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Covid-19, gravidez e amamentação

Tuesday, February 23, 2021
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Covid-19, gravidez e amamentação

Todas as afirmações feitas no momento sobre aspectos particulares da Covid-19 devem ser tomadas como impressões iniciais. No entanto, muitas delas são alicerçadas em observações médicas responsáveis e, embora não tenham o rigor de uma pesquisa oficial, devem servir para orientação das pessoas num momento de inseguranças como este.

Tanto a Mayo Clinic como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos Estados Unidos, apontam que as mulheres grávidas pertencem ao grupo de risco para a Covid-19. De acordo com os pesquisadores, embora ainda não existam estudos definitivos sobre o tema, os resultados apontam a necessidade de protocolos de tratamento específicos para grávidas infectadas pelo novo coronavírus.

Como contraponto, um estudo realizado em hospitais do Reino Unido concluiu que gestantes não são mais vulneráveis a complicações graves da covid-19 do que outras mulheres. Já os pesquisadores da Universidade de Oxford descobriram que, embora as gestantes não sejam mais vulneráveis a complicações graves, a maioria das que ficaram gravemente doentes estava no terceiro trimestre da gravidez.

Quais são as relações conhecidas até o momento entre covid-19 e gravidez?

Alguns estudos apontam que grávidas são um grupo de risco para a Covid-19. Não porque elas se infectem mais que a população geral, mas sim porque têm mais riscos de complicações caso adoeçam. Por um lado, a probabilidade de que a Covid-19 se agrave é baixa porque se trata de mulheres jovens, mas as gestantes estarão em maiores riscos que as não grávidas da mesma idade se tiverem de ser levadas a uma UTI ou se precisarem de ventilação mecânica (duas vezes mais frequentemente que outras mulheres da mesma idade), podendo inclusive estar em maior risco de morte (70% a mais que as não grávidas).

Entre as grávidas, esses riscos se agravam com a idade: as mulheres grávidas de 35 a 44 anos com Covid-19 parecem ter mais probabilidades de precisar de ventilação invasiva e morrer que as não gestantes da mesma idade.

Leia sobre "Tempo de permanência do coronavírus nas superfícies", "Novas variantes do coronavírus" e "Eficácia das vacinas atualmente em uso contra a COVID-19".

Por que a gravidez aumenta os riscos da covid-19?

A explicação para esse aumento parece estar nas mudanças fisiológicas que a mulher sofre durante a gravidez. O sistema imunológico de uma grávida sofre mudanças para não rejeitar o feto como um corpo estranho. Não é que a grávida esteja imunodeprimida, mas pode haver mudanças imunológicas que influenciam numa maior reação inflamatória à Covid-19.

Com a gravidez, o útero vai tomando mais espaço e em razão disso os pulmões reduzem sua capacidade de expansão. O esforço para respirar é maior, e a capacidade pulmonar, menor. Por outro lado, o trabalho cardíaco é maior, sobretudo no último trimestre da gravidez, e há menos oxigênio para todos os órgãos vitais.

As grávidas normalmente já têm um risco aumentado de trombose, que fica ainda maior no caso de Covid-19, que tem a tendência própria de provocar tromboembolismos. Além disso, o vírus entra nas células através do receptor da enzima conversora de angiotensina, que é aumentada durante a gravidez normal. Todas essas alterações não são muito diferentes das que ocorrem com outras infecções respiratórias virais nas grávidas, porém geralmente são mais graves na Covid-19.

Há relatos bastante confiáveis de que os bebês de mulheres que tiveram Covid-19 durante a gravidez nascem com anticorpos para o vírus, transmitidos por suas mães. Há também relatos de presença de anticorpos semelhantes mesmo em bebês de mães que não tiveram a doença, mas que receberam a vacina (da Moderna) enquanto estavam grávidas.

O que sabemos até o momento sobre a relação entre covid-19 e amamentação?

Segundo as informações disponíveis até o momento, não existe relato nem comprovação de transmissão do coronavírus pelo leite materno. A OMS recomenda que as mães com Covid-19 sejam encorajadas a amamentar, já que os benefícios da amamentação superam substancialmente os riscos potenciais de transmissão da doença. Também o Ministério da Saúde do Brasil e a Sociedade Brasileira de Pediatria aconselham manter o aleitamento materno.

A presença de IgA no leite materno é uma das maneiras pelas quais a amamentação protege os bebês contra infecções e mortes em geral. Os anticorpos IgA com reatividade ao vírus da Covid-19 foram detectados no leite materno de mães previamente infectadas, embora sua força e durabilidade ainda não tenham sido adequadamente estudadas.

Os riscos da transmissão interpessoal mãe/bebê são mínimas, especialmente se forem observados os cuidados preventivos habitualmente recomendados. Deve ser permitido à mãe e ao bebê permanecerem juntos, num mesmo alojamento, tanto durante o dia como à noite, e manter o contato pele a pele, incluindo cuidados com a mãe canguru, em que o bebê prematuro é colocado em contato pele a pele com sua mãe, especialmente imediatamente após o nascimento.

A orientação atual da OMS é que as mulheres com Covid-19 podem e devem amamentar e segurar seus bebês, porque o contato próximo e a amamentação ajudam-no a se desenvolver, mas devem tomar precauções de fazer a higiene respiratória durante a alimentação, incluindo o uso de máscara médica, lavar as mãos com água e sabão por 20 segundos antes e depois de tocar no bebê e limpar e desinfetar rotineiramente as superfícies em que tenham tocado.

Veja também sobre "Falta de ar - o que fazer", "Oximetria", "Gasometria arterial", "Oxigenoterapia" e "Covid-19, gravidez e parto".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do CDC - Centers for Disease Control and Prevention e da WHO - World Health Organization

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Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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