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O que é hepatograma?

Monday, August 10, 2020
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O que é hepatograma?

O que é hepatograma?

Chama-se hepatograma ao conjunto de elementos químicos dosados no sangue que fornecem informações sobre o estado de funcionamento do fígado e das vias biliares. Por essa razão, o hepatograma pode ser chamado também de provas de função hepática.

O fígado desempenha várias funções vitais do corpo, como remoção de restos metabólicos inservíveis do sangue, conversão de nutrientes dos alimentos que se ingere, armazenamento de minerais e vitaminas, regulação da coagulação do sangue, produção de colesterol, proteínas, enzimas e bile, fabricação de fatores que combatem a infecção, remoção de bactérias do sangue, processamento de substâncias que poderiam prejudicar o corpo, manutenção do equilíbrio hormonal e regulação dos níveis de açúcar no sangue.

Os exames de função hepática ajudam a diagnosticar e monitorar alterações dessas funções (doenças ou danos no fígado). Alguns desses exames medem também o desempenho do fígado em suas funções normais de produção de proteínas e eliminação da bilirrubina, que é um produto metabólico residual. Outros testes de função hepática medem enzimas que as células hepáticas liberam em resposta a danos ou doenças. Os resultados anormais dos testes da função hepática nem sempre indicam uma doença hepática definida e muitas vezes são apenas repercussões sobre o fígado de anomalias de outros órgãos.

Leia sobre "Hemangioma hepático", "Tumores benignos do fígado", "Esteatose hepática" e "Câncer de fígado".

Em que consiste o hepatograma?

Os exames de função hepática medem os níveis de certas enzimas e proteínas no sangue e servem para: triagem de infecções hepáticas, como a hepatite, por exemplo; monitorar a progressão de uma doença, como hepatite viral ou alcoólica; avaliar como um determinado tratamento está funcionando; medir a gravidade de uma doença, particularmente cicatrizes do fígado (cirrose); monitorar possíveis efeitos colaterais de medicamentos.

O hepatograma consiste em dosar as seguintes substâncias:

1. Aspartato aminotransferase (AST) e alanina aminotransferase (ALT), antigamente chamadas de transaminase glutâmica oxalacética (TGO) e transaminase glutâmica pirúvica (TGP), respectivamente. AST ajuda a metabolizar aminoácidos. Normalmente está presente no sangue em níveis baixos e um aumento desses níveis pode indicar dano hepático, doença ou dano muscular. A ALT é uma enzima encontrada no fígado que ajuda a converter proteínas em energia para as células do fígado. Quando o fígado está danificado, a ALT é liberada na corrente sanguínea e os níveis aumentam.

2. A fosfatase alcalina (FA) é uma enzima importante para quebrar as proteínas. Níveis dela mais altos que o normal podem indicar lesão ou doença hepática, como ducto biliar bloqueado ou certas doenças ósseas.

3. Gama glutamiltranspeptidase (GGT) é uma enzima no sangue cujos níveis acima do normal podem indicar danos no fígado ou no ducto biliar. Os níveis de GGT também são mais altos durante o segundo e o terceiro trimestres da gravidez.

4. Bilirrubinas direta, indireta e total. A bilirrubina é uma substância produzida durante a degradação normal dos glóbulos vermelhos. Passa pelo fígado e é excretada nas fezes. Níveis elevados de bilirrubina levam à icterícia e podem indicar danos ou doenças no fígado, ou certos tipos de anemia.

5. O tempo de protrombina (TP) é o tempo que o sangue leva para coagular. O aumento do TP pode indicar danos no fígado, uma vez que o fígado é responsável pela produção da grande maioria dos fatores de coagulação, mas também pode estar elevado se a pessoa estiver tomando certos medicamentos para “ralear” o sangue.

6. A albumina é uma das várias proteínas produzidas pelo fígado. O corpo precisa dessas proteínas para combater infecções e executar outras funções. Níveis de albumina e proteína total abaixo do normal podem indicar dano ou doença hepática.

7. Lactato desidrogenase (LDH) a níveis elevados pode indicar danos no fígado, embora possa também estar elevada em muitos outros distúrbios.

Outros testes podem ser solicitados para descartar causas específicas:

8. O 5' Nucleotidase (5'ND) tem seu nível aumentado em condições como icterícia obstrutiva, doença hepática parenquimatosa, metástases hepáticas e doença óssea.

9. A ceruloplasmina é uma proteína transportadora do íon de cobre. Seus níveis aumentam em infecções, artrite reumatoide, gravidez, doença hepática não Wilson e icterícia obstrutiva. Na doença de Wilson, o nível de ceruloplasmina é diminuído, o que leva ao acúmulo de cobre nos tecidos do corpo.

10. A alfafetoproteína (AFP) é expressa mais significativamente no fígado fetal e praticamente suprimida em adultos. O aumento da AFP sugere a exposição do fígado a agentes causadores de câncer e/ou à interrupção da maturação hepática na infância.

12. A glicose sérica mede a capacidade do fígado de produzir glicose (gliconeogênese). Geralmente é a última função a ser perdida no cenário de insuficiência hepática fulminante.

Para quem não possui sintomas ou não tem conhecimento de alguma doença do fígado, geralmente só os quatro primeiros exames são solicitados. Para aqueles que já tem conhecimento de possuírem problemas hepáticos é importante testar todos os itens citados para fazer uma avaliação precisa da função do fígado.

Quando os testes laboratoriais indicarem que o fígado pode não estar funcionando adequadamente, o médico poderá fazer uma biópsia hepática para aprender com mais precisão a real condição do órgão. A biópsia hepática ajuda a diagnosticar doença hepática e o estágio em que ela está, detectar câncer e infecções e também fornecer razões para inchaço do fígado ou níveis anormais de enzimas hepáticas.

Veja também sobre "Hemocromatose", "Cistos hepáticos" e "Cirrose hepática".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic e da Cleveland Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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