AbcMed

Doenças psicossomáticas - como elas são?

segunda-feira, 25 de novembro de 2019
Avalie este artigo
Doenças psicossomáticas - como elas são?

O que são doenças psicossomáticas?

As doenças psicossomáticas, também conhecidas como somatizações ou transtornos somatiformes, são desordens emocionais ou psiquiátricas que afetam também o funcionamento dos órgãos do corpo. Esses desajustes provocam múltiplas queixas físicas em diferentes partes do corpo, as quais não podem ser explicadas por nenhuma alteração orgânica. O termo psicossomático se consolidou na Medicina em meados do século passado, com as contribuições de Franz Alexander e da Escola de Chicago no seu todo.

Quais são as doenças psicossomáticas?

As doenças psicossomáticas são entendidas como manifestações do inconsciente e sinalizam questões psicológicas mal resolvidas. Quase sempre, o problema está associado a emoções mal canalizadas para a solução dos conflitos. Assim, ainda que não sejam bem esclarecidas, as origens das enfermidades psicossomáticas têm como base as causas emocionais e os distúrbios psicológicos a elas associados.

São fatores que influenciam a origem das doenças psicossomáticas: herança familiar; tendência à negatividade (pessimismo) e aos distúrbios de personalidade; questões genéticas e fisiológicas, como maior sensibilidade à dor; influência ambiental em relação à visão da vida de forma positiva ou negativa; modo de enfrentamento dos problemas; menor controle das emoções ou dificuldade no processamento dos problemas psicológicos; fatores como depressão, ansiedade e estresse excessivo; isolamento e tristeza, que alimentam as emoções negativas e hábito ou desenvolvimento de “comportamentos de dor”.

Algumas questões que podem gerar o desequilíbrio emocional e atuar como gatilhos de doenças psicossomáticas são: traumas de infância, depressão crônica, mudança nos padrões de relacionamento, questões profissionais, perdas financeiras, influência genética e luto.

Saiba mais sobre "Saúde mental", "Depressão" e "Ansiedade".

Qual é o substrato fisiológico das doenças psicossomáticas?

As doenças psicossomáticas surgem como consequência de descontrole das emoções, sentimentos e modo de pensar. Elas são, pois, devidas a desequilíbrios mentais que sobrecarregam as funções orgânicas e atrapalham o funcionamento do corpo. Esse desequilíbrio ocorre por diversas razões, especialmente por aquelas ligadas a experiências ruins e traumas não superados. Elas afetam o normal funcionamento cerebral e impedem a liberação das substâncias importantes para o necessário ajuste da fisiologia do organismo. A somatização desses fatores tem como consequência o estabelecimento de um círculo vicioso que se manifesta por meio de múltiplas doenças físicas.

Os estados emocionais normalmente têm a sua contraparte orgânica, as quais são mais intensas ou distorcidas nos casos de afetos anômalos. A ansiedade, a raiva, a depressão, etc. são acompanhadas de aumento de tensão muscular, aceleração dos batimentos cardíacos, do ritmo respiratório e do peristaltismo intestinal, contração da parede das artérias, alterações do sono, etc.

Quais são as principais características clínicas das doenças psicossomáticas?

Na maioria das vezes, os sintomas surgem sem estarem relacionados a um substrato orgânico demonstrável; outras vezes podem estar sobreajuntados a doenças incuráveis. Os sintomas podem variar de suaves a muito intensos e podem ser únicos ou múltiplos.

Mais comumente, os sintomas psicossomáticos se expressam por alterações gástricas, como enjoos, dores, queimação ou gastrite nervosa; insônia, com muita dificuldade para relaxar e começar a dormir; manchas roxas ou avermelhadas espalhadas pelo corpo; dores de cabeça constantes e sem motivo aparente; sensação de sufocamento ou de falta de ar; desinteresse pelas atividades de rotina; batimentos cardíacos acelerados; queixas de dores generalizadas; fadiga sem causa aparente; falta de concentração; irritabilidade; sonolência excessiva; desânimo e fraqueza, sem que seja possível encontrar uma razão somática para eles.

