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Transtornos afetivos - quais são os principais? O que deve ser feito?

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O que são transtornos afetivos?

Os transtornos afetivos, também chamados transtornos do humor, são um conjunto de transtornos psiquiátricos que afetam o estado basal de ânimo das pessoas. Os principais tipos de transtornos afetivos são depressão, transtorno bipolar e transtorno de ansiedade, mas há outros de menor significância clínica. Numa pessoa que tem um transtorno de humor, o estado emocional geral é distorcido ou inconsistente com suas circunstâncias e interfere com sua capacidade de funcionar.

Saiba mais sobre "Depressão", "Transtorno bipolar do humor" e "Transtorno de ansiedade".

Quais são as causas dos transtornos afetivos?

As causas dos transtornos afetivos não são totalmente compreendidas. Entre elas, tem-se:

  • Substâncias químicas cerebrais (neurotransmissores) que desempenham um papel importante na regulação do humor. Quando elas estão desequilibradas de alguma forma ou não sinalizam corretamente para o cérebro1, o resultado pode ser um transtorno afetivo;
  • Eventos de vida também podem desencadear distúrbios afetivos. Um episódio traumático ou de perda pessoal pode causar depressão ou outro transtorno afetivo;
  • O uso de álcool e drogas também é um fator de risco2;
  • Parece haver ainda um fator genético a interferir no estado de humor de uma pessoa. Eles podem ser hereditários, sendo comum que haja uma história familiar desses distúrbios. No entanto, isso não garante que uma determinada pessoa desenvolverá um transtorno afetivo apenas porque outro membro da sua família sofre de um.

Quais são as principais características clínicas dos transtornos afetivos?

Os sintomas3 dos transtornos afetivos variam de um indivíduo para outro e podem variar de leves a graves. Eles podem ser muito prejudiciais à vida, no entanto, existem tratamentos eficazes disponíveis.

Existem alguns sinais4 e sintomas3 comuns entre os diversos transtornos afetivos, no entanto, há também sintomas3 específicos para cada um dos tipos principais.

  1. Na depressão tem-se tristeza prolongada, irritabilidade ou ansiedade, letargia5 e falta de energia, falta de interesse em atividades normais, grandes mudanças nos hábitos alimentares e de sono, dificuldade de concentração, sentimento de culpa, dores que não têm explicação física e pensamentos suicidas.
  2. No transtorno bipolar, além dos sintomas3 da depressão, pode-se ter, alternativamente, sintomas3 de mania, com menos sono, sentimentos de autoconfiança exagerada, irritabilidade, agressividade, auto-importância, impulsividade, imprudência6 ou, em casos graves, delírios ou alucinações7.
  3. Nos transtornos de ansiedade há preocupação constante, pensamentos obsessivos, inquietação, dificuldade de concentração, tremor, irritabilidade, dificuldade de sono, suores, falta de ar, ritmo cardíaco acelerado e náusea8.
  4. Transtornos afetivos sazonais são uma forma de depressão que se manifesta do final do outono até o início da primavera.
  5. Transtorno ciclotímico é um distúrbio que causa altos e baixos emocionais que são menores que os do transtorno bipolar.
  6. Transtorno disfórico pré-menstrual é constituído por alterações de humor e irritabilidade que ocorrem durante a fase pré-menstrual da mulher e desaparecem com o início da menstruação9.
  7. Transtorno depressivo persistente (distimia) é uma forma de depressão mais leve, mas de longo prazo.
  8. Distúrbio disruptivo da desregulação do humor é um distúrbio de irritabilidade crônica e persistente em crianças e que inclui explosões temperamentais.
  9. Depressão relacionada à doença médica é diretamente relacionada aos efeitos de uma outra condição médica.
  10. Depressão induzida pelo uso de substâncias ou medicação se desenvolve durante ou logo após o uso ou a retirada da substância.
Leia sobre "Papel dos neurotransmissores", "Alucinações7", "Transtorno disfórico pré-menstrual" e "Distimia".

Como o médico diagnostica os transtornos afetivos?

Não há exames laboratoriais para diagnosticar os distúrbios afetivos. O diagnóstico10 deve ser feito a partir dos sintomas3 relatados pelo paciente e dos informes e observações dos familiares. Alguns casos exibem sinais4 muito evidentes, que podem ser captados pelo próprio médico. Um psiquiatra ou outro profissional de saúde11 mental treinado deve fazer uma avaliação psiquiátrica do paciente.

Como o médico trata os transtornos afetivos?

O tratamento para os transtornos afetivos envolve uma combinação de medicações e psicoterapia. Existem muitos medicamentos antidepressivos eficazes disponíveis. O médico e o paciente precisam encontrar aquele que ajude a aliviar os sintomas3 sem causar muitos efeitos colaterais12. A psicoterapia também é uma parte importante do tratamento e pode ajudar o paciente a aprender a lidar com o seu transtorno e, possivelmente, a mudar comportamentos que contribuem para isso.

Como evoluem os transtornos afetivos?

Com tratamento adequado, as perspectivas de recuperação dos transtornos afetivos são boas. No entanto, num grande número de casos essas são condições crônicas e graves. A maioria delas precisa ser tratada a longo prazo. Em geral, as pessoas com transtornos afetivos, que estão sendo tratadas, podem viver uma vida normal.

Veja também sobre "Psicoterapias", "Limite entre ciúme normal e patológico" e "Dependência emocional".

 

ABCMED, 2019. Transtornos afetivos - quais são os principais? O que deve ser feito?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1341388/transtornos-afetivos-quais-sao-os-principais-o-que-deve-ser-feito.htm>. Acesso em: 15 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
2 Fator de risco: Qualquer coisa que aumente a chance de uma pessoa desenvolver uma doença.
3 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
4 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
5 Letargia: Em psicopatologia, é o estado de profunda e prolongada inconsciência, semelhante ao sono profundo, do qual a pessoa pode ser despertada, mas ao qual retorna logo a seguir. Por extensão de sentido, é a incapacidade de reagir e de expressar emoções; apatia, inércia e/ou desinteresse.
6 Imprudência: Inobservância das precauções necessárias. É uma das causas de imputação de culpa previstas na lei.
7 Alucinações: Perturbações mentais que se caracterizam pelo aparecimento de sensações (visuais, auditivas, etc.) atribuídas a causas objetivas que, na realidade, inexistem; sensações sem objeto. Impressões ou noções falsas, sem fundamento na realidade; devaneios, delírios, enganos, ilusões.
8 Náusea: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc.
9 Menstruação: Sangramento cíclico através da vagina, que é produzido após um ciclo ovulatório normal e que corresponde à perda da camada mais superficial do endométrio uterino.
10 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
11 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
12 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
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