticado e durante muitos anos pode ser confundido com mau comportamento.

Veja mais sobre "Antidepressivos", "Ansiedade" e "Psicoterapias".

Como evolui o transtorno de personalidade borderline?

Os sintomas do transtorno de personalidade borderline tendem a melhorar muito a partir dos 30-35 anos e a desaparecer depois dos 40 anos. Os tratamentos psicoterápicos e medicamentosos, no entanto, podem diminuir em muito a intensidade deles, mesmo antes dessas idades.

Quais são as complicações possíveis do transtorno de personalidade borderline?

A pessoa com transtorno de personalidade borderline tende a mostrar um grande descontrole e uma incômoda impulsividade no trabalho, nos esportes, no consumo de tabaco, álcool e drogas, os quais podem resultar em distúrbios alimentares, obesidade mórbida, promiscuidade, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada, problemas com a lei, dilapidação do patrimônio, graves acidentes, entre outros.

Leia também sobre "Doenças Sexualmente Transmissíveis", "Compulsão alimentar?" e "Suicídio".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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