As características mais marcantes do quadro clínico é que os sintomas são acompanhados de transtorno de ansiedade e depressão crônica, preocupação incomum com possíveis doenças futuras, ausência de resposta aos medicamentos e acentuação dos efeitos colaterais, medo descontrolado sobre a gravidade de sintomas que nem representam tanto risco, sensação de que a avaliação clínica, diagnóstico ou o tratamento médico estão errados ou inadequados, receio de que os exercícios físicos ou a prática desportiva, mesmo leves, podem ser prejudiciais ao seu estado de saúde, tendência a interpretar sensações físicas consideradas normais como um provável sinal de doença física grave ou incurável e hábito de manter consultas repetitivas com o mesmo médico ou buscar profissionais de diferentes especialidades que julga necessário e urgente.

Leia sobre "Somatização", "Neurose" e "Histeria conversiva".

Como o médico diagnostica as doenças psicossomáticas?

Devido às características típicas dessas doenças, os médicos têm muita dificuldade em diagnosticar a causa dessas desordens. Frequentemente, vários exames têm de ser pedidos para descartar possíveis condições somáticas anômalas. Se esses exames exibem resultados negativos, então o diagnóstico psicossomático é feito por exclusão. Algumas características clínicas das queixas psicossomáticas, embora não decisivas, podem ajudar na distinção com queixas de origem somática:

  1. Os sintomas físicos são mais bem delimitados no tempo e no espaço que os sintomas psicológicos.
  2. Os sintomas físicos oscilam de acordo com condições fisiológicas; os sintomas psicológicos são mais dependentes de estados mentais.
  3. Os pacientes são mais “aderidos” aos sintomas psicológicos que aos físicos. Eles parecem “ter medo” dos sintomas físicos e procuram negá-los e “gostam” dos sintomas psicológicos, falando mais insistentemente sobre eles.

Como o médico trata as doenças psicossomáticas?

Os distúrbios psicossomáticos podem ser solucionados mediante intervenção terapêutica adequada. A meta do tratamento é a reabilitação gradativa do estado mental do paciente, de modo que ele consiga melhorar os principais sintomas e retome a autonomia sobre a vida.

As metodologias mais indicadas para a reestruturação da saúde mental e física dos pacientes com doenças psicossomáticas são: apoio psicológico e psicoterapia, para minimizar os desajustes emocionais que alimentam os sintomas físicos; tratamento psiquiátrico, com remédios para controlar a ansiedade e a depressão; mudança no estilo de vida, como melhorar a qualidade do sono e a forma de pensar e de enfrentar as adversidades da vida.

Como evolui em geral as doenças psicossomáticas?

Se não forem adequadamente tratadas, essas doenças podem evoluir gradativamente e comprometer a saúde do indivíduo de forma cada vez mais intensa.

Quais são as complicações possíveis das doenças psicossomáticas?

O transtorno psicossomático prejudica a saúde e o bem-estar do indivíduo em diferentes aspectos. Contudo, ainda que o afetado tenha consciência de que tem um problema de caráter emocional, ele se sente incapaz de revertê-lo. Por conseguinte, o quadro só tende a piorar e, em alguns casos, esse desequilíbrio mental pode até levar ao suicídio.

Além disso, esse transtorno está relacionado a outras complicações como: alcoolismo; desajustes conjugais ou familiares; uso de drogas; trocas constantes de emprego ou desemprego; estado geral de saúde ruim; problemas para manter relacionamentos afetivos ou no ambiente de trabalho; muita dificuldade para lidar com as intercorrências ou adversidades da vida diária; tendências a outros transtornos mentais, como ansiedade patológica, crises depressivas ou múltiplos transtornos de personalidade.

Veja também sobre "Diferenciação entre queixas orgânicas e psicogênicas" e "Psicoterapia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Encyclopedia Britannica e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários